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Augusto Cury (Avante) participa neste sábado (29) da série de entrevistas da TV Globo com os candidatos à Presidência da República nas eleições de 2026. A conversa, que está prevista para começar às 21h20 (de Brasília), será exibida ao vivo logo após o Jornal Nacional, diretamente dos Estúdios Globo, no Rio de Janeiro. O g1 também transmite ao vivo, bem como a Globonews. As informações são do g1.
A entrevista será conduzida pelos jornalistas Renata Vasconcellos e César Tralli. Além da TV Globo, o público poderá acompanhar a transmissão pela GloboNews e pelo g1. Depois da exibição, o conteúdo ficará disponível na íntegra no Globoplay e no g1. Esta é a primeira vez que as entrevistas da Globo com candidatos ao Palácio do Planalto são exibidas após o Jornal Nacional, e não dentro do telejornal.
A Globo convidou os seis candidatos mais bem colocados na pesquisa de intenção de voto divulgada pela Quaest em 14 de agosto. A ordem das entrevistas foi definida por sorteio, com a presença de representantes dos partidos.
As entrevistas tiveram início na segunda-feira (24), com Romeu Zema (Novo), seguidas por Ronaldo Caiado (PSD), na terça-feira (25); Renan Santos (Missão), na quarta-feira (26); Lula (PT), na quinta-feira (27); Flávio Bolsonaro, na sexta-feira (28); e, encerrando a série, Augusto Cury (Avante), neste sábado (29).
Por Bela Megale
Do jornal O Globo
Aliados de Lula entraram em campo para pacificar os ânimos da lobista Roberta Luchsinger, investigada nos inquéritos que apuram desvios no INSS e suposto tráfico de influência envolvendo Lulinha. Pessoas próximas a Roberta relataram que ela ficou “possessa” ao ver o presidente chamá-la de “pilantra” durante a entrevista no “JN”, na noite de quinta-feira (27).
A lobista se sentiu como o único nome rifado por Lula, que defendeu o filho Fábio Luís, o ex-líder do governo Jaques Wagner e também fez gestos em direção ao seu ex-chefe de gabinete Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola.
Leia maisPor ora, os aliados de Lula tentam evitar que a lobista dê uma entrevista para falar das acusações que pesam sobre ela, de sua relação com o governo federal e com o filho do presidente.
Roberta admite que nunca teve relação direta com Lula, mas alega que não vendeu Fábio Luís e que tudo o que fez foi com o consentimento e participação do filho do presidente.
Esses interlocutores afirmam que será preciso um gesto de aproximação junto lobista, sob pena de as consequências serem muito ruins para a campanha de Lula. A leitura feita por um interlocutor de Roberta é que Lula não tem conhecimento profundo dos negócios feitos pela lobista e da relação dela com seu filho para ter lançado esse petardo contra ela.
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O candidato a governador João Campos (PSB) participou de um ato de panfletagem na feira livre de Caruaru, no Agreste pernambucano, neste sábado (29). Ao lado de lideranças políticas locais e apoiadores, ele cumprimentou comerciantes e pediu votos para toda a chapa da Frente Popular de Pernambuco.
Animado, João interagiu com o público, conversou com comerciantes e chegou a dançar com algumas pessoas durante a passagem pela feira.
Do jornal O Globo
Líderes em intenções de votos na campanha presidencial, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) passaram pela bancada do Jornal Nacional durante a semana para entrevistas, nas quais tiveram a oportunidade de responder questionamentos e apresentar suas ideias aos eleitores. O jornal O Globo, com seu time de colunistas, acompanhou e analisou as entrevistas em tempo real, com balanços ao final de cada uma.
Entre os dois, o primeiro entrevistado, na quinta-feira (27), foi Lula, que concorre à reeleição, no que seria seu quarto mandato no cargo. Já Flávio, senador que busca pela primeira vez a presidência, foi ouvido ontem (28). Ao longo da semana, a TV Globo também entrevistou Romeu Zema (Novo), Ronaldo Caiado (PSD) e Renan Santos (Missão), outros postulantes ao cargo.
Veja os comentários dos colunistas sobre os desempenhos de Lula e de Flávio no Jornal Nacional:
Leia maisLula (PT)
Thomas Traumann: “Desacostumado a entrevistas duras, o presidente Lula passou a maior parte do tempo na defensiva, respondendo sobre casos de corrupção envolvendo seu filho e ex-chefe de gabinete. Encerrou se perdendo no tempo das considerações finais”.
Míriam Leitão: “O candidato Lula da Silva enfrentou as perguntas sobre corrupção admitindo que o filho será punido se tiver cometido erros e que as ações do seu ex-chefe de gabinete levam desconfiança para o governo. Mas lembrou que a quadrilha do INSS foi montada em 2019 e foi investigada e presa pelo governo dele. Deu boas respostas para perguntas muito duras. Errou quando quis criticar a pergunta pertinente da Renata Vasconcellos sobre contas públicas. Na área fiscal, a atitude de dizer que fez superávit no passado não resolve nenhuma das dúvidas atuais sobre a trajetória da dívida. Na educação, surfou com dados e entusiasmo. Na segurança, deu resposta boa. E soube pedir votos”.
Merval Pereira: “Lula parece cansado ao final da entrevista”.
Vera Magalhães “A experiência de Lula fez com que encarasse com desenvoltura uma entrevista dura. Defendeu investigação do filho e de Marcola. Evitou de novo falar em corte de gastos, dizendo que produziu superávits em todos os seus mandatos. Derrapou na agressividade com Renata Vasconcellos depois de uma sucessão de perguntas sobre corrupção. O fim da escala 6×1 ficou de fora e ele esqueceu de colocar nas considerações finais”.
Fabio Graner: “Lula se mostrou firme nas respostas sobre os questionamentos em torno das denúncias contra seu filho e os escândalos do INSS e do Master, mas não conseguiu uma resposta que o tirasse rapidamente do tema. No debate sobre contas públicas, evocou seu passado, disse ter compromisso com responsabilidade, mas enfraqueceu o discurso do seu ministro da Fazenda, a quem havia autorizado sinalizar postura mais forte no fiscal. Na educação, mostrou se importar com o tema e querer fazer mais, sem deixar claro como. E na segurança, fez um discurso muito técnico para um assunto que mexe com emoções. Saiu da entrevista sem brilhar, mas também não se prejudicou”.
Bernardo Mello Franco: “Questionado sobre as suspeitas que envolvem o filho e o ex-chefe de gabinete, Lula se refugiou na presunção de inocência, prometeu não interferir na PF e tentou usar o caso para se diferenciar de Bolsonaro. Depois da bateria de perguntas sobre corrupção, fez piada e mostrou alívio ao ter que tratar do crescimento da dívida pública. Foi melhor ao pregar uma ‘revolução tecnológica’ e prometer mais investimentos em educação num eventual quarto mandato”.
Bela Megale: “No tema mais difícil que foram as acusações contra seu filho, Lula se descolou das investigações, cobrou apurações e justiça para aliados e para o próprio Lulinha. Ao mesmo tempo os acolheu, dizendo que é preciso ter presunção de inocência. Vendeu aos eleitores a esperança de prosperidade, falou sobre o Brasil explorar minerais críticos e ocupar uma posição de disputa com países ricos. Faltaram temas como soberania e escala 6×1. Em alguns momentos, o presidente se mostrou exaltado, especialmente nas perguntas sobre as investigações envolvendo seu filho e aliados”.
Flávio Bolsonaro (PL)
Thomas Traumann: “Flávio Bolsonaro segue sem explicar como arrancou R$ 60 milhões de um banqueiro corrupto, como o miliciano Adriano é um “policial exemplar” e fugiu de qualquer detalhe de como vai recuperar a economia”.
Bernardo Mello Franco: “Flávio Bolsonaro não conseguiu dar explicações convincentes sobre a intimidade com Daniel Vorcaro, as relações com o chefe do Escritório do Crime e a rachadinha em seu gabinete na Alerj. Voltou a negar a tentativa de golpe e evitou se comprometer com o respeito ao resultado das urnas. Na pauta econômica, renegou as medidas impopulares defendidas por economistas e investidores que o apoiam. Em seu favor, manteve a calma e não repetiu os rompantes do pai em entrevistas”.
Míriam Leitão: “Flávio Bolsonaro se preparou bem para dar respostas prontas, manteve o tom sereno, mas repetiu todas as respostas que sempre deu para fugir das explicações sobre as suas relações com o banqueiro fraudador Daniel Vorcaro. Não quis sequer se comprometer a divulgar o contrato que fez com Vorcaro, alegando que a imprensa já fez isso. Também deu explicações falsas para a sua relação com o miliciano e chefe do escritório do crime no Rio, Adriano da Nóbrega, alegando que quando o condecorou e empregou seus familiares ele era “policial exemplar”. Não se comprometeu com o ajuste fiscal. Negou a mudança climática e mostrou ignorância sobre o tema. Mentiu em vários momentos, mas a mais curiosa das mentiras foi a de acusar o Baptista Jr, brigadeiro que Bolsonaro nomeou, de ter declarado voto em Lula”.
Vera Magalhães: “Flávio soou altamente ensaiado e mentiu sobre temas importantes, como o pedido de dinheiro a Daniel Vorcaro e a participação dele e do irmão Eduardo na obtenção de sanções contra o Brasil pelos Estados Unidos. Treinado, voltou atrás em ataques contra as urnas eletrônicas e negacionismo climático. Procurou se apresentar moderado e sereno, mas parecia os personagens de IA que adora usar em suas redes”.
Bela Megale: “Flávio respondeu com calma e equilíbrio às perguntas, mas não explicou temas importantes, como o dinheiro que pediu a Vorcaro e os gastos do filme sobre o pai. Na economia, não disse de quanto vai ser o ajuste fiscal e nem se vai indexar a aposentadoria ao salário mínimo. No meio ambiente, mostrou ser negacionista como Jair Bolsonaro”.
Fábio Graner: “Flávio Bolsonaro fez um jogo tático, não explicou o que tinha para explicar, como a relação com Daniel Vorcaro, e por isso não conseguiu virar a pauta da entrevista e nem mostrar postura propositiva. Quando chegou no tema em que teria condições de mostrar algum caminho para seu ajuste fiscal, não conseguiu indicar um rumo claro. Com certa soberba, aposta em ser anti-PT para derrubar a taxa de juros e resolver o problema fiscal. Pressionado na maior parte do tempo, não se abalou, como seus adversários esperavam, e vendeu um ar de confiança, mas seguirá com nuvens pairando sobre sua cabeça”.
Merval Pereira: “Do ponto de vista do marketing, Flávio foi bem. Do ponto de vista do conteúdo, mentiu muito”.
Pablo Ortellado: “Assim como Lula, Flávio Bolsonaro teve um desempenho razoável, respondendo como pode as grandes dúvidas que recaem sobre ele. As respostas sobre suas ligações com a milícia e com Vorcaro foram pouco convincentes — mas talvez seja o melhor que ele consegue fazer. Quando perguntado sobre políticas públicas, no segundo bloco, foi mais fraco do que Lula. Seu entendimento de que as mudanças climáticas são cíclicas e não causadas pela ação humana indicam descompromisso com a redução de CO². A avaliação do processo golpista de 2022-2023 e sua promessa de anistiar os condenados pelos atos antidemocráticos deixam sérias dúvidas sobre seu compromisso com a democracia. Porém, foi alvissareira sua declaração de respeito às urnas e ao resultado eleitoral”.
Renato Meirelles: “Ele estava bem preparado, não escorregou e apresentou com competência a melhor versão das posições que defende. O problema é que entrevista também é aquilo que fica na cabeça de quem assiste. Para o eleitor indeciso, foram 40 minutos de jornalistas relembrando acusações, controvérsias e relações incômodas do seu passado”.
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Por Ancelmo Gois
Do jornal O Globo
Faltam apenas 35 dias para as eleições gerais de 2026. O cientista político Jairo Nicolau, nosso maior estudioso de duas décadas de eleições presidenciais no Brasil (2002-2022), desconfia que esta é, até agora, a com maior número de pessoas desinteressadas pelo pleito.
Para ele, das duas, uma: ou o interesse aumenta repentinamente em setembro, com o começo, ontem, do horário eleitoral, ou podemos assistir a um aumento considerável de votos brancos e nulos e de abstenção. “Acho”, diz ele, “que existe um certo enfado, um certo cansaço. Não dá para ficar polarizado na vida e nas redes por tantos anos”. Faz sentido.
O Supremo Tribunal Federal (STF) retoma em 2 de setembro o julgamento que pode definir se empresas e holdings imobiliárias precisam pagar o Imposto sobre a Transmissão de Bens Imóveis (ITBI) ao receber imóveis para formar seu capital social. A análise havia chegado a quatro votos a favor dos contribuintes e um contra, mas o placar foi desconsiderado após um pedido de destaque e o julgamento será reiniciado.
Na prática, a discussão envolve situações em que uma pessoa transfere um imóvel para uma empresa e, em troca, recebe participação na sociedade. A Constituição prevê que essa operação não seja tributada pelo ITBI, mas há dúvida se a regra também vale quando a empresa tem como principal atividade a compra, venda ou aluguel de imóveis. Com informações do Congresso em Foco.
Leia maisO caso é analisado no Recurso Extraordinário (RE) 1.495.108, classificado pelo STF como Tema 1.348, uma identificação usada pela Corte para questões que se repetem em diferentes processos e que terão uma decisão de referência para casos semelhantes. O processo envolve uma empresa que contestou a cobrança do imposto pelo município de Piracicaba (SP).
O relator, ministro Edson Fachin, votou a favor dos contribuintes, entendendo que a imunidade deve valer mesmo quando a empresa tem atividade predominantemente imobiliária. Alexandre de Moraes, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin acompanharam o relator. Gilmar Mendes divergiu.
Em março, o ministro Flávio Dino pediu destaque para que o caso fosse analisado presencialmente pelo plenário. Com isso, os votos registrados no julgamento virtual foram desconsiderados e a discussão terá de começar novamente.
O resultado anterior foi apontado pelo Congresso em Foco, em artigo publicado em junho, como um sinal de possível solução para uma controvérsia que há anos envolve contribuintes e municípios.
A decisão interessa especialmente às holdings patrimoniais, empresas usadas para organizar e administrar bens, inclusive imóveis. Se o STF reconhecer a imunidade, imóveis transferidos para essas empresas para formar o capital social poderão ficar livres do ITBI mesmo quando a principal atividade da empresa for imobiliária.
A discussão é diferente de outra decisão do STF, tomada no chamado Tema 796. Nesse caso, a Corte decidiu que a isenção não vale para o valor do imóvel que ficar acima do que foi efetivamente colocado no capital da empresa. Por exemplo: se um imóvel vale R$ 1 milhão, mas apenas R$ 700 mil são usados para formar o capital social, os R$ 300 mil restantes podem ser tributados pelo ITBI.
Como o caso tem repercussão geral, a decisão que o STF tomar deverá orientar outros tribunais em processos semelhantes. Até o reinício do julgamento, porém, não há uma definição final sobre a cobrança do imposto.
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A governadora Raquel Lyra (PSD) segue dando demonstrações cada vez mais explícitas de sua proximidade com o bolsonarismo. Neste sábado (29), durante caminhada na comunidade do Bode, no Recife, ela aparece dançando uma releitura do principal jingle usado por Jair Bolsonaro (PL) na campanha de 2022, associando-se diretamente ao ex-presidente.
“Agora é Raquel e Mendonça”, diz o refrão, usando a mesma sonoridade de “22 é Bolsonaro”, que virou uma espécie de hino de guerra de eleitores de direita em passeatas e outros atos políticos durante e após as eleições de quatro anos atrás. No jingle atualizado, Raquel associa sua imagem à de Mendonça Filho (PL), candidato a senador do bolsonarismo no estado.
O momento foi flagrado em transmissão ao vivo nas próprias redes sociais da governadora. Percebendo que a cena poderia ser usada para alertar eleitores de esquerda que acreditam em uma suposta proximidade dela com o presidente Lula (PT), a equipe de comunicação do PSD pausou a live e só a retomou quando um jingle de Raquel já era tocado no carro de som.
Ao mesmo tempo em que tenta confundir o eleitorado com agradecimentos a Lula por ações institucionais sem declarar voto nele, Raquel vem fazendo diversos acenos ao bolsonarismo. No início do mês, ela participou de um culto na igreja controlada pela família da deputada Clarissa Tércio (PP), que chegou a ser cotada como candidata a vice de Jair Bolsonaro (PL).
Por Vera Magalhães
Do Jornal O Globo
Flávio Bolsonaro adotou um script de bom moço para se apresentar na TV Globo. Soando completamente ensaiado num minucioso media training, começou se solidarizando com a entrevistadora Renata Vasconcellos pelo que chamou de “grosseria” do presidente Lula na véspera.
Retratou-se sobre as dúvidas que levantou sobre as urnas eletrônicas, repreendeu o irmão Eduardo por ter comemorado o primeiro tarifaço de Donald Trump contra o Brasil e se esquivou de explicar o destino dos milhões que pediu, cobrou e obteve de Daniel Vorcaro, banqueiro que perpetrou a fraude do Master, sobretudo a parcela paga nos EUA.
Leia maisNo lugar de explicar a relação com Vorcaro, tentou inverter a situação e tecer ilações sobre uma reunião em que Lula, acompanhado do hoje presidente do BC Gabriel Galípolo, recebeu Vorcaro fora da agenda. Segundo ele, nesse encontro que chamou de clandestino, Lula teria prometido que, quando Galípolo assumisse o BC, as investigações sobre o Master cessariam — o que não aconteceu; pelo contrário, foi na gestão atual que o banco foi liquidado.
Ele começou a ser tirado do roteiro que traçou e ensaiou ao longo de dias quando questionado pelo fato de ter condecorado Adriano da Nóbrega, um matador condenado, e ter empregado sua mãe, Raimunda Magalhães, em seu gabinete.
Chegou a dizer que, quando concedeu a medalha ao miliciano, ele era um “policial exemplar”, que sua prisão anterior era “perseguição” a um “inocente” e se mostrou extremamente desconfortável.
Flávio também foi orientado a não insistir em fatos negativos para ele, como as dúvidas que levantou recentemente a respeito da confiabilidade das urnas eletrônicas. Disse que errou e se esquivou de explicar o que havia dito. Não custa lembrar que o sistemático ataque às urnas e ao processo eleitoral foram uma das tônicas do governo de seu pai, e a causa de sua condenação na Justiça Eleitoral, que levou à sua inelegibilidade.
Ele também procurou reescrever a atuação da família Bolsonaro junto ao governo dos Estados Unidos para obter sanções contra o Brasil. Confrontado com ações e declarações suas e do irmão Eduardo a favor das medidas como o tarifaço, falseou sua parcela e fez uma estudada reprimenda ao irmão que deixou o mandato e se mandou para os EUA para obter essas sanções.
Foi um candidato que estudou todas as ações, inclusive acenos às mulheres e à imprensa, e emulou o pai até na gracinha de escrever uma “cola” na mão para levar os espectadores a pesquisarem no Google.
Na forma, soou palatável e menos inseguro que em momentos menos roteirizados, mas no conteúdo ainda se mostra cru e pouco crível.
Na economia, evitou falar em cortes de gastos de programas sociais e mudanças na política de ganho real do salário mínimo, medidas defendidas por seus coordenadores de campanha em conversas com o mercado financeiro, e uma das principais razões de apoio ao candidato do PL nesse segmento, diga-se.
Também procurou exibir uma roupagem mais moderada em relação ao meio ambiente, admitindo a ocorrência de eventos climáticos extremos e deixando de lado a bobagem sobre “resfriamento global”, que já proferiu.
O cerne das propostas que apresentou foi justamente a razão de sua escolha, pelo pai, como candidato: prometeu indulto e anistia aos condenados pelo 8 de Janeiro e pela trama golpista, entre eles o ex-presidente.
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O candidato ao Governo de Pernambuco e líder da Frente Popular, João Campos (PSB), participou, ontem (28), de uma caminhada pelas ruas da Vila Santa Luzia, na Torre, no Recife. Ao lado do prefeito do Recife, Victor Marques (PCdoB), do candidato a vice-governador, Carlos Costa (Republicanos), e de lideranças políticas, João conversou com moradores durante o percurso.
Em seu discurso, o candidato afirmou que não pretende transformar a disputa eleitoral em uma guerra de ataques. “A gente não vai perder tempo perseguindo adversário. Não vai perder tempo com gabinete do ódio, com dinheiro público, porque isso é crime. Enquanto eles gastam tempo tentando manchar a imagem de pessoas sérias, a gente gastou o nosso tempo fazendo vaga de creche, fazendo hospital, fazendo rua e obra de encosta”, afirmou.
Leia maisJoão também afirmou ter dado prioridade às áreas periféricas durante sua gestão. “Eu tive a coragem de colocar 80% do dinheiro da Prefeitura na periferia da cidade. Quando eu tenho a oportunidade de governar e de fazer, eu coloco em primeiro lugar o povo. É desse jeito que vai ser em Pernambuco”, disse.
Para o prefeito do Recife, Victor Marques, a candidatura de João representa a continuidade da gestão municipal em âmbito estadual. “Se João fez muito em Recife, Pernambuco saberá o que é ele no governo trabalhando pelas pessoas”, afirmou.
Na sequência da agenda, João participou da inauguração do comitê do candidato a deputado federal Charlles de Tiringa, em Casa Amarela, no Recife. O ato reuniu apoiadores e lideranças políticas. Durante o evento, João afirmou que, à frente do Governo de Pernambuco, não pretende usar dificuldades políticas ou administrativas como justificativa para deixar de realizar ações necessárias à população.
“Vocês não vão me ver um dia botando dificuldade como governador do Estado, dizendo que eu não fiz porque está difícil, que eu não fiz porque a política não ajudou ou porque a situação não era fácil. Difícil, sabe o que é difícil? Difícil é a vida do povo que precisa lutar para sobreviver”, afirmou. “A vida de quem tem que governar não tem que ser nem fácil, nem difícil. Tem que ser uma vida com coragem e com força para resolver o que fazer. E é assim que a gente vai fazer”, concluiu.
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Por Marcelo Tognozzi
Colunista do Poder360
Em 1989, o deputado Ulysses Guimarães disputou a Presidência da República depois de ter sido maestro da redemocratização, presidindo seu partido, o PMDB, a Câmara dos Deputados e a Assembleia Nacional Constituinte. Ele vinha da resistência à ditadura, da campanha pela anistia e pela “Diretas Já”. Mas naquela eleição, o velho timoneiro acabou com 4,43% dos votos, amargando um 5º lugar no 1º turno.
Tinha 73 anos, menos que os atuais 80 anos de Lula ou os 76 anos de Ronaldo Caiado. Era muito conhecido Brasil afora, mas a sociedade queria mudança de rumo radical, algo novo. Foi assim que Fernando Collor, então governador de Alagoas, começou a se tornar o queridinho daquele momento histórico: a 1ª eleição desde 1960.
Leia maisCollor foi um deputado do baixo clero, um playboy de Brasília, rico e dono de jornal e emissora de TV em Alagoas. Antes de chegar à Câmara, foi prefeito de Maceió. Em 1986, se elegeu governador, investiu numa campanha nacional e logo ficou conhecido como o Caçador de Marajás batendo nos supersalários de funcionários públicos. Com 40 anos, foi eleito presidente da República. O resto da história conhecemos bem.
Collor mostrou ser possível sair de um Estado pequeno para o Palácio do Planalto investindo em comunicação, se fazendo conhecido na mídia e caindo na boca do povo. Esta eleição de 2026 polarizada entre Lula e Flávio Bolsonaro poderia ter sido diferente se Ronaldo Caiado e Romeu Zema tivessem saído da toca já em 2023, investindo pesado em comunicação e viagens Brasil afora.
Ambos tinham sido reeleitos no 1º turno e estavam super-bem na foto. O eleitor deu a eles régua e compasso e muito o que mostrar. Tanto Caiado quanto Zema já haviam decidido concorrer a presidente depois de reeleitos. Só não tratavam disso publicamente para não queimar o filme. Poderiam ter usado aqueles três anos para percorrer sistematicamente o Brasil, construir relações políticas e empresariais, aproximarem-se de lideranças regionais e, principalmente, apresentarem seus modelos de governo a eleitores que pouco sabiam sobre Goiás ou Minas Gerais. Mas preferiram não apostar numa estratégia viável mirando o eleitorado nacional.
Deveriam ter rodado o Brasil como fez Bolsonaro a partir de 2015, trabalhando o interior, onde estão concentrados 75% dos votos, contra 25% nas capitais, de acordo com o TSE. Ficaram em casa, perderam o timing e estão pagando caro por isso, encalhados em 5%, 4% ou qualquer coisa abaixo de 10%, conforme as pesquisas. Se engana quem imagina que eleição se vence com rede social. O efeito de uma agenda presencial é enorme, porque o eleitor passa a ver o candidato como ele é, pode apertar sua mão, notar quem está ao seu lado e ouvir sua voz. É o político real.
Zema fez algumas poucas viagens para além das alterosas, todas insuficientes para torná-lo conhecido e desejado como candidato para os milhões de brasileiros que vivem fora de Minas. No caso de Caiado, reportagem de janeiro de 2025 do Jornal Opção, de Goiás, informou que o então governador preparava uma agenda de viagens pelo país. Ou seja: a menos de dois anos da eleição, a imprensa goiana mostrava que a agenda nacional ainda não tinha saído do papel para um candidato com o diferencial da capilaridade do agro.
Aí a conta começou a chegar e a incomodar. Em novembro de 2025, levantamento da Quaest indicava que 49% dos brasileiros não conheciam Romeu Zema, que na mesma pesquisa registrava só 6% das intenções de voto. Caiado enfrentava problema semelhante: era desconhecido por 51% e tinha 5% das preferências. Meses depois, piorou. O Datafolha de abril de 2026 mostrava 56% dizendo não conhecer Zema e 54% desconheciam Caiado. Estavam estacionados na casa dos 5% a 7% das intenções de voto. E lá ficaram.
Ou seja: em 2025, a menos de 1 ano da eleição, continuavam sendo políticos regionais. Caiado e Zema precisavam, portanto, realizar duas operações simultâneas: ter identidade própria e candidatura conhecida nos quatro cantos do Brasil. Não bastava dizer que Goiás tinha melhorado ou que Minas colocara salários em dia. Era necessário explicar ao Brasil que pretendiam governar e conquistar o maior número possível de corações e mentes.
O problema é que nenhum deles deu solução para isso. Caiado ensaiou um discurso de gestão técnica e segurança pública, flertando com uma direita pragmática, mas sem romper claramente com o bolsonarismo. Zema, por sua vez, tentou se posicionar como alternativa liberal e modernizadora, mas oscilou entre críticas veladas ao ex-presidente e gestos de aproximação ao seu eleitorado.
A falta de uma boa estratégia custou caro, porque não conquistaram e muito menos ocuparam territórios políticos além das suas fronteiras. Viajar pelo Brasil não assegura votos, mas ajuda muito a construir empatia e familiaridade. O candidato passa a fazer parte da vida das pessoas, mesmo aquelas que poderiam não votar nele.
Os mais velhos lembram das famosas caravanas de Lula pelo Brasil nas eleições de 1994, 1998 e 2002. Ele chegou a cruzar o rio São Francisco de barco, perambulou pelo sertão, foi à Amazônia, ao Vale do Jequitinhonha, debateu com as comunidades do Rio, com os gaúchos, rodou tudo o que poderia rodar. Quando ganhou em 2002, sem rede social, sem caneta e diário oficial, era personagem do imaginário popular.
Boas intenções e trajetória de vida limpa não ganham eleição. Doutor Ulysses é o maior exemplo, como já vimos. O Brasil tem calendário eleitoral curto. Portanto, quem não começa a trabalhar cedo acaba comendo poeira. Especialmente num pleito em que os dois principais concorrentes são um presidente sentado na cadeira e o herdeiro político de um ex-presidente vitimizado pela prisão, pelo isolamento e pela saúde precária.
Faltando 36 dias para a eleição, Zema e Caiado continuam mais desconhecidos que conhecidos. Perderam a oportunidade. Deixaram Kairós passar, como diziam os gregos. Era o deus da oportunidade. Tinha longos cabelos escorrendo pela testa e uma reluzente careca atrás da cabeça. Caiado e Zema não agarraram Kairós pelos cabelos e ele se foi.
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Ex-presidente nacional do PSB por 11 anos e atual dirigente da fundação de formação política do partido, Carlos Siqueira dedicou os últimos anos a uma pesquisa sobre o novo perfil do eleitorado brasileiro. O trabalho resultou no livro “O novo perfil eleitoral do Brasil – como vota o brasileiro”, lançado pela Fundação João Mangabeira. Em entrevista ao podcast Direto de Brasília, Siqueira falou sobre a importância da esquerda se atualizar sobre as mudanças da sociedade. “Hoje temos um governo de manutenção da ordem e do status quo. Precisamos ter um governo de transformações que elevem o país a patamar político, econômico e social muito maior do que estamos a viver”, afirmou o ex-dirigente.
Seu livro procura desvendar muitos questionamentos sobre o atual pensamento do eleitorado brasileiro. O que pode falar a respeito?
Nós da Fundação João Mangabeira e do PSB tivemos a preocupação de saber as razões da mudança do perfil do eleitorado brasileiro. Fizemos pesquisas quantitativas e qualitativas em todo o país, com um foco especial no eleitorado evangélico, nas juventudes e em mulheres chefes de família. Isso resultou em uma pesquisa ampla, um estudo das razões pelas quais chegamos nessas mudanças. O eleitorado brasileiro está muito dividido, bem ao meio. Tanto que você tem hoje uma eleição presidencial na qual ninguém pode apostar no resultado. Só depois da apuração. Dois polos foram criados. Antes era PT e PSDB, agora são PT e PL.
Leia maisMas é uma polarização que faz com que, mesmo diante de tantos escândalos, ambos permaneçam praticamente intactos em suas intenções de voto…
Incrivelmente é isso, mas reflete esta divisão. Se observar, não havia uma polarização tão ideológica no passado. Porque as diferenças entre PT e PSDB não são tão grandes quanto eles gostariam que fossem (risos), mas as diferenças entre PT e PL são muito grandes. Portanto, essa polarização persiste. Tanto que você tem outros candidatos, mais moderados, mais ao centro, e mesmo assim persiste a polarização em torno do bolsonarismo e do petismo.
O que aconteceu com a esquerda brasileira? Houve uma perda de espaço? É definitivo?
Que há uma diminuição de espaço, nós estamos conscientes. Tanto que precisamos nos aliar às forças ao centro, e às vezes até com a centro-direita. A esquerda nunca foi majoritária no Brasil, mas há espaço para as forças políticas de esquerda. Mas na América do Sul, por exemplo, estamos cercados. Existe apenas Brasil e Uruguai, o restante é todo de direita e alguns até de extrema-direita.
Isso se encaixa com esse novo perfil do eleitor brasileiro?
Sim, há vários fatores pelos quais a direita e a extrema direita ganharam espaço no Brasil, mais a partir de 2018 com a candidatura de Jair Bolsonaro (PL). Ele politizou e ideologizou a política brasileira muito claramente, porque ele colocou valores extremamente conservadores, que estavam adormecidos em uma parcela da população, que encontrou eco naquele discurso conservador. Mas acredito muito que a esquerda brasileira tem muita possibilidade de continuar no poder. Depende da reeleição do presidente Lula (PT). Mas a esquerda precisa se autorrenovar, porque o mundo mudou, as forças do trabalho mudaram em todo o sistema capitalista e precisamos nos atualizar.
Que tipo de mudança? O discurso do presidente Lula tem que mudar?
De todos nós. Não podemos ser apenas a força da defesa do status quo. A esquerda sempre foi a força de transformação. Hoje quem está propondo transformações é a extrema direita. O Brasil é um país de desigualdades sociais imensas. A esquerda tem papel extraordinário, mas precisa repensar vários de seus dogmas, não pode continuar sendo a esquerda dos anos 60 e 70. Estamos encerrando ciclo com o presidente Lula, que já deu sua colaboração, mas também é preciso que surjam novas lideranças. O capitalismo se renova permanentemente, e a esquerda precisa se renovar. Mas precisamos realçar que as grandes conquistas no Brasil vieram do lado da esquerda. Mas hoje você não tem um governo de transformações.
O que temos então?
Temos um governo de manutenção da ordem e do status quo. E precisamos repensar, precisamos ter governo de transformações que elevem o país a patamar político, econômico e social muito maior do que estamos a viver.
Antes se dizia que fazer um bom governo já ganhava a eleição. Ainda é assim?
Ótima provocação. É fundamental, mas você pode fazer bom governo e pode perder a eleição. Se imaginar o que foi o governo Bolsonaro em matéria administrativa e comparar outros, claro que muitos podem pensar diferente, mas é diferença muito grande. Mas o que importa sobretudo hoje é a política ideológica e de valores. Essa é a grande mudança que existe hoje no brasil. As denúncias de corrupção, os problemas com determinado candidato, não refletem eleitoralmente. Porque as pessoas estão muito ligadas nos valores morais, nos valores éticos e em valores conservadores, que ganharam um espaço muito grande na sociedade brasileira.
O campo progressista brasileiro já aprendeu a operar nas redes sociais como a direita?
Essa é uma das mudanças sobre as quais esquerda ainda não está inteiramente atualizada. A extrema direita saiu na frente em matéria de comunicação digital, e infelizmente continua a frente nessa matéria. Precisamos nos atualizar nesse aspecto, que pode ser utilizado de forma muito positiva. Precisamos nos preparar de maneira adequada. Isso também reflete o que está na nossa pesquisa. Hoje a grande massa da população se informa e é muito influenciada pelas mídias digitais. Então isso é fundamental e indispensável, precisamos estar no mesmo patamar daqueles que já chegaram num nível de eficiência de divulgar suas ideias.
O Nordeste tem vivido uma transformação social e de pensamento, saindo daquele ciclo de assistencialismo e voltando-se mais para o empreendedorismo. Como isso impacta nas eleições, já que foi essa região que levou o presidente Lula à vitória em 2022?
O Nordeste é uma região de muitas potencialidades, e obviamente tem um perfil eleitoral mais à esquerda, o que é natural porque as desigualdades sociais são mais profundas. Ou seja, há espaço para a esquerda crescer. Mas o desejo da população é de um desenvolvimento econômico que se reflita sobre a vida social de todos. Não é viver apenas de programas sociais. Esse é o pior dos mundos. O que precisamos é de desenvolvimento estrutural, melhorar a industrialização. O Nordeste tem vantagem porque pode atrair industrias modernas, tem crescido nas energias renováveis e pode ir muito além, mudar a situação econômica e social da região. É um desejo do eleitor brasileiro, de progresso, não apenas de viver de ajuda do estado. O verdadeiro desenvolvimento dispensa a ajuda do estado, e sim é aquele que dá educação de qualidade, que coloca o filho do pobre no mesmo patamar de disputa do filho do rico. É lamentável que ainda precisamos de ajuda do estado.
Mas existe o dilema do Bolsa Família, que sempre gera um tensionamento quando se fala em mexer nele…
Temos que encontrar uma saída do Bolsa Família, e não aumentar. Isso só se faz com crescimento econômico, industrialização, ensino de qualidade e educação profissionalizante. Infelizmente ainda há uma grande parcela da população, por conta das diferenças sociais abissais que existem no país, e que precisam ser enfrentadas. E só se enfrenta isso com mudanças estruturais. Ainda que admitamos que precisem ser feitas em caráter emergencial.
As pesquisas também mostram que o eleitor não sabe seus candidatos proporcionais. Em quanto essa falta consciência política prejudica o país?
Educação política é fundamental. Isso é muito em função do sistema presidencialista, que põe na pessoa e não nas instituições a solução dos problemas. A América Latina é muito famosa por isso, por seus caudilhos, e você é refém. No dia em que tivermos um sistema parlamentar em se você saiba que isso mudará sua vida, o eleitor terá mais cuidado em conhecer o parlamentar em que vai votar. Mas não é só isso, também precisa ter educação, que deve vir desde a escola, sobre como escolher bem os representantes. Nossa pesquisa tem um dado aterrador. Cerca de 73,9% da população diz que o Congresso Nacional representa mal o povo. Quando é sobre o Supremo Tribunal Federal (STF), quase metade reprova. Há uma disfunção. Vivemos um sistema político eleitoral e institucional em crise.
O que mudaria se vivêssemos em um parlamentarismo?
Em primeiro lugar, existiria um número menor de partidos, e o eleitor identificaria com maior facilidade quem representa seu pensamento. Em segundo lugar, ele também saberia que existe um salvador da pátria. Nossa pesquisa constata que o eleitor acha que precisa de um governante forte, de um salvador da pátria, o que não existe. O que salva são as instituições funcionando regularmente, com o eleitor votando conscientemente, que pode resultar em um Parlamento e um governo que melhorem a democracia. O que está em xeque no mundo é a democracia. Não é uma questão brasileira. Na Europa ressurgiram partidos de extrema direita, quem diria há 15 anos que isso poderia acontecer? É uma mudança que percorre o mundo e questiona as democracias. É preciso aperfeiçoar a democracia sob o risco de perdê-la.
No Brasil, PT e PSB estão unidos na campanha presidencial, com a retomada da chapa Lula e Geraldo Alckmin (PSB), e em diversos estados, exceto no Distrito Federal. Por que não foi possível unir justo no coração do poder?
Você tem razão, eu lamento profundamente, foi uma falha das direções regionais dos dois partidos, que não encontraras uma solução que desse um candidato que fosse mais capaz de ampliar e ganhar a eleição, justamente em quadro adverso para o atual Governo do Distrito Federal. O ex-governador (Ibaneis Rocha, do MDB) foi envolvido no caso do BRB e do Banco Master, então era uma oportunidade que serie abriu para a esquerda retornar. Acho que falharam as direções regionais e a coordenação política do presidente Lula, que poderia ter interferido. É profundamente lamentável estarmos divididos, e lá na frente pode ter um resultado negativo. Mas o leite está derramado, temos que administrar o que vai acontecer. Mesmo assim tenho esperança que a esquerda possa chegar no segundo turno e até ganhar eleição no Distrito Federal.
Como o PSB, que o senhor presidiu por 11 anos, se coloca hoje, entre a tradição e o mundo moderno? É um partido mais doutrinário ou pragmático?
Não existe partido que não seja ideológico. Quem diz que não o é, é na verdade o mais ideológico (risos). O PSB é um partido ideológico, que nasceu em 1947 discordando da esquerda tradicional e única da época, que era o PCB, que defendia a ditadura de proletariado e não defendia a liberdade de imprensa e religiosa. O PSB nasceu discordando desses ideais, e isso se reproduziu em sua refundação, em 1985, e reafirmado na autorreforma que promovemos entre 2019 a 2022, quando foi feito um novo programa, que mantem as ideias originais do socialismo democrático. Que é o estado de bem estar social, onde pessoas vivem num mundo em que não existe miséria, existe educação qualidade, desenvolvimento econômico e tecnológico. É o mesmo socialismo que hoje governa e que transformou a Espanha economicamente, o mesmo que governou Portugal por mais de 30 anos depois da queda do salazarismo. Que defende religião, liberdade de imprensa. Não temos porquê rever esses conceitos, mas eles se unem ao resultado. Todos os partidos têm que apresentar resultado. Temos resultados em estados que governamos até pouco tempo, como Pernambuco, Paraíba, Espírito Santo, que tiveram governos aprovados. Resultados e posição ideológica se casam, não tem que estar diferente.
Qual é a sua percepção sobre o cenário brasileiro? Tem como diminuir a polarização?
Essas tensões criadas são de natureza política e ideológica, e estão acontecendo no Brasil e no mundo. Demorará ainda algum tempo para que sejam superadas. Mas penso que se o presidente Lula for reeleito, e esperamos que seja, nós possamos promover uma mudança de natureza mais estrutural. O Brasil precisa industrializar os produtos que exporta em grãos e minerais, refinar seu petróleo, industrializar todos os produtos desse grande movimento que é a agricultura brasileira, uma das maiores do mundo e que não traz ainda todos os seus resultados. Também precisamos avançar na modernização da indústria nacional, hoje ainda pouco competitiva frente ao desenvolvimento tecnológico mundial. Ao mesmo tempo, precisamos nos preocupar em elevar o nível da educação brasileira, que é inferior a todos os países da América Latina. Se não elevarmos, não sairemos desse atraso. Estamos num país atrasado desse ponto de vista, precisamos pensar estrategicamente. Não sobre como vai ser avaliado pelas pesquisas, mas como vai ser avaliado para a história. Já disse, a esquerda precisa passar por um processo de renovação, de estudo mais profundo sobre o eleitorado brasileiro, as aspirações, a realidade, e compreender melhor um setor que é o evangélico, que estudamos nessa pesquisa. É um setor que precisa ser compreendido, nas apenas durante as eleições, mas entendendo o papel social que desenvolvem hoje as igrejas evangélicas ou protestantes, inclusive pela ausência do estado. Tudo precisa ser estudado com muita profundidade. É uma das mudanças que a esquerda deve se aprofundar, até porque é um eleitor que vem das classes CDE, que é mais o público alvo das políticas de esquerda.
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A propaganda eleitoral obrigatória, conhecida em Pernambuco como guia eleitoral, começou nesta sexta-feira (28). Na TV, o primeiro dia dos programas dos candidatos ao governo estadual teve o ex-vereador do Recife Ivan Moraes (PSOL) relembrando sua trajetória política; o ex-prefeito do Recife João Campos (PSB) pilotando uma Kombi em várias regiões do estado; e um relato emocionado da governadora Raquel Lyra (PSD), candidata à reeleição.
Apenas esses três candidatos ao governo têm direito a ter propaganda eleitoral no rádio e na TV nas eleições de 2026, já que os demais partidos não atingiram a cláusula de barreira, como determina a Justiça Eleitoral. Além deles, também são candidatos ao governo Guilherme Fonseca (PSTU), Professor Jeremias do Banco (Democrata), Professora Camila (UP), Renan Hallais (Missão) e Victor Assis (PCO). As informações são do portal g1.
Leia maisIvan Moraes (PSOL)
Primeiro candidato a entrar no ar no bloco dedicado aos postulantes ao governo de Pernambuco, Ivan Moraes tem o menor tempo de tela, com 35 segundos por bloco. “Eu dedico a minha vida ao bem-viver”, disse, ao abrir o programa eleitoral.
O candidato apareceu caminhando em diferentes situações enquanto apresentou sua trajetória política. Ex-vereador do Recife por dois mandatos (2017-2025), Ivan Moraes afirmou que participa há mais de 20 anos de grupos que lutam por direitos sociais. Jornalista, ele também já trabalhou como balconista de farmácia e em agência dos Correios e disse que se tornou vereador após ficar “indignado com a política” e que “fez história na cidade”.
Ivan Moraes finalizou seu primeiro programa na TV falando que não tem parentesco com políticos, em uma referência indireta à governadora Raquel Lyra e a João Campos, ambos filhos de ex-governadores de Pernambuco. “Não tenho parente na política e não estou aqui à toa. Agora eu quero governar Pernambuco porque a gente merece muito mais”, afirmou Ivan Moraes. Assim como Campos, Moraes também busca canalizar o voto do eleitorado de esquerda ao alinhar sua candidatura ao plano nacional de Lula.
João Campos (PSB)
Seguindo a ordem de exibição do guia eleitoral de ontem, o ex-prefeito do Recife João Campos tem o maior tempo de propaganda no rádio e na TV. Ao todo, o candidato tem 4 minutos e 21 segundos por bloco.
Na estreia, o candidato mostrou imagens de pernambucanos de várias regiões do estado, além do pai, o ex-governador Eduardo Campos, e do bisavô, o também ex-governador Miguel Arraes. Um narrador destacou que pernambucano “não sabe ser mais ou menos” e lembrou a Revolução de 1817, quando o estado declarou-se uma república independente do Brasil, ainda durante a colonização portuguesa.
O candidato apareceu pilotando uma Kombi com as cores da bandeira do estado e prometeu “entregar as creches que ficaram faltando” em alusão a uma promessa de campanha da governadora Raquel Lyra em 2022.
João Campos exibiu um vídeo com pedido de voto do presidente Lula (PT), também candidato à reeleição, e prometeu a construção de quatro novos hospitais, destacando um hospital no Recife com 900 leitos. “A gente vai mostrar como é que se cuida, porque no nosso governo vai ter cuidado e trabalho”, afirmou.
Raquel Lyra (PSD)
Última dos três candidatos ao governo a exibir seu programa eleitoral, a governadora e candidata a reeleição apostou em uma abordagem intimista. Com a legenda “Raquel sem cortes”, a candidata aparece vestida de branco e sentada em frente a uma sala de estar. Ao todo, Raquel tem o segundo maior tempo de tela deste ano, com 4 minutos e 3 segundos por bloco.
Com semblante emocionado, Raquel Lyra diz que assumiu o governo de Pernambuco no “momento mais difícil” da vida, em referência à morte de seu marido, Fernando Lucena, que faleceu no dia do 1º turno das eleições de 2022. Raquel Lyra afirmou que visitou várias partes de Pernambuco e que estar no cargo a permitiu “seguir em frente” em meio ao luto.
A candidata disse que “Pernambuco voltou” e destacou geração de empregos, reforma de hospitais, reconstrução de estradas e construção de creches. Ela afirmou que os pernambucanos voltaram a “acreditar em si mesmos”.
No fim do programa, foi exibido um jingle citando “Bora com mainha, coração trabalhador”, com imagens de eleitores e da bandeira de Pernambuco.
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