Na propaganda eleitoral gratuita dos candidatos à Presidência da República, hoje, Flávio Bolsonaro (PL) acenou ao eleitorado feminino, detalhando propostas voltadas às mulheres e exibindo o apoio de aliadas. Já Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou as medidas econômicas do candidato do PL e comemorou a aprovação do fim da escala 6×1. As informações são do portal G1.
Primeira a ser exibida, a propaganda de Flávio foi dedicada às propostas do “Brasil por Elas”, programa do plano de governo registrado na Justiça Eleitoral voltado às mulheres. O candidato mostrou depoimentos de mulheres demonstrando insatisfação com a economia, inflação e segurança pública no atual governo. “Lula promete, o Brasil sofre”, afirmou a campanha.
Entre as propostas, já apresentadas em propagandas anteriores, Flávio destacou medidas de auxílio a crédito para mulheres, rede TEA Brasil e o vale-creche, que propõe vagas em creches particulares caso não haja disponibilidade na rede pública. O presidenciável ainda abordou a redução da maioridade penal e sugeriu que a medida não vai avançar caso Lula seja reeleito.
O programa também exibiu depoimentos de apoio de aliadas políticas do candidato, entre elas Daniella Marques, uma das coordenadoras da campanha. As senadoras eleitas Caroline de Toni (PL-SC), Bia Kicis (PL-DF) e Gracinha Caiado (União-GO), esposa de Ronaldo Caiado (PSD), candidato à Presidência derrotado no 1º turno, também apareceram na propaganda. O candidato afirmou ter apoio da maioria da bancada feminina eleita no Congresso, caso seja eleito presidente.
Já na propaganda petista, Lula abriu a peça comparando Flávio a Javier Milei, presidente da Argentina, e criticando as medidas econômicas do adversário. O petista sugeriu que a crise deflagrada no país vizinho pode ocorrer no Brasil caso o candidato do PL seja eleito.
“O tesouraço do Flávio Bolsonaro é a motosserra de Milei na Argentina. Quando Flávio Bolsonaro fala em cortes, a despesa que ele quer cortar é você”, destacou a propaganda petista.
A peça também voltou a abordar o fim da escala 6×1 no Senado e comemorou a aprovação do projeto no Senado, afirmando ainda que o candidato do PL mudou de posição e acabou votando a favor do projeto por “oportunismo”.
Outro trecho da propaganda foi dedicado à mobilização de apoiadores. A peça exibiu um vídeo, viralizado nas redes sociais, da cantora Ivete Sangalo fazendo o “L”.
Na propaganda, o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) defendeu a união de diferentes posições políticas em torno da candidatura. O vice-presidente afirmou que o país “não precisa de radicalismos” e convocou apoiadores a formar uma frente democrática para impedir a volta do bolsonarismo.
O cantor, compositor, roteirista, ator e autor teatral Evandro Mesquita, fundador da banda de rock brasileiro Blitz, é o entrevistado do programa Sextou de daqui a pouco. Formada em 1981, no Rio de Janeiro, sendo uma das precursoras do rock nacional, a banda segue em atuação até hoje, sendo referência no gênero.
Na sua estreia, a formação clássica da banda consistia em Evandro Mesquita (vocal, violão e gaita), Ricardo Barreto (guitarra), Lobão (bateria), Fernanda Abreu (vocal de apoio), Marcia Bulcão (vocal de apoio), Antônio Pedro Fortuna (baixo) e Billy Forghieri (teclados).
Em 1981, Evandro Mesquita conseguiu um convite para tocar no Caribe, bar que estava inaugurando no bairro de São Conrado, no Rio de Janeiro. Embora na época tocasse apenas por passatempo com alguns conhecidos, como Ricardo Barreto e Lobão, aceitou e recrutou mais alguns músicos para completar a banda e fazer a apresentação na estreia do bar, em 21 de fevereiro. Devido às constantes blitz que os músicos passavam para ir ao ensaio, o baterista Lobão deu a ideia de batizar a banda de Blitz.
A carreira de Evandro Mesquita é um show a parte. Multifacetado, ele é considerado um ícone da música e da televisão, com um grande reconhecimento por parte do público e da crítica. Evandro integrou o grupo teatral ‘Asdrúbal Trouxe o Trombone’ ao lado de diversos outros artistas como Regina Casé, Patrícia Pillar, Luiz Fernando Guimarães e Cazuza.
Ele integrou o elenco de novelas como Top Model (1989), Vamp (1991), Mulheres de Areia (1993) e Bang Bang (2005), além de participações em séries e humorísticos como ‘Armação Ilimitada’, ‘Sai de Baixo’, ‘Malhação’, ‘Os Normais’, ‘Tapas & Beijos’ e ‘Justiça 2’.
Em 2005, passou a integrar o elenco da série ‘A Grande Família’ no papel do mecânico mulherengo e semianalfabeto Paulo “Paulão” Wilson, personagem esse que conquistou os fãs do programa e tornou-se um dos seus papéis mais lembrados, fazendo-o permanecer até o fim da série, em 2014.
O Sextou vai ar na próxima hoje, das 18 às 19 horas, pela Rede Nordeste de Rádio, formada por 48 emissoras em Pernambuco, Paraíba, Alagoas e Bahia, tendo como cabeça de rede a Rádio Folha 96,7 FM, no Recife. Se você deseja ouvir pela internet, clique no link do Frente a Frente em destaque acima ou baixe o aplicativo da Rede Nordeste de Rádio na play store.
Parlamentares e representantes de partidos aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) estiveram, nesta sexta-feira (16), na sede do Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE), no Recife, para discutir medidas de combate à abstenção no segundo turno das eleições, marcado para 25 de outubro. O grupo foi recebido pelo presidente da Corte, desembargador Erik Simões, e defendeu ações para garantir o acesso dos eleitores aos locais de votação.
Entre os participantes estavam o senador Humberto Costa (PT), as deputadas estaduais Dani Portela (PT) e Rosa Amorim (PT), o deputado federal Pedro Campos (PSB), a deputada federal eleita Liana Cirne (PT), os deputados estaduais eleitos Breno Araújo (PT) e Ivete Caetano (PT), além de dirigentes partidários. Os aliados pediram atenção especial à zona rural e ao transporte intermunicipal na Região Metropolitana do Recife, apontando a dificuldade de deslocamento como um dos fatores que podem contribuir para a ausência às urnas.
O grupo também cobrou o cumprimento da Resolução TSE nº 23.751/2026, que prevê transporte coletivo urbano e intermunicipal gratuito nos dias de votação, com frequência compatível com a praticada em dias úteis. Segundo os representantes, o objetivo é evitar que eleitores deixem de votar por falta de transporte ou por não terem recursos para pagar a passagem.
O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, preso desde março devido às investigações sobre o Banco Master, organizou e pagou uma festa com chef de cozinha e garotas de programa, segundo investigadores, para o ministro Kassio Nunes Marques, membro do Supremo Tribunal Federal (STF) e presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
As informações estão em mensagens de WhatsApp apreendidas pela Polícia Federal (PF) e reveladas pela “piauí”. O g1 também teve acesso às conversas. O ministro Nunes Marques disse que nunca beneficiou Vorcaro com suas decisões e negou irregularidades. As informações são do g1.
As 125 mensagens sobre o assunto, que estavam no celular de Vorcaro, apontam que a festa foi em 28 de fevereiro de 2025, sexta-feira que antecedeu o Carnaval, no apartamento triplex do banqueiro no Itaim Bibi, Zona Sul de São Paulo.
De acordo com a “piauí”, na terça-feira, 25 de fevereiro de 2025, três dias antes da noitada, Vorcaro escreveu para Rayanna, uma agenciadora de garotas de programa, perguntando se ela estaria disponível no dia 28.
“Pode sexta a tarde?”, perguntou o banqueiro. Rayanna confirmou. “Arruma mais 1 [uma]”, ele pediu.
Mensagem de Daniel Vorcaro para agenciadora de garotas de programa, encontrada no celular do banqueiro. — Foto: Reprodução/PF
No dia 26 de fevereiro, dois dias antes da festa, o desembargador do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) Newton Ramos mandou mensagem para um agente de viagens de Vorcaro pedindo um quarto para Nunes Marques se hospedar no hotel Fasano na sexta-feira.
O desembargador, que é amigo de Nunes Marques, se referiu ao ministro como “KN”, segundo a mensagem.
Newton Ramos já foi citado em outras conversas do escândalo do Master como sendo integrante da “turma do KN”. A esposa dele, a advogada Camilla Ramos, tinha um contrato com o Master que poderia render até R$ 427 milhões em honorários caso o banco ganhasse os valores de precatórios que disputava no TRF-1.
No mesmo dia 26, também de acordo com a “piauí”, Vorcaro escalou um chef de cozinha para trabalhar na festa. “Sexta churrasco animado. Com min e [sic]”, escreveu o banqueiro para o profissional, sem completar a frase.
Mensagem de Daniel Vorcaro para o chef de cozinha Zé Maria, encontrada no celular do banqueiro. — Foto: Reprodução/PF
O banqueiro continuou os preparativos, avisando seu arquiteto que receberia um ministro no seu apartamento na capital paulista. “Vouch [sic] receber ministro aqui sexta. Alguém pode pintar isso”, disse Vorcaro.
Mensagem de Vorcaro para seu amigo e arquiteto informando que ia receber ‘ministro’ em São Paulo na sexta seguinte. — Foto: Reprodução/PF
Na manhã da sexta-feira, dia da festa, o chef de cozinha enviou para Vorcaro um arquivo com a lista de compras do evento. Segundo a revista, o gasto foi de R$ 21.121,90 em produtos como carnes, cinco latas de caviar e trufas.
‘Sem celular’ Pouco depois, a agenciadora Rayanna escreveu para Vorcaro dizendo que não conseguiria comparecer naquela tarde. “Dani eu não vou conseguir ir posso mandar as duas? Eu conheço elas são da minha confiança! Vc vai adorar!”, afirmou a mulher.
Após certa resistência de Vorcaro, ele acabou concordando com a solução. “Pode chamar as duas.” Mas advertiu: “So lembra que sem celular” — possivelmente para evitar registros da festa.
Conversa entre agenciadora e Daniel Vorcaro sobre festa em seu apartamento. — Foto: Reprodução/PF
Conversa entre agenciadora e Daniel Vorcaro sobre festa em seu apartamento. — Foto: Reprodução/PF
Demonstrando atenção a todos os detalhes, Vorcaro pediu no início da tarde para seu arquiteto retirar da varanda do apartamento um sofá que estaria rasgado.
“Pelo amor de Deus. Tira aquele sofa da varanda leo. To passando vergonha. Melhor deixar sem nada. Ele é logo na entrada, primeira coisa que a pessoa ve [sic]”, orientou o banqueiro.
Mensagens de Vorcaro para arquiteto no dia da festa feita para ministro do STF. — Foto: Reprodução/PF
Momentos depois, Vorcaro escreveu para Luiz Rennó, que foi diretor jurídico do Banco Master. “Ta sp?”, perguntou. Rennó respondeu que estava trabalhando em Belo Horizonte. E seu chefe acrescentou: “Eu fazendo graça pra ministro em sp”.
Conversa entre Vorcaro e Luiz Rennó, ex-diretor jurídico do Master, no dia da festa para ministro do STF. — Foto: Reprodução/PF
Rennó já apareceu em outras mensagens investigadas no caso Master. Em 1º de outubro de 2024, ele disse a Vorcaro que o banco havia saído vitorioso no processo da Alcídia, uma disputa sobre precatórios do setor sucroalcooleiro que tramitava no STF e interessava ao Master.
Rennó relatou que, no processo da Alcídia, os votos favoráveis tinham sido dos ministros Edson Fachin, Dias Toffoli e Nunes Marques. Em seguida, enviou o contato do advogado Kevin Marques, filho do ministro Nunes Marques, com a seguinte mensagem: “Dominado aqui”. Esse episódio ocorreu cinco meses antes da festa no apartamento.
‘Começou chegar meninas’ Às 14h04 da sexta-feira, um homem identificado na agenda do celular de Vorcaro como “motorista” avisa ao chefe que “começou chegar meninas”.
“Todas que chegarem. Pode subir. Oega [pega] carro dos homens qdo chegarem. Fica embaixo vc e geraldo e acompanha chegada”, instruiu Vorcaro.
O homem perguntou: “Fica com telefone das meninas?”. E o banqueiro respondeu que sim.
Momentos depois, Vorcaro pediu ao mordomo Michael, que acompanhava a festa, para abrir as janelas do apartamento. “Abre as janelassss!!! Paredendo enterro [sic]”, disse. Às 14h49, o mordomo avisou: “Convidado chegou”.
Conversa entre Vorcaro e mordomo que acompanhou festa com ministro em apartamento. — Foto: Reprodução/PF
As mensagens não deixam claro por quanto tempo Vorcaro participou presencialmente da festa. Já à noite, às 20h56, o mordomo Michael escreveu ao patrão:
“Emprestei quarto do lado para ministro com 5 menina. Liguei para pedir autorização mais senhor não viu [sic]”. “Claro Qie sim”, concordou Vorcaro. “Sobe. So fecha Meu quarto. E mostra o outro. Se vier o terceiro coloca sala tv”, disse.
O mordomo, então, falou que essa questão já estava resolvida, pois foram todos para o mesmo cômodo: “Eles foram ficar juntos”.
Conversa entre Vorcaro e mordomo que acompanhou festa com ministro em apartamento. — Foto: Reprodução/PF
Pouco mais de uma hora mais tarde, o funcionário voltou a relatar para Vorcaro como estava o evento.
“Aqui tá tranquilo já pessoal tudo pelado na piscina uma passou mau vomitou mais tá bem já”, descreveu o mordomo. “Pegou toalha para eles?”, quis saber Vorcaro. “Peguei sim. Ministro tá sem pressa nenhuma de ir embora acabou de fala que está renovando para começa tudo novamente”, informou o mordomo.
Às 23h17, o funcionário escreveu: “Indo embora ele”
Conversa entre Vorcaro e mordomo que acompanhou festa com ministro em apartamento. — Foto: Reprodução/PF
Em seguida, Michael mandou duas fotos do apartamento para Vorcaro. Na primeira, o mordomo disse que estava arrumando o local para não deixar para Selma, a empregada, “essas coisas”.
Na segunda imagem, o funcionário brincou: “Essas menina é artista olha onde achei embaixo do travesseiro”.
As fotos eram de três preservativos usados, espalhados sobre um tapete, e de uma calcinha de renda preta encontrada entre o lençol e a fronha.
Conversa entre Vorcaro e mordomo que acompanhou festa com ministro em apartamento. — Foto: Reprodução/PF
Uma semana depois da festa, em 7 de março de 2025, a agenciadora Rayanna voltou a escrever para Vorcaro. “Boa tarde, Dani. Tudo bem? A minha amiga lá aquele dia… Deu certo, né ?”, ela disse.
“Ela disse que ficou com o Kassio! Ela tá me cobrando aqui”, escreveu a mulher.
O banqueiro pediu “dados e valor”. Rayanna disse “10, né!”, em referência a R$ 10 mil, e enviou sua chave PIX para Vorcaro pagar.
Agenciadora cobra Vorcaro por serviço prestado a ‘Kassio’, segundo mensagem encontrada no celular do banqueiro. — Foto: Reprodução/PF
O que diz o ministro
Em nota, o ministro Kassio Nunes Marques afirmou que nunca favoreceu Vorcaro com suas decisões e negou irregularidades. Veja o posicionamento na íntegra:
“O ministro Kassio Nunes Marques nunca votou a favor de Daniel Vorcaro (inclusive deu voto pela manutenção da prisão), nunca trocou mensagens com ele e nem pediu nada ao banqueiro.
O ministro também nunca autorizou ninguém a falar em nome dele e não pode se responsabilizar por conversas ou ações de terceiros. Seu filho nunca recebeu nada do Banco Master.
A matéria referenciada faz ilações e tenta relacionar tais diálogos com a atuação na Presidência do TSE, numa tentativa de fragilizar a condução da Justiça Eleitoral.”
O senador e presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) tem um almoço reservado com a cúpula da TV Globo nesta sexta-feira (16), mesmo dia em que ele participará da sabatina do Jornal Nacional (JN).
O almoço, segundo apurou a coluna, acontece na sede da emissora, localizada no bairro Jardim Botânico, zona sul do Rio de Janeiro. O encontro reúne os principais executivos da Rede Globo. As informações são do Metrópoles.
Flávio, por sua vez, foi ao almoço acompanhado de um assessor de imprensa e do senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador-geral da campanha presidencial do primogênito de Jair Bolsonaro.
Esse é o segundo almoço de Flávio com a cúpula da TV Globo. O primeiro ocorreu antes do início oficial da campanha eleitoral e faz parte de um tour do senador pelos principais veículos de imprensa.
Flávio será sabatinado no JN na noite da sexta. A sabatina de Lula (PT) aconteceu na quinta-feira (15/10). O petista, porém, não teria sido convidado para almoço com executivos da Globo, segundo auxiliares.
Globo confirma visita de Flávio
Em nota à imprensa após a publicação da coluna, a TV Globo confirmou a visita de Flávio à sede da emissora. Segundo a empresa, o candidato do PL foi recebido por dois executivos:
João Roberto Marinho, presidente do Grupo Globo;
Paulo Tonet, vice-presidente de Relações Institucionais.
A Globo ressaltou que o encontro não contou com a presença de lideranças da área de jornalismo e disse que “pedidos de visitas institucionais são parte da rotina de todos os executivos de empresas de mídia”.
“O encontro não contou com a presença de lideranças do Jornalismo. Pedidos de visitas institucionais são parte da rotina de todos os executivos de empresas de mídia, sendo usual que candidatos a cargos eletivos façam encontros de cortesia”, diz a emissora em nota.
Há homens que levam consigo o lugar de onde vieram. Podem conquistar reconhecimento, assumir grandes responsabilidades e percorrer caminhos que jamais imaginaram, mas conservam no coração a paisagem de sua origem. José Américo Lopes Góis, o nosso querido Zé da Coruja, é um desses homens.
Suas raízes estão na querida Coruja, hoje Irajaí, no município de Iguaracy, no Sertão do Pajeú. Nesse nome, que carrega com orgulho, permanece o compromisso afetivo com sua terra e com as lembranças que ajudam a dar sentido à sua caminhada. Sua trajetória representa a capacidade de vencer adversidades sem perder o vínculo com a própria história.
Formado em Direito pela Faculdade de Direito do Recife, em 1982, Américo reuniu ao aprendizado acadêmico a experiência adquirida no trabalho e na convivência humana. E, numa expressão que traduz o valor dessa longa caminhada, pode ser considerado pós-graduado na escola de conhecimento da vida ao lado de Eduardo de Queiroz Monteiro, com quem compartilha uma trajetória profissional de mais de 48 anos. Uma escola feita de desafios, decisões, responsabilidade e aprendizado diário.
Na Folha de Pernambuco, onde exerce a função de diretor operacional, participa do esforço que permite ao jornal cumprir sua missão. Por trás de cada edição, existe também o trabalho de quem organiza, administra e ajuda a assegurar a continuidade de um empreendimento dedicado à informação.
É nesse cotidiano que se revela sua importância para o Grupo EQM. Sua longa convivência profissional com Eduardo de Queiroz Monteiro representa um patrimônio de experiência e conhecimento, construído ao longo de décadas. Reconhecer sua contribuição é também valorizar o trabalho persistente de quem participa da história de uma organização.
Mas a trajetória de Américo ganha seu significado mais íntimo dentro de casa. Casado com Mary Clere Alencar Falcão Lopes, do Araripe, construiu com ela uma família que ocupa lugar central em sua vida. Ao lado da companheira, as conquistas encontram com quem ser celebradas, e as dificuldades encontram o amparo do afeto.
É pai de Tiago Alencar Falcão Lopes, advogado, e de Raquel Alencar Falcão Lopes, médica. Ver os filhos seguirem seus caminhos, assumirem responsabilidades e exercerem profissões dedicadas às pessoas é motivo de orgulho e uma forma de reconhecer a continuidade dos valores cultivados em família.
Como avô de Bernardo e Maria Eduarda Lins Duarte Falcão Lopes, encontra novas razões para sorrir e renovar a ternura. Os netos acrescentam à caminhada uma alegria particular: a de acompanhar a vida que continua descobrindo em cada gesto pequenas lembranças e novas esperanças.
Nesse círculo de afeto, Bárbara Lins Duarte Falcão Lopes ocupa um lugar especial. Nora acolhida como filha, recebe de Américo profunda admiração, carinho e respeito. Esse sentimento revela a beleza de uma família cujos laços também se fortalecem pela escolha diária de acolher e amar.
É essa união que dá plenitude à sua história: a companheira, os filhos, os netos e a nora-filha, reunidos numa vida que ele reconhece como feliz, marcada pela ética, pela dignidade e pelo respeito.
Há ainda o Américo sensível à literatura, à poesia e às memórias do Sertão. Nos textos que assina como Zé da Coruja, o homem da gestão abre espaço para as recordações e para a palavra afetuosa. Ali, a terra de origem permanece próxima.
Ao homenageá-lo, quero reconhecer o profissional e o homem de família. Alguém cuja caminhada merece ser lembrada pelo que ajudou a construir e pelo amor que cultivou ao longo dela.
Seu Zé da Coruja, receba minha admiração e meu abraço. Que a alegria de sua família e o carinho de quem o estima acompanhem cada novo capítulo de sua história.
Na política, há um erro que costuma custar caro: declarar guerra antes de reunir condições para vencê-la. É essa a contradição que marca a ofensiva do grupo de Flávio Bolsonaro contra os presidentes da Câmara, Hugo Motta, e do Senado, Davi Alcolumbre.
Animada pelo crescimento de suas bancadas nas eleições de outubro, a direita bolsonarista antecipou a disputa pelo comando das duas Casas, anunciando seus próprios candidatos e deixando claro que não pretende apoiar a permanência dos atuais presidentes.
Esqueceu, entretanto, uma regra elementar da política: bancada numerosa não significa maioria automática. No Congresso, ninguém governa sozinho. É preciso negociar, construir alianças e respeitar a força de quem controla a pauta legislativa.
Alcolumbre e Motta conhecem esse jogo. Ambos continuarão no Parlamento na próxima legislatura e têm interesses políticos a preservar. Ao se verem confrontados, passaram a ter razões adicionais para buscar entendimentos com o governo Lula.
O resultado dessa movimentação pode ser observado na agenda legislativa. A aprovação no Senado da proposta que acaba com a escala 6×1, reduzindo a jornada semanal para 40 horas, com duas folgas e sem redução salarial, representa uma conquista política importante para o governo.
A pauta da segurança pública também ganhou espaço, permitindo ao Planalto associar sua atuação a temas de grande repercussão nacional.
Isso não significa que Alcolumbre e Motta tenham se convertido ao lulismo. Muito menos que exista uma aliança eleitoral formal. O que se observa é uma convergência circunstancial de interesses, algo absolutamente comum na política brasileira.
Lula conhece como poucos essa dinâmica. Sabe que, muitas vezes, o apoio mais valioso não vem de quem compartilha suas convicções, mas de quem encontra razões próprias para caminhar na mesma direção.
O episódio também expõe uma contradição do bolsonarismo: conquistar mais cadeiras não equivale a conquistar o comando do Parlamento. Entre uma coisa e outra existe um longo caminho de articulação, negociação e construção de maiorias.
Ao antecipar uma disputa que só deveria ganhar forma depois da eleição presidencial, o grupo de Flávio Bolsonaro abriu uma frente de conflito desnecessária com dois personagens que continuarão exercendo influência no Congresso.
E Lula, que não provocou esse confronto, pode acabar colhendo seus dividendos políticos justamente quando mais precisa de uma agenda positiva.
A ironia é evidente: na tentativa de enfraquecer seus futuros adversários no Legislativo, Flávio Bolsonaro criou condições para que decisões desses mesmos adversários favoreçam seu concorrente na disputa presidencial.
Na política, como na guerra, nem sempre o tiro atinge o alvo escolhido. Às vezes, acerta o próprio pé.
Apuração de referência: a votação da PEC do fim da escala 6×1 foi confirmada pela imprensa em 14 de outubro; a articulação de Alcolumbre para permanecer na presidência do Senado e a reação da oposição também foram documentadas. A relação de causa e efeito entre esses movimentos permanece uma interpretação política.
O cantor, compositor, roteirista, ator e autor teatral Evandro Mesquita, fundador da banda de rock brasileiro Blitz, é o entrevistado do programa Sextou de hoje. Formada em 1981, no Rio de Janeiro, sendo uma das precursoras do rock nacional, a banda segue em atuação até hoje, sendo referência no gênero.
Na sua estreia, a formação clássica da banda consistia em Evandro Mesquita (vocal, violão e gaita), Ricardo Barreto (guitarra), Lobão (bateria), Fernanda Abreu (vocal de apoio), Marcia Bulcão (vocal de apoio), Antônio Pedro Fortuna (baixo) e Billy Forghieri (teclados).
Em 1981, Evandro Mesquita conseguiu um convite para tocar no Caribe, bar que estava inaugurando no bairro de São Conrado, no Rio de Janeiro. Embora na época tocasse apenas por passatempo com alguns conhecidos, como Ricardo Barreto e Lobão, aceitou e recrutou mais alguns músicos para completar a banda e fazer a apresentação na estreia do bar, em 21 de fevereiro. Devido às constantes blitz que os músicos passavam para ir ao ensaio, o baterista Lobão deu a ideia de batizar a banda de Blitz.
A carreira de Evandro Mesquita é um show a parte. Multifacetado, ele é considerado um ícone da música e da televisão, com um grande reconhecimento por parte do público e da crítica. Evandro integrou o grupo teatral ‘Asdrúbal Trouxe o Trombone’ ao lado de diversos outros artistas como Regina Casé, Patrícia Pillar, Luiz Fernando Guimarães e Cazuza.
Ele integrou o elenco de novelas como Top Model (1989), Vamp (1991), Mulheres de Areia (1993) e Bang Bang (2005), além de participações em séries e humorísticos como ‘Armação Ilimitada’, ‘Sai de Baixo’, ‘Malhação’, ‘Os Normais’, ‘Tapas & Beijos’ e ‘Justiça 2’.
Em 2005, passou a integrar o elenco da série ‘A Grande Família’ no papel do mecânico mulherengo e semianalfabeto Paulo “Paulão” Wilson, personagem esse que conquistou os fãs do programa e tornou-se um dos seus papéis mais lembrados, fazendo-o permanecer até o fim da série, em 2014.
O Sextou vai ar na próxima hoje, das 18 às 19 horas, pela Rede Nordeste de Rádio, formada por 48 emissoras em Pernambuco, Paraíba, Alagoas e Bahia, tendo como cabeça de rede a Rádio Folha 96,7 FM, no Recife. Se você deseja ouvir pela internet, clique no link do Frente a Frente em destaque acima ou baixe o aplicativo da Rede Nordeste de Rádio na play store.
A polêmica em torno da possibilidade de as redes sociais estarem agindo de forma parcial nas eleições brasileiras é somente parte de um grande problema, que vem sendo há tempos alertado pelo presidente do Instituto Brasileiro para a Regulamentação da Inteligência Artificial (IRIA), Marcelo Senise. Mais e mais, o debate político e social se desloca do mundo real para o mundo virtual.
Se o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, se aproxima neste momento de Flavio Bolsonaro, do PL, e tenta reduzir a desvantagem do primeiro turno, isso vem se dando por uma presença maior nas ruas, mas também por uma presença maior nas redes sociais, terreno que era dominado pela direita. Há, porém, dois problemas aí. O primeiro: quanto Lula conseguirá de fato avanço no mundo virtual se os donos das empresas que o comandam têm todos perfis conservadores?
O segundo, que é um alerta não apenas para Lula, mas para todo o planeta: quanto daquilo que acontece e reverbera nas redes sociais é real e não artificial? Uma investigação do IRIA acendeu um alerta sobre a autenticidade do debate político nas redes. Um estudo, realizado com a plataforma Sentinela Eleitoral/Polijetro, examinou mais de 33 mil contas de diferentes ecossistemas políticos brasileiros. E verificou que aproximadamente 24% apresentaram indícios de provável automação.
Ou seja: uma a cada quatro interações nessas redes é com robôs ou com neurobots, um modelo ainda mais avançado e perigoso de interação artificial. Os robôs tradicionais são aqueles programados para dar em grande quantidade respostas automáticas mais simples. Ou seja: reagem dizendo somente coisas como “Flávio22” ou “Lula 13”. Os neurobots, porém, conversam, argumentam, replicam. Estão programados para interagir de modo a convencer o interlocutor ao final da conversa.
“O dado não significa que sejam perfis fictícios ou que tenham alterado votos, mas levanta uma questão incômoda: quantas manifestações de apoio ou rejeição que parecem espontâneas podem estar sendo amplificadas artificialmente?”, questiona Marcelo Senise. Para o presidente do IRIA, o risco já não está apenas nas fake news, mas na possibilidade de fabricar a aparência de uma maioria.
Para Senise, esse é o grande problema que se aponta para o futuro. Nestas eleições, ninguém mais questionou a segurança do sistema eletrõnico de votação. As urnas são seguras. Mas é seguro o ambiente virtual no qual a grande maioria do debate político hoje acontece? Para o presidente do IRIA, esse hoje é o grande risco.
Na posse de Donald Trump como presidente dos Estados Unidos em 2025, estiveram presentes os proprietários de todas as big techs que controlam as principais redes sociais do planeta. Assim, Senise não duvida da possibilidade de essas redes, por alinhamento, entregarem seu conteúdo político de maneira parcial.
Alguns movimentos, como do “Exército de Lula” de André Janones, tentam desvendar a caixa-preta dos algoritmos da rede. Conseguem alguns avanços, mas não tudo. Porque as redes se recusam a dizer como se programam sobre o alcance das postagens. “Vejo uma necessidade absoluta de investigação do comportamento algoritimico”.
Marcelo Senise observa, porém, um fenômeno interessante acontecendo que, de certa forma, parece quebrar a lógica dos algoritmos nas redes: a ampliação do alcance das postagens via fandons, como são conhecidas as comunidades de fãs de algum influenciador ou celebridade. O cientista político Antônio Lavareda também já percebera.
Lavareda anotara que atos como o de Cobacabana na segunda-feira (12) fora convocado não pela organização da campanha de Lula, mas por estudantes e pelos fandons. Esses grupos de fãs ajudam a furar as bolhas porque eles já estavam constituídos antes de entrar no debate político, explica Marcelo Senise. Possuem “capital algorítimico herdado”.
Há, portanto, todo um novo universo que precisa urgentemente de atenção e regulamentação. Ou o jogo da democracia corre o risco real de virar um negócio. Atendendo aos interesses de meia dúzia ou menos de donos de big techs. Há um filme chamado “O Círculo”, com Emma Watson e Tom Hanks. Vale a pena assistir.
O Congresso Nacional promulgou, hoje, duas emendas constitucionais que tratam de direitos da classe trabalhadora: o fim da escala 6×1, com dois dias de descanso semanal remunerado, sem redução salarial, e a aposentadoria diferenciada dos agentes comunitários de saúde (ACS) e dos agentes de combate às endemias (ACE).
O deputado federal Carlos Veras (PT-PE) atuou pela aprovação das duas propostas e, como primeiro-secretário do Congresso Nacional, foi responsável pela leitura dos textos das emendas constitucionais durante a solenidade realizada no Plenário do Senado Federal. O parlamentar é coautor da PEC do fim da escala 6×1, apresentada em 2019, e tem trajetória de atuação na defesa dos direitos da classe trabalhadora.
A Emenda Constitucional nº 141/2026 altera o artigo 7º da Constituição Federal para reduzir a duração máxima da jornada semanal e assegurar dois dias de repouso remunerado, sem redução salarial. Já a Emenda Constitucional nº 140/2026 estabelece a aposentadoria diferenciada dos ACS e ACE e trata da regularização dos vínculos funcionais desses profissionais.
“Essas conquistas são resultado de muitos anos de luta e organização da classe trabalhadora. Tenho a honra de ser coautor da PEC do fim da escala 6×1 e de ter atuado pela aprovação dessas duas propostas. O compromisso do presidente Lula com as trabalhadoras e os trabalhadores faz parte de sua trajetória, desde o movimento sindical até a Presidência da República. Nosso pernambucano, que conhece de perto a realidade de quem vive do trabalho, ajudou a transformar a história do Brasil com políticas de inclusão social e ampliação de direitos. Estar ao seu lado neste momento tem um significado especial para mim, que também venho da agricultura familiar e do movimento sindical. São conquistas para todo o Brasil, para quem precisa de mais tempo de descanso e para essas categorias tão essenciais ao cuidado com a saúde do povo brasileiro”, destacou Carlos Veras.
Após as medidas anunciadas nos últimos dias, um verdadeiro pacote de bondades que vão impactar em R$ 300 bilhões as contas do Governo, pesquisas internas do PT já mostram a virada do petista no segundo turno das eleições presidenciais, marcadas para o próximo dia 25. Confira!
Os jovens tomaram as ruas, os influenciadores de esquerda tomaram as redes, o presidente e o vice aprenderam a fazer vídeo selfie, a caneta sem tinta foi trocada por um carregamento de outras novinhas em folha do primeiro para o segundo turno, mas Lula pouco ou nada se moveu nas pesquisas.
A aproximação registrada da semana passada para esta se deveu, antes à perda de fôlego de Flávio Bolsonaro, na margem de erro, que a uma lufada de otimismo com o governo e com a perspectiva de um quarto mandato para o petista, e esses são aspectos cruciais para a virada inédita que ele precisa alcançar.
Cientistas políticos e especialistas em destrinchar pesquisas são unânimes em apontar, desde o início desta atribulada corrida eleitoral, a excentricidade de um incumbente conseguir permanecer no cargo se o saldo entre aprovação e rejeição a seu governo for negativo.
Quaest e Datafolha desta semana atestam que, entra medida, sai medida, Lula mantém o ponteiro dessa equação no vermelho, num sinal bastante tangível de cansaço sistêmico e não atacável na base de anúncios cada vez mais aleatórios e claramente eleitoreiros.
A aproximação entre ele e Flávio parece resultar, neste momento, mais do temor com a avalanche de direita que saiu das urnas no dia 4 e com o que ela pode significar em termos de poder nas mãos da família Bolsonaro – com seu conhecido histórico de tentar fazer passar a boiada em áreas como meio ambiente, cultura, direitos civis, liberdade de imprensa e limites democráticos – do que de uma percepção tardia de que o governo é bom, mas a população não sabia valorizar.
Nenhum dos dois levantamentos conseguiu captar a tempo um potencial efeito da aprovação do fim da escala de trabalho de seis dias por um de descanso, conjugado à redução da jornada de trabalho semanal para 40 horas, mas é preciso frisar que outras políticas públicas, mesmo voltadas a um público maior, como a reforma do Imposto de Renda, não foram capazes de produzir efeito duradouro numa aprovação de governo que oscila em patamares abaixo de 50% há mais de um ano.
A rejeição a Lula segue colossal, em patamar de igualdade com a de Flávio, é verdade, mas quem tem a iniciativa da agenda neste momento, justamente por estar na cadeira, é o presidente, e esse excesso de movimentação, além de evidenciar a completa abolição de limites no recurso ao cargo e aos cofres para reverter a desvantagem eleitoral, não parece devolver ao petista aquilo que ele foi perdendo ao longo dos últimos quatro anos: a capacidade de acenar a certos grupos da população com um projeto claro de futuro para o país.
Nada disso significa que a eleição esteja definida, e que a vitória no Senado não possa significar, finalmente, a percepção de que Lula tem mais condições históricas e políticas de promover mudanças incrementais de fundo na vida dos trabalhadores. Isso pode ser facilitado se Lula e o PT souberem contar de forma didática a lamentável desfaçatez de Flávio e seus aliados, que deram um cavalo de pau em tudo o que diziam sobre o fim da escala 6×1 enquanto prometiam ao pé do ouvido dos empregadores que era tudo teatrinho e depois reverteriam a mudança.
Mas, como se sabe, o tempo do segundo turno é curto, e, numa disputa em que o eleitor todo dia tem de fazer uni, duni, tê para escolher quem é o menos pior, qualquer lance pode ser decisivo. As entrevistas iniciadas ontem na TV Globo e os debates da emissora, na antevéspera do pleito, e da Band, domingo agora, tendem a funcionar como tira-teima para que o eleitor faça essa que parece cada vez mais uma escolha de Sofia.
Será a chance de Lula galvanizar a experiência, a lufada de energia que recebeu dos jovens, o legado e o temor com a volta dos Bolsonaros ao poder para sair do lugar em que está estacionado, a despeito de tanta energia despendida, e vencer por pouco, contrariando uma escrita de todas as eleições disputadas em segundo turno desde a redemocratização.
A disputa pela presidência da Câmara Municipal de Sertânia começa a expor uma questão incômoda para a prefeita Pollyanna Abreu: sua capacidade de liderança sobre os vereadores que integram a própria base governista. Enquanto sete dos 13 parlamentares se articulam em torno de Junhão Lins para comandar o Legislativo, a prefeita ainda não apresentou publicamente uma posição sobre a sucessão.
A articulação foi noticiada pelo Blog do Magno em 8 de outubro. Junhão Lins aparece como candidato à presidência, com Luiz Abel na composição da chapa. O atual presidente, Vando do Caroá, por sua vez, mantém a intenção de disputar a reeleição.
O cenário coloca Pollyanna diante de um teste de articulação política. Em disputas dessa natureza, prefeitos frequentemente participam das negociações para construir uma maioria entre os vereadores de sua base. Embora a decisão formal pertença à Câmara, espera-se que uma liderança política com influência sobre o grupo consiga, ao menos, participar das conversas e defender um encaminhamento.
Em Sertânia, porém, a articulação dos vereadores avança sem que a prefeita tenha apresentado publicamente uma posição clara. A situação levanta uma pergunta direta: Pollyanna está conduzindo as negociações ou apenas acompanhando decisões tomadas pelos próprios parlamentares?
Se a prefeita não consegue reunir seu grupo em torno de uma estratégia comum, sua capacidade de articulação passa a ser questionada. O problema não está no fato de os vereadores terem autonomia para escolher o presidente da Câmara, mas na possibilidade de a principal liderança do Executivo municipal não conseguir exercer influência sobre uma decisão central para a relação entre os dois poderes.
A situação de Vando do Caroá acrescenta outro elemento à disputa. O atual presidente pretende concorrer à reeleição, enquanto parte expressiva dos vereadores se movimenta em torno de Junhão Lins. Sem um posicionamento público de Pollyanna, não está claro se ela pretende apoiar um dos nomes, buscar um acordo ou deixar que a disputa seja resolvida sem sua participação direta.
Com o silêncio da prefeita, a eleição da Câmara se encaminha para ser decidida pelos vereadores. Politicamente, contudo, o episódio coloca Pollyana diante de uma questão que não pode ser ignorada: qual é sua capacidade de influenciar as decisões do grupo que sustenta sua administração?