Almocei, há pouco, em Brasília, com o jornalista Houldine Nascimento, repórter do portal Poder360. Excelente repórter, Nascimento trabalhou neste blog antes de emprestar seu talento ao mercado da corte. Com ele, me atualizei um pouco dos bastidores da República.
Natural de Carnaíba, no Sertão do Pajeú, a advogada e professora Janielly Nunes chega à próxima etapa da disputa por uma vaga de desembargadora do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) credenciada por um resultado expressivo nas urnas, concedido pela advocacia pernambucana. Na próxima segunda-feira (9), o Tribunal escolhe os três nomes que formarão a lista tríplice do Quinto Constitucional, etapa que pode aproximar a sertaneja de um dos cargos mais importantes do Judiciário estadual.
Janielly foi a mais votada na eleição promovida pela OAB-PE, em 6 de outubro. Recebeu 6.829 votos, ficando à frente dos outros cinco nomes que integram a lista sêxtupla. O resultado ganha ainda mais significado quando se observa a distribuição da votação: a advogada conquistou apoio em diferentes regiões do Estado, demonstrando capilaridade para além da Região Metropolitana do Recife.
Na subseção de Afogados da Ingazeira, sua terra de origem, Janielly também terminou na primeira colocação, com 123 votos. A advogada é casada com o advogado Dominici Mororó e cunhada do Danilo Mororó, chefe de gabinete do conselheiro Ranilson Ramos, do Tribunal de Contas do Estado.
Também disputam o espaço os advogados Leonardo Oliveira (com 5.460 votos), Diana Câmara (com 5.359 votos), Isabela Lessa (com 4.759 votos), Henrique Seixas (com 4.561 votos) e Eliel Gomes (com 2.036 votos).
A votação, que reuniu 14.836 advogados e advogadas, foi a primeira realizada integralmente de forma on-line pela OAB. Depois da escolha dos seis representantes da advocacia, caberá agora ao Pleno do TJPE selecionar três nomes. A lista será encaminhada à governadora Raquel Lyra, responsável pela escolha final e nomeação do novo integrante da Corte.
A decisão da governadora também terá um componente de representatividade. Na escolha anterior, em novembro de 2025, Raquel optou pelo advogado Carlos Gil Rodrigues Filho, embora a lista tríplice também contasse com duas mulheres: Adriana Caribé e Diana Câmara.
Agora, uma nova oportunidade se apresenta para ampliar a presença feminina nos espaços de decisão do Judiciário pernambucano. Caso Janielly consiga chegar à lista tríplice, seu nome estará entre os que serão avaliados pela governadora.
Esta é a segunda vez que a advogada sertaneja participa da disputa pelo Quinto Constitucional. Na tentativa anterior, em 2024, não conseguiu avançar para a lista sêxtupla. Dois anos depois, retorna ao processo em uma condição diferente: além de integrar a relação dos seis escolhidos pela advocacia, conquistou a primeira colocação geral, com uma votação que a colocou em evidência no cenário jurídico estadual.
A sessão do próximo dia 9 será, portanto, mais um capítulo de uma trajetória que começou no Sertão e ganhou dimensão estadual. Para Janielly, o desafio agora é transformar o reconhecimento conquistado junto à advocacia em mais um passo rumo ao Tribunal de Justiça de Pernambuco.
Ex-banqueiro e ex-governador de Minas Gerais, atribui-se a Magalhães Pinto uma das mais frases mais célebres da sabedoria política brasileira. Aquela que diz: “Política é que nem nuvem. A gente olha, está de um jeito. Olha de novo, já mudou completamente”.
Quem olhasse o céu da política após o primeiro turno das eleições presidenciais, veria nas nuvens um formato perfeito para o crescimento da direita no Brasil, talvez até com grandes possibilidades de uma conformação hegemônica. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) saía dessa primeira volta à frente na corrida presidencial. E o PL conquistava as maiores bancadas tanto na Câmara quanto no Senado.
O final do segundo turno já mostrou as nuvens numa outra conformação. Luiz Inácio Lula da Silva derrotou Flávio Bolsonaro. Que acabou em seguida fugindo para os Estados Unidos.
Os movimentos seguintes deram uma coloração de chumbo a essas nuvens. Pelo menos no que se refere aos planos da direita. A tempestade para os ultraconservadores tornou-se perfeita com a derrota do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nas eleições de meio de mandato.
Foi uma derrota acachapante. A apuração não terminou, mas, preliminarmente, os democratas fizeram 234 cadeiras na Câmara contra somente 139 dos republicanos, enquanto outras 62 seguiam em disputa na quarta-feira (4). No Senado, serão 54 democratas contra 44 republicanos. E foram eleitos 28 governadores oposicionistas a Trump contra 20 que são seus aliados.
Uma situação que nubla completamente os planos dos irmãos Bolsonaro – Flávio e Eduardo – de contar com Trump para pressionar politicamente o Brasil a partir dos Estados Unidos. As chances de Trump impor novas sanções, como o tarifaço, ficarão bem reduzidas. Imaginar algo mais drástico como o que ele fez na Venezuela ao depor Nicolás Maduro, nem pensar. Trump é a partir de agora um “lame duck”, um “pato manco”, como os norte-americanos chamam os presidentes que saem enfraquecidos dessas eleições de meio de mandato.
E, por aqui, a banda da direita já começara a tocar em outro ritmo. A vitória por unanimidade que Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) obteve na PEC da Segurança o coloca muito forte no páreo para se manter no comando do Senado no ano que vem. O fato de a direita sair dividida com duas candidaturas – Rogério Marinho (PL-RN) e Tereza Cristina (PP-MS) – só o ajuda nos seus planos. Da mesma forma, na Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB) monta uma grande frente a seu favor. Que a desistência de Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) só facilita.
Se o céu da política seguirá assim daqui até fevereiro, quando o Congresso voltar na nova legislatura, não há meteorologista que possa saber. Afinal, já dizia Magalhães Pinto, “política é que nem nuvem”…
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, avaliou, hoje, que a taxa básica de juros da economia brasileira, fixada pelo Banco Central, é muito alta no Brasil.
Ele evitou, entretanto, criticar a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central que interrompeu nesta quarta-feira (4) o ciclo de corte da Selic ao manter a taxa estável em 13,75% ao ano.
“Eu não vou fazer esse tipo de comentário valorativo, mas, mais uma vez, a taxa de juros no Brasil é muito alta, o esforço que nós temos que fazer no governo Lula 4 é dar as condições corretas, estruturais, os corretos estímulos para que a gente diminua a taxa de juros”, disse o ministro.
Ele afirmou que a equipe econômica continuará trabalhando para reequilibrar as contas públicas, que vêm registrando déficits sucessivos nos últimos anos — fator que, segundo o mercado financeiro, tem pressionado as expectativas de inflação, o dólar e, consequentemente, a taxa de juros.
A Academia Pernambucana de Letras (APL) em parceria com o Consulado Argentino no Recife promove o projeto Novembro com Jorge Luis Borges, nesta sexta (06) e sábado (07), celebrando o legado de um dos mais influentes escritores do século XX. O argentino Jorge Luis Borges marcou a tradição literária latinoamericana e, em 2026, se completam 40 anos de sua morte. A programação homenageia o escritor e será aberta ao público, na APL, localizada no bairro das Graças.
O encontro reunirá palestrantes e mediadores que são estudiosos envolvidos com trabalhos sobre Borges ou com a cultura literária em maior escala. “Nossa intenção é fortalecer o vínculo entre as culturas. O evento serve como um ponto de partida para outros acontecimentos culturais envolvendo o Brasil e a Argentina. A vocação da APL de preservar e lançar luz à produção literária pernambucana não é um fator limitador, pelo contrário, como instituição defensora da cultura literária, nossa missão inclui debater e apresentar produções relevantes de uma forma global, como faremos nesta ocasião”, resume a presidente da APL, Margarida Cantarelli.
Para o acadêmico e professor Peron Rios – um dos curadores do evento juntamente com a acadêmica Jô Mazzarolo – a relação entre Borges e o Recife se dá literariamente, mais do que pelo quesito biográfico. “O escritor não visitou Pernambuco nem a sua capital, mas estabeleceu laços de afinidade estética essenciais, o que será explorado por palestrantes e mediadores. A obra de Borges permite que cidades como Recife possam repensar-se em seus marcos geográficos, símbolos e referências culturais”, explica.
O projeto Novembro com Jorge Luis Borges terá início às 9h da sexta-feira (06) e seguirá até 16h, com palestras e debates. No sábado (07), das 13h30 até 18h, com leitura de poema, palestras e um coquetel de encerramento. O evento terá entrada gratuita e haverá emissão de certificados.
“Esta iniciativa inédita valoriza a literatura argentina por meio de Jorge Luis Borges, um dos escritores mais influentes do século XX, e fortalece nossa parceria com a Academia Pernambucana de Letras. Queremos criar pontes entre as tradições literárias argentina e pernambucana, aproximando culturas e promovendo novos diálogos por meio da literatura”, afirma a Cônsul Geral da Argentina no Recife, Julieta Grande.
Com 29.102 votos para deputado estadual nas eleições de 2026, dos quais quase 20 mil somente em Caruaru, o vereador Anderson Correia (PP) encerra o pleito fortalecido politicamente. Mesmo ficando na suplência da Federação União Progressista, o resultado demonstra sua capacidade de transformar trabalho e serviços prestados em reconhecimento popular. Com uma campanha de estrutura mais enxuta e sem dispor dos mesmos recursos de muitos concorrentes, Correia conquistou uma votação expressiva, ficando à frente de grandes nomes da política caruaruense que disputaram o mesmo pleito. Em 2024, já havia feito história ao conquistar 7.310 votos e se tornar o vereador mais votado de Caruaru em uma reeleição. Agora, amplia seu capital eleitoral e demonstra que sua atuação ultrapassa os limites do município.
Embora seja reconhecido estadual e nacionalmente pela defesa da causa animal, a votação de Correia também reflete a pluralidade de seu mandato, com destaque para a saúde, a defesa das pessoas com câncer e os direitos da pessoa idosa. Um dos principais exemplos é sua atuação em favor do Instituto do Câncer Infantil do Agreste (ICIA), contribuindo, por meio de articulações políticas, para a habilitação da instituição no SUS, que garantiu aproximadamente R$ 9 milhões anuais em repasses. Também teve participação nas articulações que viabilizaram dez novos leitos de UTI pediátrica no Instituto, dobrando a capacidade do Agreste, de dez para vinte leitos, além de recursos de emendas parlamentares para fortalecer seus serviços. Na causa animal, sua atuação também resultou em importantes avanços a partir de requerimentos de sua autoria atendidos pelo Poder Executivo, como a criação da Secretaria Executiva de Bem-Estar Animal e a implantação do Hospital Público Veterinário. Conquistas que contribuíram para fazer de Caruaru uma referência estadual em políticas públicas de proteção animal e combate aos maus-tratos.
O desempenho nas urnas também coloca Anderson Correia em evidência nas articulações políticas para 2028. Presidente da Federação União Progressista em Caruaru, o vereador amplia sua capacidade de diálogo com diferentes lideranças, entre elas a governadora Raquel Lyra e o prefeito Rodrigo Pinheiro. Seu nome já é ventilado nos bastidores como uma possibilidade para a disputa majoritária municipal, embora não exista definição sobre uma eventual candidatura. Sua votação e capilaridade eleitoral também o tornam um nome estratégico nas articulações dos grupos políticos para a próxima eleição. Advogado animalista e conhecedor das políticas públicas, Correia demonstra capacidade de transitar por diferentes segmentos e defender pautas que impactam diretamente a população. O resultado de 2026 consolida uma liderança que ganhou dimensão estadual e chega ao próximo ciclo eleitoral com maior presença nas decisões e articulações políticas de Caruaru e de Pernambuco.
Depois de Olinda, chegou a vez de Caruaru debater o resultado das eleições 2026 e a surpreendente virada do presidente Lula (PT). A discussão, saudável, salutar e oportuna, está marcada para hoje, a partir das 20 horas, na Câmara de Vereadores. “Vamos ampliar esse debate, que é necessário”, disse o presidente da Câmara, Bruno Lambreta (PSDB), que me fez o convite em nome dos demais colegas da Casa.
O debate será precedido de uma palestra minha na qual apresento um diagnóstico dos votos que saíram das urnas. Como ficou a composição do Congresso? Quais os partidos que elegeram maior número de senadores e deputados? Nos Estados, quais os partidos que emplacaram o maior número de governadores? Lula governa com o novo Congresso, de perfil extremamente conservador e de centro direita?
O evento é aberto ao público em geral, uma sequência do primeiro ocorrido em Olinda na última quinta-feira, por iniciativa do presidente da Câmara, Saulo Holanda (MDB).
A governadora Raquel Lyra (PSD) joga pedras no ex-governador Paulo Câmara injustamente. Dele, recebeu, ao contrário do que propaga, um Estado enxuto, ajustado financeiramente. Do contrário, não teria contratado cerca de R$ 15,2 bilhões em operações de crédito. Adicionalmente, foram aprovados US$ 275 milhões para a reestruturação e refinanciamento de dívidas antigas do Estado.
O montante acumulado por meio dessas diversas operações de crédito é dividido entre contratos já executados e novas autorizações de captação concedidas pela Assembleia Legislativa.
Ontem, a Alepe aprovou mais R$ 2 bilhões sem conhecer, com clareza, onde os recursos serão aplicados, quais serão as condições dos empréstimos e quanto essa conta custará aos cofres públicos.
O projeto enviado pela governadora à Assembleia Legislativa prevê autorização para contratar até R$ 1,935 bilhão em operações de crédito, inclusive sem garantia da União, oferecendo receitas estaduais, como ICMS e FPE, como garantias.
Estamos falando de dinheiro público e de compromissos que poderão alcançar os próximos governos e comprometer receitas futuras. Por isso, algumas perguntas precisam ser respondidas: quais obras e projetos serão beneficiados? Quanto será destinado a cada um? Quais serão os juros, os prazos e o custo total dos financiamentos?
Não se trata de impedir Pernambuco de captar recursos. Trata-se de exigir planejamento, transparência e responsabilidade na utilização do dinheiro público. A Assembleia Legislativa tem o dever de discutir, fiscalizar e conhecer a destinação desses recursos antes de conceder uma autorização dessa dimensão.
O desenvolvimento de Pernambuco exige investimentos, mas também exige responsabilidade com o dinheiro dos pernambucanos. Investimentos, sim. Cheque em branco, não. Pernambuco não pode assumir mais uma dívida de quase R$ 2 bilhões sem saber exatamente o que está financiando, quanto vai pagar e quem ficará responsável por essa conta.
BRASÍLIA BURBULHA – Em Brasília, o que não falta é especulação sobre a montagem do novo ministério do Governo Lula 4. Comecemos pela equipe econômica. O ministro da Fazenda não seria Geraldo Alckmin nem o governador reeleito do Piauí, Rafael Fernandes (PT), mas alguém com perfil mais técnico e não político. Fernando Haddad iria para o BNDES no lugar de Aloizio Mercadante e este seria remanejado para a CEF ou o Banco do Brasil.
Veras na Agricultura – O atual ministro da Agricultura, André de Paula, o entrevistado de ontem no meu podcast Direto de Brasília, não seria mantido. Em seu lugar, assumiria outro pernambucano, mas do PT: o deputado Carlos Veras, atual primeiro-secretário da Câmara dos Deputados. A explicação é a de que o presidente Lula gosta muito do deputado Renildo Calheiros (PCdoB), não reeleito e que assumiria o mandato na condição de suplente da federação PT-PV-PCdoB.
Valdemar ministro, Rands deputado – Ainda tem mais: o deputado reeleito Valdemar Oliveira (Avante) assumiria o Ministério da Ciência e Tecnologia, numa articulação direta de Fernando Haddad, amigo do peito do ex-deputado Maurício Rands, que assumiria o mandato na condição de primeiro suplente do Avante. Esta equação parece um pouco sem lógica por um simples detalhe: Lula precisa de votos na Câmara e o Avante só elegeu quatro deputados. Passa a ter sentido se houver a federação do PSB, PDT e Avante, mas a senadora eleita Marília Arraes ameaça deixar o PDT, caso a federação se concretize.
João no Desenvolvimento Regional – Já o presidente nacional do PSB, João Campos, não teria a menor empolgação pelo Ministério de Ciência e Tecnologia. Nos seus planos, o Ministério do Desenvolvimento Regional, recheado de políticas públicas voltadas para o Nordeste, tendo como principal braço para os programas de demanda dos Estados a Codevasf, de orçamento robusto. A pasta também é responsável pela execução de programas de enfrentamento aos ciclos periódicos de seca, agravados com o fenômeno do El Niño.
Dudu, o nome do PP para o Ministério – Por fim, o deputado Eduardo da Fonte, presidente estadual da federação PP-UB, não eleito para o Senado, estaria na bolsa de apostas para um gabinete na Esplanada dos Ministérios desde que viesse a ser indicado pela bancada do PP. Dudu, como é conhecido e tratado carinhosamente em Brasília, tem prestígio na federação, circula bem entre todos os partidos no Congresso e não seria nenhuma surpresa o PP, com o respaldo da federação, bancar a sua indicação.
CURTAS
DERRETEU – A vitória dos democratas nas eleições para governador e Senado no Texas provocou uma perda de mais de US$ 120 bilhões em valor de mercado para as empresas de Elon Musk. As ações da Tesla e da SpaceX caíram 2,4% e 4,9%, respectivamente, após o resultado eleitoral no estado onde o bilionário concentra seu império empresarial.
RISCO – A vitória expressiva do partido em todo o país acrescenta uma nova camada de risco, uma vez que Musk é um importante financiador dos republicanos. Antes do dia da eleição, analistas de mercado alertavam que o domínio democrata nas urnas poderia fortalecer a capacidade do partido de dificultar o desenvolvimento da inteligência artificial, investigar a conduta de Musk e impedir uma possível união entre Tesla e SpaceX.
PACIFICAÇÃO – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva gravou um pronunciamento à nação em que dará recado sobre a saúde das contas públicas no seu quarto mandato. Na primeira fala para rádio e TV após ser reeleito, Lula fará, segundo aliados, um discurso de pacificação nacional e agradecerá pelos 64 milhões de votos. O pronunciamento foi gravado na terça-feira e está previsto para ser exibido no próximo domingo.
Perguntar não ofende: Por que a governadora não especificou o destino do novo empréstimo de R$ 2 bilhões?
Integrantes do governo Lula trabalham com a expectativa de uma reunião bilateral entre o presidente brasileiro e Donald Trump ainda neste ano. O encontro deve ocorrer às margens da cúpula do G20, marcada para os dias 14 e 15 de dezembro, em Miami, na Flórida.
Até o momento, não houve pedido formal de nenhum dos dois lados. No entanto, segundo apuração da âncora Débora Bergamasco, para o CNN 360º desta quarta-feira (4), o governo brasileiro avalia que pode tomar a iniciativa caso não haja sinalização do lado americano. As informações são da CNN.
A expectativa surgiu após Trump declarar publicamente que falaria com Lula. Quando questionado sobre a vitória eleitoral do presidente brasileiro, Trump afirmou que entraria em contato.
“Vitória que, aliás, Trump ainda não reconheceu, nem parabenizou, mas disse que vai falar com Lula”, destacou Bergasmasco.
Segundo a âncora, o governo brasileiro ainda não formalizou o pedido de reunião bilateral por avaliar que é cedo para tal iniciativa. Contudo, caso não haja sinalização do lado americano, o Brasil deve tomar a frente e solicitar o encontro.
A movimentação também leva em conta o que o governo brasileiro descreve como um reequilíbrio de forças na relação entre os dois países.
“Governo Lula está empoderado, foi reeleito, renovou seu capital político, e o tem o enfraquecimento de Donald Trump, com essa derrota dos republicanos no Congresso americano”, afirmou Bergamasco.
Outro ponto central nas tratativas diplomáticas é a questão do agrément de Daniel Perez para assumir a embaixada dos Estados Unidos no Brasil. O governo brasileiro está avaliando conceder esse aval ainda neste ano, como um gesto para tornar mais fluida a relação diplomática entre os dois países.
A embaixada americana no Brasil está sem embaixador desde o início do governo Trump. Após a indicação de Daniel Perez, feita de maneira considerada atabalhoada pelo lado brasileiro, o governo deixou a indicação pendente.
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), fez nesta quarta-feira um discurso contra os questionamentos do PL ao resultado da eleição presidencial, horas depois de o partido lançar Rogério Marinho (RN) como candidato ao comando da Casa. A manifestação ocorreu em meio a um embate com a oposição após a decisão de adiar a votação da proposta de redução da maioridade penal, que provocou críticas à condução dos trabalhos pelo senador.
Alcolumbre ironizou o fato de o partido de Flávio Bolsonaro ter comemorado a eleição de deputados e senadores no primeiro turno, mas passado a contestar a confiabilidade das urnas eletrônicas após a derrota do candidato para Luiz Inácio Lula da Silva (PT). As informações são do jornal O GLOBO.
— O pior de tudo isso é que, no primeiro turno, a urna prestou. Abriu a urna eletrônica e ela serviu para eleger 120 candidatos a deputados federais do partido do candidato que perdeu a eleição e serviu para eleger 20 e tantos senadores. Serviu para comemorar no primeiro turno uma eleição vitoriosa do adversário ao presidente Lula. Mas, quando abriu no segundo turno, não prestou mais a urna — afirmou.
O discurso ocorreu depois de Alcolumbre retirar da pauta a proposta de redução da maioridade penal. O presidente do Senado justificou a decisão com um pedido do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), para aguardar a conclusão da análise do tema pelos deputados.
A mudança provocou reclamações de senadores da oposição. O líder do PL, Carlos Portinho (RJ), acusou Alcolumbre de descumprir um entendimento construído para viabilizar a votação e afirmou que não faria novos acordos com o presidente da Casa.
Diante das críticas, Alcolumbre fez um discurso de oito minutos sobre as dificuldades de presidir o Congresso em um cenário de polarização política. O senador reclamou de ataques pessoais e mencionou lideranças que foram ao Amapá, seu estado, para criticá-lo, em referência ao deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) que fez um ato durante as eleições. Também fez referência às cobranças para que autorize a abertura de processos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
— Não achei um para dizer que estava errado desde o primeiro turno. Foi a mesma urna eletrônica. Eu estou pedindo a vossas excelências para que nós possamos pensar o que vamos fazer para melhorar a vida dos brasileiros — declarou.
O episódio ocorre em meio à disputa pelo comando do Senado a partir de fevereiro de 2027. Nesta quarta-feira, o PL reuniu senadores eleitos e aliados para oficializar a candidatura de Marinho, que pretende unificar a oposição contra a reeleição de Alcolumbre. A senadora Tereza Cristina (PP-MS) também mantém sua candidatura, e os dois afirmam que buscarão um entendimento para evitar a divisão dos votos contrários ao atual presidente.
Alcolumbre tenta consolidar apoios entre partidos governistas e do Centrão para permanecer no cargo. A eleição será realizada por voto secreto, o que amplia a importância das negociações individuais com os senadores.
O presidente nacional do PSDB (Partido Social Democrata Brasileiro), Aécio Neves, afirmou nesta quarta-feira (4) que a sigla está articulando com outras legendas em busca de consenso e apoio para aprovar o voto distrital misto nas próximas semanas.
O deputado federal destacou que os tucanos apoiam historicamente uma transição no modelo eleitoral, mas ainda avaliam qual alternativa é mais adequada. Segundo o parlamentar, os partidos de centro devem decidir em breve se apoiarão o projeto de “distritão misto”, com um período de transição, ou o “distritão puro”, sem transição. As informações são da CNN.
As siglas de centro — que, na avaliação do deputado, consideram que o modelo atual precisa “evoluir” – buscam o apoio de outros partidos, como o PT (Partido dos Trabalhadores) e o PL (Partido Liberal), para que o projeto avance ainda neste ano.
“Eu acho que o PT está caminhando para vir a apoiar também, por conta da adoção da lista partidária nesse processo. Já o PL prefere o atual sistema. Eu não vejo nenhuma movimentação de o partido vir. É muito bem-vindo, mas o núcleo dessa discussão são os partidos de centro”, pontuou.
Aécio Neves estima que o projeto deve avançar já nas próximas semanas, com a designação de um relator e a votação do tema no plenário da Câmara.
“A ideia é que na semana que vem o presidente Hugo Motta designe o deputado Domingos Sávio (PL-MG) para a relatoria e marque a data de apresentação do relatório. Eu compreendo que nas próximas duas semanas ele possa ser votado, porque precisa ainda passar pelo Senado, que tem, segundo o presidente Davi [Alcolumbre], o compromisso de manter aquilo que vier a ser aprovado na Câmara”, afirmou.
Futuro do PSDB após as eleições
O presidente nacional do partido afirmou que, passado o pleito deste ano, o foco da sigla é fortalecer lideranças locais visando às eleições municipais de 2028. Aécio Neves elogiou o bom desempenho de JHC, eleito governador de Alagoas no primeiro turno, e reforçou a importância do político no futuro dos tucanos.
“Alagoas poderá ser essa grande vitrine de políticas exitosas, com eficiência, boa governança e transparência na defesa dos valores do partido. Alagoas vai participar desse novo capítulo, desse novo momento do PSDB, que tem sido capitaneado pelo presidente Aécio Neves”, defendeu JHC.
No pleito de 2026, os tucanos venceram em dois estados — JHC em Alagoas (eleito no primeiro turno) e Vicentino Júnior no Tocantins (eleito no segundo turno) —, um estado a menos em comparação com 2022.
No Senado, a sigla conquistou duas cadeiras (Plínio Valério no Amazonas e Marina Candia/JHC em Alagoas). No pleito de 2022, os tucanos não haviam conquistado nenhuma vaga para a Casa Alta.
O partido teve derrotas importantes, como no caso do próprio presidente nacional da sigla, Aécio Neves (PSDB-MG), que vai ficar sem mandato eletivo pela primeira vez em 40 anos.
Já na Câmara, o partido conquistou 11 assentos, dois a mais do que em 2022. A sigla conseguiu emplacar deputados nos estados do Rio de Janeiro, Bahia, São Paulo, Minas Gerais, Maranhão, Alagoas e Tocantins.
Com o baixo número de cadeiras no Congresso, Aécio Neves afirmou que o partido conversa com outras siglas para ganhar apoio no Legislativo, mas não revelou quais seriam esses possíveis acordos.
“Estamos conversando com outras forças partidárias para ganharmos um pouco mais de musculatura no Congresso Nacional”, destacou.
A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) afirmou nesta quarta-feira (4) que nunca se filiará ao PL. A declaração foi dada ao g1 após o presidente nacional da legenda, Valdemar Costa Neto, anunciar publicamente que pretende levar a parlamentar para o partido.
“Nunca! Eu estou é convidando Michelle pra vir para o Republicanos e daí ele saiu com essa, fazendo resenha”, afirmou Damares. As informações são do g1.
A troca de declarações ocorre em meio a articulações do Republicanos para filiar a ex-primeira-dama e senadora eleita Michelle Bolsonaro (PL-DF). Damares negou que vá mudar de sigla e confirmou que há um esforço para atrair Michelle. A ex-primeira-dama conquistou 38.496 votos e assumirá a cadeira em 2027.
Lideranças do Republicanos, entre elas o presidente nacional da legenda, Marcos Pereira, já disseram publicamente que a ex-primeira-dama seria bem-vinda ao partido. Michelle tem papel central no PL e foi convidada recentemente a voltar ao comando do PL Mulheres.
Na terça-feira (3), ao ser questionado pelo portal “Metrópoles”, sobre a movimentação do Republicanos, Valdemar classificou a articulação como “bobagem” e afirmou que o PL é que filiaria Damares. “Vamos trazer a Damares”, disse.
Valdemar afirmou que a filiação seria concretizada “em breve”, mas evitou detalhar as negociações. “Não posso falar mais”, declarou.
Damares já exerce mandato no Senado pelo Distrito Federal. Michelle foi eleita neste ano com 38.496 votos (29%), a maior votação da história do DF, e assumirá uma cadeira na Casa em 2027. As duas são importantes lideranças da direita, sobretudo entre mulheres.
À frente do PL Mulheres, Michelle atuou na mobilização de eleitoras e na ampliação da presença feminina na legenda. Segundo a própria ex-primeira-dama, o número de mulheres filiadas ao partido dobrou durante sua gestão, entre 2023 e junho de 2026.
Michelle é vista como um nome que pode assumir protagonismo na oposição ao governo Lula, principalmente após a fuga do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para os Estados Unidos. Derrotado pelo petista na eleição presidencial, Flávio deixou um vácuo de liderança na direita. Além da ex-primeira-dama, o governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), é apontado como uma possível liderança desse campo.
Na semana passada, Michelle defendeu Tarcísio nas redes sociais e afirmou que Jair Bolsonaro é grato a ele. O governador havia sido alvo de ataques de bolsonaristas após admitir publicamente a possibilidade de disputar a Presidência da República em 2030.
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), afirmou nesta quarta-feira que a Casa irá analisar a possibilidade do senador Flavio Bolsonaro (PL-RJ) continuar participando de votações remotamente, mesmo estando nos Estados Unidos, para onde fugiu após a derrota na eleição presidencial.
A declaração ocorreu após uma questão de ordem apresentada pelo líder do governo no Congresso Randolfe Rodrigues (PT-AP), que questionou a ausência de comunicação formal da saída do país, as providências que serão adotadas pelo Senado e a validade dos votos registrados pelo parlamentar na terça-feira. As informações são do jornal O GLOBO.
Alcolumbre explicou que Flávio conseguiu votar na PEC da Segurança porque a sessão foi convocada na modalidade semipresencial, que permite aos senadores registrar presença e participar das deliberações pelo aplicativo da Casa. O presidente do Senado, no entanto, afirmou que irá consultar a assessoria para avaliar a situação.
— É óbvio que Flávio teve condições de votar no dia de ontem pelo único motivo de que, em todas as sessões semipresenciais, os colegas senadores podem votar no aplicativo do celular. Na essência da convocação, todos puderam votar e registrar presença. Nós vamos analisar a solicitação feita por Vossa Excelência. Vou convocar os assessores para ver, do ponto de vista do Senado e do Congresso, qual encaminhamento podemos dar à questão de ordem — afirmou Alcolumbre.
A questão de ordem apresentada por Randolfe busca esclarecer se Flávio cumpriu a obrigação de comunicar sua ausência do país à Presidência do Senado e quais consequências regimentais podem decorrer da viagem.
O senador também questionou se os votos registrados a partir dos Estados Unidos devem ser considerados válidos.
Nos bastidores, porém, interlocutores da cúpula do Senado afirmam que Alcolumbre não pretende tomar medidas para impulsionar um eventual processo de perda do mandato de Flávio.
Flávio está nos Estados Unidos desde o fim de outubro, após deixar o Brasil na sequência da derrota para Luiz Inácio Lula da Silva (PT).