A Bancada Negra da Câmara dos Deputados pressiona para que o presidente da Casa, deputado Arthur Lira (PP-AL), coloque em votação um projeto de lei (PL) que pretende tornar o Dia da Consciência Negra, 20 de novembro, um feriado nacional. O texto já foi aprovado no Senado em 2022 e aguarda análise dos deputados. Lira se reuniu com o grupo nesta segunda-feira, 20, e indicou que pode pautar o projeto ainda nesta semana.
“Dos projetos que nós debatemos na bancada, foi o projeto da unificação do dia 20 [como feriado]. Vários estados do país, a exemplo do Amazonas, Rio de Janeiro, São Paulo, Mato Grosso, que celebram hoje como facultativo. A gente vai ver se unifica, temos um projeto para unificar no Brasil inteiro”, afirmou Damião Feliciano (União Brasil-PB). As informações são do O Antagonista.
A Bancada Negra foi criada em novembro deste ano, por inciativa de Damião e da deputada Talíria Petrone (PSOL-RJ). Entre outros pontos, o projeto incluiu no regimento da Casa o direito ao uso da palavra a um integrante bancada durante o período destinado às comunicações de liderança no plenário, por cinco minutos semanais.
O grupo também passa ater direito de participar de reuniões dos colégios de líderes (com direito a voto) convocadas por Arthur Lira. Atualmente, há 31 parlamentares que, pelo critério racial, se declaram pretos e pretas e 91 deputados e deputadas que se identificam com a cor parda, o que corresponde a aproximadamente 24% dos 513 parlamentares.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), 80 anos, teve o nome oficializado neste domingo (2) como candidato à reeleição a presidente da República pelo PT. O partido realizou sua Convenção Nacional no Expo Center Norte, em São Paulo. Lula discursou por 62 minutos, ou pouco mais de uma hora. Não citou temas como segurança pública e a dívida pública.
Pesquisa Datafolha realizada em dezembro de 2025 mostrou que a segurança é o 2º tema que mais preocupa o brasileiro, atrás só de saúde. Na esfera econômica, a dívida bruta atingiu 81,9% do PIB em junho, segundo dados do Banco Central. Relatório do IFI (Instituição Fiscal Independente) estima que pode chegar a 115% em 2036. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, tem tentado acalmar a Faria Lima, indicando que um eventual Lula 4 seria mais austero.
Em determinado momento do discurso, Lula disse ser “mais barato investir em educação do que gastar dinheiro com prisão”. Eis a frase:
“Um preso aqui em São Paulo, na prisão comum, custa R$ 35.000 por ano. Um estudante num instituto federal custa R$ 16.000 por ano. Numa cadeia de segurança máxima, custa R$ 40.000 por mês um preso. Um estudante na universidade federal, fazendo um curso de engenharia espacial, que é o único curso de engenharia no Brasil, gasta R$ 20.000 por mês. Qual é a definição? É que é mais barato investir em educação do que gastar dinheiro com prisão. E quem pode ir para a prisão é esse jovem se a gente não der oportunidade”.
Assista ao discurso de Lula na íntegra (1h2min):
Convenção nacional do PT
O PT oficializou neste domingo (2) a candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, 80 anos, à reeleição. O petista busca o 4º mandato.
Se eleito, Lula terá 81 anos em outubro e será o presidente mais velho a ocupar o cargo. Geraldo Alckmin (PSB) volta a compor a chapa como vice-presidente. É a 7ª candidatura de Lula à Presidência. Ele concorreu em 1989, 1994, 1998, 2002, 2006, 2018 e 2022. Em 2018, estava preso e teve a candidatura barrada pelo Tribunal Superior Eleitoral com base na Lei da Ficha Limpa. Nas disputas efetivas, perdeu três vezes (1989, 1994 e 1998) e venceu outras três (2002, 2006 e 2022).
A escolha de São Paulo para sediar a convenção reflete a importância estratégica do Estado para a campanha. Em 2022, os paulistas deram 4,3 milhões de votos a mais a Lula do que Fernando Haddad (PT) havia obtido em 2018, quando o ex-ministro foi candidato ao Planalto. O crescimento de votos nesse período foi considerado decisivo para a eleição de Lula pela 3ª vez. São Paulo é o maior colégio eleitoral do país.
Lula definiu o início oficial da campanha para 16 de agosto, às 10h, no estádio 1º de Maio, em São Bernardo do Campo (SP). O local, anteriormente conhecido como estádio da Vila Euclides, tem ligação direta com a trajetória política do presidente. Ali, ele atuou como sindicalista no final dos anos 1970 e início dos anos 1980. O estádio foi palco da grande greve dos trabalhadores do ABC, em 1979, e é associado ao surgimento da CUT (Central Única dos Trabalhadores) e do próprio PT.
Ontem estive em São Paulo, convidado a participar da convenção que oficializou Lula como candidato à Presidência da República pelo PT e por uma ampla frente política. Entre discursos, encontros e conversas de bastidores, uma constatação ficou evidente: nem tudo o que se diz acontece, nem toda narrativa se materializa na vida real.
Essa reflexão me leva diretamente ao neodireitista Túlio Gadêlha.
Nos bastidores da convenção, a percepção que tive foi de que suas recentes posições políticas despertam mais desconfiança do que credibilidade. Ouvi comentários que tratavam com ironia a ideia de que ele pudesse falar em nome de qualquer campo político, sobretudo depois da guinada que protagonizou nos últimos anos.
Túlio insiste na tese de que a esquerda deve se aproximar justamente dos setores da direita que, durante anos, perseguiram Lula e trabalharam para inviabilizar o projeto político liderado por Lula. Na minha avaliação, essa leitura revela imaturidade política e uma incompreensão do momento vivido pelo campo progressista.
Talvez lhe falte apenas um encontro. E aqui a referência não é política, mas uma ironia com o antigo programa de televisão. Quem sabe, depois de um Encontro com Fátima Bernardes, Túlio Gadêlha não aproveitasse para rever algumas posições e redescobrir o valor da coerência entre discurso e prática.
A convenção da governadora Raquel Lyra (PSD) não trouxe nenhum fato novo a não ser a presença de Eduardo da Fonte (PP), que já era esperada desde ontem (1º), quando veio a público a escolha dele como candidato a senador na chapa governista em lugar do ex-prefeito Miguel Coelho (União Brasil). O evento não apresentou nenhuma adesão de partido político ou declaração de apoio de dissidentes de palanques adversários. Em sentido contrário, porém, chamaram atenção as ausências.
Uma das faltas mais emblemáticas foi a do senador Fernando Dueire (PSD). Após meses comparecendo a eventos de Raquel e tendo a esperança de reeleição alimentada por ela de forma pública, ele acabou preterido na chapa e não compareceu à convenção estadual do seu próprio partido, o que expõe possíveis fraturas após o desfecho do processo.
Miguel Coelho até foi citado na convenção, mas também levou falta. Seus irmãos, o deputado federal Fernando Filho (União Brasil) e o deputado estadual Antônio Coelho (União Brasil), chegaram a fazer postagens anunciando o evento de Raquel há três dias, antes da notícia da escolha dela por Eduardo da Fonte. Neste domingo (2), nenhum deles esteve na convenção.
Aliados dos Coelho deram meia-volta, a exemplo do prefeito de Surubim, Cléber Chaparral (União Brasil), e da esposa, a candidata a deputada federal Juliana de Chaparral (União Brasil), que estiveram no Recife ontem, mas, frustrados, já voltaram para o Agreste. Foi o caso também de vereadores de Petrolina, como Maria Elena Alencar, que gravou vídeos fazendo desabafos contra Raquel na estrada de volta ao Sertão.
O prefeito Simão Durando (União Brasil), de Petrolina, principal reduto do grupo e quinto maior colégio eleitoral do estado, também não compareceu. Já o prefeito Evilásio Mateus (PDT), de Araripina, que condicionava o voto em Raquel à presença de Miguel na chapa dela, tomou uma posição ontem mesmo, viajou ao Recife e declarou apoio ao candidato a governador João Campos (PSB) durante a convenção da Frente Popular de Pernambuco.
Observando a cena política pernambucana, percebemos o movimento da governadora trazendo, numa guinada à direita, o deputado Túlio Gadelha para o seu partido, PSD, e, com isso, tentando atrair a neutralidade do presidente Lula nas eleições de Pernambuco. As expectativas da governadora não se confirmaram. O presidente Lula vem enfatizando e reiterando o apoio ao ex-prefeito do Recife, João Campos, filho de Eduardo Campos, seu aliado histórico, e neto do mito Miguel Arraes.
Foi um erro de percepção e avaliação da governadora achar que o deputado Túlio, sem desmerecê-lo, reunisse essas credenciais, essa história e essa força política para tanto. Com isso, a governadora queimou o cartucho de uma preciosa vaga para acomodar duas grandes lideranças, Dudu da Fonte e Miguel Coelho, ancorados, ambos, na força política da Federação União Progressista e em todo o seu tempo de TV e fundo eleitoral.
Eis que a roda da política gira: Marília Arraes, candidata ao Senado pela Frente Popular, endossada por João e demais pares, faz um movimento em direção ao ex-senador Fernando Bezerra Coelho, filiado ao MDB, no sentido de tê-lo como companheiro de chapa, o que me parece, caso seja aceito o convite, a consolidação da perspectiva de vitória não só de Marília, mas também de toda a chapa majoritária da Frente Popular de Pernambuco.
Como dizia Euclides da Cunha em Os Sertões, “o sertanejo é um forte”.
Candidatos a deputado federal e estadual, respectivamente, Gilson Machado e Gilson Filho participaram, neste domingo (2), da convenção partidária que oficializou a candidatura de Raquel Lyra ao Governo de Pernambuco. Os dois deixaram o PL e se filiaram ao Podemos, partido que integra a aliança da governadora.
Gilson Machado afirmou que tentou viabilizar uma candidatura própria da direita ao governo estadual enquanto estava no antigo partido. “Eu gostaria de um candidato da direita para o Governo do Estado, tentei enquanto estava no PL, mas nada foi levado adiante dentro do partido. Aqui no Podemos, eu somo e fortaleço a direita, missão que me foi confiada por Bolsonaro”, disse. Segundo ele, a presidente nacional do Podemos, Renata Abreu, também apoia a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro.
Vereador do Recife, Gilson Filho justificou a adesão à candidatura de Raquel com críticas ao PSB e à gestão municipal. “Quero longe do Governo de Pernambuco candidato que já abriu a boca para dizer que, aqui no estado, bolsonarista não se cria”, afirmou.
O presidente nacional do Partido Social Democrático (PSD) e candidato a vice-presidente da República na chapa liderada por Ronaldo Caiado, Gilberto Kassab, afirmou que Raquel Lyra está entre as lideranças que ajudam a fortalecer a candidatura do goiano e disse que a governadora reúne eleitores de Lula, Bolsonaro e, “principalmente”, de Caiado. Em crítica ao próprio partido, classificou como “uma excrescência da democracia brasileira” a existência de siglas que, no primeiro turno, apoiam candidatos de outras legendas.
Lula encerrou a convenção nacional do PT com uma convocação à militância para a disputa eleitoral e um alerta contra o retorno da extrema direita ao poder. “Governar é decidir. E toda vez que você toma uma decisão, tem que escolher um lado”, disse. Ao fazer um balanço de suas gestões, o presidente pediu desculpas pelos erros cometidos e pelas coisas que não foram feitas, mas sustentou que o atual governo “entregou mais do que prometeu e vai entregar muito mais”. Antes de deixar o palco, chamou dirigentes, parlamentares e candidatos para o ato marcado para o dia 16, no estádio da Vila Euclides, em em São Bernardo do Campo (SP).
Ainda em discurso de tom emocionado, a governadora Raquel Lyra (PSD) também levou ao palco da convenção deste domingo (2) uma das policiais militares aprovadas no concurso da corporação, para destacar os investimentos do programa Juntos pela Segurança e a formação de novos PMs. Ao apresentar a agente, uma das mais de 7 mil nomeadas para a área de segurança, Raquel aproveitou para relembrar sua virada nas pesquisas. “A única virada que verdadeiramente importa de a gente falar é virar o jogo da sua vida”, disse.
Ao defender um novo mandato, Lula criticou o atual modelo de financiamento das legendas e disse sentir falta da época em que o PT dependia da mobilização dos filiados para manter suas atividades. “Eu preferia o meu partido quando a gente tinha que vender uma camiseta para arrumar dinheiro, para colocar gasolina”, comparou. Para o petista, o fundo partidário “está levando os partidos à promiscuidade” e fazendo com que todos se tornem iguais. Lula também questionou congressos partidários que chegam a movimentar “até R$ 1 bilhão por ano, sem prestar contas ao povo brasileiro”, enquanto o Executivo precisa cortar recursos de escolas e programas de saúde. “Há uma inversão que nós precisamos mudar. A minha quarta Presidência é para mudar muita coisa neste país”, concluiu.