Por Antonio Magalhães*
Falhou a “armadilha” do portal UOL contra o pré-candidato presidencial Flávio Bolsonaro. Na entrevista coletiva em Washington, depois do encontro com o presidente Trump, na terça-feira, 25, um repórter do consórcio midiático de esquerda quis comparar a futura colaboração policial do Brasil com os Estados Unidos no combate ao narcotráfico, apontando, inclusive, a possibilidade de bombardeios norte-americanos em território brasileiro. O participante da entrevista, por fim, armou sua arapuca: em caso de conflito dos dois países, Flávio ficaria a favor de quem?
Flávio Bolsonaro reagiu à provocação com muita tranquilidade. Afirmou só ter sido a favor do ataque americano às lanchas transportando drogas em águas internacionais, próximas às costas da Colômbia e Venezuela, países envolvidos profundamente com a produção e transporte de drogas e que abrigam os barões do tráfico.
O questionamento do UOL foi feito a partir de um post na rede social do pré-candidato da direita, quando ele indagou, diante da intensidade da movimentação de drogas na Baía de Guanabara, no Rio, se os americanos não gostariam de passar alguns meses aqui ajudando a combater as organizações terroristas, como o carioca Comando Vermelho ou o paulista PCC, os maiorais das drogas com difusão internacional. “Não pedi que eles fizessem alguma interferência aqui, que eles bombardeassem navios aqui. Eu só falei: ‘Olha, aqui também acontece a mesma coisa’. Foi isso que eu quis dizer”, disse.
Questionado pela imprensa brasileira em Washington se a colaboração não abriria brecha para os EUA interferirem no Brasil, o senador negou e voltou a criticar o governo Lula. “Não tem absolutamente nada de ameaça ao Brasil. O que vai acontecer, afirmou, caso vença a eleição presidencial, é incluir o Brasil entre os países do continente que firmaram o pacto “Escudo das Américas”, uma aliança e coalizão militar multinacional liderada pelos Estados Unidos e que reúne mais de uma dezena de países latino-americanos focados em conter o crime organizado e o tráfico de drogas.
Segundo o consórcio midiático, o governo Lula avaliou que a classificação de organizações terroristas do CV e do PCC daria margem para intervenções dos EUA em território brasileiro. Depois do encontro que teve com Trump, na semana passada, o presidente Lula afirmou que esse tema não foi tratado, mas que foi apresentada uma proposta de cooperação entre EUA e Brasil para combate ao crime organizado, embora a assessoria do presidente americano já tenha se pronunciado a favor da classificação, constantemente rejeitada pelo governo petista. Na verdade, a captura por militares dos Estados Unidos do ditador Nicolás Maduro, envolvido com narcotraficantes, dentro da Venezuela, vem assombrando certos segmentos brasileiros.
Já nos anos 40, o líder comunista Luís Carlos Prestes caiu nesta mesma armadilha com a pergunta do jornal carioca Tribuna Popular sobre qual seria o lado do Partido Comunista Brasileiro (PCB) numa eventual guerra entre o Brasil e a União Soviética, pátria mãe dos comunistas internacionais.
Prestes respondeu que os comunistas não participariam de uma “guerra imperialista” contra a URSS. Ele afirmou que, caso o governo brasileiro declarasse tal guerra, os comunistas lutariam para transformar o conflito em uma “guerra de libertação nacional” contra o próprio governo.
Essa declaração foi amplamente explorada por políticos conservadores da época e serviu como principal argumento da propaganda anticomunista que culminou na cassação do registro legal do PCB em 1947. Anteriormente, em 1946, Prestes deu mais detalhes do seu posicionamento na tribuna da Assembleia Constituinte, registrado no discurso ‘Contra a Guerra e o Imperialismo’.
Luís Carlos Prestes declarou sua posição a respeito de um possível conflito armado Brasil versus União Soviética: “Faríamos como o povo da Resistência Francesa, o povo italiano, que se ergueram contra Petain e Mussolini. Combateríamos uma guerra imperialista contra a URSS e empunharíamos armas para fazer a resistência em nossa Pátria, contra um Governo desses, retrógrado, que quisesse a volta do fascismo. Se algum Governo cometesse esse crime, nós, comunistas, lutaríamos pela transformação da guerra imperialista em guerra de libertação nacional». Não foi exatamente isso que Lenin aconselhou e fez quando a Rússia se empenhou na primeira guerra mundial”?
Para o líder comunista, falecido em 1990 aos 92 anos, “quando o Governo quer fazer do povo «carne para canhão», a favor dos banqueiros, dos trustes, dos monopólios, não há patriota que deixe de se levantar contra isso. O fato é que não se vai a uma guerra dessa natureza sem preparação ideológica muito séria. Que acontece? Os povos, os homens honestos e patriotas são arrastados e, só mais tarde, depois de terem sofrido na guerra, compreendem o erro terrível, o crime cometido contra a própria pátria pelos dirigentes. A nós, marxistas e leninistas, ninguém nos engana com essa facilidade e contra uma guerra imperialista sempre estaremos na trincheira”.
Nada de novo na história do comunismo brasileiro. Para os filhotes de Prestes que estão aí com outra roupagem e até mesmo com toga, vale mais a ideologia do que os interesses da Pátria. É isso.
*Jornalista