Gustavo desponta para presidente da Alepe, mas Podemos não quer contrariar Raquel
Decano da Casa, o deputado Antônio Moraes, que atuou por muito tempo no PP e emplacou o décimo-primeiro mandato pelo PSD, é o candidato preferido da governadora Raquel Lyra (PDS) para presidir a Assembleia Legislativa, sucedendo a Álvaro Porto (MDB), impedido de disputar a reeleição, conforme restrições do regimento interno.
Raquel construiu uma ampla base de apoio partidário para o seu segundo mandato. Seu partido e o PSB saíram das urnas com o maior número de deputados eleitos — nove, cada um. O PP, de Eduardo da Fonte, que tinha a maior bancada, detém agora sete cadeiras, seguido do Podemos, com seis e o PT, que ampliou de quatro para cinco a sua representação.
Leia maisDiferentemente do que ocorreu na legislatura passada, quando já queria Moraes presidente e foi surpreendida pelas articulações, a força e o prestígio de Álvaro na Casa, que acabou eleito, a governadora, aparentemente, não terá dificuldades na eleição de um aliado para o comando do Legislativo Estadual.
Mas, entre os próprios deputados governistas, identifiquei uma discreta resistência ao nome de Moraes. Há quem já fale em lançar o nome de Gustavo Gouveia (Podemos), irmão do deputado federal eleito Marcelo Gouveia, presidente estadual da legenda. Apurei, entretanto, que Marcelo não fará nenhum movimento que venha a criar problemas para Raquel e que seu grupo ficaria satisfeito sendo contemplado com a primeira-secretaria para Gustavo, que já exerceu a função.
Segundo um parlamentar governista, com o apoio dos partidos de oposição — PSB e PT somam 14 votos — e a dissidência de partidos da base, como o PP, o Podemos, que elegeu seis deputados, poderia ir para o confronto do bate-chapa com Moraes e promover uma reviravolta no jogo.
“Mas Marcelo está plenamente afinado com a governadora e se o candidato for Antônio Moraes o partido não criará nenhum impedimento”, disse um parlamentar da base governista muito próximo ao presidente do Podemos.
TENÓRIO LEMBRADO – Nos bastidores da Alepe, outro nome ventilado para disputar a Presidência é o de Joãozinho Tenório, do PSD de Raquel. Segundo um parlamentar da oposição, Tenório não teria restrições de nenhum partido, porque é hábil na articulação, transita bem na Casa e tem a confiança da governadora. Tanto que já foi líder do Governo com excelente desempenho. “Não identifico nenhuma resistência ao nome dele”, disse o mesmo parlamentar oposicionista, ao traduzir o ambiente na Casa sobre a sucessão de Porto.

Podemos quer a primeira-secretaria – Se a governadora não abrir mão da indicação de Antônio Moraes para suceder a Álvaro Porto, o Podemos vai exigir em troca a primeira-secretaria para Gustavo Gouveia, irmão de Marcelo Gouveia. O deputado não conseguiu ser reeleito para a função, há dois anos, graças a uma manobra da oposição, que emplacou Francismar Pontes (PSB), muito querido na Casa. Passa pelo primeiro-secretário o poder de controlar o orçamento e os atos administrativos do Legislativo, com autonomia, mas em perfeita sintonia com o presidente.
Débora secretária, Marconi deputado – Quantos deputados estaduais a governadora vai convocar para o seu novo Secretariado? A deputada Débora Almeida (PSD) está entre os nomes mais especulados para o primeiro escalão, porque, além de ser muito próxima a Raquel, abriria a sua vaga na Alepe para o primeiro-suplente Marconi Santana (PSD), ex-prefeito de Flores, que teve mais de 42 mil votos, mas não se elegeu. Santana seria mais um representante do Sertão na Alepe.
A fagulha – De Raul Rabelo, o marqueteiro de Lula no segundo turno ao explicar numa entrevista ao Globo o que levou o comando do presidente a mudar a estratégia de campanha do primeiro para o segundo turno: “Tivemos um susto (com Flávio à frente de Lula) e isso trouxe uma mobilização com mais força. Foi natural que a gente reagisse com energia. No primeiro programa de TV do segundo turno, trouxemos aquela molecada que estourou de voto, como a Camila Jara (PT-MS), Ana Elisa (PT-MG), Guilherme Cortez (PSOL-SP). Essa juventude começou a levar a campanha à frente. Houve também o movimento dos estudantes. Tudo isso acendeu a fagulha”.

O choro de Triunfo – Triunfo, a cidade mais charmosa e fria do Sertão, parou, literalmente, sábado passado, para chorar na despedida do jovem João Caio, de 26 anos, filho do ex-prefeito João Batista Rodrigues. Ele morreu num acidente de moto a caminho de Serra Talhada, na madrugada do próprio sábado, gerando um ambiente de profunda consternação no Estado, especialmente no Pajeú e fortemente em Triunfo. O prefeito Luciano Bonfim, que sucedeu a João, esteve na casa do amigo desde a hora que soube da fatalidade. “Uma tragédia, sem palavras”, resumiu. Bonfim decretou luto oficial por três dias no município.
CURTAS
BOICOTE – Na quinta-feira passada, uma ala do PT chegou a boicotar uma reunião da Executiva Nacional, instância decisória mais restrita, sob o argumento de que aquele não era o fórum adequado para avaliação da campanha. O presidente Edinho Silva convocou então um encontro do diretório para o dia 13 de novembro.
CRÍTICAS – No PT, a expectativa é que ele ouça críticas à condução da campanha eleitoral, da qual foi coordenador. Dirigentes do partido se queixam de concentração de decisões nas mãos de Edinho. Líderes estaduais cobram mais autonomia para decidir sobre o destino de recursos da legenda.
REBELIÃO – Aliados de Edinho, por sua vez, afirmam que a rebelião não tem relação com a condução da campanha de Lula. Eles atribuem a disputa interna à insatisfação de um grupo de petistas com um processo de esvaziamento de seu poder e uma proposta de intervenção no diretório do PT no Rio de Janeiro.
Perguntar não ofende: Quando Raquel vai dar o start da sucessão na Alepe?
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