A menos de seis meses de deixar a Casa Branca, o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, anunciou nesta segunda-feira um plano para reformar a Suprema Corte que busca limitar o mandato vitalício dos magistrados e impor um código ético, um projeto ambicioso em seus últimos meses de mandato.
Biden, 81, vai discursar em defesa de uma revisão constitucional para anular a recente decisão que a Suprema Corte, com maioria de juízes conservadores, adotou em relação a Donald Trump.
O tribunal concedeu em julho uma ampla imunidade ao ex-presidente republicano, que enfrenta vários processos e está em campanha para retornar à Presidência nas eleições de novembro.
A Casa Branca indicou que tanto Biden, que se retirou da corrida presidencial após questionamentos sobre sua capacidade física e mental, quanto a vice-presidente Kamala Harris, virtual candidata dos democratas à Presidência, querem trabalhar com o Congresso neste plano.
Biden se absteve por muito tempo dos apelos para negociar com o Congresso uma reforma da corte máxima, composta por nove juízes nomeados vitaliciamente e que atualmente tem seis magistrados conservadores, três deles nomeados por Trump
O tribunal emitiu outras decisões polêmicas, como a anulação em 2022 da decisão de 1973 que permitia o direito ao aborto em nível federal, bloqueou medidas de controle de armas, diminuiu os direitos LGBTQIA+ e também enfrenta um escândalo sobre a probidade dos juízes.
Em pronunciamento que deve fazer ainda nesta segunda, em Austin, no Texas, espera-se que Biden argumente que o atual sistema de nomeações vitalícias para juízes do Supremo Tribunal confere ao presidente uma influência indevida durante décadas.
Esse será o primeiro compromisso público de Biden desde que anunciou sua decisão de encerrar sua campanha presidencial na semana passada. Seu discurso comemorará o 60º aniversário da Lei dos Direitos Civis, cuja efeméride ocorreu em 1º de julho.
Ele deverá propor um processo no qual quem estiver à frente da Casa Branca indicaria um nome a cada dois anos para passar 18 anos no tribunal.
O prazo de validade para o mandato dos juízes “busca limitar a possibilidade de que uma Presidência imponha uma influência indevida nas gerações futuras”, indicou Biden em um comunicado.
Também propõe um código ético que seja vinculante, cuja aplicação seja garantida e semelhante ao aplicado aos juízes do circuito judicial federal.
Biden chamou a decisão da corte de dar imunidade relativa a Trump de “precedente perigoso”. Segundo ele, a posição do tribunal dá a entender “que praticamente não há limites para o que um presidente pode fazer”. Mas uma emenda constitucional limitando essa decisão enfrentaria desafios, exigindo votos de dois terços no Congresso ou em uma convenção convocada por dois terços dos estados, seguido pela ratificação por três quartos das legislaturas estaduais.
Trump criticou as ideias de Biden nas redes sociais neste mês, acusando-o e aos democratas de “tentar desesperadamente ‘Jogar o Juiz’ ao pedir um ataque ilegal e inconstitucional à nossa sagrada Suprema Corte dos Estados Unidos”.
O presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse na noite desta quinta-feira (15) que nunca foi atrás de partidos para buscar apoio na campanha ao Palácio do Planalto. Em entrevista à TV Globo, o petista afirmou que também nunca pediu para os ministros que integram seu governo demonstrarem apoio à sua candidatura nas eleições.
“Nem em 2006 eu pedi para meus ministros fazerem campanha para mim. Eu peço para participarem do meu governo pensando na governabilidade. Não procurei os partidos para me apoiar na campanha”, disse Lula. As informações são da CNN.
Ao falar sobre o apoio recebido das legendas a uma possível reeleição e da nova composição do Congresso Nacional para o ano que vem, o petista pontuou sempre ter incluído siglas de diferentes posicionamentos dentro de sua gestão.
“Todos os partidos, com exceção do PL, participaram do meu governo. Todos: PT, União Brasil, PSB… Tivemos uma grande participação no governo e, por isso, conseguimos aprovar tudo (…). Quando você ganha, tem que pensar na governabilidade do país (…). Aprovamos 99% de tudo o que queríamos aprovar”, declarou.
Como mostrou a CNN, na Câmara dos Deputados, onde as 513 cadeiras estavam em disputa, o PL (Partido Liberal) terá a maior bancada da Casa, com 121 deputados. Um aumento de 22 cadeiras em relação à bancada eleita em 2022.
O PT (Partido dos Trabalhadores) ganhou uma vaga a mais. Tinha 69 e passará para 70.
No Senado o cenário não foi diferente.
O partido também terá a maior bancada da Casa Alta a partir de janeiro de 2027, com 19 senadores eleitos. Ao todo, o partido terá 28 congressistas na Casa Alta. O PT é o segundo partido com mais senadores na legislatura que começa no ano que vem. A sigla de Lula elegeu 6 senadores e agora terá 9 parlamentares.
Durante sabatina nesta quinta-feira (15), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que quer negociar o tarifaço sobre produtos brasileiros com os Estados Unidos, mas disse que aplicará a reciprocidade, caso necessário.
“Quem deve se preocupar conosco devem ser os EUA. Nós não fizemos a lei da reciprocidade e não quero fazer (…). Eles têm mais a perder do que nós”, afirmou à TV Globo. As informações são da CNN.
Em vigor desde julho deste ano, o tarifaço consiste no imposto de 25% sobre uma série de produtos brasileiros. A medida foi anunciada após recomendação do USTR (Escritório do Representante Comercial dos EUA) e faz parte de uma investigação conduzida com base na Seção 301 da Lei de Comércio americana.
Apesar da possibilidade em aplicar a reciprocidade no tarifaço, Lula admitiu que sua relação com o presidente norte-americano Donald Trump foi a mais civilizada e acredita que eles chegarão a um acordo.
“Eu disse ao Trump que dois homens de 80 anos tinham que ter juízo (…), e ele concordou comigo. Foram três reuniões (…). Estamos agora mesmo negociando com os EUA. Eu acho que vamos chegar a um acordo”.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou durante sabatina nesta quinta-feira (15) na TV Globo que é a favor da redução da maioridade penal para crimes hediondos.
“Todo e qualquer crime hediondo, eu sou favorável a diminuir a maioridade. Sou a favor. O problema era que a PEC não estava discutindo isso. O PL apresentou uma proposta para 14 anos, e Camilo, para 16”, explicou. As informações são da CNN.
“Eu sou favorável a diminuir para 16 anos, mas não a discutir isso nessa PEC. Primeiro, aprova a PEC e depois discute isso. Eu acho que a sociedade brasileira inteira é favorável à punição por qualquer crime hediondo”, completou.
A redução da maioridade penal voltou a ser discutido no Congresso Nacional nesta quinta-feira através de uma PEC (Proposta de Emenda à Constituição) apresentada pelo senador Rogério Marinho (PL-RN). A emenda propõe reduzir de 18 para 16 anos a idade para responsabilização penal e prevê a aplicação da mudança a partir dos 14 anos em situações específicas.
A redução não fazia parte do texto aprovado pela CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado. A mudança foi apresentada por meio de uma emenda e depende da análise dos senadores para ser incorporada à proposta.
Lula usou a sabatina da Globo, nesta quinta-feira (15), para fazer um duro balanço da herança deixada pelo governo Jair Bolsonaro. Ao responder a Renata Lo Prete sobre as dificuldades de seu terceiro mandato, o presidente afirmou que encontrou ministérios desmontados, políticas públicas enfraquecidas e falta de recursos no Orçamento para áreas básicas.
“Nós passamos dois anos tentando recuperar esse país”, disse.
Lula afirmou que a situação era tão grave que sua equipe precisou aprovar a PEC da Transição antes mesmo da posse para abrir espaço fiscal e garantir recursos para programas sociais e áreas como saúde e educação. As informações são da Revista Fórum.
Segundo o presidente, o Orçamento deixado pelo governo anterior não assegurava dinheiro suficiente para o Bolsa Família, a educação e a saúde.
Ao comparar os dois momentos, Lula disse que parte do eleitorado voltou a escolhê-lo em 2022 com a lembrança do fim de seu segundo mandato, em 2010, quando o país vivia outro cenário econômico.
O petista citou o crescimento de 7,5% naquele período, a posição do Brasil entre as maiores economias do mundo e a geração de milhões de empregos ao longo de seus primeiros governos.
A comparação serviu para reforçar o argumento de que o terceiro mandato começou em condições muito diferentes.
Lula também fez uma autocrítica. Disse que, embora considere que o governo tenha realizado muita coisa, não conseguiu comunicar à população tudo o que foi feito para reconstruir políticas e estruturas públicas.
“Eu só lamento que eu não tenha tido a capacidade de fazer o povo compreender as coisas que eu fiz”, afirmou.
Renata Lo Prete também questionou o presidente sobre a relação com o centro político e sobre as dificuldades que um eventual quarto mandato enfrentaria num Congresso ainda mais hostil.
Lula contestou a avaliação e começou a responder lembrando a correlação de forças que encontrou ao assumir o governo.
Na reta final da entrevista, o presidente demonstrou confiança no segundo turno contra Flávio Bolsonaro.
“Estou consciente de que vou ganhar as eleições dia 25 de outubro”, afirmou.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, participa, em instantes, de uma sabatina ao vivo na TV Globo, nesta quinta-feira (15), a partir das 21h15, logo após o Jornal Nacional. A entrevista será conduzida pela jornalista Renata Lo Prete, nos Estúdios Globo, no Rio de Janeiro, e terá transmissão simultânea pela TV Globo, GloboNews e g1. Lula abre a rodada de entrevistas com os candidatos que disputam o segundo turno, enquanto Flávio Bolsonaro (PL) será sabatinado nesta sexta-feira (16).
Um homem foi atropelado, nesta quinta-feira (15), no bairro São Cristóvão, em Arcoverde. Imagens divulgadas nas redes sociais mostram a vítima com ferimentos graves à espera de atendimento. Segundo as informações iniciais, o homem foi socorrido e encaminhado à Sala Vermelha do Hospital Ruy de Barros Correia. Populares relataram que o motorista envolvido no acidente teria tentado deixar o local. Com informações do Blog do Nill Júnior.
Como um empresário pernambucano construiu um império na educação e transformou o futebol do estado? O segredo é jurídico!
Laércio Guerra fundou a UNIBRA e, mais tarde, o Retrô FC, investindo mais de R$ 70 milhões para erguer uma das estruturas mais modernas do futebol brasileiro. Mas financiar um novo projeto bilionário a partir de uma empresa consolidada exige um cuidado extremo com a arquitetura societária.
A lição jurídica: a transição do Retrô de uma associação sem fins lucrativos para uma estrutura profissionalizada exige rigorosa separação jurídica e patrimonial entre os negócios. Misturar o caixa de uma faculdade com o de um clube de futebol cria uma grave armadilha fiscal e societária. Garantir que doações, empréstimos ou patrocínios estejam juridicamente amarrados é o que protege o negócio principal de ser contaminado e viabiliza a realização de novos sonhos comerciais.
Vitória de Santo Antão recebe, nesta sexta-feira (16), às 19h13, uma plenária em apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), na Praça da Matriz. O encontro terá a participação do senador reeleito Humberto Costa (PT), das deputadas federais eleitas Rosa Amorim (PT) e Jones Manoel (PSOL), da deputada estadual reeleita Dani Portela (PT), além das vereadoras Jô Cavalcanti e Kari Santos.
A atividade ocorre poucos dias após a inauguração de um comitê popular na região da Matriz, que passou a funcionar como ponto de organização das ações de campanha no município. No primeiro turno, Lula obteve 45.410 votos em Vitória de Santo Antão, equivalentes a 54,99% dos votos válidos, contra 39,28% de Flávio Bolsonaro (PL).
Com o tema “Pernambuco: referência nacional na vitória de Lula presidente”, a plenária integra a mobilização da campanha petista no segundo turno e deve reunir apoiadores, lideranças comunitárias e representantes de movimentos populares de Vitória de Santo Antão e municípios da região.
A governadora Raquel Lyra (PSD) não assumiu apoio à reeleição do presidente Lula (PT), mas deu ordens expressas para prefeitos mais próximos aderirem ao petista, como a prefeita Pollyana Abreu (PSD), de Sertânia, a mesma que no primeiro turno apoiou Humberto Costa para o Senado a pedido de Raquel.
O Senado Federal aprovou nesta quinta-feira (15), de forma simbólica, a MP (medida provisória) que obriga a realização do Enamed (Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica) para estudantes de Medicina.
Publicada em junho pelo MEC (Ministério da Educação), em conjunto com o Ministério da Saúde, a medida provisória tinha validade prevista para esta sexta (16).
No Senado, a medida foi relatada pelo senador Camilo Santana (PT-CE), que também presidiu a comissão mista que analisou e aprovou a MP. As informações são da CNN.
“Em 2025, quase metade dos cursos privados de medicina não obtiveram notas suficientes. Além disso, quase 30% desses cursos com nota 1 e 2, foi por isso que criamos a medida provisória”, afirmou durante discurso no plenário.
“Conseguimos construir um consenso sobre a importância de garantir a qualidade da formação médica nesse país, principalmente nas universidades privadas. A gente não pode permitir que as faculdades cobrem R$ 10 mil ou R$ 15 mil e não dê qualidade na formação médica”, completou.
O ex-ministro da Educação também relembrou que, a princípio, o exame avaliaria apenas as instituições de ensino. Segundo ele, após diálogo com o Ministério da Saúde, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) incorporou à proposta a inclusão da nota do aluno no diploma, permitindo que o CFM (Conselho Federal de Medicina) utilize o resultado para definir se o profissional está apto a exercer a profissão.
Entenda a proposta
Nos últimos cinco anos, o Brasil registrou um aumento de 50% no número de cursos de medicina. O objetivo é tornar mais criteriosa a análise dos cursos e dos alunos.
Atualmente, a apresentação do diploma é suficiente para a obtenção do CRM. No entanto, com a mudança, estudantes que ingressarem nos cursos de medicina após a medida estar em vigor precisarão de desempenho considerado proficiente, acima de 60 pontos no Enamed, para receber o registro nos Conselhos de Medicina.
O Enamed é realizado anualmente desde 2025. Quem organiza o exame é o MEC, por meio do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira). A ideia é avaliar a formação médica no Brasil.
De acordo com a medida provisória, que institui o exame como obrigatório, os estudantes deverão prestar a prova em dois momentos distintos: ao final do quarto ano, cujo resultado terá caráter diagnóstico; após a conclusão do curso, para atestar a proficiência. A aprovação na segunda etapa será requisito obrigatório para a inscrição nos conselhos regionais de medicina.
Os estudantes e concluintes aprovados no exame com desempenho considerado proficiente — o equivalente a 60% de acertos — serão considerados aptos para o exercício da profissão. A prova tem 100 questões objetivas, baseadas nas Diretrizes Curriculares Nacionais.
A medida só passa a valer para estudantes que ingressarem na faculdade de medicina após a aprovação da medida. Estudantes que já estão cursando a graduação devem realizar o exame, mas a nota terá caráter avaliativo e não será pré-requisito para a obtenção do registro profissional.
O Senado Federal aprovou nesta quinta-feira (15) o projeto que amplia o limite do MEI (Micro Empreendedor Individual) de R$ 81 mil para R$ 140 mil de maneira regressiva e também perdoa dívidas de inadimplentes da categoria. A votação foi unânime, com 78 votos a favor, e a medida segue agora para sanção presidencial.
Empacada na Câmara dos Deputados desde junho, a medida foi aprovada na última quarta-feira (14) por 461 votos a quatro. O PLP (Projeto de Lei Complementar) é uma das medidas do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para agradar a categoria frente ao segundo turno das eleições presidenciais. Nesta semana, o chefe do Executivo também perdoou R$ 12 bilhões em dívidas de microempreendedores no âmbito do programa “Prospera MEI”. As informações são da CNN.
O aumento do teto da categoria, como desenhou o governo federal, é progressivo e sobe para R$ 110 mil em 2027, com outro aumento de R$ 140 mil em 2028. A expansão também beneficia a contratação de quem é MEI, podendo adquirir até dois colaboradores.
A expansão aprovada no Senado, no entanto, não representa mudança imediata no Simples Nacional. Na quarta-feira, o ministro do Empreendedorismo, Pedro Pereira, afirmou no Congresso Nacional que o Simples seria pensado pelo governo no futuro, tendo em vista que o custo estimado poderia chegar a R$ 50 bilhões. A expansão do MEI, custará cerca de R$ 8 bilhões.
A mudança no Simples Nacional estava travando a tramitação do PL na Câmara desde junho por uma impasse sobre o tamanho desse reajuste. Uma proposta que tramitava na Casa queria elevar o teto para toda a categoria, não só para os MEIs.
O governo resistiu por um tempo à tramitação de um texto que reajustasse o teto do MEI e do Simples. O argumento era que o impacto não cabia no Orçamento dos próximos anos. Com o avanço da proposta, o Planalto decidiu enviar a própria proposta ao Legislativo.
Dados da Receita Federal indicam que o país tem mais de 16 milhões de MEIs registrados e cerca de 7 milhões de empresas optantes pelo Simples Nacional.
A atualização do Simples deve ser realizada depois das eleições. Essa costura foi feita a partir de um acordo para trocar a aprovação do projeto do governo. Para isso será apresentado um novo texto.
Dívidas perdoadas Nesta semana, o governo também anunciou um pacote de cinco medidas voltadas aos MEIs. Entre os itens do pacote está um PLP (projeto de lei complementar) para o perdão de todas as dívidas dos MEIs com o governo, que totalizam R$ 12,6 bilhões.
O programa chamado Prospera MEI determina que a União vai comprar dívidas da categoria com bancos e oferecer descontos acima de 90% para o pagamento.
Também foi anunciada a intenção de lançar o “Pix MEI”. O ministro definiu a medida como uma espécie de fomento que destinará a cada MEI até R$ 5 mil para investimentos.
No pacote o governo também pedia a aprovação do aumento do teto na Câmara. As medidas do governo também cancelam a obrigatoriedade de emissão de nota fiscal pelo MEI, na venda de produtos e serviços para pessoas físicas. Também serão dispensados de emitir nota fiscal e criar CNPJ os nanoempreendedores, categoria criada pela reforma tributária.
O ex-banqueiro Daniel Vorcaro criou uma rede de influência em sites de notícias por meio de patrocínios e investimentos de empresas ligadas a ele, mostram mensagens extraídas pela PF (Polícia Federal) em seu celular. Por meio desses aportes, ele interferia em critérios jornalísticos das redações e decidia o que deveria ser publicado e em qual tom.
As conversas em seu celular indicam que ele conseguiu influenciar diretamente notícias publicadas nos sites Brazil Journal, IstoÉ, PlatôBR, DCM e CartaCapital.
O PlatôBR tem como sócia a Foone, empresa de Flávio Carneiro, que atuava como assessor de imagem de Vorcaro. Em março de 2025, dois dias depois do anúncio da compra do Master pelo BRB, Carneiro combinou com Vorcaro que mandaria a ele textos antes da publicação. “Vou te mandando as minutas e você analisa e publicamos”, escreveu.
Naquela noite, enviou ao banqueiro a íntegra de uma entrevista do presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, ao PlatôBR. “Entra agora à noite!”. Vorcaro reclamou da chamada: “Colocar esse tema precatório no subtítulo também não é legal”.
Na manhã seguinte, com a matéria no ar e já corrigida, ele voltou a reclamar do destaque dado aos precatórios. “Vamo alterar agora”, respondeu Carneiro.
Em agosto de 2025, Vorcaro deu uma ordem: “Não deixa Platô falar de Ciro e Rueda”, em referência aos presidentes do PP, Ciro Nogueira, e do União Brasil, Antônio Rueda.
No mesmo mês, pediu que o site atacasse Ricardo Cappelli, então presidente da ABDI (Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial) e pré-candidato ao governo do Distrito Federal. “Tem que pegar o Platô e moer esse Cappelli”, escreveu. “Vamo desancar esse desgraçado”, respondeu Carneiro, que disse que iria “alinhar isso no Platô e no Correio”.
Quando o PlatôBR publicou notas negativas sobre o banco, em abril de 2025, Carneiro disse que ia pedir para tirar as reportagens do ar.
Carneiro também era investidor das publicações IstoÉ e IstoÉ Dinheiro, controladas por Antônio Carlos Freixo Júnior, o Mineiro, apontado como operador financeiro de Vorcaro.
Em 2024, o dono do Master encomendou a Carneiro uma capa da IstoÉ Dinheiro sobre a farmacêutica Biomm, em que havia investido. “Na IstoÉ é que controlamos mais”, disse Vorcaro a Carneiro.
Em setembro daquele ano, escreveu ao assessor: “Qualquer coisa de Ciro, Arthur, Hugo não pode sair nada sem me falar”. “Vou colocar o Lira nessa lista agora”, respondeu Carneiro.
O UOL procurou Carneiro para falar sobre as trocas de mensagens com Vorcaro e sua relação com o PlatôBR e a IstoÉ e aguarda um posicionamento.
Brazil Journal No Brazil Journal, Vorcaro era consultado diretamente pelo fundador do site, Geraldo Samor, sobre reportagens do Master antes que elas fossem publicadas. O banqueiro pedia alterações, que eram prontamente atendidas pelo jornalista.
Lá, a participação do ex-banqueiro foi feita por meio de terceiros. Em 2023, Samor criou a BJ Conteúdo, empresa de vídeos e eventos do site. A Foone, de Flávio Carneiro, amigo de Vorcaro, ficou com 49,86%.
Em dezembro daquele ano, Vorcaro e Carneiro discutiram como incluir o empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, dono da IstoÉ, na Foone.
“Não dá pra ele aparecer como sócio do Geraldo no Brazil Journal. Vai sujar a água”, escreveu Carneiro a Vorcaro. A solução sugerida foi “fazer uma Foone 2 e pôr só o BJ lá” para oficializar o investimento.
Depois disso, Samor passou a consultar Vorcaro sobre textos do Master antes de publicá-los.
Em fevereiro de 2024, Samor escreveu: “Flávio acaba de me mandar o texto. Vou trabalhar. Você quer isso publicado amanhã cedo?”. Na manhã seguinte, o banqueiro pediu: “A frase avenida pra agronegócio você pode tirar?”. Samor respondeu: “Atualizado”.
Dias depois, o site publicou a compra do Will Bank. Vorcaro pediu: “Me faz um favor, tira o nome Voiter, vamos falar só que anunciamos reorganização societária”. Samor respondeu: “Mudei”.
Em abril de 2024, Samor mandou a Vorcaro o texto sobre o evento do Master em Londres com Tony Blair. “Flávio falou que você queria ver antes”, escreveu. Depois, enviou uma “versão mais curta” e disse: “Na nossa opinião, perdeu muito. Mas entendemos a limitação”.
Na mesma conversa, Vorcaro pediu para que Samor acrescentasse que “os três ministros do STF” (Supremo Tribunal Federal) tinham se reunido “privadamente” com Blair antes do debate. Ele citou Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes.
Samor também foi procurado para se posicionar, mas não respondeu aos contatos do UOL.
Sites de esquerda O DCM (Diário do Centro do Mundo) recebia uma mesada para não publicar críticas a Vorcaro, segundo mensagens de Felipe Mourão, responsável pela reputação digital do banqueiro. Era ele quem negociava com o site.
Em outubro de 2024, depois de uma nota negativa, Vorcaro mandou Mourão fazer “uma parceria direito” com o DCM, com “um valor mensal”. A condição era que não saísse “uma frase com meu nome ou Master”.
Segundo Mourão, o diretor do site quis “saber sobre os alvos” antes de fechar. Dois dias depois, contou que o acordo estava firmado e que o DCM removeria qualquer texto negativo que viesse a sair.
O trato também permitia ao grupo publicar no site, todo mês, “uma matéria positiva ou negativa de alguém”. Em 21 de outubro, Mourão confirmou ao banqueiro que o “Dcm está pago e fechado”.
Mourão já submetia a Vorcaro os textos que sairiam no site. Em janeiro de 2024, o banqueiro vetou uma menção ao pai, Henrique Vorcaro, e pediu que o nome dele fosse sempre desvinculado das reportagens.
Em maio de 2025, quando o DCM publicou um artigo crítico ao Master, Vorcaro mandou “tirar isso imediato”. O texto foi apagado no mesmo dia, segundo mensagem de Mourão.
O DCM foi procurado após a publicação da reportagem. O posicionamento do site será publicada assim que for enviada.
Na CartaCapital, a relação era mais antiga. A revista fechou em 2021 um contrato de patrocínio de cinco anos com o Banco Máxima, que depois passaria a se chamar Master. Em dezembro de 2020, o banco já tinha adiantado R$ 300 mil à revista.
O dinheiro ajudava a pagar salários. A diretora da revista, Manuela Carta, avisou a Vorcaro que precisaria de “mais um recurso para a próxima folha de pagamentos” no início de 2021.
Em agosto de 2023, a revista deixou com Vorcaro a decisão sobre publicar uma reportagem que vinha preparando. Naquele mês, Carta e o dono do Master se encontraram para tratar da eventual entrada dele como sócio da revista, possibilidade que vinha sendo discutida havia um ano.
Três dias depois do encontro, ela enviou a Vorcaro dados sobre a dívida da revista e sinalizou que aguardaria então uma proposta do banqueiro.
A negociação de compra não se concretizou. Em 2024, Carta pediu um “adiantamento de publicidade”, e Vorcaro se ofereceu para ajudar “fora do banco”.
Em nota, Manuela Carta, publisher de CartaCapital, informou que o Banco Master “fechou um contrato de publicidade com a editora em 2021 e anunciou na revista até 2023. Tratava-se de um contrato regular de veiculação de anúncio, conforme as regras do mercado publicitário.”
Segundo Manuela, “o grupo voltou a anunciar nesta publicação por meio da seguradora Kovr e do banco digital Will, em termos semelhantes ao que se deu com inúmeros meios de comunicação brasileiros”.
Manuela diz, ainda que Vorcaro nunca a procurou para pedir a publicação de notícias positivas ou interferir em qualquer tipo de conteúdo jornalístico, “o que, obviamente, seria um erro, dada a separação entre a área comercial e a redação”.