Abstenção pode dar vitória a Flávio
No podcast Direto de Brasília da última terça-feira, o cientista político e sociólogo Antônio Lavareda fez um prognóstico em relação aos riscos para o presidente Lula (PT) de uma eventual derrota para Flávio Bolsonaro (PL) na leitura da chamada abstenção, o contingente de eleitores que não votarão.
Pelo seu raciocínio, se Lula e Flávio chegarem amanhã, véspera da eleição, empatados, diante de uma abstenção de 20%, as chances de Flávio se eleger seriam de 55% ante 45% de Lula. Com a campanha tão empatada, um ponto de atenção para o petista é o absenteísmo. E a pesquisa mostra que Flávio Bolsonaro pode ter vantagem na questão da mobilidade. Pela pesquisa do Datafolha de ontem, na qual Flávio tem um ponto de vantagem – 47% a 46% – se a abstenção for alta, Flávio se elege.
Leia maisO candidato do PL tem 48% das intenções entre quem mora perto de seu local de votação, ante 45% do petista. Na parcela que mora longe do local de votação ou em outra cidade, Lula fica à frente (51% a 43%). A campanha do atual presidente vai ter que reforçar muito com os eleitores de que cada voto importa.
Flávio Bolsonaro registra sua maior vantagem entre evangélicos (69% a 26%) e na região Sul (58% a 33%). Lula lidera com folga entre católicos (55% a 39%) e no Nordeste (65% a 30%). Mas é no Nordeste onde se concentra, historicamente, o maior percentual de abstenção. Daí, o temor de Lula e de aliados da derrota para os que não forem votar.
Outro indicativo favorável a Flávio: o antipetismo é maior que o antibolsonarismo: 13% votam no Lula para evitar Bolsonaro, e 25% votam no Flávio para evitar Lula. O empate numérico de Lula e Flávio Bolsonaro, ambos com 50% dos votos válidos, reforça os sinais de que a eleição presidencial pode ser decidida no olho mecânico.
O cenário aumenta a importância do último debate de TV, amanhã na Globo. E eleva muito a pressão sobre os dois candidatos, que pisarão no estúdio sabendo que qualquer erro pode custar a eleição.
ÚLTIMO DEBATE – A TV Globo promove, hoje, logo após o Jornal Nacional, o debate entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), candidatos à Presidência da República que disputam o segundo turno das eleições. Mediado pelo jornalista César Tralli, o encontro será transmitido ao vivo dos Estúdios Globo, no Rio de Janeiro, pela TV Globo, GloboNews, g1 e Globoplay. O debate terá quatro blocos, três com temas determinados e um de tema livre, além das considerações finais. A ordem das perguntas será definida por sorteios ao vivo, e a dinâmica busca aprofundar as propostas dos candidatos para o governo federal.

Flávio muda estratégia – A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) prepara mudanças na atuação do candidato para o último debate presidencial, hoje, na Globo. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), terá participação nos treinamentos, enquanto o influenciador Pablo Marçal, que auxiliou o senador no confronto anterior, ficará fora da preparação. A equipe também discute uma alternativa para manter a estratégia de aproximação física com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mesmo que o petista permaneça atrás do púlpito para evitar a repetição das movimentações feitas pelo adversário no debate da Band. Flávio começou as sessões de preparação ontem, conduzidas pelo marqueteiro Duda Lima. A intenção é corrigir pontos considerados negativos pela equipe no primeiro debate do segundo turno, especialmente o excesso de provocações e a dificuldade de apresentar propostas de maneira objetiva.
Checagem de fakes ou verdades não será ao vivo – A verificação das informações dos candidatos durante o debate na Globo será feita na página Fato ou Fake, do g1, e não ao vivo no enfrentamento dos postulantes. O serviço terá início durante o encontro e seguirá pela madrugada. Além do g1, o trabalho ocorrerá em parceria com os sites dos jornais O Globo, Extra e Valor Econômico e da Rádio CBN. Petições públicas e mobilizações nas redes sociais cobravam que a Globo fizesse a checagem de informações durante o debate de hoje, com a verificação ao vivo e a interrupção dos candidatos para corrigir eventuais informações falsas.
Tentando atrair os idosos – Os idosos que recebem benefícios previdenciários receberam mensagens pelo WhatsApp, enviadas pela conta Gov.br, informando que o voto nas eleições pode ser utilizado como prova de vida. A iniciativa foi realizada em massa pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que já havia adotado a estratégia no primeiro turno para incentivar os eleitores a comparecer às urnas. O texto lembra que o procedimento tem validade de 12 meses e orienta os beneficiários a consultar o aplicativo Meu INSS para obter informações sobre o benefício e a comprovação de vida. Ao final, pergunta se o usuário deseja continuar recebendo mensagens sobre o tema.

Imagens de Lulinha com lobista em jatinho bombam – Fotografias obtidas pela revista Veja mostram Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente Lula (PT), a bordo de um jato executivo fretado ao lado da lobista Roberta Luchsinger. Os dois são investigados pela Polícia Federal sob suspeita de corrupção e tráfico de influência. De acordo com a revista, a imagem foi feita no início de 2025, durante uma viagem à Finlândia para ver a aurora boreal. A aeronave era um Embraer Praetor 600, modelo cujo exemplar novo custa mais de US$ 20 milhões. Em outro registro, o grupo posa diante do avião, numa pista coberta de neve.
CURTAS
NA PRESSÃO – O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, ordenou, ontem, à Meta, dona do WhatsApp, a apresentação de um relatório técnico sobre suspeita de ações coordenadas no canal “Exército do Lula”, administrado pelo deputado André Janones (Rede-MG) e atualmente com 8,3 milhões de seguidores. A três dias do segundo turno, o magistrado cita a possibilidade de comportamento “potencialmente irregular” no espaço digital.
COBRANÇA – Um grupo de cerca de 380 pessoas, formado por empresários, economistas, executivos e lideranças da sociedade civil, elaborou uma carta de compromissos destinada aos candidatos à Presidência, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). A iniciativa, chamada de Grupo Parlatório, foi coordenada pelo economista Roberto Giannetti da Fonseca e está estruturada em 14 pilares temáticos, entre eles democracia, educação, emprego e produtividade, mas o principal foco é a responsabilidade fiscal com uma espécie de “Plano Real para os juros”.
FORA DO AR – A publicação do canal Revelando no Instagram, com um vídeo sobre Flávio Bolsonaro (PL) estrelado por MC Cabelinho, foi derrubado pela Meta na manhã de ontem. A empresa alegou restrição temporária ao conteúdo devido ao uso de Inteligência Artificial, segundo as novas regras do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O ator Gregório Duvivier, um dos integrantes da produção, contestou a decisão e afirmou que não houve uso da tecnologia.
Perguntar não ofende: Teremos hoje na Globo um novo ringue?
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