Por Silvino Teles Filho*
É muito comum que ansiedade e TDAH sejam confundidos, pois ambos podem causar dificuldade de concentração, inquietação, esquecimentos, irritabilidade e sensação de estar sempre sobrecarregado. No entanto, apesar das semelhanças, são transtornos diferentes e exigem abordagens específicas.
No TDAH, a dificuldade de manter a atenção, organizar tarefas, controlar impulsos e gerenciar o tempo costuma estar presente desde a infância, mesmo que o diagnóstico só seja feito na vida adulta. A pessoa frequentemente inicia várias atividades ao mesmo tempo, perde objetos com facilidade, esquece compromissos e tem dificuldade para concluir tarefas, mesmo quando está motivada.
Leia maisNa ansiedade, a dificuldade de concentração acontece porque a mente permanece ocupada com preocupações excessivas, pensamentos repetitivos e antecipação constante de problemas. Muitas pessoas descrevem a sensação de que “não conseguem desligar a cabeça”, o que prejudica o foco, o sono, a memória e o desempenho nas atividades do dia a dia.
Um ponto importante é que ansiedade e TDAH frequentemente coexistem. Pessoas com TDAH podem desenvolver ansiedade devido às dificuldades acumuladas ao longo da vida, como baixo rendimento escolar, problemas no trabalho, atrasos frequentes, críticas constantes e frustração por não conseguir atingir o próprio potencial. Por outro lado, a ansiedade intensa também pode agravar sintomas de desatenção, impulsividade e desorganização, tornando o quadro ainda mais complexo.
Por isso, o diagnóstico não deve ser baseado apenas em sintomas isolados. É fundamental avaliar quando esses sintomas começaram, em quais situações ocorrem, qual o impacto na vida da pessoa e como eles evoluíram ao longo dos anos. Uma avaliação psiquiátrica cuidadosa permite diferenciar essas condições e identificar quando elas estão presentes ao mesmo tempo.
Quando ansiedade e TDAH coexistem, tratar apenas um dos transtornos geralmente não é suficiente. O tratamento precisa ser individualizado e pode incluir medicação, psicoterapia, estratégias de organização e mudanças no estilo de vida. Com o diagnóstico correto e um acompanhamento adequado, é possível reduzir os sintomas, melhorar a qualidade de vida e recuperar o desempenho no trabalho, nos estudos e nos relacionamentos.
Lembre-se: dificuldade de concentração nem sempre significa TDAH, assim como nem toda preocupação excessiva é apenas ansiedade. Procurar uma avaliação especializada é o primeiro passo para compreender o que está acontecendo e iniciar o tratamento mais adequado para cada caso.
*Médico pós-graduado em Psiquiatria e Neurologia Clínica | Instagram: @drsilvinoteles
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