O primeiro levantamento da Palver no segundo turno mostra uma disputa voto a voto: Flávio Bolsonaro (PL) tem 50% e Lula (PT), 49%, em empate dentro da margem de erro. Brancos, nulos e quem diz que não vai votar somam apenas 1%. Os dois candidatos também estão no mesmo patamar de voto consolidado e de rejeição. Votam “com certeza” em Flávio Bolsonaro 49% dos eleitores, e em Lula, 48%. Na outra ponta, 50% dizem que não votariam “de jeito nenhum” em Lula, e 48% dizem o mesmo sobre Flávio.
A 10 dias da votação, a eleição já não se decide pela persuasão, mas pela capacidade de cada campanha de levar seu eleitor às urnas e de conquistar qualquer voto que ainda esteja em disputa. As informações são do portal Jota PRO Poder.
Leia maisO voto contra o adversário
O que mantém os dois blocos tão coesos é, em grande parte, o voto contra o adversário. Para 37% dos eleitores de Lula, o principal motivo do voto é a defesa da democracia. Para 34% dos eleitores de Flávio, é a rejeição ao PT.
O medo do resultado também está dividido ao meio, com 48% temendo mais a reeleição de Lula e 47% temendo mais a eleição de Flávio. O retrato das divisões é conhecido, mas aparece com intensidade: uma diferença de quase 20 pontos entre homens e mulheres, o Nordeste e os beneficiários do Bolsa Família com Lula, e o Sul, o Centro-Oeste e os evangélicos com Flávio Bolsonaro.
A reserva de Lula está fora das urnas
Na disputa pelos votos que ficaram em aberto, nenhum dos lados leva vantagem clara. Os eleitores de Augusto Cury (Avante) migram majoritariamente para Lula (64% a 32%), enquanto os de Ronaldo Caiado (PSD) preferem Flávio (61% a 35%). Já os de Renan Santos (Missão) se dividem igualmente entre os dois (41% a 41%), e 18% dizem que vão votar em branco ou anular. Esses números, porém, devem ser lidos com cautela: as amostras de cada grupo são pequenas demais para conclusões firmes.
A maior reserva de Lula está entre quem não votou no 1º turno: 59% teriam votado nele e 28% em Flávio Bolsonaro. O problema, para o petista, é que essa abstenção parece mais logística do que política. A maioria diz que estava viajando (37%) ou que o título é de outra cidade (21%), situações que dificilmente mudam faltando 10 dias para o pleito.
Momento da decisão do voto
Os dados sobre o momento da decisão reforçam a ideia de um eleitorado que já tinha lado antes da reta final. Segundo a Palver, só 4% dos eleitores mudaram ou definiram o voto para presidente na última semana antes do 1º turno, e 95% mantiveram a escolha que já tinham feito. Entre os que mudaram, metade (51%) decidiu entre o domingo, 27 de setembro, e a sexta-feira, 2 de outubro. Outros 8% decidiram no sábado e 20% no próprio dia da eleição.
O movimento de última hora foi, sobretudo, estratégico. Entre os que mudaram de voto, os eleitores de Augusto Cury eram o maior grupo (23%), seguidos pelos de Flávio Bolsonaro (21%) e, com 13% cada, pelos de Lula, Renan Santos e Ronaldo Caiado.
O motivo mais citado foi perceber que o candidato escolhido não tinha chance de ir ao segundo turno (23%). Somando quem queria decidir a eleição já no 1º turno (9%) e quem queria evitar a vitória de um candidato rejeitado (9%), quatro em cada dez mudanças tiveram motivação tática.
Só 7% atribuíram a mudança a um debate ou a propaganda, e outros 7% a uma notícia ou denúncia. Como esse grupo reúne menos de 200 entrevistas, os percentuais têm margem de erro ampla e devem ser lidos apenas como indicação de tendência.
A economia como freio
O cenário econômico explica por que Lula não consegue abrir vantagem. A desaprovação do governo (51%) supera a aprovação (48%), e quase metade dos eleitores acha que o país piorou no último ano.
Na avaliação comparativa, Flávio Bolsonaro é visto como mais capaz em segurança pública, controle da dívida, inflação e combate à corrupção. Lula só leva vantagem clara em combate à pobreza. Em educação e saúde, há empate.
O custo de vida é a principal preocupação das famílias, citado por 34% dos entrevistados. O tema pesa muito mais entre os eleitores de Flávio Bolsonaro, dos quais 51% apontam o custo de vida como maior problema, contra 15% entre os de Lula. O otimismo, por outro lado, atravessa os dois campos: 70% esperam que a economia do país melhore nos próximos 12 meses, e essa expectativa não favorece claramente nenhum dos candidatos.
Os números exigem cautela. A Palver usa uma amostra online não probabilística, recrutada por anúncios em redes sociais, e calibra os resultados com base no voto do 1º turno. Por isso, a própria empresa recomenda ler os números como indicativos de tendência. A mudança de metodologia nesta onda também impede a comparação com as rodadas anteriores.
A Palver consultou 5.000 pessoas entre 10 e 13 de outubro (n efetivo de 1.783), com margem de erro máxima de 2,3 pontos. O levantamento está registrado no TSE sob o número BR-08028/2026.
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