Por Rudolfo Lago – Correio da Manhã
A polêmica em torno da possibilidade de as redes sociais estarem agindo de forma parcial nas eleições brasileiras é somente parte de um grande problema, que vem sendo há tempos alertado pelo presidente do Instituto Brasileiro para a Regulamentação da Inteligência Artificial (IRIA), Marcelo Senise. Mais e mais, o debate político e social se desloca do mundo real para o mundo virtual.
Se o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, se aproxima neste momento de Flavio Bolsonaro, do PL, e tenta reduzir a desvantagem do primeiro turno, isso vem se dando por uma presença maior nas ruas, mas também por uma presença maior nas redes sociais, terreno que era dominado pela direita. Há, porém, dois problemas aí. O primeiro: quanto Lula conseguirá de fato avanço no mundo virtual se os donos das empresas que o comandam têm todos perfis conservadores?
Leia maisO segundo, que é um alerta não apenas para Lula, mas para todo o planeta: quanto daquilo que acontece e reverbera nas redes sociais é real e não artificial? Uma investigação do IRIA acendeu um alerta sobre a autenticidade do debate político nas redes. Um estudo, realizado com a plataforma Sentinela Eleitoral/Polijetro, examinou mais de 33 mil contas de diferentes ecossistemas políticos brasileiros. E verificou que aproximadamente 24% apresentaram indícios de provável automação.
Ou seja: uma a cada quatro interações nessas redes é com robôs ou com neurobots, um modelo ainda mais avançado e perigoso de interação artificial. Os robôs tradicionais são aqueles programados para dar em grande quantidade respostas automáticas mais simples. Ou seja: reagem dizendo somente coisas como “Flávio22” ou “Lula 13”. Os neurobots, porém, conversam, argumentam, replicam. Estão programados para interagir de modo a convencer o interlocutor ao final da conversa.
“O dado não significa que sejam perfis fictícios ou que tenham alterado votos, mas levanta uma questão incômoda: quantas manifestações de apoio ou rejeição que parecem espontâneas podem estar sendo amplificadas artificialmente?”, questiona Marcelo Senise. Para o presidente do IRIA, o risco já não está apenas nas fake news, mas na possibilidade de fabricar a aparência de uma maioria.
Para Senise, esse é o grande problema que se aponta para o futuro. Nestas eleições, ninguém mais questionou a segurança do sistema eletrõnico de votação. As urnas são seguras. Mas é seguro o ambiente virtual no qual a grande maioria do debate político hoje acontece? Para o presidente do IRIA, esse hoje é o grande risco.
Na posse de Donald Trump como presidente dos Estados Unidos em 2025, estiveram presentes os proprietários de todas as big techs que controlam as principais redes sociais do planeta. Assim, Senise não duvida da possibilidade de essas redes, por alinhamento, entregarem seu conteúdo político de maneira parcial.
Alguns movimentos, como do “Exército de Lula” de André Janones, tentam desvendar a caixa-preta dos algoritmos da rede. Conseguem alguns avanços, mas não tudo. Porque as redes se recusam a dizer como se programam sobre o alcance das postagens. “Vejo uma necessidade absoluta de investigação do comportamento algoritimico”.
Marcelo Senise observa, porém, um fenômeno interessante acontecendo que, de certa forma, parece quebrar a lógica dos algoritmos nas redes: a ampliação do alcance das postagens via fandons, como são conhecidas as comunidades de fãs de algum influenciador ou celebridade. O cientista político Antônio Lavareda também já percebera.
Lavareda anotara que atos como o de Cobacabana na segunda-feira (12) fora convocado não pela organização da campanha de Lula, mas por estudantes e pelos fandons. Esses grupos de fãs ajudam a furar as bolhas porque eles já estavam constituídos antes de entrar no debate político, explica Marcelo Senise. Possuem “capital algorítimico herdado”.
Há, portanto, todo um novo universo que precisa urgentemente de atenção e regulamentação. Ou o jogo da democracia corre o risco real de virar um negócio. Atendendo aos interesses de meia dúzia ou menos de donos de big techs. Há um filme chamado “O Círculo”, com Emma Watson e Tom Hanks. Vale a pena assistir.
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O Congresso Nacional promulgou, hoje, duas emendas constitucionais que tratam de direitos da classe trabalhadora: o fim da escala 6×1, com dois dias de descanso semanal remunerado, sem redução salarial, e a aposentadoria diferenciada dos agentes comunitários de saúde (ACS) e dos agentes de combate às endemias (ACE).
O deputado federal Carlos Veras (PT-PE) atuou pela aprovação das duas propostas e, como primeiro-secretário do Congresso Nacional, foi responsável pela leitura dos textos das emendas constitucionais durante a solenidade realizada no Plenário do Senado Federal. O parlamentar é coautor da PEC do fim da escala 6×1, apresentada em 2019, e tem trajetória de atuação na defesa dos direitos da classe trabalhadora.
Leia maisA Emenda Constitucional nº 141/2026 altera o artigo 7º da Constituição Federal para reduzir a duração máxima da jornada semanal e assegurar dois dias de repouso remunerado, sem redução salarial. Já a Emenda Constitucional nº 140/2026 estabelece a aposentadoria diferenciada dos ACS e ACE e trata da regularização dos vínculos funcionais desses profissionais.
“Essas conquistas são resultado de muitos anos de luta e organização da classe trabalhadora. Tenho a honra de ser coautor da PEC do fim da escala 6×1 e de ter atuado pela aprovação dessas duas propostas. O compromisso do presidente Lula com as trabalhadoras e os trabalhadores faz parte de sua trajetória, desde o movimento sindical até a Presidência da República. Nosso pernambucano, que conhece de perto a realidade de quem vive do trabalho, ajudou a transformar a história do Brasil com políticas de inclusão social e ampliação de direitos. Estar ao seu lado neste momento tem um significado especial para mim, que também venho da agricultura familiar e do movimento sindical. São conquistas para todo o Brasil, para quem precisa de mais tempo de descanso e para essas categorias tão essenciais ao cuidado com a saúde do povo brasileiro”, destacou Carlos Veras.
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Após as medidas anunciadas nos últimos dias, um verdadeiro pacote de bondades que vão impactar em R$ 300 bilhões as contas do Governo, pesquisas internas do PT já mostram a virada do petista no segundo turno das eleições presidenciais, marcadas para o próximo dia 25. Confira!
Por Vera Magalhães – O Globo
Os jovens tomaram as ruas, os influenciadores de esquerda tomaram as redes, o presidente e o vice aprenderam a fazer vídeo selfie, a caneta sem tinta foi trocada por um carregamento de outras novinhas em folha do primeiro para o segundo turno, mas Lula pouco ou nada se moveu nas pesquisas.
A aproximação registrada da semana passada para esta se deveu, antes à perda de fôlego de Flávio Bolsonaro, na margem de erro, que a uma lufada de otimismo com o governo e com a perspectiva de um quarto mandato para o petista, e esses são aspectos cruciais para a virada inédita que ele precisa alcançar.
Leia maisCientistas políticos e especialistas em destrinchar pesquisas são unânimes em apontar, desde o início desta atribulada corrida eleitoral, a excentricidade de um incumbente conseguir permanecer no cargo se o saldo entre aprovação e rejeição a seu governo for negativo.
Quaest e Datafolha desta semana atestam que, entra medida, sai medida, Lula mantém o ponteiro dessa equação no vermelho, num sinal bastante tangível de cansaço sistêmico e não atacável na base de anúncios cada vez mais aleatórios e claramente eleitoreiros.
A aproximação entre ele e Flávio parece resultar, neste momento, mais do temor com a avalanche de direita que saiu das urnas no dia 4 e com o que ela pode significar em termos de poder nas mãos da família Bolsonaro – com seu conhecido histórico de tentar fazer passar a boiada em áreas como meio ambiente, cultura, direitos civis, liberdade de imprensa e limites democráticos – do que de uma percepção tardia de que o governo é bom, mas a população não sabia valorizar.
Nenhum dos dois levantamentos conseguiu captar a tempo um potencial efeito da aprovação do fim da escala de trabalho de seis dias por um de descanso, conjugado à redução da jornada de trabalho semanal para 40 horas, mas é preciso frisar que outras políticas públicas, mesmo voltadas a um público maior, como a reforma do Imposto de Renda, não foram capazes de produzir efeito duradouro numa aprovação de governo que oscila em patamares abaixo de 50% há mais de um ano.
A rejeição a Lula segue colossal, em patamar de igualdade com a de Flávio, é verdade, mas quem tem a iniciativa da agenda neste momento, justamente por estar na cadeira, é o presidente, e esse excesso de movimentação, além de evidenciar a completa abolição de limites no recurso ao cargo e aos cofres para reverter a desvantagem eleitoral, não parece devolver ao petista aquilo que ele foi perdendo ao longo dos últimos quatro anos: a capacidade de acenar a certos grupos da população com um projeto claro de futuro para o país.
Nada disso significa que a eleição esteja definida, e que a vitória no Senado não possa significar, finalmente, a percepção de que Lula tem mais condições históricas e políticas de promover mudanças incrementais de fundo na vida dos trabalhadores. Isso pode ser facilitado se Lula e o PT souberem contar de forma didática a lamentável desfaçatez de Flávio e seus aliados, que deram um cavalo de pau em tudo o que diziam sobre o fim da escala 6×1 enquanto prometiam ao pé do ouvido dos empregadores que era tudo teatrinho e depois reverteriam a mudança.
Mas, como se sabe, o tempo do segundo turno é curto, e, numa disputa em que o eleitor todo dia tem de fazer uni, duni, tê para escolher quem é o menos pior, qualquer lance pode ser decisivo. As entrevistas iniciadas ontem na TV Globo e os debates da emissora, na antevéspera do pleito, e da Band, domingo agora, tendem a funcionar como tira-teima para que o eleitor faça essa que parece cada vez mais uma escolha de Sofia.
Será a chance de Lula galvanizar a experiência, a lufada de energia que recebeu dos jovens, o legado e o temor com a volta dos Bolsonaros ao poder para sair do lugar em que está estacionado, a despeito de tanta energia despendida, e vencer por pouco, contrariando uma escrita de todas as eleições disputadas em segundo turno desde a redemocratização.
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A disputa pela presidência da Câmara Municipal de Sertânia começa a expor uma questão incômoda para a prefeita Pollyanna Abreu: sua capacidade de liderança sobre os vereadores que integram a própria base governista. Enquanto sete dos 13 parlamentares se articulam em torno de Junhão Lins para comandar o Legislativo, a prefeita ainda não apresentou publicamente uma posição sobre a sucessão.
A articulação foi noticiada pelo Blog do Magno em 8 de outubro. Junhão Lins aparece como candidato à presidência, com Luiz Abel na composição da chapa. O atual presidente, Vando do Caroá, por sua vez, mantém a intenção de disputar a reeleição.
Leia maisO cenário coloca Pollyanna diante de um teste de articulação política. Em disputas dessa natureza, prefeitos frequentemente participam das negociações para construir uma maioria entre os vereadores de sua base. Embora a decisão formal pertença à Câmara, espera-se que uma liderança política com influência sobre o grupo consiga, ao menos, participar das conversas e defender um encaminhamento.
Em Sertânia, porém, a articulação dos vereadores avança sem que a prefeita tenha apresentado publicamente uma posição clara. A situação levanta uma pergunta direta: Pollyanna está conduzindo as negociações ou apenas acompanhando decisões tomadas pelos próprios parlamentares?
Se a prefeita não consegue reunir seu grupo em torno de uma estratégia comum, sua capacidade de articulação passa a ser questionada. O problema não está no fato de os vereadores terem autonomia para escolher o presidente da Câmara, mas na possibilidade de a principal liderança do Executivo municipal não conseguir exercer influência sobre uma decisão central para a relação entre os dois poderes.
A situação de Vando do Caroá acrescenta outro elemento à disputa. O atual presidente pretende concorrer à reeleição, enquanto parte expressiva dos vereadores se movimenta em torno de Junhão Lins. Sem um posicionamento público de Pollyanna, não está claro se ela pretende apoiar um dos nomes, buscar um acordo ou deixar que a disputa seja resolvida sem sua participação direta.
Com o silêncio da prefeita, a eleição da Câmara se encaminha para ser decidida pelos vereadores. Politicamente, contudo, o episódio coloca Pollyana diante de uma questão que não pode ser ignorada: qual é sua capacidade de influenciar as decisões do grupo que sustenta sua administração?
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Na véspera do aniversário do meu primogênito Filipe, que mora nos Estados Unidos, recebi, há pouco, de um outro filho, Magno Martins Filho, uma notícia que me emocionou bastante: arrebatou a Medalha Ouro da Olimpíada Nacional de Ciências.
Em agosto passado, ele já havia recebido a Medalha Ouro na Olimpíada Nacional de Matemática, representando a escola Saber Viver, no Recife, onde cursa o terceiro ano do ensino médio. A premiação vai ocorrer em Brasília e com certeza estarei na cerimônia, ao lado do irmão dele, João Pedro, que estuda na mesma escola.
Notícias como esta as palavras somem, só restam o abraço apertado e as lágrimas de quem vê o filho brilhar. Quando um filho vence, o pai vence junto, sorri junto e emociona-se em cada detalhe.
Em apenas seis meses, período da campanha eleitoral deste ano, o Instagram deste blog atraiu mais dez mil seguidores, pulando de 120 mil para 130 mil novos seguidores. Em contas alcançadas, saiu de 12 milhões para 20 milhões, um crescimento que merece um champanhe francês para comemoração. Tudo isso é fruto de muito trabalho, credibilidade e qualidade. Agradeço de coração a essa legião de leitores. Isso é o que nos dá o combustível para o combate ao bom combate!
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A Secretaria de Educação, Esportes e Juventude do Brejo da Madre de Deus definiu o calendário de matrículas e rematrículas para toda a rede municipal de ensino para o ano letivo de 2027. Os prazos iniciam no próximo dia 20 de outubro, para as rematrículas, e, posteriormente, a partir do dia 7 de dezembro, para novas matrículas.
Para a efetivação do processo, os pais e responsáveis devem procurar a unidade escolar, apresentando histórico escolar, certidão de nascimento, CPF e RG do aluno, CPF e RG do responsável, foto 3×4 e comprovante de residência. Já para os alunos da zona rural, o processo deve ser realizado no prédio da Secretaria de Educação, em Brejo sede, localizado na Praça Pedro Guenes – Nossa Sra. do Bom Conselho.
Por Rinaldo Remígio*
Existem obras públicas que ultrapassam o tempo e permanecem vivas na memória e no cotidiano da população. O Parque da Jaqueira, no Recife, é um belo exemplo de visão administrativa, compromisso social e respeito à qualidade de vida.
Inaugurado em 10 de abril de 1985, durante a gestão do então prefeito Joaquim Francisco de Freitas Cavalcanti, o parque possui aproximadamente sete hectares e oferece espaços para caminhadas, corridas, atividades físicas, recreação infantil e convivência familiar. Um verdadeiro patrimônio dos recifenses!
Leia maisNa minha condição de atleta da categoria 60+, acompanhado da minha joia preciosa, minha querida Ilzaminha, da nossa filha Jamile e dos netos Arthur e Davi, tive o privilégio de realizar uma excelente caminhada nesse magnífico espaço público.
Foi um momento especial! Além de exercitar o corpo, desfrutamos da natureza, da convivência familiar e da alegria de estarmos juntos. Afinal, envelhecer com saúde é uma bênção, mas envelhecer cercado pelo amor da família é um presente de Deus!
Ao observar a placa comemorativa instalada no parque, chamou-me a atenção uma frase pronunciada por Joaquim Francisco durante sua inauguração, inspirada no poeta Fernando Pessoa:
“Deus quer, o homem sonha, a obra nasce.”
Que bela reflexão! Joaquim Francisco sonhou, realizou e deixou um legado que, mais de quarenta anos depois, continua beneficiando milhares de pessoas.
Entretanto, faço questão de parabenizar também todos os prefeitos e gestores que o sucederam, contribuindo para preservar e manter vivo esse importante patrimônio público.
Afinal, tão importante quanto construir é conservar! As boas obras devem ultrapassar mandatos, diferenças políticas e interesses partidários. O patrimônio público não pertence a governantes, mas ao povo!
Ao saudoso Joaquim Francisco, falecido em 2021, registro minha homenagem póstuma e meu reconhecimento pela visão de futuro. Aos seus sucessores, meus cumprimentos pela continuidade desse legado.
Que esse exemplo inspire outros gestores a investirem em espaços públicos que promovam saúde, lazer, convivência familiar e qualidade de vida.
Joaquim Francisco plantou a semente em 1985, seus sucessores ajudaram a cultivá-la e, hoje, a população continua colhendo seus frutos!
Naquela caminhada, ao lado da minha família, compreendi que a grandeza de uma obra pública não está apenas em sua estrutura, mas nos momentos de felicidade que proporciona às pessoas.
Parabéns, Joaquim Francisco! Parabéns aos seus sucessores! Parabéns ao povo recifense!
Porque construir é importante, preservar é indispensável e cuidar do patrimônio público é respeitar o cidadão!
Viva a vida! Viva a família! Viva o Parque da Jaqueira!
*Professor universitário aposentado
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Ex-presidente nacional do PT no turbulento período do mensalão, Ricardo Berzoini acredita que o partido precisará passar por um novo planejamento após as eleições, independente de qual for o resultado. Em entrevista ao podcast Direto de Brasília, ele analisou a disputa eleitoral, o envelhecimento do seu partido e os caminhos para o futuro e o próximo governo. “Temos que repensar o modelo de financiamento da previdência social e a questão da taxa de juros”, cravou.
Flávio abriu o segundo turno com quatro pontos a mais nas pesquisas, depois o presidente Lula encostou. Vai ser assim até o dia da eleição?
Pelo rumo das pesquisas e pelo que estou observando no cenário, em cada região, será uma vitória por 1%, no máximo 2%. Quem errar menos, leva. É o normal. Isso aconteceu com Dilma contra Aécio, em 2014. Quando tem segundo turno, quem chega na frente abre um pouco. Agora voltou a apertar.
Leia maisAcredita que será o fim do tabu de que nunca houve virada em segundo turno?
Temos uma história recente de eleições com dois turnos, desde a redemocratização. É verdade que nunca houve uma virada, mas o que temos hoje de diferente é que a capacidade de mobilização do presidente Lula é muito grande. Podemos conseguir de fato a vitória.
O que tem chamado a atenção neste segundo turno é que algumas movimentações, como a que ocorreu em Brasília, não são organizadas pelo partido ou pela campanha, e tem dado muito mais gente…
São mobilizações da sociedade, o que é muito melhor. Você está tendo uma efervescência de pessoas que estavam confiantes que Lula ganharia no primeiro turno e agora estão vendo que a disputa é mais apertada. Creio que há muitos motivos para as pessoas ficarem preocupadas, porque o adversário já demonstrou, como senador e como filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que não tem compromisso com o país nem com as boas políticas públicas.
Então o presidente e sua campanha subestimaram Flávio Bolsonaro?
Pode ser. É natural que o presidente Lula, com toda sua experiencia e trajetória, olhe para um candidato como ele, com a história do governo do pai, e tenha percebido alguma fragilidade. Mas a dinâmica da política é muito mais complexa. Por exemplo, há uma insatisfação pessoal em segmentos com a questão da renda. Então, a pessoa está empregada, estamos com um desemprego baixíssimo hoje no Brasil, temos uma situação de renda crescente. No entanto, isso não coloca uma situação tranquila para nós, porque a vida é dura. Uma pessoa que ganha um, dois ou três salários mínimos tem que correr muito para fechar o orçamento no final do mês. Isso provoca uma certa inquietude social.
O senhor falou que acredita na reeleição do presidente Lula. Como ele governaria com o Congresso que foi eleito, de maioria ampla da direita, especialmente do PL?
Creio que temos um cenário desafiador. Se o presidente ganhar, como de fato acredito, teremos um processo de negociação com setores do centrão, que novamente vão estar dando governabilidade, e temos que discutir a agenda do país. E fazer algo que não houve, que é convocar a sociedade para discutir temas cruciais, como a previdência social. Temos que repensar o modelo de financiamento. Também tem a questão da taxa de juros, que precisamos reduzir. Não é possível continuar no patamar que está. E isso requer uma engenharia no chamado tripé macroeconômico. Sobre o Congresso, a esquerda continua com o mesmo tamanho. Quem cresceu foi PL, que tomou espaço do centrão. Precisa ter sabedoria e lembrar que o Brasil é mais importante do que qualquer formação partidária.
Também haverá uma maioria de governadores de centro-direita. Será mais negociação?
É preciso ter essa capacidade de entender o papel dos governadores. Nenhum governador pode torcer contra a economia nacional, porque ele depende da arrecadação e do bom desempenho da economia. Então é preciso conversar, ter um mínimo de entendimento sobre alguns temas e não deixar a disputa política contaminar a relação federativa. Se não houver diálogo, fica difícil.
Flávio reviu a decisão sobre ir ao debate no domingo. É um sinal de que qualquer erro pode ser fatal, como ocorreu no primeiro turno?
Sem dúvida. Uma eleição como essa depende de as pessoas terem a noção que o público está percebendo o vai e vem. Flávio era contra a jornada de trabalho 5×2, e agora decidiu votar a favor. Com isso, ele tenta não perder voto da classe trabalhadora, mas pode perder de seus apoiadores, empresários mais conservadores. Esse tipo de vai e vem demonstra um candidato frágil do ponto de vista de suas convicções e incapaz de sustentar em situações difíceis. O presidente Lula tem essa capacidade.
A decisão sobre o fim das bets prejudicou Lula no primeiro turno?
Não creio. Acho que o governo até demorou para atuar. Agiu certo, mas demorou. Já defendo isso há algum tempo, é preciso proibir. Porque uma parcela significativa da população se deixa levar pela propaganda, pelo entusiasmo de ganhar dinheiro fácil. Isso vale para o mercado financeiro também, embora menos gente atue nessa área. Quanto às bets, há um problema concreto, que foi enfrentado tardiamente. Acho que teve algum desgaste, tem a questão dos clubes de futebol, das pessoas que vivem disso, das agências de publicidade que estavam ganhando muito dinheiro. Mas vamos pensar, foi a mesma questão do cigarro. Quando houve proibição da propaganda de cigarro, muita gente chiou, mas houve um ganho do ponto de vista da saúde, foi bom para o país.
O senhor recentemente criticou o envelhecimento da bancada do PT, que é das mais velhas na Câmara. Por que se deu isso?
Essa é uma realidade inconteste. Quando começamos o governo, o PT era um dos partidos mais jovens do Congresso Nacional, inclusive do Senado, e houve um envelhecimento. Primeiro porque muitos que ali se elegeram pela primeira vez foram ficando. Eu mesmo me elegi deputado federal quatro vezes, outros até mais. O movimento sindical deixou de revelar novas lideranças, isso criou um espaço vazio. Felizmente, nessa eleição vários jovens se elegeram pelo PT, pelo PcdoB, pelo PSOL, e isso vai criar uma nova força.
Que recado as urnas deixaram no último dia 4?
Foi no sentido de lembrar que um partido político com projeto nacional, que tem uma liderança como o presidente Lula, precisa pensar em como se organizar de maneira mais planejada. Observe que a China só chegou onde está porque há 40 anos planejou uma rota e a cumpriu. Então precisamos ampliar a presença do PT no Centro-Oeste, ao mesmo tempo recuperar a força que já tivemos em estados como Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo.
Qual será o futuro do campo progressista após o governo Lula?
É óbvio que uma liderança como Lula não surge todo dia, assim como um Pelé também não. Lula está disputando a sua sétima eleição presidencial, já ganhou três e pode ganhar pela quarta vez. O PT e as forças progressistas têm que entender que liderança tem que ser substituída por organização. Ninguém pode se colocar como potencial substituto ou como liderança popular. Tem que se preparar uma nova etapa. Acredito muito no planejamento, se tiver algo concreto e fizer um movimento em direção às regiões onde PT hoje é menos votado, os resultados aparecem. Claro que é um desafio, espero que o PT esteja à altura para cumprir.
Como enxerga um eventual governo Flávio?
Creio que seria muito ruim. Conhecendo o mandato do pai dele, a cultura negacionista e autoritária, e todo o processo de desorganização do estado e de corrupção, creio que será muito ruim para o Brasil caso aconteça. E a oposição deve se organizar para evitar o pior. A relação dele com Donald Trump é o que mais preocupa. Quando se tem um presidente como Lula, que coloca limites e se coloca de igual para igual, você tem mais potencial para negociar, para estabelecer uma dinâmica comercial que favoreça o Brasil. Com Jair Bolsonaro já foi muito ruim, e com o filho não há expectativa de ser melhor.
O brasileiro passou a ignorar escândalos de corrupção?
Há um cansaço, talvez por tantas denúncias e processos onde houve desgaste político em todos os campos. Uma parte pode se sensibilizar, e outra achar que é fumaça, sem consequência. No caso do Banco Master, estivemos com risco do processo avançar e não ser descoberto. Creio que muita gente não preste muita atenção nesse tipo de notícia, primeiro porque uma parte é difícil de compreender, depois porque há uma fadiga de material.
O que mudou do mensalão para o Banco Master?
Tive a missão e a honra de presidir o PT no auge da crise do mensalão. Já tinha estourado a crise, então saí do ministério para voltar à Câmara dos Deputados e ajudar a conter aquela crise. Acabei me elegendo e cumprindo dois mandatos no PT. Não há como proteger quem cometeu erros graves. Não há como se esconder dos fatos, mas não há como permitir o linchamento político e de suas lideranças. O PT enfrentou com a máxima dignidade esses processos e nós superamos aquele momento. Depois teve uma onda totalmente fabricada, no caso da Operação Lava Jato, em que o PT enfrentou todo o desgaste, sofreu a prisão injusta do presidente Lula. Óbvio que, na cabeça do eleitor comum, muitas vezes isso ainda não foi superado. Temos que trabalhar. A corrupção no estado é uma doença crônica, é preciso ter a paciência de combater cronicamente. A pior coisa é quando a população perde a confiança na política. Veja, essa é a 10ª eleição presidencial do país desde a redemocratização. Não podemos colocar em risco essa situação.
E a questão do Supremo Tribunal Federal (STF), que entrou forte nesta eleição?
Veja, são dois Alexandres (de Moraes). O que foi fiador da democracia e o que se tornou alvo de denúncias. O que mais lamento é que quando o denunciado tem convicção de que não tem nada a esconder, tem que dar uma coletiva rapidamente e falar de maneira clara. Nesse momento, a imprensa é a mediação com a sociedade, então mesmo sabendo que poderá ser alvo de perguntas indelicadas, tem que dizer o que aconteceu. Quando você se esconde, perde a capacidade de reagir. E esse contrato com a esposa do ministro coloca tudo em exposição. Se houvesse só o contrato e não houvessem mensagens, poderia passar, mas tendo tudo isso criou-se outro ambiente. E essa contaminação da eleição não é boa pra ninguém. As mensagens com os ministros Kássio Nunes e André Mendonça também colocam o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em questão. Eu acredito que é tudo ruim para a democracia, mas estamos com essa realidade, não tem como fugir.
O que o PT não pode fazer e o que não pode deixar de fazer?
O PT não pode deixar de planejar o futuro. Tem que fazer um movimento de planejamento extremamente atencioso, tratar da questão digital, que hoje é tão fundamental para a política. Tem que pensar em um modelo que não seja de superficialidade e que seja capaz de atingir muita gente. O governo deve pensar nova forma de lidar com a questão do sistema financeiro. O Brasil precisa ter taxas de juros amigáveis para a nossa economia, para o consumidor e para quem quer produzir. Para isso, é preciso repensar esse modelo de metas de inflação, que cumpriu um papel na transição do começo do Plano Real para a segunda fase. Nesse momento, esse modelo tem uma meta de inflação irreal, isso não adianta para qualquer atividade. Tem que colocar metas ambiciosas, porém realizáveis. Essa meta de inflação está provocando que o Banco Central pratique taxas de juros básicas de mais de 13%. O que obviamente, no balcão do banco, significa 25%, 30%, 50% ou até 100%. Precisamos repensar isso, inclusive do ponto de vista de finanças públicas. Se fala muito de resultado primário, mas o que é fundamental para a solvência do país é o resultado nominal, incluindo o custo da taxa de juros. É preciso ter a coragem de discutir. Quando se coloca um tema como esses, o mercado sabe ter o seu chilique inicial, mas também sabe entender que Brasil é um país com economia sólida, muito potente e com um potencial maior do que o realizado. Podemos ter uma visão um pouco mais inteligente sobre metas de inflação.
O discurso do partido envelheceu, ou o PT que não sabe se comunicar com o novo eleitorado brasileiro?
Creio que seja uma mistura dos dois. Quando Lula foi candidato pela primeira vez em 1989, ele era a grande novidade, um sindicalista que estava construindo um partido e se colocando como alternativa. Hoje, para quem nasceu em 2000, Lula já é um político consolidado das antigas e o PT não é mais novidade. O PT tem 46 anos de vida política bem sucedida. Você tem que trabalhar com a lógica de apresentar esperança, projetos novos que sejam viáveis e que dialoguem para o futuro da nação, inclusive na educação. Por isso o PT precisa falar para a nação. Precisamos garantir formação, qualificação, educação para que milhões de jovens se proponham a discutir inteligência artificial, telecomunicações, processamento de dados e a nova mobilidade elétrica que está mudando o mundo.
O presidente Lula mudou o núcleo de campanha, escalando as figuras mais experientes. Melhorou no segundo turno?
O que motivou a minha conversa com alguns jornalistas antes do primeiro turno foi justamente perceber que, embora houvesse pessoas com qualidade, havia uma campanha pouco dinâmica e pouco capaz de fazer movimentos eleitorais que produzissem respostas da população. Creio que Lula percebeu isso nessa virada do primeiro para o segundo turno. Ele não tirou ninguém, mas agregou Camilo Santana, Rui Costa, Rafael Fonteles e Elmano de Freitas, pessoas que foram vitoriosas no primeiro turno e que podem aportar uma contribuição tanto de articulação política, que é fundamental, como do ponto de vista da dinâmica de campanha.
Mas o presidente do partido, Edinho Silva, foi praticamente retirado do comando…
Creio que presidir o PT é um desafio. Evidentemente que quem está lá tem que se virar. Edinho é um grande companheiro, foi prefeito quatro vezes em São Paulo, tem capacidade política e administrativa. Creio que esse movimento visou justamente agregar. Houve problemas, claro. Uma das parcelas fundamentais de campanha é visibilidade, e faltou material de campanha do presidente Lula. Creio que agora está com muito mais material. E teve uma reação social. Tivemos algo que nem foi comandado pelo partido ou pela coordenação de campanha, que foi a reação de uma parcela da juventude, dos movimentos sociais, o que mostra que tinha gente achando que ia ser fácil. O PT ganhou cinco eleições, só não ganhou em 2018 porque Lula estava preso. A disputa é dura, a extrema direita hoje está articulada com a Casa Branca e há claramente um movimento das big techs, que não estão distribuindo as postagens de maneira equânime nos algoritmos. Há um questionamento do PT sobre isso na Justiça Eleitoral. Não é possível que elas se prestem a esse tipo de interferência, que já tinha ocorrido no episódio do Brexit, na eleição da Itália e em outras eleições na Europa. Por isso a regulamentação da atividade política nas redes precisa ser feita de maneira a propiciar a democracia. Não é para censurar nada, mas assegurar que haja neutralidade.
Também se criticou a participação da primeira dama Rosângela da Silva, a Janja. Pediram mais a presença do vice Geraldo Alckmin (PSB) do que a dela…
Sempre valorizei a vinda do Alckmin em 2022, porque significou uma demonstração do presidente que queria fazer um governo amplo. E foi de fato. A Janja não prejudica em nada. Não gostar dela é um direito das pessoas, mas se tivesse ocorrido a vitória do Lula no primeiro turno, ninguém iria falar sobre isso. Como houve segundo turno, muita gente passou a falar. Mas não prejudica.
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Poder360
Pesquisa PoderData/Aya, divulgada hoje, mostra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) empatados, com 50% dos votos válidos cada um.
A pesquisa foi realizada de 13 a 15 de outubro, com 3.000 entrevistas e margem de erro de 1,8 ponto percentual. Parte das entrevistas já captou o impacto do fim da escala de trabalho 6×1, medida aprovada em definitivo pelo Congresso na quarta-feira. O levantamento mostra uma mudança no cenário desde o 1º turno.
Leia maisEm duas semanas, a taxa de intenções de voto em Lula avançou, enquanto a de Flávio recuou. A distância entre os 2 era de 6 pontos percentuais no estudo divulgado em 8 de outubro. Há 3 dias, caiu para 2 pontos percentuais. Agora, é zero.
No 1º turno das eleições, Flávio teve 47,03% dos votos e Lula, 45,16%. A vantagem do senador sobre o petista havia sido de 1,87 ponto percentual nas urnas.
Os dados foram coletados por meio de ligações para celulares e telefones fixos. Foram 3.000 entrevistas em 644 municípios das 27 unidades da Federação. A margem de erro é de 1,8 ponto percentual. O intervalo de confiança é de 95%. Está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o nº BR-04258/2026.
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Faleceu, hoje, aos 19 anos, Jeová Almeida Lima Neto, filho do prefeito de São Caetano, Josafá Almeida (PRD). Segundo as informações divulgadas, o jovem foi vítima de um acidente automobilístico na BR-232. A notícia causou tristeza e comoção entre familiares, amigos e moradores do município do Agreste pernambucano.
Jeová era neto do ex-prefeito de São Caetano, Jeová Almeida Lima, falecido em dezembro de 2020, em decorrência de complicações da Covid-19. A família tem uma trajetória de atuação na política local e regional. As informações são do blog do Mario Flavio.
O velório está acontecendo na residência de Josafá e o sepultamento deve acontecer na tarde desta sexta-feira (16), na Vila de Tapiraim, em São Caetano.
