O ex-governador de Goiás e pré-candidato à Presidência da República, Ronaldo Caiado (PSD), criticou a postura do ex-presidente Jair Bolsonaro na pandemia e a política econômica do seu governo em entrevista ao podcast “Flow”, nesta quarta-feira (8). Ele declarou ainda que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do político que atualmente cumpre pena por tentativa de golpe de estado, não deveria concorrer ao mesmo cargo, em outubro, por não ter “estatura ética”.
Caiado fazia previsões sobre o “estouro da boiada” na campanha que faria dele o rival do presidente Lula (PT), em vez de Flávio, no segundo turno, cenário distante nas pesquisas, quando mencionou o governo do antigo aliado como uma chance perdida. Apesar de ter rompido com o ex-presidente por conta das diretrizes federais na pandemia, os dois reataram posteriormente e posaram para fotos juntos em diversas manifestações bolsonaristas e eventos de agronegócio pelo Brasil. As informações são do jornal O GLOBO.
Leia mais— A causa mais grave da derrota do Bolsonaro não foi apenas perder a eleição, mas a desestabilização que trouxe na economia brasileira e a situação a que estamos chegando hoje em consequência da falta de habilidade de governar o país e ser sensível naquele momento, quando as pessoas estavam morrendo de covid-19. Ao invés de, como ser humano, ele se colocar na defesa da vida, ele simplesmente resolveu ter aquele comportamento repudiado pela população — declarou.
O ex-governador preferiu não opinar se Flávio seria corrupto ou não por conta do envolvimento com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, ao pedir R$ 134 milhões para supostamente financiar o filme “Dark Horse”, que encena a trajetória de Bolsonaro. Ele reforçou, contudo, o discurso de que a insistência no candidato do PL pelo eleitorado mais à direita pode custar a vitória do presidente Lula.
— Você tem dados consistentes para fazer juízo de valor e rotular a pessoa como corrupta? Pode-se até dizer, mas temos comprovações até agora ou está sendo aberto o processo? Essa é a realidade, mas ele não deveria ser candidato à Presidência da República, porque o candidato não tem direito à presunção de inocência. Se tem algo vinculando a algum caso de corrupção, de desvio de comportamento ou de não ter estatura ética para disputar o cargo, você deveria ser afastado.
Pouco antes, Caiado criticou ainda o “ajoelhamento” de Flávio Bolsonaro aos interesses dos Estados Unidos no tarifaço, classificando a participação dele em audiência do governo norte-americano como um meio de evitar as sobretaxas apenas “até a eleição”. Nesse ponto, também houve críticas a Lula, acusado pelo rival de “provocar” Trump para sustentar o discurso de soberania e colher dividendos no pleito.
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