O tudo ou nada da última semana
A última semana do segundo turno das eleições presidenciais, que acontecem no próximo domingo, começou com um confronto na TV entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). E será marcada pela mobilização de eleitores, a articulação com aliados e a preparação para o debate decisivo na Globo, na próxima sexta-feira.
As estratégias incluem atos públicos, presença nas redes sociais e agendas voltadas a regiões com grande concentração de eleitores, especialmente o Sudeste. O cenário regional ganhou importância na reta final. Pesquisa do Instituto Vox Brasil divulgada ontem mostra diferenças nas intenções de voto conforme a região do país.
Leia maisLula aparece com maior percentual no Norte e no Nordeste, enquanto Flávio registra vantagem no Sudeste, no Sul e no Centro-Oeste. No Sudeste, o senador tem 49,4% das intenções de voto, ante 43,4% do presidente, segundo o levantamento. A região tem peso estratégico por concentrar os maiores colégios eleitorais do país, incluindo São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro.
Nos três estados, a disputa para o governo estadual foi definida no primeiro turno, em 4 de outubro, o que deixa as campanhas presidenciais com o desafio adicional de mobilizar eleitores sem o apoio de uma segunda votação para governador.
Flávio intensificou os atos presenciais na reta final. No sábado passado, o senador participou de mobilizações em Vitória, no Espírito Santo, e em Salvador, na Bahia, acompanhado de aliados políticos, entre eles o governador paulista Tarcísio de Freitas (Republicanos) e o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG).
Ontem, participou do ato “Bloquinho do 22”, na Avenida Paulista, em São Paulo, ao lado de apoiadores. A mobilização ocorre em resposta aos atos promovidos pelos eleitores do petista no mesmo endereço na semana anterior e que reuniram multidões.
Lula, por sua vez, permaneceu em Brasília no sábado para se preparar para o debate da Band, enquanto aliados realizaram atividades de campanha em diferentes cidades. Em São Paulo, o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) participou de uma caminhada em Heliópolis ao lado do ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), e das ministras Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (MDB).
OLHO EM MINAS – A estratégia petista inclui ampliar a atuação de aliados eleitos e derrotados nas urnas, com atenção especial a Minas Gerais e ao Nordeste. Outro objetivo é reduzir a abstenção, especialmente entre eleitores que não terão disputas estaduais neste segundo turno. Nas redes sociais, as campanhas de Lula e Flávio intensificam a mobilização de apoiadores por meio de vídeos curtos, influenciadores e grupos de WhatsApp.

As tropas digitais – O canal “Exército do Lula”, coordenado pelo deputado André Janones (Rede – MG), ampliou sua base e passou a distribuir conteúdos para estimular o engajamento digital, enquanto Flávio conta com a “Tropa do Flávio” e pede a aliados que mantenham a divulgação da candidatura ativa até a votação. Suas últimas postagens estimulam a criação de um ambiente de virada de Lula nas pesquisas ao mesmo tempo em que prega o discurso de que o País entrará num tremendo retrocesso, caso o filho de Bolsonaro saia vitorioso.
Redução da abstenção – Diante da menor diferença de votos no primeiro turno de uma eleição presidencial desde a redemocratização, as campanhas de Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) têm concentrado esforços também em buscar eleitores que deixaram de comparecer, em especial em grandes cidades do Sudeste, onde o índice de abstenção cresceu neste ano. De um lado, a equipe petista quer atrair idosos, acima de 70 anos, faixa etária que registrou o maior contingente de faltosos na primeira rodada de votações. Do outro, o time bolsonarista tenta evitar que seus apoiadores se desmobilizem em estados onde a disputa local já está resolvida, como nos casos do Rio e de São Paulo, para manter vantagem sobre o adversário.
Lei Rouanet chega a R$ 12 bilhões – Alvo de furiosos ataques do bolsonarismo, a Lei Rouanet viabilizou a captação de R$ 7,3 bilhões nos quatro anos do governo de Jair Bolsonaro. Com Lula no Palácio do Planalto, os patrocínios a projetos culturais por meio de incentivo fiscal ganharam mais tração e já somam R$ 10,4 bilhões, um aumento de 43%. Como grande parte dos recursos historicamente são declarados no mês de dezembro, a projeção é que o valor total no Lula 3 supere a casa dos R$ 12 bilhões até o fim deste mandato.

Lobista diz que presidente mente – A lobista Roberta Luchsinger afirmou que já presenciou “inúmeras vezes” o filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, com ministros do governo. No entanto, disse não poder detalhar as circunstâncias dos encontros por causa de decisões judiciais. Ela afirmou que o petista “é um grande mentiroso” por, segundo ela, negar que o filho tenha se sentado com ministros. “O Fábio Luís, o Lulinha, inúmeras vezes esteve com ministros, inclusive, viajou para a casa de ministros, ministro Camilo, no Ceará […] o filho dele sentava semanalmente com ministros, seja para trocar figurinhas, seja para trocar qualquer outro tipo de diálogo”, afirmou Luchsinger em entrevista divulgada pela CNN Brasil.
CURTAS
PREÇO CARO 1 – A lista de medidas adotadas pelo governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de olho nas eleições alcançou R$ 290 bilhões, considerando valores previstos para 2026 e 2027, e gera pressão sobre a dívida pública. Na prática, um pacote de bondades para tentar a reeleição.
PREÇO CARO 2 – Embora algumas iniciativas não afetem as regras fiscais — algumas delas, como os recursos para financiar empréstimos, são consideradas despesas financeiras —, boa parte acaba tendo impacto no endividamento do país. Em agosto, a DBGG (dívida bruta do governo geral) alcançou 82,9% do PIB (Produto Interno Bruto), o maior patamar em cinco anos.
A GRANDE FAMÍLIA – A movimentação do deputado cassado Eduardo Bolsonaro para assumir protagonismo na política externa em eventual governo do irmão causa preocupação em aliados de Flávio Bolsonaro, que tenta se esquivar do tema sem causar incômodo na ala ideológica do bolsonarismo. Apesar de o presidenciável do PL ter indicado internamente que vai limitar a participação de familiares na gestão, integrantes do Centrão e do núcleo mais pragmático do PL acreditam que dificilmente a montagem da equipe acontecerá sem a influência de Eduardo e Carlos Bolsonaro, eleito senador.
Perguntar não ofende: Quem ganhou o debate na Band?
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