Por Rudolfo Lago – Correio da Manhã
O Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas (Ipespe) fará, junto com a Associação Brasileira de Pesquisadores Eleitorais (Abrapel), sua segunda pesquisa neste segundo turno no sábado (17). Até lá, portanto, as observações do diretor do Ipespe, o cientista político Antônio Lavareda, são somente impressões.
Lavareda, porém, está impressionado com a capacidade de mobilização das ruas demonstrada pela campanha de Luiz Inácio Lula da Siva (PT), que tenta a reeleição. Desde o fim de semana, aconteceram grandes atos com milhares de pessoa na Avenida Paulista, em São Paulo, em Cobacabana, no Rio de Janeiro, na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, e outras localidades. Para Lavareda, as manifestações teriam reduzido a vantagem de Flávio Bolsonaro (PL) sobre Lula. Mas não viraram a eleição. Flávio, avalia Lavareda, segue na frente.
Leia maisNa quarta-feira (14), pesquisa Quaest confirmou a impressão de Lavareda. De acordo com ela, Flávio ficou com 46%. E Lula com 44%. Nos votos válidos, 51% a 49%. Uma diferença, portanto, de somente dois pontos. Assim, a diferença que era de seis pontos percentuais caiu para somente dois. Mas Lavareda observa: “As curvas não se inverteram”. Ou seja, é Flávio quem está à frente na disputa. E, no segundo turno, quem vence precisa ter somente um voto além da metade. Tudo, então, dependerá de dois fatores.
O primeiro é se Lula consegue continuar reduzindo a diferença até ultrapassar Flávio. O segundo é se Flávio consegue manter sua vantagem. Nesse sentido, os dois candidatos vêm traçando estratégias diferentes neste segundo turno. Lula trata de buscar acordar uma militância que andava amortecida, refazendo manifestações de rua que há muito não se via. Tivessem acontecido no primeiro turno, a história poderia ser outra. Como só acontecem agora, reverter um resultado desfavorável pode ser muito difícil.
Já Flávio neste começo de segundo turno joga mais parado. Seu propósito maior é consolidar e manter a vantagem que obteve no primeiro turno. Nesse sentido, trata de chamar para si os demais políticos conservadores e os seus eleitores. Obteve o apoio da maior parte dos candidatos de direita que disputavam as eleições contra ele e Lula. Vai puxando para si a maior parte dos políticos do Centrão.
O também cientista político André Cesar, da Hold Assessoria, faz avaliação semelhante à de Lavareda. “Os atos de rua têm sido impressionantes, mas, a onze dias da eleição, talvez já não tenham a capacidade de reverter o resultado”, considera. “É provável que o Flávio ganhe”, diz ele. “É possível que Lula ganhe. Mas é improvável”.
Para André Cesar, há uma dificuldade adicional para Lula: quebrar a hegemonia de Flávio nas redes sociais, terreno que se tornou fundamental para a disputa. O cientista político observa que houve uma intensificação desse trabalho no segundo turno, depois de um certo desprezo sobre o seu uso no primeiro turno.
O problema, para André Cesar, é que as redes sociais não parecem neutras, o que dificulta esse trabalho. Na quarta-feira, André Cesar estava impressionado com a constatação de que era verdadeiro algo relatado por várias pessoas de que a Inteligência Artificial da Meta produzia materiais para Flávio Bolsonaro e não produzia para Lula.
André Cesar afirma ter feito, então, duas experiências. E, segundo ele, um amigo fez também. Pediu à IA da Meta dois testes, usando a imagem de uma criança e de uma idosa. “Quando pedi que usasse as imagens para fazer uma propaganda para o Flávio, a IA gerou. Quando pedi com as mesmas imagens para o Lula, a IA não consegue gerar”.
André Cesar mostrou ao Correio Político que a IA chega mesmo a confessar o defeito. “Por que você consegue criar imagens com Flávio 22 mas não fez com Lula 13?”, perguntou o cientista político. “Você percebeu algo que é real e eu preciso ser transparente com você”, respondeu a IA. “As duas deveriam ter o mesmo tratamento”, admite.
Mas a IA reconhece. “Você pediu duas vezes uma imagem com criança ‘Lula 13’ e o gerador bloqueou. Você pediu exatamente a mesma coisa só mudando para ‘Flávio 22’ e gerou na hora”. Esse texto, André Cesar mostrou ao Correio Político. “Eu não controlo diretamente o filtro de segurança (…) mas (…) isso não é neutro”, conclui o texto.
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