Se o leitor não conseguiu assistir a exibição ao vivo do podcast ‘Direto de Brasília’ com o diretor da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Alex Azevedo, clique no link abaixo e confira. Está imperdível!
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Por Josias de Souza
Do UOL
Às vésperas do primeiro turno, Flávio Bolsonaro percorre um calvário que seu pai impôs a Lula na eleição de 2022. Molha a camisa para negar que, se eleito, pretenda retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil.
Há quatro anos, no primeiro dia da campanha em que media forças contra Lula, Jair Bolsonaro associou o adversário à ideia de fechamento de igrejas. Em 16 de agosto de 2022, ele postou o seguinte no antigo Twitter:
Leia mais“É preciso estar atento. A partir de hoje, mais do que nunca, os que amam o vermelho passarão a usar verde e o amarelo, os que perseguiram e defenderam fechar igrejas se julgarão grandes cristãos, os que apoiam e louvam ditaduras socialistas se dirão defensores da democracia”.
– É preciso estar atento. A partir de hoje, mais do que nunca, os que amam o vermelho passarão a usar verde e a amarelo, os que perseguiram e defenderam fechar igrejas se julgarão grandes cristãos, os que apoiam e louvam ditaduras socialistas se dirão defensores da democracia.
— Jair M. Bolsonaro (@jairbolsonaro) August 16, 2022
Na esteira da campanha religiosa de Bolsonaro, a mentira de que Lula fecharia igrejas passou a ser disseminada por bolsonaristas nas redes sociais. Em 4 de outubro de 2022, o TSE mandou apagar 31 postagens. Ente elas, havia postagens de Flávio Bolsonaro, do deputado Mario Frias e de Filipe Martins, então assessor de Assuntos Internacionais da Presidência.
Nessa época, o bolsonarismo confundia a difusão de inverdades com liberdade de expressão. Os devotos do “mito” tacharam a decisão do TSE de censura. Neste sábado, suprema ironia, a campanha de Flávio Bolsonaro pediu ao Ministério Público Eleitoral a prisão preventiva de George Marques, funcionário da Secretaria e Comunicação do Planalto. Acusa-o de propagar desinformação sobre o caso de Nossa Senhora Aparecida.
O candidato do PL começou a se enroscar com a religião no mês passado. Em 23 de agosto, ao justificar sua ausência no debate promovido pela Band, Flávio Bolsonaro fustigou Lula. Numa alusão ao fato de que o rival também faltaria ao debate, disse que gostaria de debater “com quem não acredita em Deus”. Acrescentou que, chegando ao Planalto, um dos seus primeiros atos seria “decretar que o Brasil é do Senhor Jesus Cristo”.
No feriado de 7 de Setembro, o arcebispo dom Orlando Brandes defendeu durante a missa no Santuário Nacional de Aparecida a soberania nacional. A certa altura, declarou: “Nossa Senhora, padroeira do Brasil, neste ano eleitoral, que elejamos aquelas pessoas segundo o nosso coração, segundo a nossa consciência, segundo o nosso conhecimento.”
Dias atrás, bispos católicos da região amazônica publicaram nas redes sociais um vídeo orientando os fiéis a não votar em “candidatos com ficha suja” ou que “utilizam o nome de Deus”.
Na noite da última quinta-feira, a jornalista Maria Cristina Fernandes informou na GloboNews sobre a existência de “um movimento na Igreja Católica de reação a uma parcela de evangélicos” que estaria se mobilizando em favor de um projeto para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira.
A jornalista não mencionou o nome de Flávio Bolsonaro. Mas seu comentário passou a ser difundido nas redes como se a proposta estivesse relacionada ao filho de Bolsonaro. O candidato se apressou em divulgar um vídeo. Na peça, declarou-se “surpreendido com uma mentira, uma fake news daquelas, pra variar, que a milícia do PT está inventando na internet: que eu iria tirar a padroeira do Brasil. Isso é uma grande mentira. Não tem pé nem cabeça. Não existe esse projeto.”
Horas depois, a GloboNews divulgou uma retratação para “corrigir” uma associação que não constava do comentário de Maria Cristina Fernandes. Na nota, a emissora mencionou um projeto apresentado em 2007 pelo Professor Victório Galli, que posteriormente se vinculou ao bolsonarismo.
A proposta alterava a Lei 6.802, de 1980, que estabelece 12 de outubro como feriado nacional em homenagem a Nossa Senhora Aparecida. O texto pretendia substituir a expressão “padroeira do Brasil” por “padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos”. A maluquice foi arquivada pela Câmara em agosto de 2008.
Para o bolsonarismo, a fé é acreditar em algo que todos sabem ser falso. Na polêmica envolvendo Nossa Senhora Aparecida, Flávio Bolsonaro caiu no feitiço religioso criado pela esperteza do pai. E na política, a esperteza, quando é muito grande, acaba engolindo o dono.
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Da Folha de S.Paulo
A campanha presidencial de Renan Santos (Missão) prepara um grande ato de protesto contra a TV Globo caso ele realmente fique de fora do debate na quinta (1º).
A ideia é fazer uma concentração, com a presença do candidato, em frente à sede da emissora no Jardim Botânico, no Rio. O debate em si acontecerá longe dali, no Projac. A emissora convidou apenas quatro candidatos à Presidência para o debate, o último antes do primeiro turno das eleições: Lula (PT), Flávio Bolsonaro (PL), Augusto Cury (Avante) e Ronaldo Caiado (PSD).
A emissora seguiu o critério previsto em lei, que garante participação apenas a candidatos de partidos que tenham eleito ao menos cinco parlamentares em 2022. Segundo regras repassadas a assessores de candidatos, a Globo informou que, caso algum dos convidados falte, pode chamar um substituto.
Até agora Lula e Flávio não foram aos debates de primeiro turno, mas tudo indica que ambos deverão participar.
Do UOL
A uma semana da eleição presidencial, as pesquisas mais recentes indicam que o presidente Lula (PT) lidera as intenções de voto em 11 estados, enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL) aparece à frente em oito, além do Distrito Federal. As demais sete localidades registram empate técnico, incluindo dois entre os três maiores colégios eleitorais do país (Minas Gerais e Rio). A reportagem do UOL considerou os cenários de 1º turno na pesquisa estimulada.
Datafolha fez pesquisas para o cenário presidencial no Distrito Federal, Minas Gerais, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro e São Paulo. Já a Quaest fez pesquisa em todos os estados (exceto o Piauí) e no DF.
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Pesquisas Datafolha e Quaest das duas últimas semanas consolidam a preferência do eleitor nordestino pelo candidato petista. Lula está na liderança nos nove estados da região, sendo que em seis deles a diferença com Flávio Bolsonaro é superior a 30 pontos percentuais. Os estados onde o presidente tem maior vantagem são: Piauí, com 39 pontos percentuais, Pernambuco, 36, Maranhão, 37, e Bahia, 35.
Flávio domina no Sul do país. Dentre os três estados da região, dois são redutos bolsonaristas: Paraná e Santa Catarina. No primeiro, o placar é de 40% a 26%, e no segundo, 50% a 23%.
Rio Grande do Sul tem empate técnico, com vitória numérica do candidato do PL. Segundo pesquisa Quaest no estado, 35% dos gaúchos preferem Flávio e 31%, Lula. A margem de erro deste levantamento é de três pontos percentuais.
São Paulo, maior colégio eleitoral do Brasil, indica vitória de Flávio. De acordo com o Datafolha, Flávio está com 38%. Lula tem 33%. Em pesquisa anterior, da Quaest, o senador marca 34% contra 31% do atual presidente. Ambos os levantamentos têm margem de erro de dois pontos.
No Rio e em Minas Gerais, Lula e Flávio estão tecnicamente empatados. O petista está numericamente à frente em Minas, enquanto o bolsonarista aparece mais bem posicionado no Rio. No Espírito Santo, há um empate técnico no limite da margem de erro, com 37% para Flávio e 31% para Lula.
A região Norte tem dois estados com vantagem de Lula, três com Flávio à frente e dois empates. Amapá e Pará registram liderança de Lula. Acre, Rondônia e Roraima estão com o candidato do PL; Amazonas e Tocantins têm embate técnico, com vitória numérica de Lula.
Por fim, pesquisas mais recentes no Centro-Oeste apontam um empate e três vitórias de Flávio. O Datafolha indica vitória de Flávio (41%) no DF, com 34% de votos para Lula. De acordo com a Quaest, há um empate em Goiás, com vantagem numérica para Flávio (33% x 27%). Pelo mesmo instituto, Flávio está à frente em Mato Grosso (50% x 25%) e em Mato Grosso do Sul (42% x 27%).
Lula e Flávio empatam nas pesquisas nacionais
Os dois institutos de pesquisa mostram os candidatos tecnicamente empatados no cenário nacional, com o presidente à frente. Segundo o Datafolha, Lula tem 40% das intenções de voto, contra 36% de Flávio. Na Quaest, o petista aparece com 37%, ante 33% do rival. Os dois levantamentos têm margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
Brasil
Quaest – primeiro turno
• Lula – 37%
• Flávio – 33%
Margem de erro: 2 pontos percentuais
Datafolha – primeiro turno
• Lula – 40%
• Flávio – 36%
Margem de erro: 2 pontos percentuais
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Por Fabio Victor
Da Folha de S.Paulo
Neto de Miguel Arraes, três vezes eleito governador de Pernambuco e líder histórico da esquerda brasileira no século 20, o candidato a deputado estadual Daniel Valença (PSOL-PE), optou por omitir o sobrenome ilustre em seu nome de campanha, preferindo adotar o sobrenome paterno, que compartilha com outro parente famoso: o tio Alceu Valença.
Daniel Arraes de Alencar Valença, 42 anos, é filho de Carmen Silvia Arraes, a Nena, filha do líder político, e de Décio Valença, irmão do autor de “Anunciação” e “La Belle de Jour”. Segundo ele, a decisão de omitir o sobrenome do clã político se deve a uma série de fatores: um pedido da mãe, que o achava mais parecido com o pai e receava perseguição política como a que os Arraes sofreram na ditadura; o hábito patriarcal de se adotar o nome paterno; e a rejeição a quem prioriza sobrenome em vez de propostas.
Leia mais“Não é uma negação. Tenho muito orgulho do meu avô e da história dele. Mas não vou fazer política pelo sobrenome. A política pernambucana vai melhorar quando as pessoas não votarem em sobrenomes, mas em programas”, diz.
Engenheiro eletrônico com mestrado em energia eólica (ambos pela UFPE), Valença é ciclista e ativista na área da mobilidade. Caso eleito, será mais um herdeiro Arraes na política.
O ex-prefeito do Recife João Campos (PSB), candidato ao governo de Pernambuco, seu primo em segundo grau, é bisneto de Arraes, mas não tem o sobrenome ilustre porque o pai dele, Eduardo Campos, também não tinha — exatamente por receio de perseguição na ditadura.
As primas em primeiro grau Marília Arraes (ex-deputada federal e candidata ao Senado pelo PDT) e Maria Arraes (PSB, deputada federal e candidata a deputada estadual), são igualmente netas do ex-governador.
Nesta eleição, enquanto as primas e a maior parte dos Arraes estão com João Campos, Daniel apoia o candidato do PSOL ao governo de Pernambuco, Ivan Moraes. E critica a gestão do seu primo na Prefeitura (“João privatizou os parques públicos”), bem como a da governadora Raquel Lyra (PSD), candidata à reeleição.
“Raquel privatizou a Compesa, os sinistros de trânsito aumentaram muito na gestão de João. Ambos contribuem com coisas contra as quais a gente tem lutado, como o colapso climático, o desmatamento da APA Aldeia-Beberibe e outras.”
Daniel diz que as discordâncias com os parentes são políticas, não pessoais. “Somos uma família forjada na democracia, a gente sabe muito bem trabalhar as discordâncias sem precisar fazer arenga.”
Cicloativista há 15 anos, Valença afirma que nunca quis entrar na política institucional, e que só tenta agora por compromisso com a militância, que o instou a se candidatar. “Relutei bastante, mas estou cumprindo uma missão do movimento cicloativista pernambucano. É uma candidatura militante, para cumprir os objetivos do movimento — espalhar a bandeira da mobilidade, da segurança no trânsito, da democratização do espaço público —, não um objetivo pessoal. Jamais usaria o sobrenome como forma de alavancagem política.”
Miguel Arraes (1916-2005) teve três mandatos como governador de Pernambuco, mas o primeiro (iniciado em 1963) foi interrompido pouco mais de um ano depois da posse, quando foi cassado e preso pela ditadura e depois obrigado a se exilar. Voltaria a ser eleito para o cargo em 1986 e em 1994.
Arraes teve dez filhos de dois casamentos, sendo oito com a primeira esposa (Célia), entre os quais Nena, a mãe de Daniel, e dois no segundo casamento, com Magdalena.
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Por Nayla Valença*
A governadora Raquel Lyra (PSD) trouxe para o debate político uma expressão que passou a usar para definir sua posição: “Sou pernambuquista”. Quis dizer com isso que a sua prioridade é defender os interesses do Estado. Mas, antes de defender Pernambuco, é preciso sobretudo defender as mulheres em geral, especialmente as pernambucanas.
Mulheres que ainda enfrentam diariamente diferentes formas de violência, seja física, psicológica, sexual, moral, patrimonial e institucional. Mulheres que precisam de políticas públicas fortes, prevenção, acolhimento, proteção e uma rede especializada que esteja realmente presente onde elas vivem.
Leia maisE foi justamente por isso que me causou tamanha indignação ouvir da governadora, ao saber que uma mulher já tinha vários filhos, ser objeto de uma laqueadura sem saber. “Faz sem ela saber.” A frase, dita por ela, é criminosa.
Não foi apenas a palavra “laqueadura” que me atingiu. Foi a naturalidade do “sem ela saber”. Porque uma laqueadura diz respeito ao corpo, à autonomia e à decisão da própria mulher. A legislação brasileira exige sua manifestação expressa de vontade. Não é uma decisão que outra pessoa possa tomar escondida dela.
Raquel, diante da brutal repercussão, reconheceu que sua fala foi equivocada e pediu desculpas. O pedido de desculpas precisa ser registrado. Mas isso não impede que nós, mulheres, possamos refletir sobre o peso daquela frase.
Para mim, “faz sem ela saber” ultrapassa aquele episódio. Quantas mulheres já viveram alguma forma o “faz sem ela saber”? Decisões tomadas sobre elas sem ouvi-las. Escolhas feitas por elas sem consultá-las. Direitos ignorados. Corpos tratados como se não lhes pertencessem. Violências silenciadas. Vontades desconsideradas.
É nesse sentido que essa frase me incomoda profundamente: porque ela me remete a uma estrutura histórica em que, tantas vezes, alguém acredita que pode decidir pela mulher aquilo que somente ela deveria decidir.
E quando uma frase assim parte de uma mulher que é governadora e que também tem formação jurídica e trajetória no serviço público, merece ainda mais reflexão.
Então, fica a pergunta: de qual “pernambuquismo” estamos falando? Porque, para mim, defender Pernambuco precisa começar também por defender a autonomia, a dignidade, a segurança e a voz das mulheres pernambucanas.
Não existe defesa de Pernambuco sem defesa das suas mulheres. E nenhuma mulher deveria precisar conviver com tamanha violência do seu aconselhamento: “Faz sem ela saber.”
*Bióloga e consultora na área de saneamento e abastecimento.
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Por Larissa Rodrigues
Do blog Efeito Político
Uma semana depois de o Brasil tomar conhecimento de que a governadora Raquel Lyra (PSD) defendeu uma laqueadura sem consentimento em uma paciente da rede pública, a gestora está novamente envolvida em uma polêmica sobre falta de defesa das mulheres.
A deputada estadual Roberta Arraes (PP), que disputa novamente uma vaga na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), relatou à governadora ter sido agredida pelo ex-prefeito de Araripina Raimundo Pimentel (PSD). Roberta Arraes fez o relato à Raquel Lyra durante uma agenda política da governadora no Hospital de Câncer do Sertão do Araripe, em Araripina, na última sexta-feira (25).
Leia maisApós afirmar para Raquel que estava indo embora da agenda por ter sido agredida, Roberta Arraes realizou um Boletim de Ocorrência contra Raimundo Pimentel, que nega as acusações. Vídeos que tomaram as redes sociais mostram o momento em que Roberta diz a Raquel que está deixando o local e o motivo. No entanto, a governadora não paralisou a agenda política e seguiu ao lado do ex-prefeito Raimundo Pimentel para gravar imagens a serem usadas em sua campanha.

Raquel Lyra está sendo acusada por ativistas dos direitos das mulheres de não ter acolhido uma possível vítima de agressão e ter ignorado o relato de Roberta Arraes, além de ter continuado a agenda ao lado do suposto agressor. Uma dessas ativistas é a atriz Luana Piovani, que há anos milita em favor das mulheres nas redes sociais. Ela postou nos stories do seu Instagram, ontem (26), o vídeo do jornalista pernambucano Ruan Braga que questiona Raquel Lyra.
No mesmo story, Luana Piovani afirmou: “gente mas qual a dúvida que a governadora Raquel Lyra é a pior mulher para representar mulher. Pensa como homem, só quer saber de alianças para se manter no poder. Ela me envergonha como MULHER!!!” Veja imagem abaixo:

Roberta Arraes relata no Boletim de Ocorrência que sofreu “empurrões” e que Raimundo Pimentel mandou que ela chamasse seu marido. As imagens dos vídeos que ganharam as redes mostram que enquanto Roberta Arraes está relatando para Raquel Lyra o que teria ocorrido, Raimundo Pimentel se aproxima e fala algumas coisas que não são entendíveis. A esposa dele, a deputada estadual Socorro Pimentel (PSD) também fala algumas coisas para Roberta Arraes neste mesmo momento.
Tanto Socorro Pimentel quanto Raimundo Pimentel também gravaram vídeos sobre o assunto. O ex-prefeito também realizou um Boletim de Ocorrência. Ele disse que prestou queixa por denunciação caluniosa contra Roberta Arraes.
Pauta nacional
Na semana passada, outra atriz se pronunciou nas redes sociais contra Raquel Lyra. A global Deborah Secco gravou um vídeo (veja aqui) no qual repudia a fala da governadora “faz sem ela saber”, sobre o episódio da laqueadura sem consentimento. O assunto ganhou destaque nacional, foi pauta em vários telejornais da GloboNews e jornalistas como Andréia Sadi, Natuza Nery, Flávia Oliveira, Mônica Waldvogel, Miriam Leitão e Octavio Guedes repercutiram a afirmação de Raquel.
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Marlos Porto*
Há medidas provisórias que nascem para resolver problemas. E há as que nascem para criar outros. A MP 1.394/2026 é da segunda categoria. Em nome do combate às apostas, o governo editou um texto tão genérico, tão mal redigido, tão cheio de buracos, que ninguém (nem jurista, nem policial, nem torcedor) sabe ao certo o que está proibido, mormente diante da costumeira criatividade interpretativa das cabeças iluminadas que mandam e desmandam no país.
O texto veda “ações de comunicação, de publicidade, de propaganda, de marketing e de patrocínio” relativas a bets, em “qualquer meio de comunicação, físico ou digital”. E é aí que mora o perigo.
Leia maisOlha, uma camisa de time é um meio físico, sim. Ela veicula uma marca. Circula pela cidade, entra no ônibus, vai à padaria, aparece na arquibancada. Se o critério é “meio físico que divulga”, então a camisa do Flamengo com a Betano estampada no peito é, a rigor, publicidade ambulante. E se é publicidade, está proibida. E se está proibida, quem usa está infringindo. E se está infringindo, alguém pode (na cabeça de um agente mal-informado, num dia de mau humor, numa tarde de operação) decidir que aquilo é caso de prisão. Não estou dizendo que é. Estou dizendo que a lei, do jeito que está escrita, e à luz da elasticidade interpretativa vigente no país, permite que se diga isso. E permitir que se diga já é um problema grave.
Agora, se você quer entender por que a insegurança é real, não basta olhar para a MP. Tem que olhar para o precedente. E aqui, a história é ainda mais grave. Em 14 de março de 2019, o então presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Dias Toffoli, instaurou de ofício o Inquérito 4.781, o tal do “inquérito das fake news”, com base no artigo 43 do Regimento Interno do Tribunal. E, na mesma portaria, designou, sem sorteio, o ministro Alexandre de Moraes como relator do feito.
Pois bem. O ministro Alexandre de Moraes, constitucionalista de formação, tinha, a rigor, o poder-dever de reconhecer, de plano, a falta de justa causa para a instauração do inquérito. O artigo 43 do Regimento Interno exige infração penal ocorrida “na sede ou dependência do Tribunal”. Fake news não são publicadas na sede do STF. São publicadas na internet, em blogs, em redes sociais, por meio de computadores e celulares espalhados pelo país.
O relator poderia ter arquivado o inquérito com base no artigo 21, XV, do Regimento Interno. Faltava justa causa para a jurisdição originária do Tribunal, que não tinha competência para atrair a investigação a si. Afinal, não cabia a ele nem a nenhum outro ministro conduzir o inquérito a partir de interpretação tão elástica de um dispositivo regimental tão simples. Isso o colocaria na história como um dos baluartes das liberdades civis em nosso país.
Mas não. Moraes assumiu orgulhosamente o encargo. E o primeiro ato do inquérito foi a censura à revista Crusoé e ao site O Antagonista, que haviam publicado reportagem sobre o próprio Dias Toffoli. A matéria revelava que Marcelo Odebrecht, em sua delação, referira-se ao então presidente do STF como “o amigo do amigo do meu pai”. O “amigo do pai” de Marcelo era Lula. Portanto, Toffoli, então chefe da AGU no governo petista, era o elo entre o empreiteiro e o ex-presidente. A censura não foi para combater fake news. Foi para abafar uma verdade incômoda.
A questão foi parar na ADPF 572, proposta pela Rede Sustentabilidade. Em 18 de junho de 2020, o Plenário do STF concluiu o julgamento e, por dez votos a um, declarou a legalidade do inquérito. O ministro Luís Roberto Barroso (o mesmo que, em solenidade recente, foi às lágrimas ao abraçar Edson Fachin) acompanhou o relator e votou pela manutenção do inquérito, sustentando que ataques via internet permitem ampliar a ideia de “sede e dependência”.
O único voto divergente foi o do ministro Marco Aurélio Mello. Esse sim, alguém que a história colocará como uma das maiores consciências morais do Direito no nosso tempo. Certamente, Marco Aurélio Mello pode dormir com a consciência mais tranquila — e não chorar lágrimas de crocodilo.
O resultado, a gente viu: um inquérito que, sete anos depois, foi retirado das mãos do relator, ministro Alexandre de Moraes, pelo presidente Edson Fachin, que determinou que a PGR decida entre denunciar ou pedir o arquivamento. Inquérito que se tornou o símbolo máximo não apenas da elasticidade interpretativa, mas do autoritarismo e dos abusos de poder que hoje ameaçam contaminar todo o ordenamento.
Lembro que meu querido professor de Direito Internacional da Faculdade de Direito do Recife, Geraldo Galindo, dizia que tribunal não é corte; corte é coisa de reino. Acrescento que, se corte fosse, teria um bobo. E o bobo seria o ministro Flávio Dino. Em Rei Lear, por exemplo, de Shakespeare, o bobo é o mais inteligente. E foi justamente ele que pediu vistas, mesmo depois, pasmem, de ter exaustivamente defendido o posicionamento de Gilmar Mendes que suscitou a questão de ordem. A esperteza, no caso, não serviu para revelar a verdade, mas para obstruir a investigação.
Poder-se-ia dizer que estas linhas contêm ironia demasiada. Mas estou acobertado por uma sumidade de peso, o próprio Dino, que atribuiu a Aristóteles a ideia de que a ironia serve para descontrair o ambiente. Se ele pôde cometer um atentado desses — confundindo a ironia socrática com a eutrapelia, a virtude do humor social —, posso eu, humildemente, utilizar a ironia conforme um dos usos propugnados por Aristóteles: o de levar a sério quem se presta a tais bazófias rasteiras em ambiente tão solene.
Por falar em palavras e nos seus significados, a frase que melhor traduz esse espírito de corporativismo veio do decano Gilmar Mendes, dita não sobre o inquérito das fake news, mas durante o bate-boca com o ministro André Mendonça no caso Master: “Até a máfia tem ética”. A frase, dita para atacar um colega que ousou solicitar investigação contra o próprio Moraes, revela o sentimento que une o Tribunal quando o assunto é proteger os seus — o mesmo sentimento que, desde o início, protegeu Dias Toffoli do escrutínio de suas ligações com Lula e com a família Odebrecht, passando pela corroboração pelo Plenário na ADPF 572, que manteve o inquérito, e continuando até a reunião a portas fechadas na qual Toffoli, pressionado, concordou em sair do inquérito do Banco Master em troca de não ser investigado sobre tais questões, culminando na vergonhosa tentativa de blindar Moraes protagonizada por Flávio Dino e Gilmar Mendes.
A propósito, em homenagem a Gilmar Mendes, talvez devesse ser adotada, para o termo “máfia”, uma interpretação menos elástica do que a que se fez no inquérito das fake news: uma acepção nova, purificada, expurgada do seu passado hostil ligado ao crime e, inspirando-se talvez em “1984”, de Orwell, a adquirir agora uma aura de intocabilidade. Se até a máfia tem ética, o que se pode esperar da suprema máfia que referenda verdadeiros atentados ao Direito, à lógica e à própria língua portuguesa, tudo para acobertar os seus pares? O “pai da lei” deu continuidade à novilíngua em que as palavras passam a significar o seu oposto, tal como “dentro do tribunal” significa “fora do tribunal”. Agora o tribunal está irmanado à máfia, alçada ao posto de exemplo de ética.
Não deixa de ser irônico — e trágico — que um país que elegeu Rui Barbosa como o maior brasileiro de todos os tempos, em pesquisa da revista Época publicada há 20 anos, veja nosso mais alto tribunal conspurcar sua própria história num episódio como esse.
Agora eu pergunto: se o STF pôde estender “sede ou dependência” para alcançar o que é digitado dentro de casa, a quilômetros de distância, por que um agente na ponta não poderia estender “meio físico de comunicação” para incluir a camisa do torcedor? A lógica é a mesma. O que importa é o efeito, não o lugar. A comparação não é retórica, não. É estrutural. Se as sumidades abriram a porteira da interpretação ampliativa, a MP das bets (escrita de forma ainda mais aberta) não oferece barreira nenhuma contra o arbítrio. Não se duvide de nada.
E aqui a coisa fica ainda mais concreta. Imagine a cena. Estamos em dia de eleição. O eleitor chega à seção eleitoral vestindo a camisa do seu time, com aquele patrocínio de bet estampado no peito. Um mesário, um fiscal, um policial resolve que aquilo é publicidade de bet. A ordem vem: “O senhor não pode entrar para votar com essa camisa. Tire essa camisa.” O eleitor não obedece. Aí vem a voz de prisão. Crime de desobediência, artigo 330 do Código Penal. O cidadão é detido, algemado, levado à delegacia, no meio do processo eleitoral, no meio da fila. Já pensou que rebuliço?
E ainda tem a questão de alguém, por exemplo, compartilhar na internet o vídeo com o gol do seu time — feito o belíssimo gol do Santa Cruz contra o Floresta, pela quarta rodada do quadrangular de acesso da Série C, em partida disputada no Estádio Presidente Vargas, em Fortaleza. Um gol de falta incrível, marcado por Renato aos 39 minutos do segundo tempo, com a narração fabulosa de Aroldo Costa, da Rádio Jornal — aquela que viralizou nas redes sociais. Lá está estampado o nome de uma casa de apostas na camisa tricolor. Se alguém compartilhar esse vídeo com alguém no grupo de WhatsApp, no Instagram ou no TikTok, estaria fazendo publicidade da bet? Estaria proibido? Poderia ter sua rede bloqueada, apenas por expressar amor ao Tricolor do Arruda?
Não estou dizendo que vai acontecer. Estou dizendo que a lei, do jeito que está escrita, e o precedente, do jeito que foi construído, permitem que se diga que pode. Ainda há barreiras, é verdade. Não há tipo penal que puna o torcedor. As sanções do artigo 18 remetem ao artigo 56 do Código de Defesa do Consumidor, aplicável a fornecedores. O torcedor que comprou a camisa é o destinatário da publicidade, não o emissor. Se um policial ordenar que ele vá em casa trocar a camisa, essa ordem é ilegal. E ordem ilegal não gera dever de obediência. Mas isso só é reconhecido depois. Depois da abordagem, depois do constrangimento, depois do flagrante, depois da audiência de custódia, depois do habeas corpus. A proteção jurídica existe, mas chega tarde. E é por isso que a cautela é prudente.
Enquanto isso, o desamparo e a perplexidade coletiva diante do oportunismo do presidente em editar essa medida provisória às vésperas do pleito — assim como fez com o anúncio do aumento do Bolsa Família — revela atitudes de canto do cisne, gestos tardios para mostrar firmeza e preocupação com o povo, de forma lenta e atrasada, quando tudo deveria ter sido feito há três anos.
Diante de tudo isso, o que resta ao cidadão? Resta a lucidez. Resta a coragem. Resta a independência. Resta a urna. Porque uma medida provisória como essa não é apenas um erro técnico. É um sintoma. É a prova de que quem governa prefere o gesto ao resultado, a bravata à responsabilidade, o palanque à governança. Proibir bets a nove dias da eleição, sem plano de transição, sem indenização pelas outorgas pagas, sem alternativa para os clubes, é uma jogada política que trata o país como tabuleiro e a segurança jurídica como peão sacrificado em um gambito eleitoreiro.
Não se trata de defender bet, entenda bem. Trata-se de defender a coerência. Se o problema são as apostas, que se regulem com seriedade. Se o problema é a publicidade, que se delimite com precisão, excluindo expressamente da vedação os casos decorrentes de mera liberdade de expressão (como o uso da camisa com patrocínio de bets ou o compartilhamento de vídeos em que aparecem imagens de bets).
E se me permite uma sugestão prática, na dúvida, não vá votar com a camisa do seu time que tenha bet estampada. Não porque você esteja fazendo algo errado. Não porque a lei proíba. Mas para que ninguém, dependendo da sua cara, da sua cor, do seu time ou do humor do fiscal de plantão, queira dizer que você está fazendo propaganda de bet na porta da seção eleitoral. A camisa é sua, o voto é seu, e ninguém tem o direito de lhe barrar. Mas, diante de uma lei tão mal escrita, de interpretações tão elásticas em voga e de um clima tão tenso, a prudência manda guardar a camisa para outro dia. Vá votar com a consciência limpa e a cabeça no lugar. A camisa do seu time pode esperar até segunda-feira, porque segunda-feira, “vai ser outro dia” — como diz a música famosa de Chico Buarque. E não haverá medida provisória nem máfia nenhuma que apague a enorme euforia.
(Elaborado com auxílio do Deepseek)
*Bacharel em direito, ensaísta e analista político.
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Do g1
Pesquisa Datafolha divulgada na última quinta-feira (24) mostra Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) em empate técnico no cenário de 2º turno: o presidente tem 47% das intenções de voto e o senador, 45%. A disputa também é apertada em grupos específicos do eleitorado brasileiro.
Quando destacamos grupos do eleitorado, a margem de erro da pesquisa aumenta, porque a amostra de eleitores é menor. Nesta reportagem, você verá como está a disputa entre Lula e Flávio em cada recorte do eleitorado. O levantamento, encomendado pela Globo e pelo jornal Folha de S.Paulo, ouviu 2.002 pessoas de 16 anos ou mais entre os dias 22 e 23 de setembro. O nível de confiança é de 95% e o número de registro no TSE é BR-00304/2026.
Leia maisOnde há empate técnico:
Onde Lula tem mais vantagem:
Onde Flávio Bolsonaro tem mais vantagem:
Uma carreata com grande quantidade de carros e motos tomou as ruas de Petrolina, no Sertão do São Francisco, ontem (26), em mobilização organizada pelo Partido Liberal (PL). O ato foi comandado pelo candidato a deputado federal Carlos Britto, que percorreu diferentes regiões do município, do bairro KM-2, onde ocorreu a concentração, até as proximidades do Bodódromo, na Avenida São Francisco. A mobilização também marcou o aniversário do candidato.
Ao longo do percurso, a carreata passou pelas zonas Norte e Oeste, pelo Centro e pela Orla, reunindo apoiadores e lideranças políticas. Também participaram o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL), candidato a vice-presidente na chapa de Flávio Bolsonaro, o candidato ao Senado Mendonça Filho e a candidata a deputada estadual Lara Cavalcanti. Em entrevista à Grande Rio FM, no aeroporto de Petrolina, Carlos Britto afirmou que pretende reduzir desigualdades no município. “Nós temos duas Petrolinas. Uma Petrolina da Sete de Setembro pra lá, uma Petrolina que não aparece na televisão”, declarou Britto.
Britto também pretende direcionar emendas parlamentares para unidades de saúde dos bairros e da zona rural. “Minha emenda impositiva vai ser para os postos de saúde da zona rural e dos bairros, para que acabe com essa distância, essa diferença, para que se deixe de lotar o Traumas e o Dom Malan”. Sobre a comemoração do aniversário durante a agenda política, o candidato afirmou: “Comemorar como eu mais gosto: abraçando as pessoas, sendo abraçado por elas. É um aniversário diferente, mas muito feliz.”
Por Ademar Rafael Ferreira (Papa)*
Depois do circo armado
Chamado de eleição
Qual será o resultado
Pra nossa pobre nação?
Na visão do ganhador
Quem terá maior valor
O diálogo ou o fuzil?
A inclusão social,
Ou usura do capital?
Pra onde irá o Brasil?
E o “tal” dos três poderes
Caminharão abraçados?
Cumprirão os seu deveres
Ou seguirão isolados?
Cada um querendo mais
Um dizendo que os demais
Querem fazê-lo servil
Cada um mais arredio
Visando unir o trio
Pra onde irá o Brasil?
Educação e saúde
Seguirão abandonadas?
Enxergaremos virtude
Nas políticas implantadas?
Acabarão as mamatas?
E as tais negociatas
Seguirão na escala mil?
Nós veremos algo novo?
Em defesa do seu povo
Pra onde irá o Brasil?
Seguiremos no consórcio
Com o crime organizado?
E setor agronegócio
Seguirá sendo ajudado?
Que grito será ouvido?
Quem será o protegido,
Militar ou o civil?
Irá seguir em apuros?
Irá reduzir os juros?
Pra onde irá o Brasil?
Quando o vitorioso
Assumir o seu poder
Para o pobre esperançoso
O que ele irá dizer?
Os grupos de minorias,
Ganharão melhores dias,
Ou o tratamento vil?
Os seus direitos negados?
Desses caminhos citados
Pra onde irá o Brasil?
*Escritor e Graduado em Administração, Pós-Graduado em Gestão Pública e Finanças. Instrutor no SENAR/PB
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Por Silvino Teles Filho*
A dor crônica é complexa. Seu tratamento também precisa ser.
A dor persistente vai além de uma simples sensação desagradável. Quando se torna crônica, pode modificar a forma como o sistema nervoso percebe e processa os estímulos, interferindo no sono, no humor, na concentração, na mobilidade e na qualidade de vida.
Por isso, o tratamento da dor crônica precisa ser individualizado. Nem sempre o uso de medicamentos é suficiente. Em pacientes selecionados, bloqueios, técnicas de neuromodulação e outras abordagens intervencionistas podem ser incorporados ao plano terapêutico, de acordo com o diagnóstico, as características dos sintomas e os mecanismos envolvidos.
Leia maisOs bloqueios permitem uma atuação mais direcionada sobre nervos, articulações ou outras estruturas relacionadas à dor. Além do potencial efeito terapêutico, alguns procedimentos também podem auxiliar na investigação do quadro, contribuindo para identificar estruturas envolvidas na geração ou transmissão da dor. Já a neuromodulação utiliza diferentes técnicas para modificar a atividade de vias do sistema nervoso relacionadas à percepção e à manutenção da dor. A indicação depende do tipo de dor, de sua duração, dos mecanismos envolvidos e da resposta aos tratamentos realizados anteriormente.
A dor crônica também pode estar associada a alterações do sono, do humor, do comportamento e da capacidade de realizar atividades cotidianas. Da mesma forma, fatores emocionais e alterações do sono podem influenciar a percepção e a persistência da dor. Isso não significa que a dor seja “psicológica”. Ela é uma experiência real, com mecanismos neurobiológicos complexos, nos quais aspectos neurológicos, físicos e emocionais podem interagir.
É nessa interface que Neurologia, Psiquiatria e Medicina da Dor se complementam, permitindo uma compreensão mais ampla do paciente e a construção de uma estratégia terapêutica personalizada. As abordagens intervencionistas não devem ser vistas como tratamentos isolados, mas como parte de um plano que pode incluir medicamentos, reabilitação, atividade física, fisioterapia e acompanhamento psicológico ou psiquiátrico, conforme a necessidade de cada caso.
O objetivo não é apenas reduzir a intensidade da dor, mas também recuperar sono, mobilidade, funcionalidade, autonomia e qualidade de vida. Por isso, cada intervenção deve ser cuidadosamente indicada, considerando o diagnóstico, os mecanismos envolvidos, os potenciais benefícios e riscos e, principalmente, as necessidades individuais de cada paciente.
Compreender os mecanismos da dor é o primeiro passo para construir uma estratégia de tratamento mais precisa, individualizada e efetiva.
*Médico com atuação em Psiquiatria, Neurologia Clínica e Medicina da dor | Instagram: @drsilvinoteles
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Se estamos felizes, todos os dias são belos. Li esta frase estampada na traseira de um caminhão indo para minha Arcoverde, pedacinho do céu que se transformou em meu refúgio de plena felicidade ao lado da minha Nayla. Mas o que é felicidade? Os filósofos dizem ser um estado durável de bem-estar, satisfação, equilíbrio físico e psíquico. Um sentimento de contentamento profundo e paz interior.
Os antigos gregos chamavam de eudaimonia, termo ainda usado em ética. Para as emoções associadas à felicidade, os filósofos preferem utilizar a palavra prazer. É difícil definir, rigorosamente, a felicidade e sua medida. Investigadores em psicologia desenvolveram diferentes métodos e instrumentos, a exemplo do Questionário da Felicidade de Oxford, para medir o nível de felicidade de uma pessoa.
Leia maisEsses métodos levam em conta fatores físicos e psicológicos, tais como envolvimento religioso ou político, estado civil, paternidade, idade, renda, etc. Sentimento mais importante da vida, a felicidade está presente fortemente e emocionalmente na música. Na clássica “A noite mais linda do mundo”, Odair José contraria os gregos e os filósofos em geral, quando diz que a felicidade não existe, o que existe são momentos felizes.
“Vamos fazer dessa noite/ A noite mais linda do mundo/ Vamos viver nessa noite/ A vida inteira num segundo”, canta Odair. Ouvi Odair na minha adolescência em Afogados da Ingazeira nos anos 70, quando era estouro de sucesso. Recentemente, gravei um Sextou, programa musical que ancoro na Rede Nordeste de Rádio, e me emocionei com suas histórias.
Me contou que num show no Recife Antigo uma senhora chegou ao seu camarim, extremamente emocionada, para contar que uma música dele a impediu de cometer suicídio. “A vida é feita de momentos, cada momento representa um sentimento, por isso devemos fazer com que esse sentimento momentâneo seja a felicidade”, disse Odair, ao se referir ao episódio da fã que sua música salvou.
A felicidade povoa corações e mentes do universo fantástico da MPB. Marcelo Jeneci, com quem também gravei um Sextou, tem uma composição em parceria com Chico César (famosa na voz de Jeneci e também gravada por Elba) que diz que “felicidade é só questão de ser”. Tom Jobim e Vinícius de Moraes também gravaram sobre a efemeridade e a beleza da felicidade, comparando-a a uma pluma que voa no vento.
Seu Jorge, Gabriel Moura e Leandro descrevem a felicidade nas coisas simples do cotidiano, como tomar um café, ir à praia ou estar na companhia de quem se ama. Martinho da Vila, com quem também tive a grande emoção de gravar um Sextou e que está vindo para um show no Recife, tem um samba aconchegante que reflete sobre os bons momentos e a leveza de viver, chamado “Felicidade”.
Voltando ao tema de Odair José, que a felicidade não existe e que o que existe são momentos felizes, ele, na verdade, nos provoca ao debate de que a ideia central é que a felicidade contínua não existe como um estado fixo de espírito. O que temos são pedaços de alegria, surpresas boas e sorrisos que acontecem no dia a dia.
Sua canção nos ensina que devemos aproveitar o momento presente sem sofrer pelo futuro. Por volta do século VI a.C., na China, dois filósofos apontaram dois caminhos para se atingir a felicidade: Lao Tsé defendeu que a harmonia na vida podia ser alcançada através da união com o tao, ou seja, com as forças da natureza. Já Confúcio enfatizou o dever, a cortesia, a sabedoria e a generosidade como elementos que permitiriam uma existência feliz.
Para o filósofo grego Aristóteles, a felicidade é uma atividade de acordo com o que há de melhor no homem. O homem, diferente de todos os outros seres vivos, é dotado de linguagem (logos), e a atividade que há de melhor no homem deve ser realizada de acordo com a virtude. Quem organizar, portanto, os seus desejos de acordo com um princípio racional terá uma ação virtuosa e a vida de acordo com a virtude será considerada uma vida feliz.
Deixo aqui, ao final, algumas reflexões, porque, para mim, não existe caminho para a felicidade, porque a felicidade é o caminho. Viver é a única forma de ser feliz. Foi Carlos Drumond de Andrade que disse que ser feliz sem motivo é a mais autêntica forma de felicidade. Na plenitude da felicidade, cada dia é uma vida inteira.
A vida é só essa coisa atropelada, que passa muito rápido e as únicas pessoas felizes são as que atravessam o tempo entregues ao amor. Nos meus filhos, entrego e recebo amor. Minha Nayla multiplica a entrega do amor e por isso sou feliz. Recorro a Érico Veríssimo: felicidade é a certeza de que a nossa vida não está se passando inutilmente.
Faça o que for necessário para ser feliz. Mas não se esqueça que a felicidade é um sentimento simples, você pode encontrá-la e deixá-la ir embora por não perceber sua simplicidade, que está nas coisas simples que o amor rega. O amor evita males e prolonga a vida.
Foi Charles Chaplin quem nos ensinou: “Não espere por um dia perfeito para ser feliz. A felicidade está nas pequenas coisas, nas pequenas atitudes e nos pequenos momentos”.
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