O senador Cid Gomes (PSB) subiu o tom ao rebater declarações recentes do pré-candidato ao governo do Ceará Ciro Gomes (PSDB). Rompidos desde 2022, eles ocupam palanques opostos neste ciclo eleitoral. Em evento do PSB em Sobral, berço político da família Ferreira Gomes, o parlamentar criticou a fala do tucano de que, quando Cid disputou a eleição para governador, era conhecido como “irmão de Ciro”.
— Me perdoe! Mas, eu tinha sido prefeito de Sobral, durante oito anos. Durante oito anos, esse povo faz lá esse troféu de melhor prefeito, fui primeiro lugar nos oito anos como prefeito de Sobral. O esforço aqui na educação já era conhecido internacionalmente e é referência até hoje — disse Cid no sábado. As informações são do jornal O GLOBO.
Leia maisO senador também criticou o irmão por pedir desculpas ao ex-deputado federal Capitão Wagner (União Brasil), cotado para disputar o Senado na chapa de Ciro.
Em abril, Cid disse ao GLOBO ser “muito constrangimento ter um irmão e não votar nele”. Enquanto o senador é aliado do governador Elmano de Freitas (PT) e articula a presença do PSB na chapa majoritária petista, Ciro é o principal nome da oposição na disputa pelo governo estadual.
Racha político
Cid e Ciro estão afastados há cerca de três anos, quando discordaram sobre quem deveria ser o candidato do PDT no pleito estadual de 2022. O parlamentar defendia a continuidade da então governadora Izolda Cela, que assumiu após Camilo deixar o cargo, à medida que Ciro bancou a candidatura do ex-prefeito de Fortaleza Roberto Cláudio.
O objetivo de Ciro era ter um palanque no estado em sua campanha à Presidência, o que poderia ter resistências da então governadora em meio ao apoio a Lula. O PT, que defendia ter o palanque de Izolda, rompeu com o PDT após o escolhido ser Roberto Cláudio e lançou Elmano, que terminou eleito com 54,02% dos votos, contra 31,72% de Wagner e 14,14% do ex-prefeito de Fortaleza.
Um ano depois, em novembro de 2023, Cid saiu do PDT e migrou para o PSB junto a outros dois irmãos, isolando ainda mais Ciro. Junto com eles, debandaram cerca de 50 prefeitos de municípios cearenses, além de deputados estaduais e federais.
Chapa ao Senado
O governo Elmano é bem avaliado pela população, mas a ascensão de Ciro nas pesquisas de intenção de voto ao governo reforçou no PT a busca pelo fortalecimento da chapa majoritária. Tanto Camilo quanto Lula defendem que a composição deve privilegiar nomes que ajudem a expandir a base governista no estado.
Cid deseja que o deputado federal Júnior Mano seja o nome do PSB ao Senado na chapa de Elmano. Mas, há pressão de correligionários e membros do governo petista para que Cid dispute a reeleição.
O senador afirma que o compromisso com Júnior Mano já foi assumido e destaca a quantidade de apoio angariado pelo deputado entre prefeitos. A estimativa é a de que 40 chefes do Executivo municipal já se comprometeram a atuar na campanha do parlamentar.
Além dos nomes do PSB, também são cotados pelo PT o deputado federal Eunício Oliveira (MDB) e o ex-senador Chiquinho Feitosa (Republicanos). Do lado da oposição, o ex-deputado federal Capitão Wagner (União) e o deputado estadual André Fernandes (PL) são os favoritos para integrar a chapa de Ciro.
Pesquisa Ipsos-Ipec divulgada na semana passada mostra favoritismo de Cid na disputa por uma cadeira na Casa. Em um cenário com Eunício como segundo nome da chapa petista, o irmão de Ciro alcança 49% das intenções de voto, enquanto Wagner aparece em seguida com 42%.
Nos outros dois cenários, onde Junior Mano é testado, o deputado varia entre 12% e 15%, aparecendo atrás de Wagner (43%-45%) e Eunício (30%-32%).
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