Apostando em vitória de Flávio, Gilson prevê impeachment de Moraes, cassação de Alcolumbre e mudanças na Constituição
Eleito deputado federal no último domingo (4), Gilson Machado (Podemos) projeta uma próxima legislatura marcada por enfrentamentos com o Supremo Tribunal Federal (STF), mudanças no comando do Congresso e alterações profundas na Constituição. Em entrevista, ontem, ao podcast Direto de Brasília, o ex-ministro de Jair Bolsonaro traçou esse cenário apostando numa vitória de Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno e no fortalecimento da direita nas urnas.
Alexandre de Moraes seria, segundo Gilson, o primeiro ministro do Supremo a enfrentar um processo de impeachment, mas não o único. “Dois ministros ultrapassaram todos os limites, inclusive Flávio Dino”, declarou. Ao citar os mais de 100 pedidos apresentados contra Moraes, acrescentou: “O primeiro deve ser ele”. Para o deputado eleito, a nova composição do Congresso dará força às investidas contra integrantes da Corte. “Eles estão vendo que perderam a eleição, que tentaram interferir e as urnas disseram ‘não’. Agora é muito tarde, os ministros do STF vão ter uma surpresa.”
Leia maisA ofensiva projetada por Gilson alcança também o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). O futuro parlamentar defendeu sua cassação e criticou a decisão de manter engavetados pedidos contra ministros do Supremo. “Alcolumbre segurou 100 pedidos de impeachment. Poderia ter pacificado o país e não o fez”, disparou. Na Câmara, Gilson também espera mudanças no comando hoje exercido por Hugo Motta (Republicanos-PB) e aposta na nova correlação de forças para eleger um presidente alinhado à maioria formada por parlamentares de direita e centro.
Essa nova configuração, na avaliação do ex-ministro, deverá abrir espaço para alterações mais profundas. Gilson considera que a Constituição de 1988 “já passou do prazo de validade” e chegou a defender uma nova Carta para o país. “Ela foi feita na época do sistema analógico, na época era jornal. Hoje tem as redes sociais, tem muita coisa para ser ajustada”, argumentou. Entre os temas que considera passíveis de revisão estão relações de trabalho, licenciamento ambiental e regras adaptadas às transformações tecnológicas das últimas décadas.
A defesa ganhou ainda mais peso porque Flávio Bolsonaro adotou discurso semelhante no mesmo dia. Durante evento em Goiânia para oficializar o apoio de Ronaldo Caiado (PSD), o candidato à Presidência comemorou o avanço da direita no Congresso e falou em usar essa força política para “mudar a Constituição” e “redemocratizar o país”. Para aprovar uma Proposta de Emenda à Constituição, entretanto, são necessários três quintos dos votos nas duas Casas — 308 deputados e 49 senadores —, o que exigiria alianças além da bancada do PL.
Gilson acredita que essa reorganização política será acompanhada pela vitória do aliado na disputa presidencial. Sua previsão é de que Flávio alcance 57% dos votos no segundo turno. Para ele, o desempenho obtido no domingo refletiu tanto o desgaste do PT quanto a reação de parte do eleitorado à atuação do Judiciário. “A vitória não é apenas do conservadorismo, mas do povo brasileiro. Foi uma vitória acachapante em cima de um PT que, junto com o STF, tentou impor a governança do Brasil”, avaliou.
O deputado eleito também chamou atenção para o desempenho de Lula (PT) no Nordeste, que considera inferior ao registrado em 2022, e citou derrotas do petista em importantes colégios eleitorais. Convicto de que o primeiro turno consolidou uma mudança no ambiente político, resumiu sua expectativa para a etapa final da disputa: “A previsão é em torno de 57% para Flávio”.
PP, UB e Caiado com Flávio – A federação formada pelos partidos União Brasil e Progressistas (União Progressista) anunciou, ontem, que vai apoiar o senador Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno da disputa à Presidência da República. Segundo a senadora Tereza Cristina (PP-MS), a decisão foi tomada por unanimidade pela federação e pelas executivas dos partidos, que se reuniram nesta terça. Também ontem, o ex-candidato à Presidência da República Ronaldo Caiado (PSD) declarou que vai apoiar a candidatura de Flávio no segundo turno. “Goiás vai dar a maior vitória ao Flávio Bolsonaro nessa eleição. A mobilização vai ser em tempo integral”, disse Ronaldo Caiado.

Lula recruta jovens eleitos e influencers – A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, quer organizar uma espécie de força-tarefa digital para tentar aumentar o desempenho do petista nas redes sociais para o segundo turno das Eleições 2026. Como parte da estratégia, o presidente Lula deve se reunir, amanhã, com candidatas eleitas para a Câmara dos Deputados, como Ana Elisa (PT-MG), Erika Hilton (PSOL-SP) e Sâmia Bomfim (PSOL-SP), entre outras. Desde a votação de domingo (4), a campanha do presidente tem recebido sugestões de mudanças de estratégia, principalmente nas redes sociais. Aliados afirmam que uma das possibilidades também é fazer alianças com influenciadores de esquerda, que têm se colocado à disposição de Lula para auxiliá-lo no segundo turno. Um dos nomes é Jones Manoel (PSOL-PE), segundo deputado federal mais votado em Pernambuco e com forte presença digital.
PL esvazia debate da 6×1 – A maioria dos senadores do PL não participou, ontem, da primeira discussão no plenário da PEC que acaba com a escala 6×1 sem redução salarial. Dos 15 integrantes da bancada, apenas seis registraram presença. Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, estava em Brasília, mas também não acompanhou a sessão, nem de forma remota. Aliados do presidenciável tentam evitar a votação do texto atual e defendem uma proposta alternativa que permite reduzir a jornada com diminuição proporcional do salário. Integrantes do PL e do Republicanos devem se reunir hoje para definir uma estratégia sobre a PEC.
Lula pressiona bancada – O presidente Lula (PT) acusou o PL de Flávio Bolsonaro de tentar impedir a votação da PEC e disse que o adversário terá de mostrar se sua bancada “tem coragem ou não” de apoiar o fim da escala 6×1. “Pelo que eu fui informado, eles estão tentando atrapalhar a votação para que essa votação não aconteça. E a sociedade brasileira está de olho”, afirmou. Lula disse ainda que a votação fará “a máscara” dos parlamentares cair e mostrará “quem efetivamente quer que o povo tenha uma vida mais digna, descanse mais e cuide mais da família”.

Flávio quer “mudar a Constituição” – O senador Flávio Bolsonaro (PL) comemorou o resultado das eleições para o Congresso Nacional e falou em “mudar a Constituição” para “redemocratizar o Brasil”. “Já temos maioria no Senado e na Câmara, para a gente mudar a Constituição para redemocratizar o país”, disse. A fala do candidato a presidente pelo PL foi feita ontem, durante evento em Goiânia para oficializar o apoio do ex-governador Ronaldo Caiado (PSD) a Flávio. O governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), também esteve no evento. Para aprovar uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC), são exigidos 3/5 dos votos na Câmara (o equivalente a 308 dos 513 deputados) e no Senado Federal (pelo menos 49 dos 81 senadores). Com isso, o PL ainda vai precisar de alianças para ter maioria nas duas Casas.
CURTAS
LULA VAI PROCURAR RAQUEL – A senadora eleita no último domingo, Marília Arraes (PDT), afirmou, ontem, em entrevista à Rádio Jornal, que a campanha do presidente Lula (PT) buscará o apoio da governadora reeleita Raquel Lyra (PSD) no segundo turno. Segundo ela, a aproximação foi discutida na reunião de Lula com aliados, na segunda-feira, em Brasília.
DANI QUESTIONA NEUTRALIDADE – A deputada estadual reeleita Dani Portela (PT) afirmou, em entrevista à Rádio Folha, ontem, que apoiar a reeleição do presidente Lula (PT) é uma responsabilidade com a história e questionou a neutralidade da governadora Raquel Lyra (PSD) em relação ao segundo turno.
HORA DE BAIXAR O PALANQUE – Ainda na Rádio Folha, Dani disse: “Lula se reuniu com lideranças do estado e botou isso (o nome de Raquel) na mesa. Então, acho que agora é hora de baixar o palanque. Não sou a pessoa para fazer essa conversa, acho que tem nomes do PT nacional que já estão tentando, inclusive via partido dela, (porque) é momento de unidade histórica dos nossos tempos. Se mais uma vez ela continuar insistindo na neutralidade, espero que a história cobre o preço e cobre rápido”, disse.
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