Há quase dois anos a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) tenta reaver o notebook e o aparelho celular que policiais federais apreenderam nessa quinta-feira (25), em um endereço ligado ao deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ).
O parlamentar dirigiu a Abin entre julho de 2019 e março de 2022, quando deixou o cargo para disputar um assento na Câmara dos Deputados. Na quinta-feira (25), ele se tornou alvo da Operação Vigilância Premiada, deflagrada para investigar a suspeita de que ex-dirigentes e servidores da agência monitoraram ilegalmente autoridades públicas, jornalistas e políticos que se opunham ao então presidente da República Jair Bolsonaro.
Ao cumprir mandados judiciais de busca e apreensão no gabinete e em endereços residenciais do deputado, os policiais federais apreenderam celulares e notebooks, incluindo os pertencentes à Abin.
Diante da repercussão da notícia de que Ramagem manteve consigo um telefone celular e um notebook pertencentes à Abin, a agência de inteligência decidiu abrir, nesta sexta-feira (26), apuração preliminar para esclarecer o por que disso ter ocorrido.
O órgão informou que, ao deixar a agência, Ramagem teve suas senhas de acesso aos sistemas internos bloqueadas. Agora, a Abin vai apurar se seu ex-diretor devolveu todos os equipamentos funcionais que estavam sob sua responsabilidade.
A legislação em vigor (Lei Nº 8.429/1992) configura como ato de improbidade administrativa a incorporação ao patrimônio pessoal ou o uso em proveito próprio, por servidores públicos, de bens, rendas, verbas ou valores integrantes do acervo patrimonial público, bem como qualquer ação ou omissão que cause perda patrimonial, desvio, apropriação ou dilapidação dos bens públicos.
A Agência Brasil contatou a assessoria do deputado federal em busca de uma manifestação sobre o assunto, mas não obteve resposta.
Entenda o caso
A Operação Vigilância Aproximada, deflagrada na quinta, é um desdobramento da Operação Última Milha, realizada em outubro do ano passado para apurar o suposto uso irregular, por servidores da Abin, de um sistema de geolocalização de celulares.
A suspeita é que os servidores usaram sem autorização judicial o sistema, chamado First Mile, para monitorar ilegalmente adversários políticos do ex-presidente Jair Bolsonaro, que indicou Ramagem, então delegado federal, para chefiar a Abin.
Investigações da PF indicam que a estrutura da agência foi usada para monitorar, entre outras autoridades públicas, a promotora responsável pela investigação do assassinato da vereadora do Rio de Janeiro Marielle Franco, ocorrido em março de 2018.
A operação desta quinta-feira foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator das investigações na Corte.
Em nota divulgada na quinta, a Abin informou que há dez meses vem colaborando com o inquérito da PF e do STF “sobre eventuais irregularidades cometidas no período de uso de ferramenta de geolocalização, de 2019 a 2021” e que “é a maior interessada na apuração rigorosa dos fatos e continuará colaborando com as investigações”.
O município de Brejo da Madre de Deus, no Agreste pernambucano, continua integrando o Mapa do Turismo Brasileiro, registrado no Sistema de Informações do Mapa do Turismo Brasileiro, por meio do Programa de Regionalização do Turismo (PRT), do Ministério do Turismo. A permanência do município no Mapa reforça sua participação nas políticas públicas voltadas ao desenvolvimento e fortalecimento do turismo, além de reconhecer o potencial turístico de Brejo da Madre de Deus dentro da região.
O Ministério do Turismo, por meio do Programa de Regionalização do Turismo e dos Interlocutores Estaduais do PRT, também reconheceu a Instância de Governança Regional (IGR) Serras e Artes de Pernambuco, registrada no Sistema de Informações do Mapa do Turismo Brasileiro, da qual o município faz parte.
A certificação representa mais um passo importante para o fortalecimento do turismo local e regional, contribuindo para a construção de ações conjuntas e para a valorização dos atrativos, da cultura e das potencialidades turísticas do município.
O candidato a governador João Campos (PSB) se colocou, hoje, como, além de aliado político, um amigo do presidente Lula (PT). Segundo ele, isso facilitará a ampliação das parcerias entre Pernambuco e a União, caso seja eleito. Porém, garantiu que é preciso ter projetos para garantir a liberação dos recursos federais, apontando que falta isso a atual gestão. A resposta foi dada durante entrevista à TV Jornal, a respeito da boa relação que a governadora Raquel Lyra (PSD) mantém com Lula e que resulta em obras e ações no Estado. Foi então que João Campos disse que existe a diferença entre conhecido e amigo. As informações são do blog do Dantas Barreto.
“Você ter um amigo é muito diferente de você conhecer alguém. Ser amigo de alguém. Eu tenho uma relação próxima ao presidente Lula, de confiança. Presido um partido que é decisivo na aliança nacional e a gente tem um compromisso político. Eu faço parte de um grupo que o presidente Lula lidera. Eu voto nele para presidente. Em 2030 ele vai liderar o processo de sucessão e nós estaremos junto dele nesse processo de sucessão. A gente vai construir as eleições de 2028 junto com o presidente Lula, a gente faz parte de um conjunto político. Esse conjunto político é materializado na aliança com a presença de Geraldo Alckmin na Vice-presidência. E o presidente Lula sabe que pode contar com a gente no momento que precisar. E isso é muito importante para a construção de parcerias”, ressaltou.
Campos ponderou, contudo, que amizade não basta. “Mas aí vem o segundo ingrediente que esse é decisivo, que é saber fazer bons projetos. Precisa como governante fazer a sua parte, que é fazer projetos, ter uma carteira de projetos bem-feita, uma linha de crédito, uma equipe que sabe fazer o que sai do papel e, claro, ter boa relação com as pessoas. Na política tem um time que só faz brigar e isso é muito ruim. Briga com Poder, briga com deputado, briga com o prefeito. E tem um time que sai para brigar com o problema, com a falta de infraestrutura, briga com a violência, com a escola que não funciona. Eu sou do time que não vou brigar com as pessoas, vou brigar com os problemas. Quando eu entro numa briga é para ganhar dos problemas. Fazer com que Pernambuco seja mais seguro, com que a gente não seja o terceiro estado que mais mata no Brasil, que aumentou três vezes mais o feminicídio do que o Brasil, que tem mais de 1.400 mortes a serem esclarecidas, nesses últimos três anos e meio. Mortes que não estão sendo investigadas e que possivelmente são homicídios e que não entram na conta de homicídio. Vou brigar contra esses problemas e não contra as pessoas”, salientou.
O candidato do PSB apontou as deficiências da gestão de Raquel Lyra, afirmando que Pernambuco foi ultrapassado por outros estados e em alguns setores. “A gente olha o desenvolvimento industrial chegando em outros estados. Quem conquistou uma montadora de carro recentemente foi a Bahia. Quem conquistou o datacenter foi o Ceará. Qual é uma grande indústria que veio para Pernambuco nos últimos quatro anos, uma indústria de grande porte? Não tem. Então você tem um enfraquecimento da economia do Estado e que isso tem consequências na vida das pessoas”, ressaltou. “Pernambuco não surfou uma onda de desenvolvimento nesses últimos anos”, acrescentou João Campos.
A postagem feita, ontem, neste Blog, sobre o desabafo do jornalista Chico José em um podcast, trazendo bastidores da demissão dele pela direção da TV Globo, no Rio, já ultrapassou 1 milhão de visualizações e se tornou a publicação recordista do Instagram deste blog.
O conteúdo, que resgata o relato de Chico sobre sua saída da emissora após 46 anos de casa, provocou enorme repercussão entre os seguidores. Os números impressionam: são mais de 1,15 milhão de visualizações, 487 mil pessoas alcançadas e 57 mil curtidas, além de milhares de comentários, compartilhamentos e salvamentos.
Mais do que revelar a força e o alcance do Blog, a repercussão mostra o quanto Chico continua popular e querido pelo público brasileiro. A reação à publicação também parece traduzir um sentimento de que a demissão foi injusta e que Chico ainda teria muito a oferecer a Globo. Enquanto esteve na emissora, foi um dos jornalistas mais respeitados e admirados pelos telespectadores pelo seu indiscutível talento.
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), acompanha, hoje, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Oiapoque, município localizado no extremo norte do Amapá. Os dois, que seguiram no mesmo avião do Amapá até o Oiapoque, visitam o navio-sonda da Petrobras que realiza a prospecção de petróleo atividade em águas profundas na Margem Equatorial, na Foz do Amazonas.
Na última sexta (14), a Petrobras anunciou que encontrou hidrocarbonetos em um poço exploratório na bacia da Foz do Amazonas, no litoral do Amapá. A descoberta indica a presença de petróleo ou gás natural na região. Senador pelo Amapá, Alcolumbre é um dos principais articuladores políticos em defesa da exploração de petróleo na Margem Equatorial, área que abrange a costa amapaense.
O poço, chamado Morpho, fica a cerca de 175 quilômetros da costa do Amapá e foi perfurado em águas profundas, em um ponto onde o mar tem 2.886 metros de profundidade. A descoberta de hidrocarbonetos no poço Morpho é apenas uma etapa de uma campanha maior de exploração da Petrobras na Margem Equatorial.
A companhia prevê perfurar 15 novos poços na região até 2030, como parte de seu Plano de Negócios 2026-2030. O plano da estatal prevê US$ 2,5 bilhões (R$ 13 bilhões) em investimentos nesse local nos próximos cinco anos.
O deputado federal Pastor Eurico (PSDB) voltou a alfinetar a apresentadora Maria das Graças Xuxa Meneghel ao relembrar o episódio na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara Federal, em maio de 2014, em que acusou a Rainha dos Baixinhos de provocar “a maior violência contra crianças em um filme pornô”. Eurico criticou a presença de Xuxa no colegiado, que, à época, discutia o que viria a se tornar a Lei Menino Bernardo.
O dispositivo, popularmente conhecido como de Lei da Palmada, ganhou um novo nome em referência a uma criança encontrada morta em abril de 2014 na cidade de Três Passos, no Rio Grande do Sul. Cinco anos depois, a justiça condenou pela morte de Bernardo Uglione Boldrini o pai, Leandro Boldrini; a madrasta, Graciele Ugulini; uma amiga da madrasta, Edelvânia Wirganovicz; e o irmão dela, Evandro Wirganovicz.
Em uma clara estratégia eleitoral, a movimentação do Pastor Eurico ocorreu no mesmo dia em que subiu no palanque da governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), em um ato público no bairro do Pina, na Zona Sul do Recife. A governadora não comentou as declarações do aliado, visto pela campanha pessedista como um interlocutor junto ao eleitorado evangélico.
A atitude do Pastor Eurico acabou por resultar em sua destituição da CCJ, e foi classificada pelo antigo partido do parlamentar como “intolerante, desrespeitosa e desnecessariamente agressiva”. Já de acordo com informações do Senado Federal, Xuxa teria sido “uma das principais madrinhas e ativistas públicas pela aprovação da lei”.
Sancionada em junho de 2014, a Lei 13.010 passou a garantir a crianças e adolescentes o direito de serem educados sem o uso de castigos físicos, tratamento cruel ou humilhante. Sancionada em junho de 2014, a norma alterou o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) para proibir qualquer forma de punição corporal que cause dor ou sofrimento como forma de correção.
O Tribunal de Justiça de Pernambuco rejeitou os embargos de declaração apresentados pelo município de Calumbi, no Sertão do Pajeú, contra a decisão proferida em ação civil pública movida pelo Ministério Público de Pernambuco (MPPE) sobre a convocação de candidatos aprovados no concurso público regido pelo Edital nº 001/2024. A decisão, assinada em 10 de agosto pelo juiz substituto Alexandre Ceribelli Lóis, da Vara Única da Comarca de Flores, manteve integralmente a determinação anterior.
Ao analisar os argumentos da Prefeitura, o magistrado destacou que o edital de convocação apresentado pelo município não comprovou a convocação de todos os candidatos aprovados dentro das vagas. O documento citado pela gestão convocou candidatos para o cargo de Auxiliar de Serviços Gerais e, no caso de Professor I, ainda havia vagas de ampla concorrência sem preenchimento. A decisão também apontou a permanência de vínculos precários e processos seletivos simplificados para funções contempladas pelo concurso.
Com a rejeição dos embargos, os candidatos aprovados dentro das vagas em áreas como enfermagem, serviço social e educação seguem aguardando a efetivação das convocações, enquanto o processo continua em tramitação. A Justiça determinou ainda que o município apresente, no prazo de 15 dias, a relação nominal completa dos vínculos funcionais e o cronograma definitivo de nomeações, sob pena de aplicação de multa já prevista na decisão anterior.
Um ditado era repetido no comando da campanha do PSD no final da semana depois de, na quinta-feira (13), o presidente do partido e candidato a vice-presidente na chapa com Ronaldo Caiado, Gilberto Kassab, dizer que “a chance de vitória de Flávio Bolsonaro nestas eleições é zero”. O ditado repetido diz o seguinte: “Se você tem que entrar numa briga, que dê o primeiro soco; e que ele seja forte”.
Ao dizer em São Paulo, numa reunião com 200 representantes do agro, da indústria e da mineração, que considera a chance de Flávio zero, Kassab deu o primeiro soco. E sinalizou para onde o PSD irá neste momento em que, de fato, começa a campanha eleitoral. O alvo preferencial será Flávio Bolsonaro. É o candidato do PL que o PSD precisa atacar para tirá-lo do segundo turno contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que tenta a reeleição.
Modestamente, Kassab ainda revelou certa sintonia com este Correio Político. Dizíamos por aqui, na edição de fim de semana, que o Centrão “sabe para onde o vento sopra”, e que as últimas movimentações dos presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), sinalizavam que o Centrão parece ter percebido que neste momento o vento sopra em favor da reeleição de Lula. Kassab disse o mesmo na reuniâo: “O Centrão não está neutro”.
Kassab não declara isso. Mas ao dizer que quando a campanha começar agora, o PT, que, na sua avaliação, ainda vem preservando Flávio Bolsonaro, irá bater mais duro. E aí, então, avalia Kassab, Flávio começará a ser desconstruído. Tudo isso são palavras de Gilberto Kassab. Se a intenção dele fosse deixar somente esse jogo de desconstrução para o PT, ele mesmo nada diria. Vislumbra-se que poderá haver uma espécie de dobradinha nesses ataques. Lula e o PT agindo de forma mais aguda, espera Kassab.
O que não deverá significar que Caiado, então, preservará Lula: a ideia é mostrar que os dois líderes nas pesquisas teriam grandes esqueletos no armário e contas a pagar com denúncias complicadas. E que Caiado, ao contrário, está na vida pública desde a década de 1980 quando fundou a União Democrática Ruralista (UDR) sem que nenhuma denúncia de corrupção tenha surgido em algum momento contra ele.
Para além da linha de ataque, Caiado prepara-se para, agora na campanha, centrar-se mais em questões urbanas, ligadas aos grandes problemas das cidades. A campanha entende que ele já teria os votos do agronegócio. Ainda que a senadora Teresa Cristina (PP-MS), outra importante liderança do segmento, tenha sinalizado apoio a Flávio.
Apesar da importância de Teresa Cristina, Caiado entende que é ele a principal referência do setor. Afinal, assim se apresenta desde que fundou a UDR em 1985 e com ela atuou em defesa do agronegócio na elaboração da Constituição. A primeira aparição pública de Caiado foi montado num cavalo branco liderando uma manifestação.
Foi dali que Caiado partiu para ser candidato à Presidência em 1989. Foi dali também que começou a se apresentar como um político de direta quando ninguém tinha coragem de se declarar assim. O PSD, portanto, avalia agora que o tom da campanha se volte mais para soluções para as questões urbanas, especialmente segurança.
Mas não apenas segurança, que é um tema no qual Caiado foca desde o início a partir das experiências que diz ter feito como governador de Goiás. Imaginava-se que o tema fosse dominar o debate eleitoral, mas não tem sido tanto assim. A partir das experiências do governo de Goiás, Caiado também pretende focar em temas como ações sociais.
Outro ponto é a mobilidade urbana. Soluções mais modernas para o deslocamento das pessoas, de forma mais rápida e mais barata estão hoje no centro do debate nas grandes cidades. Esses temas estão sendo compilados pelo ex-senador Roberto Brant, que é o coordenador da campanha de governo de Ronaldo Caiado.
No evento na quinta, Kassab ainda disse que a neutralidade declarada do Centrão deu um presente ao PSD. Sem alianças – com exceção de Lula -, o tempo de propaganda de cada candidato aumentou. O PSD terá mais de dois minutos. O partido ainda guarda segredo dos detalhes que explorará nesse tempo. Mas Kassab já deu fortes sinais.
Durante adesivaço no Cabo de Santo Agostinho, a candidata a deputada federal Juliana de Chaparral (UB) reforçou a sua parceria com o candidato a deputado estadual Batista Cabral (PSB). Ao lado do prefeito do Cabo, Lula Cabral, ela garantiu empenho na campanha e prometeu que o objetivo da parceria é unir forças para lutar pelo povo. Confira!
Agora é oficial: a Polícia Federal tem em mãos mensagens enviadas pelo próprio filho do presidente Lula Fábio Luís da Silva, o Lulinha, à lobista Roberta Luchsinger, investigada por suspeitas de tráfico de influência e de usar a proximidade com o filho do presidente da República para facilitar negócios e acesso ao governo.
As mensagens mostram que os dois tratavam explicitamente de fazer negócios e de atuar em lobby junto ao núcleo duro do gabinete de Lula, revelando que a relação entre eles vai além de simples amizade. Lulinha não somente sabia da atuação e dos interesses de Roberta, como também comentava, coordenava e até participava de reuniões.
Em um dos diálogos interceptados, que aconteceu em 22 de março de 2024, Roberta diz a Lulinha que os dois trabalham em nível diferenciado e que o futuro deles é a Suíça. Na mesma conversa, o filho do presidente revela que participa de reuniões com Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, ex-chefe de gabinete de Lula, e o então secretário-executivo do Ministério da Saúde, Swedenberger Barbosa, conhecido como Berger.
Naquela ocasião, Marcola era braço direito de Lula, despachava na antessala do presidente e fazia os principais contatos com ministros. Já Berger, figura histórica do PT, foi quem abriu as portas do Ministério da Saúde para o lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS – que tentou emplacar contrato milionário para a compra em larga escala de cannabis medicinal pelo SUS.
Roberta Luchsinger chegou a receber repasses do Careca do INSS que somam R$ 1,5 milhão. Em uma das transferências, o empresário informa a um interlocutor que o dinheiro era destinado ao “filho do rapaz”, possivelmente se referindo a Lulinha, segundo a Polícia Federal.
MONTANHAS DA JAQUEIRA – Eu fico tremendo nos cascos quando vejo algum inocente datilografar a expressão “decadência dos Estados Unidos”. São infecções ideológicas, tipo urticárias. Eu sou formado em Ciências Humanas e Sociais pelo Mobral, e frequentei o curso de Humanitismo de Brás Cubas/Machado de Assis, modéstia à parte. Daí aprendi algumas lições. Lição número um: números são números, como diria o Conselheiro Acácio. A saber:
Os Estados Unidos ostentam um PIB de 32,3 trilhões de dólares. A China vem em segundo lugar, com 19,4 trilhões. A longo prazo será inevitável que o Império Chinês, com uma população de 1,4 bilhão de almas, ultrapasse o império ianque, habitado por 350 milhões de imperialistas. A América ocupa a vanguarda mundial em todos os campos de atividade onde voam os falcões, na indústria aeroespacial, na informática, nas pesquisas científicas, nos tapetes vermelhos da indústria do entretenimento, da costa leste à costa oeste.
Lição número dois: não existe cavalo de pau na economia, nem as revoluções conseguem dar cavalo de pau.
O domínio do Império Romano se prolongou durante cinco séculos e a decadência se arrastou durante dois séculos, porque naquela época a Internet era muito lenta. Depois de guerras e golpe de Estado, o império só desmoronou no ano 476 depois de Jesus de Nazaré.
Direi aos vermelhos e infravermelhos que esta minha prosopopeia não tem nada a ver com proselitismo ideológico. Estou apenas garimpando algumas lições de história.
Delirar é preciso. O que aconteceria se a caterva vermelha fosse dotada de premonição e os Estados Unidos estivessem em decadência? O exército de Brancaleone invadiria o Império capitalista e derrotaria as tropas do cowboy Donald Tramp. Existe uma proverbial sentença socialista-comunista de que “toda propriedade é um roubo”. Esta sentença faz a cabeça e o couro cabeludo da mundiça vermelha.
Haveria o “assalto aos céus” preconizado pela Comuna de Paris em 1871 para implantar o paraíso igualitário neste vale de lágrimas, de sonhos, pecados e ilusões.
O prefeito comunista de Nova York, Zohran Mamdani, mandaria prender Donald Tramp, chamado de algoz, e inocentar o facínora Nicolas Maduro, para ser libertado e ser glorificado como ditador da Venezuela.
A fortuna de Elon Musk seria confiscada para ser distribuída com o lúmpen proletariado e todos os pobrezinhos das Américas, a começar pela família de Fidel Castro e Raul Castro e a caterva vermelha de Pindorama. Para não serem acusados de desfeitas, os economistas vermelhos e infravermelhos inscreveriam Elon Musk e Bill Gates no cadastro do Bolsa Família para receberam uma mesada de 600 denários, mais o Vale-Gás e o programa Pé-de-Meia. Musk será um trans-pobre num corpo de rico. A mundiça do Cordão Encarnado vai adorar.
Os inocentes que datilografam a expressão “decadência dos Estados Unidos” torcem pela decadência do Ocidente, pelos terroristas do Hamas e pela ditadura de Ortega na Nicarágua. Falam em assalto aos céus. Mas o céu não é perto.
Nova rodada mostra mudança favorável a João Campos, que avança na comparação com o levantamento anterior, enquanto Raquel Lyra recua; os dois aparecem agora com 43%
A nova rodada da pesquisa Real Time Big Data, divulgada nesta segunda-feira (17), registra uma mudança favorável a João Campos (PSB) na disputa pelo Governo de Pernambuco. O candidato cresceu, enquanto a governadora Raquel Lyra (PSD) recuou, e os dois aparecem agora rigorosamente empatados, com 43% das intenções de voto no primeiro turno.
O movimento ganha relevância porque acontece justamente na largada oficial da campanha e interrompe o cenário recente de crescimento da governadora registrado por outros levantamentos. Na pesquisa Genial/Quaest divulgada em 28 de julho, por exemplo, Raquel aparecia com 43% no primeiro turno, contra 37% de João. Agora, no Real Time Big Data, João alcança os mesmos 43% registrados pela governadora. Embora sejam institutos diferentes e, portanto, não seja metodologicamente correto tratar a comparação como evolução de uma mesma série, os números mostram uma fotografia mais equilibrada da disputa.
O empate também aparece em uma eventual disputa de segundo turno. João Campos e Raquel Lyra têm 44% cada, enquanto 5% afirmam que votariam branco ou nulo e 7% não souberam ou não responderam.
O resultado representa uma mudança importante em relação à fotografia apresentada pela Quaest no fim de julho. Naquele levantamento, Raquel aparecia numericamente à frente no segundo turno, com 45%, contra 39% de João. A diferença entre os dois era de seis pontos. No levantamento divulgado agora pelo Real Time Big Data, essa distância desaparece e os dois aparecem com os mesmos 44%.
Na pesquisa espontânea, quando os nomes dos candidatos não são apresentados aos entrevistados, também há empate: João Campos e Raquel Lyra aparecem com 21% cada. O dado mostra ainda um eleitorado bastante aberto, já que 44% não souberam apontar espontaneamente um candidato.
A nova fotografia eleitoral surge em um momento estratégico para João Campos. Depois de semanas em que pesquisas registraram avanço da governadora, o candidato do PSB chega ao início da campanha novamente em situação de equilíbrio, num momento em que começa a explorar com maior intensidade sua aliança com o presidente Lula.
Lula, inclusive, gravou na última sexta-feira (14) participação no programa eleitoral de João, encerrando as dúvidas sobre qual seria seu palanque na disputa pelo Governo de Pernambuco. A participação do presidente deverá ser exibida a partir do início da propaganda eleitoral no rádio e na televisão.
Senado
A Real Time Big Data também pesquisou a disputa pelas duas vagas de Pernambuco no Senado. Marília Arraes (PDT) aparece na liderança, com 29%, seguida por Humberto Costa (PT), com 20%, e Mendonça Filho (PL), com 18%.
Eduardo da Fonte (PP) registra 12%, Túlio Gadelha (PSD), 11%, Carlos Sant’Anna (Novo), 2%, e Paulo Rubem Santiago (Rede), 1%. Brancos e nulos representam 4%, e 3% não souberam ou não responderam.
O Real Time Big Data ouviu 1.600 eleitores entre os dias 12 e 15 de agosto. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número PE-06056/2026.
João larga na frente enquanto Raquel se apresenta sem molho e sem sal
Toda largada de campanha é, antes de qualquer coisa, uma disputa de narrativa. É o momento em que cada candidato tenta dizer, sem precisar explicar demais, que Pernambuco quer representar, que futuro pretende construir e com quem pretende caminhar. E, nesse quesito, João Campos saiu na frente.
Sua largada foi construída como uma espécie de mapa simbólico de Pernambuco. Começou no extremo Oeste, em Poção, distrito de Afrânio, na divisa com Piauí e Bahia. Depois de percorrer mais de 40 quilômetros de estrada de barro, ouviu de um morador que o último governador a aparecer por ali havia sido Eduardo Campos. A resposta resumiu a mensagem: “Aqui não é longe. Distante é o governo que não chega até aqui.”
Não era apenas uma frase. Era uma imagem. Da fronteira do Estado, João passou por Serra Talhada, foi a Caetés, terra natal do presidente Lula, e seguiu para Tacaimbó, no Agreste. Terminou a jornada no Morro da Conceição e ainda emendou um adesivaço madrugada adentro. Na largada, portanto, tinha roteiro, geografia e significado.
E João não ficou apenas no simbolismo. Apresentou uma proposta concreta: quatro novos hospitais para Pernambuco, incluindo aquele que seria o maior hospital do Estado. Depois, voltou a transformar agenda em imagem. Reuniu uma multidão no Cabo de Santo Agostinho. Atravessou o Capibaribe para chegar a Brasília Teimosa. Fez caminhada no meio das pessoas, sem a distância confortável dos palanques. Tomou banho de fonte no Parque Eduardo Campos. E ainda terminou a maratona participando de um culto da Assembleia de Deus.
Do outro lado, a largada de Raquel Lyra pareceu menos carregada de significado. O adesivaço no comitê, em uma área nobre do Recife, produziu uma imagem essencialmente de estrutura de campanha. O discurso no trio elétrico não apresentou uma nova proposta capaz de marcar aquele primeiro momento. A passagem por Caruaru, sua principal base política, reforçou uma identidade já conhecida. E o encerramento em Petrolina, ao lado de Miguel Coelho, apresentou uma imagem muito mais ligada a uma composição que acabou não vingando para o Senado.
Mas há uma diferença importante entre montar uma chapa, iniciar uma campanha e contar uma história. Na largada, João contou uma história. A história de um candidato que saiu da capital, atravessou Pernambuco, foi ao Sertão profundo, voltou ao Agreste, passou por um dos morros mais simbólicos do Recife, atravessou o rio, caminhou no meio do povo, apresentou propostas e terminou a noite em uma igreja.
Raquel, por sua vez, pareceu mais preocupada em mostrar a própria estrutura política, que teve uma coligação partidária inferior a de João Campos — ainda que ele esteja na oposição. E campanha eleitoral não é apenas uma soma de adesivaços e palanques. É também uma disputa pela imaginação do eleitor.
João Campos entendeu isso logo na largada. Raquel Lyra, ao menos nesse primeiro movimento, entregou uma agenda correta, organizada e politicamente funcional. Mas faltou sal. E faltou molho. Porque, enquanto um lado parecia estar tentando transformar o primeiro dia de campanha em uma narrativa sobre Pernambuco, o outro pareceu estar apenas cumprindo uma agenda eleitoral.
E, em uma eleição que promete ser tão disputada, começar contando uma história pode ser tão importante quanto começar pedindo votos.
SEM FUTURO – O presidente Lula lançou sua campanha para reeleição, ontem, no Estádio Primeiro de Maio (Vila Euclides), em São Bernardo do Campo, com fortes ataques ao bolsonarismo. “Eu, enquanto for vivo, não vou permitir parar de lutar e deixar que a direita, que ficava dando risada das crianças morrendo por falta de remédio, responsável pela morte de 400 mil pessoas da Covid por irresponsabilidade com a vacina volte ao poder. Que futuro essas pessoas pensam para o povo brasileiro? Nenhum”, afirmou.
Coração e mente – No primeiro ato de campanha à reeleição, o presidente Lula (PT) se apresentou como “um peão” que conhece “o coração e a mente” do povo brasileiro. O petista fez diversas menções a Deus, fez aceno às mulheres e prometeu criar um ministério para a segurança pública para “libertar” favelas e bairros pobres dominados pelo crime organizado. “Vocês colocaram na presidência uma peão, quase um analfabeto. Eu só tenho o primário e um curso do Senai. Mas eu conheço o coração e a mente de vocês. E eu tenho certeza que os outros que passaram por esse país não conheceram”, disse.
Caloteiro da esperança – Em seu primeiro discurso de campanha, ontem, no Rio de Janeiro, o candidato do PL ao Planalto, Flávio Bolsonaro, chamou Lula de “caloteiro da esperança” e subiu o tom contra o governo. O presidenciável também criticou o governo em um discurso focado na segurança pública e nos atritos recentes gerados entre os governos brasileiro e americano. “O atual governo briga com países que estão a 10 mil quilômetros de distância da gente, em outro continente, mas não briga com o ladrão vizinho, traficante, estuprador, assaltante e assassino. Um governo que não tem a capacidade e a vontade de defender quem mora aqui também não tem condições de manter a soberania sobre seu próprio território”, afirmou.
Ato no Cabo – João Campos (PSB) deu o pontapé inicial à campanha em Ponte dos Carvalhos, no Cabo. A mobilização foi liderada pelo candidato a deputado estadual Batista Cabral (PSB) e pelo prefeito Lula Cabral (PDT). A caminhada saiu do antigo CSU, atualmente em obras para a construção do Convive Eduardo Campos, e seguiu pelas ruas até a Praça Marcos Freire. Segundo a organização, mais de 15 mil pessoas participaram do percurso, que reuniu lideranças políticas, militantes e moradores da região.
Sem dono – Durante adesivaço no comitê do Espinheiro, Zona Norte do Recife, última agenda, ontem, na capital, antes de partir para Caruaru e Petrolina, a governadora e candidata à reeleição, Raquel Lyra (PSD), destacou que Pernambuco não tem dono. “Quem é dono de Pernambuco é o seu povo. A gente tem força, coragem, perseverança, e o coração colocado no trabalho”, ressaltou. “O mais importante é fazer o nosso Estado crescer sem deixar ninguém para trás”, acrescentou.
CURTAS
NAS CABEÇAS – Ao anunciar a construção de quatro hospitais e um central na Região Metropolitana, o candidato do PSB, João Campos, não perdeu a oportunidade para criticar as obras de improviso de Raquel. “No nosso governo não vai ter teto caindo nas cabeças das pessoas”, ironizou.
DATAFOLHA – A nova pesquisa Datafolha em Pernambuco vai medir a corrida pelo governo estadual e a disputa pelas duas vagas ao Senado nas eleições de 2026. O levantamento será realizado entre 18 e 20 de agosto, com divulgação na próxima sexta-feira.
PODCAST – O podcast Direto de Brasília desta semana será na próxima quarta-feira e não amanhã, como sempre. O nosso convidado é o jornalista Xico Sá, que vai falar sobre seu livro trazendo novos fatos sobre a morte de PC Farias, o tesoureiro de Collor assassinado pela namorada numa praia em Alagoas.
Perguntar não ofende: Quando teremos o primeiro debate entre Raquel e João?