Os brasileiros choraram com a desclassificação da seleção da Copa pela Noruega, domingo passado. Estou entre os que já esperavam o fiasco do time comandado, estranhamente e de forma inusitada, por um técnico italiano, que, também sem razões, mesmo não dando certo, já está com contrato renovado pela CBF até 2030.
Dá para entender? Veja bem como são as coisas da máfia do futebol: o novo vínculo se estende até a Copa de 2030, totalizando um salário anual de R$ 55,8 milhões, o que dá R$ 5 milhões por mês, o maior da história pago a um técnico da seleção brasileira. Os auxiliares diretos Paul Clement e Francisco Mauri, o preparador físico Mino Fulco e o analista de desempenho Simone Montanaro terão uma valorização, também pedida por Ancelotti.
Leia maisApesar de a direção da CBF apostar na continuidade, a decisão gerou debates intensos e críticas, visto que o Brasil teve um de seus piores desempenhos recentes em Copas, caindo logo nas oitavas de final.
Nomes como Luisão e Romário criticaram, e com razão, o fato de a CBF ter optado por renovar o contrato antes de ver o resultado prático da equipe no Mundial. A seleção brasileira passou a ser um produto gerido por cartolas, não mais o maior patrimônio nacional.
Falta o brilho nos olhos, a alegria de jogar. A bola pune quem trata o futebol apenas como negócio. Torcer pela Seleção exigiu mais paciência do que paixão. Dói muito ver o nosso talento desperdiçado e a nossa história sendo manchada.
O peso da camisa amarela parece ter ficado pesado demais para quem carrega a responsabilidade de vencer. Mais do que perder, o que frustra é ver que o Brasil esqueceu como se joga o futebol bonito, de classe, de categoria, do charme de um Pelé, de dribles fenomenais como os de Garrincha.
A distância entre o torcedor brasileiro e a Seleção nunca pareceu tão grande quanto agora. Nos acostumamos tanto com a decepção que a eliminação deixou de ser uma surpresa para se tornar rotina.
Sobre a derrota para a Noruega, foi muito frustrante. Uma nação inteira respirando futebol para no fim sobrar apenas a decepção. Faltou raça, sobrou sofrimento. Não dá para entender. O maior campeão do mundo não merecia passar por isso de novo.
A eliminação ocorreu pela falta de eficiência em momentos decisivos (como o pênalti desperdiçado por Bruno Guimarães) e pela desorganização tática, que resultou em uma posse de bola de apenas 34% e nos dois gols sofridos nos quinze minutos finais, ambos marcados pelo atacante Erling Haaland.
O Brasil já foi sinônimo de alegria no futebol. Hoje, só nos traz lágrimas e frustração. Não chegar sequer às quartas foi o maior vexame da história do futebol mundial. Uma mancada que vai ficar marcada para sempre na história. Sou daqueles céticos, cuja única certeza em Copa do Mundo é a decepção brasileira.
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