Banho de água fria na propaganda de Raquel
Em ano eleitoral, a governadora Raquel Lyra (PSD) vem movendo mundos e fundos para turbinar as impressões positivas sobre sua gestão, ainda que às custas da tentativa de esconder problemas deixados sem solução nos últimos quatro anos. Foi assim com a reforma da fachada do Hospital da Restauração, massificada em suas redes sociais ao longo de semanas e só desmascarada depois que parte do teto do 7º andar da unidade desabou, despertando a ira da opinião pública.
Na segurança pública, não tem sido diferente. O tema é alvo de um marketing pesado do governo por conta dos chamados laranjinhas, policiais militares recém-formados que só são vistos em corredores de grande circulação. A estratégia até engana desavisados, mas esconde um vazio de patrulhamento no interior do Estado, onde há casos de apenas dois agentes de segurança trabalhando por plantão para dar conta de vastas áreas territoriais, até mesmo de mais de um município.
A face invisível da insegurança, porém, foi desvelada de forma tóxica para a propaganda da governadora esta semana. Dados do Atlas da Violência, divulgados pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Nacional de Segurança Pública, apontaram Pernambuco como terceira unidade federativa com mais homicídios no Brasil. Com 37,3 mortes por 100 mil habitantes, o Estado governado por Raquel registrou quase o dobro da média nacional (20,1).
Leia maisA quatro meses de sua tentativa de reeleição, a governadora amarga o preço de escolhas erradas. Em 2023, encerrou o Pacto pela Vida, programa que chegou a registrar 39% de redução nos índices de criminalidade em seus sete primeiros anos e que foi premiado pela Organização das Nações Unidas (ONU). Em seu lugar, com 11 meses de atraso, Raquel lançou o Juntos pela Segurança, que projetava reduzir as mortes violentas em 30% até 2026. Nos dois primeiros anos da atual gestão, contudo, o número de casos fez o caminho inverso, crescendo em relação a 2022 e evidenciando o fracasso do programa.
Entre laranjinhas, renovação de viaturas com veículos de locadoras e miras de armas apontadas para as câmeras com o objetivo de encantar o público bolsonarista, Raquel vai fazendo o que pode para levar o povo pernambucano a acreditar que a segurança pública vai bem.
Só não pode controlar dados independentes como os divulgados esta semana, à revelia do que a propaganda tenta esconder. E foi justamente isso que deu um banho de água fria em um governo que tem apostado na pintura de fachadas para se salvar de um fiasco nas urnas.
O EXEMPLO CEARENSE – Quando se quer, há foco e políticas arrojadas, a pobreza se reduz. O exemplo vem do Ceará, do Governo Elmano de Freitas (PT). Em seu primeiro mandato, mais de 400 mil pessoas deixaram a extrema pobreza, conforme estudo do Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará. A pesquisa, apresentada durante seminário realizado em parceria com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, analisa dados da PNAD Contínua e compara os antigos e novos critérios da linha internacional de pobreza. De acordo com o levantamento, entre 2023 e 2025, a renda real dos 10% mais pobres do Estado cresceu mais de 40%, o que contribuiu para uma redução de 35% na proporção de pessoas em extrema pobreza.

Cuidamos das pessoas, diz governador cearense – O governador Elmano de Freitas (PT) afirmou que o resultado do avanço social é resultado de um trabalho integrado e de políticas públicas que cuidam das pessoas. “Seguimos investindo em segurança, educação e inclusão social, com ações como o Ceará Sem Fome, que já conta com 1,3 mil cozinhas ativas levando alimento e dignidade para milhares de famílias cearenses”, disse o governador cearense.
Campeão em superlotação – O Conselho Penitenciário de Pernambuco realizou inspeção no Presídio de Igarassu. Identificou superlotação e irregularidades envolvendo presidiários. Trata-se da unidade mais superlotada do Estado. Segundo a vistoria, há 6.125 detentos para 1.226 vagas. A estrutura é dividida em 15 pavilhões e o efetivo conta com apenas 106 policiais penais, sendo 23 distribuídos na área administrativa e o restante trabalhando em regime de plantão.
Chaveiros controlam tudo – Durante a vistoria, os representantes do conselho constataram também a permanência da figura de representantes dos presidiários (chaveiros) e identificaram 11 cantinas administradas pelos próprios detentos. A direção informou ao conselho a previsão de reduzir a população prisional para 4 mil pessoas com a transferência de alguns presos para o Complexo Prisional de Araçoiaba, cuja finalização da obra foi anunciada para o segundo semestre deste ano.

Dudu estrutura campanha para o Senado – Embora a governadora Raquel Lyra (PSD) não tenha sequer sinalizado com prazo para anunciar a sua chapa, o presidente da federação Progressista, Eduardo da Fonte (PP), não tem perdido tempo na estruturação da sua campanha ao Senado. Tem conversado com frequência com um conhecido e bem-sucedido marqueteiro, já com destacada atuação em campanhas majoritárias no Estado. Raquel deve confirmar Dudu e Túlio Gadelha (PSB) candidatos ao Senado em sua chapa até o dia 5 de junho, conforme uma fonte palaciana.
CURTAS
ESCÂNDALO – A cobertura em que o governador do Rio, Cláudio Castro (PL), mora, há poucas semanas, na qual foi alvo da Polícia Federal numa operação realizada na terça-feira passada, pertence a uma empresa controlada por um ex-secretário de seu governo. Ex-chefe da pasta de Transformação Digital, o advogado Mauro Farias abriu o CNPJ da J3 Real Estate Participações em abril de 2023 e, menos de dois meses depois, comprou por R$ 3,5 milhões o imóvel no condomínio Península, na Zona Sudoeste do Rio, de acordo com documentos levantados em cartório pelo jornal O Globo.
VOTO CONTRA – Na comissão especial, apenas quatro deputados votaram de forma contrária a PEC que reduz a jornada de trabalho 6×1: três do PL e um do Novo: Júlia Zanatta (PL-SC), Maurício Marcon (PL-RS), Osmar Terra (PL-RS) e Gilson Marques (Novo-SC). O texto foi apresentado na segunda-feira, após um acordo fechado entre o presidente Lula e o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).
COMO FICOU – A proposta prevê a redução de 44 horas para 40 horas semanais de trabalho em uma transição de um ano. Os dois dias de folga por semana passarão a valer 60 dias após a promulgação, ou seja, quando entra em vigor após ser aprovado no Congresso. Salários acima de R$ 21,1 mil não terão limite de jornada.
Perguntar não ofende: Por que o Ceará reduz miséria e Pernambuco continua tão miserável?
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