

Por que o GPS do carro não serve para um caminhão? – Digitar o endereço e seguir a rota mais rápida. Para quem dirige um carro de passeio, essa lógica costuma funcionar. Para quem está ao volante de uma carreta, o caminho indicado pelo celular pode terminar em uma rua onde caminhões não podem circular, em uma restrição de horário ou em um trecho incompatível com o veículo.
A diferença está nas variáveis que precisam entrar no cálculo. Dimensões e peso do conjunto, número de eixos, restrições à circulação de veículos pesados, horários permitidos e possibilidade de manobra podem mudar completamente o trajeto. O próprio Waze informa em sua central de ajuda que não oferece suporte à navegação para caminhões. São Paulo é um exemplo dessa complexidade. A capital mantém áreas e vias com regras específicas para veículos de carga, como a Zona de Máxima Restrição de Circulação (ZMRC), onde há horários em que os caminhões não podem circular, além das exceções previstas na regulamentação.
“Quando você está de carro, errar uma entrada normalmente significa recalcular a rota e perder alguns minutos. Com uma carreta, pode significar chegar a um lugar onde não há espaço para avançar ou fazer uma manobra, além de rodar quilômetros a mais para corrigir o caminho. Para o caminhoneiro, saber se pode passar é tão importante quanto saber como chegar”, afirma Leonardo Busin, sócio do Parada Top.
Leia maisAcertar a rota – Mesmo quando o caminho está definido, outras decisões continuam pela frente. Quem passa dias na estrada precisa saber onde abastecer, estacionar, cumprir o período de descanso e encontrar uma oficina, borracharia, auto elétrica e guincho capaz de atender um veículo pesado. A infraestrutura formal ajuda a mostrar o tamanho desse desafio. Segundo dados do Ministério dos Transportes reunidos pelo Parada Top, o Brasil possui cerca de 190 locais reconhecidos como Pontos de Parada e Descanso, distribuídos por mais de 40 rodovias federais e aproximadamente 145 municípios em 23 estados. Fora desses pontos, há uma extensa rede privada de postos, estacionamentos, restaurantes, oficinas e outros estabelecimentos que fazem parte da rotina dos profissionais. Encontrá-los, especialmente em uma região desconhecida, ainda depende muito da experiência e da troca de informações entre motoristas.
Ferramentas – É justamente nessa outra camada da viagem que começam a ganhar espaço ferramentas voltadas à rotina profissional de quem vive na estrada. Alguns, como o Parada Top, por exemplo, reúne motoristas, transportadoras, postos, paradas e prestadores de serviços em um mesmo ambiente digital, permitindo localizar estabelecimentos e serviços relacionados ao transporte, além de acessar oportunidades de frete e trabalho. “Quem está há muitos anos na estrada constrói seu próprio mapa mental. Sabe onde parar, onde encontra estrutura e a quem recorrer quando surge um problema. A tecnologia pode ajudar a organizar essas informações e fazer com que esse conhecimento não dependa apenas de anos de experiência ou do boca a boca”, diz Leonardo Busin. No fim, um carro e uma carreta podem ter exatamente o mesmo destino. O caminho e as informações necessárias para chegar até ele é que são diferentes.

Uber lança passes para corridas. Mas, compensa? – A variação no preço de uma mesma corrida pode dificultar o planejamento de quem depende de aplicativos de transporte para se deslocar diariamente. Para tentar reduzir essa incerteza, a Uber anunciou duas modalidades que permitem antecipar gastos com trajetos recorrentes: a Preço Fixo, que estabelece um valor para uma rota em determinadas condições, e a Pré-Pago, que permite comprar pacotes de viagens por um preço definido. As novidades procuram atender a um comportamento específico: o de usuários que fazem deslocamentos frequentes e querem ter maior controle sobre quanto gastam com transporte.
A proposta, porém, não é idêntica nos dois modelos. Enquanto o Preço Fixo protege o passageiro de oscilações no valor de uma rota durante um período determinado, o Pré-Pago permite organizar antecipadamente a compra de várias viagens. No Preço Fixo, o usuário paga uma taxa única de R$ 3,99 para estabelecer o valor de um trajeto. É necessário informar os pontos de partida e chegada e selecionar uma janela diária de até uma hora para utilizar o benefício. O preço acordado vale por 30 dias, respeitadas as condições definidas na contratação, ou até que a economia acumulada com o passe alcance R$ 50. Se a tarifa disponível no momento da solicitação for menor que o valor fixado, prevalece o preço mais baixo.
Casa x trabalho – A modalidade pode ser útil para quem percorre regularmente o mesmo caminho, como no deslocamento entre casa e trabalho. A proteção, no entanto, depende do cumprimento das condições estabelecidas: alterações na origem, no destino ou no percurso podem invalidar o preço contratado. O recurso, que já estava em fase de testes em algumas cidades, será ampliado para todo o Brasil. Já o Pré-Pago permite adquirir pacotes de cinco, dez, 15 ou 20 viagens por valores fixos. Diferentemente do Preço Fixo, a modalidade não exige a definição de uma rota ou faixa de horário específica. A Uber também informa que os pacotes podem ser compartilhados entre pais e adolescentes que utilizam o Uber Teens. O serviço está disponível inicialmente em 34 cidades brasileiras, entre elas Belo Horizonte, Curitiba, Recife, Salvador, Campinas e Porto Alegre.
UberX – As duas modalidades aceitam pagamentos digitais, como cartões de crédito e débito, Uber Cash e créditos do Uber One. Por enquanto, são válidas apenas para viagens da categoria UberX. Cada usuário pode manter até dez passes ativos, somando as duas opções. A aposta em maior previsibilidade dialoga com uma questão mais ampla da economia dos aplicativos: o peso que os gastos recorrentes têm no orçamento e a importância de saber antecipadamente quanto uma viagem vai custar. Embora os novos recursos sejam voltados aos passageiros, a previsibilidade também aparece como um desafio para quem trabalha nas plataformas. Um levantamento do GigU em parceria com a Jangada Consultoria de Comunicação, mostra que 44,6% dos entrevistados consideram seus ganhos “razoavelmente previsíveis”. Outros 30,8% dizem que os rendimentos são pouco previsíveis e 12,8% afirmam não ter nenhuma previsibilidade. Apenas 11,8% classificam a renda como muito previsível.
“Mais do que simplesmente cobrar menos ou mais, diferentes formatos de remuneração podem ser avaliados pela capacidade de oferecer ao profissional uma relação mais clara entre tempo trabalhado, número de chamadas e renda. Para quem depende do aplicativo para pagar despesas recorrentes, a previsibilidade pode ter valor quase tão grande quanto o ganho potencial”, diz o CEO do GigU, Luiz Gustavo Neves. Para os usuários, a vantagem das novas modalidades dependerá das condições de contratação e da frequência de uso. Fixar um preço ou comprar viagens antecipadamente pode facilitar o planejamento, mas não significa, por si só, que toda corrida ficará mais barata. A economia efetiva dependerá da comparação entre o valor do passe e o que o passageiro pagaria pelas viagens individualmente.

Assistência a carro elétrico cresce 21,7% – O avanço dos veículos eletrificados no Brasil começa a transformar não apenas o mercado automotivo, mas também os serviços que acompanham essa nova realidade. Dados da Redion, antiga Europ Assistance, mostram que o número de assistências prestadas a carros elétricos cresceu 21,7% na comparação entre os períodos de janeiro a agosto de 2025 e 2026. O movimento acontece em paralelo à expansão acelerada da mobilidade elétrica no país. Em agosto, os veículos eletrificados — que incluem modelos elétricos e híbridos — alcançaram participação recorde de 24,3% nas vendas de veículos leves, com 63.709 unidades emplacadas no mês, mais que o dobro do registrado em agosto de 2025. No acumulado do ano, o segmento já soma cerca de 367,5 mil unidades. A Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) também aponta a aceleração desse mercado. Em julho, os eletrificados já representavam 21,1% de participação nas vendas de veículos leves, com 56.074 unidades registradas no mês. Com uma frota cada vez maior, cresce também a necessidade de uma estrutura de assistência preparada para as particularidades desses veículos. Quando um carro elétrico fica parado no meio do caminho, sem carga e sem condições de chegar a um local seguro, o atendimento precisa considerar os sistemas de alta tensão e as duas baterias do veículo.
Como funciona – Nesse cenário, a assistência 24 horas ganha uma nova dimensão. Em casos de pane, os prestadores podem avaliar a possibilidade de realizar uma carga no local. A bateria de 12V pode receber carga para permitir que o condutor siga até o próximo ponto de recarga; já em problemas na bateria de alta voltagem, a remoção do veículo é necessária. “O crescimento de 21,7% nas assistências a veículos elétricos mostra que a mudança na frota brasileira já está chegando à rotina dos serviços de mobilidade. À medida que mais pessoas passam a utilizar esses veículos, também precisamos garantir que a assistência esteja preparada para as particularidades dessa tecnologia, com profissionais treinados e protocolos adequados de segurança 24 horas por dia”, afirma Rogerio Guandalini, Diretor Executivo Comercial, Marketing e Produtos da Redion.
Para o motorista, a mudança representa uma nova preocupação na hora de contratar serviços de assistência. Além de avaliar disponibilidade e tempo de atendimento, passa a ser relevante entender se a empresa possui estrutura e conhecimento técnico para atender o tipo de veículo utilizado. Quando não é possível prosseguir com a viagem, também pode haver alternativa de locomoção, com voucher Uber ou carro reserva.
“O motorista de um veículo elétrico precisa ter a tranquilidade de saber que, diante de uma eventual pane ou acidente, será atendido por uma estrutura preparada para aquela tecnologia. A assistência especializada passa a acompanhar a própria evolução do mercado automotivo”, completa o executivo. No atendimento a veículos eletrificados, as principais diferenças estão relacionadas aos sistemas de alta voltagem, aos procedimentos de reboque e aos protocolos de segurança. A tendência deve ganhar ainda mais relevância nos próximos meses. Segundo a ABVE, o Brasil já acumulava cerca de 950 mil veículos elétricos e híbridos em circulação desde 2012 até o final de agosto deste ano, e a associação projeta que a marca de 1 milhão seja alcançada ainda em setembro.


Vai viajar de carro elétrico no fim do ano? Saiba como se planejar – Com a chegada das festas de fim ano, quem pretende viajar de carro elétrico precisa incluir um item a mais no planejamento: onde recarregar a bateria durante o trajeto e no destino? A infraestrutura de recarga vem crescendo no Brasil. Já chega a 29.866 pontos públicos e semipúblicos, segundo dados divulgados em outubro de 2026 pela Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE). Para Guilherme Gibertoni, head de Marketing, Produto e Negócios do SóCarrão, o motorista deve planejar a recarga antes mesmo de sair de casa. “No carro elétrico, não basta saber quantos quilômetros o veículo faz com a bateria cheia. É preciso considerar a autonomia real para aquele percurso, identificar onde será possível recarregar e verificar se haverá estrutura também no destino. Esse planejamento evita imprevistos”, explica.
Autonomia: considere uma margem de segurança – A informada pela montadora é uma referência, mas pode variar de acordo com velocidade, temperatura, relevo, uso do ar-condicionado, peso e estilo de condução. Por isso, a recomendação é não planejar o trajeto no limite da bateria e já identificar os pontos de recarga disponíveis no caminho. O motorista pode utilizar ferramentas como o Mapa de Eletropostos para consultar opções ao longo da rota. Também é importante conferir o tipo de carregador e a compatibilidade com o veículo. Carregadores AC costumam demandar mais tempo, enquanto os modelos DC podem oferecer recarga mais rápida, dependendo do carro e do equipamento.
E a hospedagem?
Antes de reservar hotel, pousada ou imóvel de temporada, vale conferir:
- se existe carregador ou estrutura adequada para recarga;
- qual o tipo e a potência do equipamento;
- se o uso é liberado para hóspedes;
- se há cobrança adicional;
- se é necessário reservar o carregador;
- e se o equipamento está funcionando.
“O local onde o carro vai passar a noite pode ser tão importante quanto a hospedagem. Confirmar essa estrutura antes da viagem evita chegar ao destino e descobrir que não será possível recarregar o veículo”, destaca Gibertoni.
Checklist antes de pegar a estrada

Confira a autonomia real do carro

Planeje os pontos de recarga da rota

Tenha uma alternativa caso o carregador esteja ocupado ou indisponível

Verifique a compatibilidade do conector

Confirme a estrutura de recarga da hospedagem

Confira aplicativos e formas de pagamento

Inclua o tempo de recarga no planejamento da viagem

Não deixe a bateria chegar ao limite
“Com planejamento, a viagem de elétrico deixa de ser uma preocupação e passa a fazer parte da rotina da viagem, assim como escolher a rota e o local de hospedagem”, ressalta o especialista.
Renato Ferraz é especializado em jornalismo automobilístico. Além da coluna “De Bigu com a Modernidade”, também assina a “Multieixos”, no Correio Braziliense.
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