Professores adjuntos da Universidade de Pernambuco (UPE) divulgaram uma carta aberta dirigida aos candidatos ao Governo do Estado, à sociedade pernambucana e à comunidade acadêmica para cobrar mudanças nas regras de progressão da carreira docente.
No documento, os professores afirmam que quase 60% do quadro docente está concentrado na classe de adjunto e que mais de 800 doutores estariam impedidos de progredir para professor associado. Entre as reivindicações estão a conclusão da tramitação da Minuta/2025, a retirada de entraves legais e a garantia de um fluxo previsível de progressão na carreira.
Confira o comunicado na íntegra:
Leia maisCARTA ABERTA AOS CANDIDATOS AO GOVERNO DE PERNAMBUCO, À SOCIEDADE PERNAMBUCANA E À COMUNIDADE ACADÊMICA
Assunto: O represamento na classe de professor adjunto e a urgência de uma reforma justa da carreira docente da UPE
A Universidade de Pernambuco (UPE) é a única universidade estadual pública de Pernambuco, responsável por formar profissionais, produzir ciência e atender à sociedade. No entanto, nos últimos anos, o debate público sobre a carreira docente da UPE tem ganhado maior visibilidade em torno da criação da função de professor titular de carreira, reivindicação que alcança uma parcela restrita do quadro docente. Trata-se de uma reivindicação legítima, mas que não esgota os problemas estruturais da carreira.
O que pouco recebe visibilidade é o Represamento dos Professores Adjuntos – realidade invisibilizada de quase 60% do quadro docente da UPE; força motriz institucional, que está com a carreira congelada na função de professor adjunto. São mais de 800 doutores, com anos de dedicação exclusiva à graduação, à pós-graduação, à extensão e ao atendimento nos hospitais universitários, que cumprem todos os requisitos de desempenho acadêmico, mas estão impedidos de progredir para a função de professor associado.
Essa retenção forçada é consequência de uma lei com exigências excludentes, extemporâneas e burocráticas – travas criadas no passado que funcionam como um pedágio institucional (Decreto-Lei 38.765/2012). Na prática, o congelamento da progressão serve como um mecanismo de economia forçada para o Estado, realizada às custas do adoecimento, da desvalorização e do confisco salarial daqueles que de fato carregam a universidade no dia a dia.
Focar exclusivamente na criação da função de titular é uma saída politicamente confortável para o governo, mas deixa a base da pirâmide desamparada.
Aos colegas docentes adjuntos, fazemos um chamado à mobilização urgente. A inércia cobra um preço alto em nossos contracheques e em nossa dignidade profissional. Se não pautarmos a nossa realidade agora, continuaremos invisíveis.
Exigimos uma carreira justa, mediante a aprovação do dispositivo substitutivo (Minuta/2025), construído por anos de discussões, inclusive com a participação do próprio governo e que agora está engavetado na Secretaria de Administração (SAD PE) expressando o descaso e o desrespeito aos professores.
A comunidade dos professores adjuntos não aceita propostas de natureza excludente e manifesta suas exigências centrais aos futuros governantes de Pernambuco:
• Fim imediato das travas legais e anacrônicas com a conclusão da tramitação da Minuta/2025, e a manifestação formal do Governo do Estado;
• Garantia de fluxo real e previsível de progressão na carreira;
• Tratamento da base docente como prioridade.
POR UMA CARREIRA DOCENTE JUSTA PARA OS ADJUNTOS DA UNIVERSIDADE DE PERNAMBUCO!
Profa. Rejane Ferreira e Profa. Gleicy Fátima Medeiros de Souza
Representantes dos professores adjuntos no Conselho Universitário da Universidade de Pernambuco. Recife, 6 de setembro de 2026.



















