Coluna da quinta-feira

Banho de água fria na propaganda de Raquel

Em ano eleitoral, a governadora Raquel Lyra (PSD) vem movendo mundos e fundos para turbinar as impressões positivas sobre sua gestão, ainda que às custas da tentativa de esconder problemas deixados sem solução nos últimos quatro anos. Foi assim com a reforma da fachada do Hospital da Restauração, massificada em suas redes sociais ao longo de semanas e só desmascarada depois que parte do teto do 7º andar da unidade desabou, despertando a ira da opinião pública.

Na segurança pública, não tem sido diferente. O tema é alvo de um marketing pesado do governo por conta dos chamados laranjinhas, policiais militares recém-formados que só são vistos em corredores de grande circulação. A estratégia até engana desavisados, mas esconde um vazio de patrulhamento no interior do Estado, onde há casos de apenas dois agentes de segurança trabalhando por plantão para dar conta de vastas áreas territoriais, até mesmo de mais de um município.

A face invisível da insegurança, porém, foi desvelada de forma tóxica para a propaganda da governadora esta semana. Dados do Atlas da Violência, divulgados pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Nacional de Segurança Pública, apontaram Pernambuco como terceira unidade federativa com mais homicídios no Brasil. Com 37,3 mortes por 100 mil habitantes, o Estado governado por Raquel registrou quase o dobro da média nacional (20,1).