Por Verones Carvalho*
A violência e o medo tomaram conta da população pernambucana. Em todas as regiões do Estado, mas especialmente nas cidades do interior, cresce o sentimento de insegurança e abandono. A população, refém da criminalidade, vive sob constante tensão, diante de uma realidade em que o Estado falha em oferecer o mínimo: o direito à vida e à segurança.
Nos municípios interioranos, a situação é ainda mais alarmante. O efetivo policial é visivelmente insuficiente para cobrir todas as áreas, patrulhar comunidades e responder com rapidez aos chamados da população. Falta gente, falta estrutura, falta comando. Enquanto isso, o crime avança. A ausência de uma política pública robusta de segurança transforma a vida dos cidadãos em um cenário de vulnerabilidade constante.
Leia maisA segurança pública, vale lembrar, é uma atribuição constitucional do governo estadual. No entanto, o que se percebe em Pernambuco é que essa responsabilidade não parece ser prioridade da atual gestão. A governadora Raquel Lyra, eleita com o discurso de mudança e compromisso com o povo, tem demonstrado, na prática, um preocupante distanciamento desse tema crucial. A ausência de ações concretas, de investimentos e de um plano articulado para o enfrentamento da violência tem deixado a sociedade órfã de uma política pública eficiente.
O município de Arcoverde é um retrato claro do fracasso da segurança pública em Pernambuco. Assaltos à luz do dia, furtos constantes, roubos em comércios, feminicídios e assassinatos tornaram-se presença rotineira nos noticiários locais. O medo é o novo companheiro das famílias arcoverdenses, que já não confiam em sair de casa com tranquilidade.
Uma política de segurança pública eficaz precisa ser construída sobre pilares sólidos:
- Aumento e melhor distribuição do efetivo policial, especialmente nas cidades do interior;
- Valorização dos profissionais da segurança, com melhores salários, condições de trabalho e apoio psicológico;
- Investimento em inteligência e tecnologia, com sistemas de monitoramento, coleta e análise de dados, integração entre forças de segurança e combate ao crime organizado;
- Ações preventivas, por meio de políticas sociais, educação, cultura e oportunidades para a juventude;
- Planejamento estratégico regionalizado, que leve em conta as particularidades de cada território.
Ignorar essas bases é condenar a população a continuar refém do medo. O que se vê hoje é um governo estadual mais preocupado com a propaganda institucional do que com ações reais. E é importante lembrar: propaganda não salva vidas, tampouco acalma corações aflitos. A segurança precisa sair das peças publicitárias e entrar no cotidiano da população, com presença, efetividade e resultados.
Por fim, é necessário reconhecer e agradecer aos profissionais da segurança pública – policiais militares, civis, bombeiros, guardas municipais e agentes penais – que, mesmo sem as condições ideais e enfrentando riscos diários, continuam na linha de frente para proteger a sociedade. São verdadeiros heróis que, muitas vezes, atuam sem respaldo, mas com coragem e compromisso com o povo pernambucano.
O povo clama por segurança. Cabe ao governo estadual escutar esse clamor e agir com a urgência e responsabilidade que o momento exige.
*Cientista político
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