O humorista Dedé Santana foi internado, hoje, em Goiânia. Ele deu entrada no Hospital Estadual de Urgências Governador Otávio Lage de Siqueira de Goiás (Hugol) após uma indisposição. Dedé teve alteração na pressão e está em observação. Segundo a assessoria informou, ele foi encaminhado ao hospital por precaução e passará por exames.
De acordo com a produção do Espetáculo Abracadabra, integrado pelo artista, até o momento, a apresentação marcada para o dia 28 de fevereiro, em Goiânia, está mantida. A assessoria estima que ele deve deixar o hospital em breve.
Em 2025, Dedé Santana também passou por dois períodos de internação. O primeiro, em São Paulo, também por causa de alterações na pressão arterial. O humorista chegou a aparecer em cadeira de rodas. A segunda vez, no Rio de Janeiro, foi devido a um quadro de infecção urinária que se agravou e evoluiu para um problema renal.
Partidos de oposição no Distrito Federal protocolaram um pedido de impeachment contra o governador Ibaneis Rocha, após ele ser citado pelo banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, nas investigações sobre a tentativa de venda da instituição ao Banco de Brasília (BRB).
Os pedidos foram apresentados pelo PSB-DF e pelo Cidadania-DF e também pelo PSOL. As legendas apontam supostos crimes de responsabilidade relacionados à atuação do governo local em operações envolvendo o banco público. Os partidos afirmam que houve “atuação temerária” do Executivo, com risco ao erário e violação de princípios da administração pública.
Entre os pontos citados estão a compra de títulos considerados de baixa qualidade e origem irregular, a criação de dívidas fora do orçamento, negociações sem transparência com o banqueiro e possível influência indevida do governador em decisões internas do BRB.
O governador nega. Em declarações à imprensa ontem (23), Ibaneis afirmou que nunca tratou da operação BRB–Master com Vorcaro e que todas as negociações foram conduzidas por Paulo Henrique Costa, então presidente do BRB. Ele confirmou encontros sociais com o banqueiro, incluindo um almoço na casa de Vorcaro “organizado por um amigo em comum”, mas disse que não discutiu assuntos relacionados ao banco.
Ibaneis também afirmou que “tudo era conduzido” pelo ex-presidente do BRB, demitido após a deflagração de operações da Polícia Federal (PF) e do Ministério Público. Em 2024 e 2025, o BRB injetou R$ 16,7 bilhões no Banco Master, transferências que são alvo de investigação por suspeita de gestão fraudulenta.
“Em momento algum nas quatro vezes que o encontrei tratei de assuntos relacionados ao BRB–Master. Entrei mudo e saí calado. O único erro meu foi ter confiado demais no Paulo Henrique [Costa]”, disse Ibaneis Rocha.
Acusações
Segundo as investigações do Ministério Público Federal e da Polícia Federal, o Banco Master teria vendido ao BRB cerca de R$ 12,2 bilhões em carteiras inexistentes, numa tentativa de evitar a quebra da instituição privada, que enfrentava crise de liquidez. O caso resultou na liquidação do Banco Master pelo Banco Central, em novembro.
O rombo estimado no BRB chega a R$ 4 bilhões. Segundo os jornais Folha de S.Paulo e Valor Econômico, o Banco Central (BC) determinou que o BRB faça um provisionamento (reserva para cobrir prejuízos) de pelo menos R$ 2,6 bilhões. Até agora, o BC não confirmou a informação.
Ex-executivos das duas instituições foram intimados a prestar depoimento no fim de janeiro e início de fevereiro. As apurações indicam falhas graves de governança e possíveis ilícitos administrativos nas operações.
Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, Vorcaro afirmou à Polícia Federal ter conversado “algumas vezes” com Ibaneis sobre as negociações. A informação veio a público após acesso da publicação ao depoimento prestado pelo banqueiro à PF em 30 de dezembro, por determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli.
Situação das apurações
As investigações indicam que, ao longo de 2025, o BRB tentou adquirir uma fatia relevante do Banco Master, iniciativa que contou com apoio do governo do Distrito Federal, acionista controlador do banco público, mas acabou barrada pelo Banco Central. Paralelamente, a Polícia Federal apura se o BRB comprou carteiras de crédito de alto risco da instituição privada, avaliando eventuais falhas nos processos internos de análise, aprovação e governança.
Em novembro, uma operação conjunta da PF e do Ministério Público afastou do cargo o então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, posteriormente demitido. Além das apurações conduzidas por esses órgãos e pelo Banco Central, a nova gestão do BRB e uma auditoria independente também analisam as transações, mas ainda não divulgaram conclusões oficiais.
Após se enfrentarem na eleição para a prefeitura de Goiânia em 2024 — marcada por ataques e um racha na direita —, o grupo político do governador de Goiás e pré-candidato à Presidência, Ronaldo Caiado (União Brasil), e integrantes do PL agora negociam uma aliança no estado para o pleito deste ano. Enquanto aliados de Caiado se movimentam em prol da pré-candidatura do vice-governador, Daniel Vilela (MDB), ao Palácio das Esmeraldas, o partido do ex-presidente Jair Bolsonaro busca com a movimentação costurar uma chapa forte para disputar o Senado.
Caiado tratou da possível composição no estado em um encontro no fim de dezembro com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), escolhido pelo pai para a corrida ao Planalto. “Foi uma conversa madura sobre o cenário nacional e local. Falamos sobre manter as conversas que devem se intensificar e afunilar em 2026. E as decisões serão tomadas no tempo certo e com maturidade política”, afirmou Vilela.
A negociação entre o União e o PL em Goiás começou há cerca de um ano, durante uma visita de Vilela a Bolsonaro. O encontro foi articulado pelo ex-deputado federal e vereador Major Victor Hugo (PL), que chegou a ocupar a liderança do governo do ex-presidente na Câmara.
Divisão interna
Na ocasião, a reunião provocou a publicação de uma nota de repúdio do presidente estadual do PL, senador Wilder Morais (GO), que lançou no ano passado sua pré-candidatura ao governo de Goiás. O texto criticava o correligionário por estabelecer “diálogos com seus adversários em âmbito estadual”. À época, o campo governista e a sigla de Bolsonaro tinham acabado de se enfrentar na eleição pelo comando de Goiânia. Sandro Mabel (MDB), que teve o apoio de Caiado, venceu a disputa no segundo turno contra o ex-deputado federal Fred Rodrigues (PL).
A pré-candidatura de Wilder foi lançada sob divisão no PL: parte defendeu apoio ao vice de Caiado e outra, que saiu vencedora, se manifestou favorável a uma candidatura própria. A chapa também inclui como pré-candidato ao Senado o deputado federal Gustavo Gayer (PL-GO). Em nota, o partido afirmou que os dois “reforçam a unidade interna da legenda e a construção de uma chapa majoritária robusta, com forte apelo entre o eleitorado conservador do estado”.
Como parte da estratégia para viabilizar a candidatura estadual, o partido promoveu uma série de encontros entre correligionários e apoiadores no estado ao longo do mês de dezembro, após cobranças de aliados do parlamentar por mais aparições públicas de Wilder. O senador apareceu em terceiro lugar na última rodada da Genial/Quaest para a corrida estadual, feita em agosto do ano passado, com 10% das intenções de voto. Aposta de Caiado e à frente no levantamento, Vilela somou 26%. Marconi Perillo (PSDB), cuja candidatura é vista como incerta por interlocutores, marcou 22%.
Integrantes do PL mais próximos do MDB, ouvidos reservadamente, alegam que o lançamento da pré-candidatura de Wilder serviu para marcar posição e, futuramente, negociar com Vilela. Internamente, a sigla tem enfrentado uma debandada de prefeitos, que buscam se filiar ao União de Caiado ou ao MDB do vice-governador.
O movimento é criticado por Fred Rodrigues, candidato derrotado no pleito para a prefeitura de Goiânia em 2024 e vice-presidente estadual do PL, que afirma que a investida contra os prefeitos “não é um bom cartão de visitas”. Rodrigues, contudo, admite que a sigla tem interesse em compor na chapa da primeira-dama Gracinha Caiado (União Brasil), que tem liderado pesquisas de intenção de voto para o Senado no estado.
“Se o governador tinha a pretensão de construir um apoio do PL nacional e estadual, essa investida contra os prefeitos feito pelo MDB e pelo União Brasil certamente não é um bom cartão de visitas e deve atrapalhar a possibilidade de costuras futuramente”, afirma o bolsonarista.
Movimentação nacional
Em paralelo, Caiado busca atrair votos da base bolsonarista e tem investido no discurso sobre segurança pública e no antipetismo. No ano passado, também fez acenos a Bolsonaro ao prometer anistia ao ex-mandatário em caso de vitória nas eleições presidenciais. Em dezembro, Caiado anunciou que vai manter sua pré-candidatura mesmo após Flávio ser escolhido para representar o pai na corrida pelo Palácio do Planalto.
O deputado federal Rodrigo Rollemberg (PSB) publicou, nas redes sociais, um relato sobre sua aproximação com o ex-governador Eduardo Campos e o papel de Miguel Arraes em um momento de crise interna do PSB no Distrito Federal.
No depoimento, Rollemberg conta que, à época presidente do partido no DF, procurou Eduardo Campos em meio a um processo de intervenção na legenda. “Eu conheci Eduardo Campos na porta do Carpe Diem. Tinha um processo de intervenção no PSB do Distrito Federal, eu era presidente. E o PSB tinha o Garotinho como candidato”, relatou. Segundo ele, Campos orientou que a questão fosse tratada diretamente com Miguel Arraes. “Ele falou assim: não adianta você pedir isso a mim, você tem que falar com o Miguel Arraes. Ele me deu o telefone, me deu o endereço do Miguel Arraes em Pernambuco. Vá, abra seu coração e conte tudo para o Miguel Arraes”, afirmou.
Rollemberg diz que viajou ao Recife no dia seguinte e expôs a situação ao então líder socialista, incluindo o rompimento com o candidato Anthony Garotinho e o apoio a Lula no fim da campanha. De acordo com o parlamentar, Arraes acolheu o diálogo e optou por não avançar com a intervenção no DF, diferentemente do que ocorreu em outros estados. O deputado conclui afirmando que, a partir daquele episódio, construiu uma amizade enorme com o Eduardo Campos e com o Miguel Arraes.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi alvo de protestos na noite da última sexta-feira (31), durante o show da banda americana Guns N’ Roses, realizado na Arena Pantanal, em Cuiabá (MT).
Durante o intervalo da apresentação, o público iniciou um coro contra o presidente, com gritos de “Ei, Lula, vai tomar no c*”. A manifestação foi registrada por centenas de pessoas, de diferentes pontos do estádio, com os vídeos sendo publicados nas redes sociais. As informações são da Gazeta Pernambucana.
As imagens mostram a plateia entoando o grito, em tom de protesto, enquanto aguardava a retomada do show. A banda não se pronunciou sobre o ato.
A apresentação fez parte da turnê da banda no Brasil, que já passou por outras capitais e reuniu milhares de pessoas nas arenas. Esta não é a primeira vez que o presidente Lula é vaiado ou alvo de manifestações durante eventos culturais ou esportivos com grande público.
O incêndio que atinge a Chapada dos Veadeiros, no estado de Goiás, há mais de uma semana, atingiu, aproximadamente, 25 mil hectares. De acordo com o Corpo de Bombeiros, a maior parte da área atingida é composta por serras e morros, com 60 mil hectares de áreas protegidas sob risco.
Equipes do Corpo de Bombeiros Militar de Goiás estão atuando na região do Rio Preto, em Colinas do Sul (GO), nas proximidades da Subestação de Energia Elétrica Serra da Mesa II, para conter as chamas, que começaram no município de Cavalcante. As informações são do portal Metrópoles.
Conforme a corporação, as equipes concentram esforços em um dos principais pontos de combate, com o objetivo de impedir que o incêndio avance para áreas de pastagem e atinja uma Área de Preservação Permanente (APP). Focos continuam ativos em duas frentes antagônicas, exigindo trabalho intenso e constante reposicionamento devido às mudanças no vento.
Segundo o Corpo de Bombeiros, as ações têm como objetivo proteger propriedades rurais e fauna local e evitar a propagação para áreas de preservação. As principais ações realizadas incluem a abertura de aceiros, combate direto às chamas, rescaldo e monitoramento contínuo. A operação conta também com o apoio logístico de fazendeiros da região, que auxiliam com insumos e estrutura. Devido às condições de vento e relevo, a previsão é de que o incêndio ainda perdure por mais alguns dias.
Ainda conforme o Corpo de Bombeiros, o fogo atinge outras duas regiões. Uma equipe atua na região do povoado da Rocinha, Fazenda Mato Verde e Fazenda Brejo, no município de Cavalcante. No local, a maior parte do incêndio esteja controlada, ainda há focos ativos em algumas frentes.
Neste ponto, a estimativa é de que aproximadamente 27 mil hectares tenham sido atingidos, abrangendo áreas de serras, morros e zonas próximas a pequenas propriedades rurais. A área protegida da região chega a cerca de 50 mil hectares, com risco potencial para residências e animais.
A terceira equipe atua nas proximidades do Parque Estadual Águas do Paraíso, em Alto Paraíso de Goiás. Na operação, estão empenhadas equipes do Corpo de Bombeiros, além de 4 brigadistas do Parque (SEMAD) e 4 brigadistas do Prevfogo (IBAMA e ICMBio), distribuídos em quatro viaturas tipo ASA (caminhonetes).
A estimativa de área atingida é de aproximadamente 25 mil hectares, englobando áreas protegidas, propriedades rurais e o entorno do Parque Estadual Águas do Paraíso. As principais ações realizadas incluem combate direto às chamas, rescaldo e monitoramento de possíveis reignições. A operação conta com o apoio da SEMAD, dos brigadistas do Parque Estadual Águas do Paraíso, do IBAMA e do ICMBio, reforçando o trabalho integrado entre as instituições. Segundo a corporação, a previsão é de que o incêndio esteja totalmente debelado ainda hoje.
Um acidente aéreo matou quatro pessoas no Pantanal, em Mato Grosso do Sul. A queda ocorreu na noite de ontem, na zona rural de Aquidauana, segundo o portal G1. Entre as vítimas, estão um dos maiores arquitetos do mundo e um cineasta brasileiro.
Segundo a Polícia Civil e o Corpo de Bombeiros sul-matogrossense, estavam a bordo da aeronave o piloto Marcelo Pereira de Barros, o arquiteto Kongjian Yu, o cineasta Luiz Fernando Feres da Cunha Ferraz e Rubens Crispim Júnior. Todos morreram. Os corpos ficaram carbonizados, de acordo com a delegada Ana Cláudia Medina, do Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado (Dracco).
Pelas primeiras informações das autoridades, a queda aconteceu na região da Fazenda Barra Mansa, uma área turística do Pantanal conhecida por receber visitantes do Brasil e do exterior. A aeronave era um modelo Cessna, de pequeno porte. Também segundo a delegada do caso, o avião explodiu após atingir o solo.
Os agentes estão a caminho da fazenda para iniciar a retirada dos corpos. O Dracco vai investigar inicialmente as causas da queda. A região onde o acidente ocorreu é de difícil acesso, o que pode dificultar os trabalhos das equipes de resgate e perícia. Isso porque o Pantanal enfrenta períodos de seca e cheia extremos – condições climáticas que devem ser consideradas na investigação.
Luiz Ferraz, documentarista, estava no local com o arquiteto paisagista Kongjian Yu para gravar um documentário sobre cidades esponja. O conceito, que faz referência a uma solução para as enchentes, foi criado pelo próprio chinês, que vinha ganhando destaque mundial a partir dessa ideia.
Trata-se de uma adaptação de práticas ancestrais de milhares de anos, usadas em vilas rurais, nas quais a vegetação e as estruturas de contenção desaceleram o fluxo da água, como Yu explicou em agosto do Fantástico, da TV Globo.
A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) prendeu, na tarde deste sábado (20), Lucas Ribeiro Leitão, de 30 anos, suspeito de planejar um atentado em Brasília. A ação foi conduzida pela Divisão de Proteção e Combate ao Extremismo Violento (DPCev), após trabalhos de inteligência que monitoraram as redes sociais do investigado, onde ele fazia ameaças explícitas e incitava atos de violência.
Trechos das publicações que embasaram a investigação mostram o suspeito convocando seguidores para uma “guerra”. Em uma das mensagens, Lucas afirma que já possui uma “ogiva pronta para destruir a metade desse país”, já em outra, diz que “já temos um primeiro país para conquistar: Portugal”. As informações são do Correio Braziliense.
Além disso, ele teria incentivado apoiadores a se reunirem em rodovias e manifestado a intenção de “subir” para Brasília com presos, dizendo que viraria o ano “no presídio com eles”. Devido ao teor das postagens, as equipes iniciaram o monitoramento que culminaram na detenção do suspeito.
Outra tentativa
A prisão de Lucas acontece menos de um ano após outra detenção, ocorrida em 29 de dezembro de 2024, quando ele foi capturado na Bahia, também pela DPCev, enquanto se deslocava em direção ao Distrito Federal. Na ocasião, o suspeito carregava uma faca, admitiu planos de ataque e utilizava uma conta fechada no Instagram para anunciar intenções de “botar fogo” no DF, um “ataque cirúrgico” e pedir aumento drástico na segurança pública.
Após a primeira prisão, Lucas passou por audiência de custódia e permaneceu detido enquanto as investigações continuavam. No entanto, a reativação das ameaças e o retorno de comportamentos semelhantes nas redes motivaram a reabertura das diligências que resultaram na nova prisão deste sábado.
A DPCev é especializada no combate ao extremismo violento e à prevenção de atos de terrorismo, está agora concentrada em apurar se Lucas tinha meios concretos para colocar seus planos em prática. A polícia investiga se havia estrutura logística, armamentos, possíveis coautores ou articulações que pudessem tornar reais as ameaças divulgadas.
A rotina de tranquilidade do condomínio de luxo Solar de Brasília, no Jardim Botânico (DF), foi interrompida desde que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) passou a cumprir prisão domiciliar em 4 de agosto de 2025. Porém, o incômodo gerado por apoiadores e críticos vem se agravando.
Desde o início do julgamento do ex-mandatário no STF (Supremo Tribunal Federal), na última terça-feira (2), brigas, protestos, buzinaços e congestionamentos passaram a fazer parte da rotina dos portões do Solar.
Na segunda-feira (1º), os filhos e apoiadores do ex-presidente organizaram uma vigília em frente ao condomínio. Já no dia seguinte (2), no primeiro dia de julgamento, um boneco de Bolsonaro, com mais de 3 metros de altura, vestido de presidiário foi inflado por integrantes do MTST que também carregavam uma faixa com a frase “Bolsonaro na cadeia”.
O boneco causou irritação nos moradores. Um deles, trajado com uma camiseta do Fluminense, saiu enfurecido de sua casa e tentou rasgar a faixa. Logo depois, uma briga generalizada se instalou na portaria do condomínio. A polícia interveio. Ninguém se feriu.
Veja momento da briga:
O ato religioso voltou a se repetir. Em 2 de setembro, apoiadores do ex-presidente fizeram vigília – com direito a trio elétrico – em frente ao condomínio. Participaram Zé Trovão (PL-SC), Gustavo Gayer (PL-GO), André Fernandes (PL-CE), Gilvan da Federal (PL-SC) e mais de 50 apoiadores.
Lili Carabina, a pastora de 62 anos, que é presença frequente e autodenominada “atriz principal” dos atos de Bolsonaro, diz que as vigílias no condomínio acontecerão em todos os dias de julgamento do núcleo 1. “A gente está todo dia. Revezamos às 11h e 20h. Tem oração porque com Bolsonaro não tem canseira”, disse.
Cartas também serão enviadas ao ex-presidente. A rádio bolsonarista Auriverde criou campanha para que apoiadores mandem missivas a Jair Bolsonaro. As mensagens serão enviadas para a sede do PL, em Brasília. O Poder360 perguntou à rádio como e quando as cartas chegarão ao ex-presidente, mas não recebeu resposta até a publicação desta reportagem.
Leia o comunicado:
O fluxo constante de manifestantes tem sido uma das principais fontes de transtorno para os vizinhos.
Veja vídeo de moradora sobre o condomínio:
A situação levou a administração do condomínio a emitir comunicados para tentar restabelecer a ordem. Em 12 de agosto, uma nota foi divulgada para “disciplinar” o uso de drones, destacando que o sobrevoo não autorizado pode ser considerado invasão de privacidade.
A equipe de segurança foi orientada a identificar os operadores dos drones para registrar ocorrência. Procurado pelo Poder360, o síndico do Solar de Brasília, Marcelo Feijó, preferiu não se manifestar.
Almeri, morador do Solar de Brasília, diz que a administração nunca informou sobre mudanças no cotidiano por causa das decisões do ministro Moraes. Afirma também que a administração não comunicou medidas para mitigar os impactos na vizinhança.
Outro ponto de atrito foi a criação de um grupo de WhatsApp com os moradores contrários à permanência de Bolsonaro no condomínio. Os moradores tentaram encontrar condições para expulsar o ex-presidente do Solar de Brasília, na esperança de retomar a tranquilidade no residencial.
Processo complexo
Apesar da negativa da administração, a possibilidade de expulsão de um condômino por comportamento antissocial existe, mas depende de um rito complexo, como explica o síndico profissional Giovanni Gallo. Segundo ele, a iniciativa deve partir dos próprios moradores. “Com ¼ dos moradores, eles conseguem convocar a Assembleia, caso o síndico não convoque”, esclarece.
A decisão, no entanto, exige um quórum elevado. “Para poder decidir pela expulsão, por votar pelo condômino antissocial, aí sim são necessários ¾”, detalha Gallo. Em um condomínio com 40 casas, por exemplo, seriam necessários 30 votos favoráveis.
Mesmo com a aprovação em assembleia, a expulsão não é automática. “Após essa assembleia, essa decisão de 3 quartos de condomínio antissocial, o condomínio vai até o judiciário, onde vai ser decidido pela decisão favorável ou não a expulsão do condômino, mesmo que ele seja proprietário. Ele pode continuar proprietário sem ter o direito de morar”, declara o síndico profissional.
Enquanto isso, a rotina no Solar de Brasília piora a cada visita ao ex-presidente. Carros precisam ser revistados pela polícia, assim como quem entra e quem sai da casa de Bolsonaro. A tendência, com a retomada do julgamento na terça-feira (10), é que mais apoiadores e manifestantes contrários a Bolsonaro tornem ainda mais conturbada a vida dos moradores do residencial.
A corridinha diária de 8 km, hoje, foi em Brasília, nas quadras residenciais entre a 202 e a 212 Norte. O frio já foi embora e a umidade relativa do ar baixou muito, em média 10%, só comparado a um verdadeiro deserto.