Antonio Magalhães*
O verde e o amarelo tomaram conta das ruas neste 7 de setembro. A onda bicolor lançou seu grito de guerra para sanear o país. Contudo, antes de começar a concentração para a mega manifestação da avenida Paulista, em São Paulo, usuários do vermelho, incomodados com a iniciativa bem-sucedida, tentaram tumultuar a rua. Mascarados sem motivo, talvez com medo de serem reconhecidos pela polícia, eles insistiam inutilmente junto aos passantes que as cores que representam o país também pertenciam à esquerda.
De fato, os símbolos nacionais pertencem a todos os brasileiros. Refletem a nossa singularidade, o sentido de pátria, a terra dos pais, lugar de nascimento, uma história, uma cultura, um mesmo idioma. Enfim, um vínculo de afeto, orgulho e pertencimento que nos une. E por que os esquerdistas nacionais querem usar agora o verde e amarelo nas suas manifestações, predominantemente encarnadas? Argumentam que desejam resgatar as cores nacionais de uma direita que já incorporou esses tons como simbologia do patriotismo, termo que arrepia os canhotos.
Leia maisÉ uma ingenuidade, entretanto, acreditar em tal propósito. Na verdade, a esquerda vê que esses símbolos genuinamente nacionais – a bandeira, o verde e o amarelo – são fatores de agregação. Eles vêm sendo usados com sucesso em manifestações de rua há quase 10 anos em oposição aos vermelhos do PT e satélites esquerdistas.
Com certeza, a esquerda nacional ficaria deslocada com essas novas cores, como quem veste roupa maior de outro. O verde, segundo o estudo psicológico das cores, transmite calma, perseverança, tenacidade, autoconsciência, orgulho, meio ambiente saudável, boa sorte, renovação, juventude, vigor, generosidade e fertilidade. Já o amarelo reflete sabedoria, conhecimento, relaxamento, alegria, felicidade, otimismo, idealismo, imaginação, esperança e claridade.
Portanto, as cores que a esquerda quer usar em suas manifestações não combinam com o ânimo dessa turma que baba ódio diariamente contra a possibilidade de retomada democrática que vai dar um novo rumo para o País, bem distante do envolvimento em corrupção da cúpula governista atual e que vem levando o Brasil a uma brutal recessão econômica.
Já a cor vermelha e as bandeiras encarnadas usadas pela esquerda nacional e internacional sempre refletiram um sentimento raivoso. De acordo com os mesmos estudos psicológicos, a simbologia dessa cor está marcada pelo fogo e pelo sangue. Está associada ao perigo, à raiva, à paixão, à fúria, à agressão, à guerra e à violência. O que é bem representado nas ditaduras comunistas do Planeta.
A falecida União Soviética puxou o cordão das flâmulas vermelhas e deu no que deu. Hoje, a Rússia, que centralizava a URSS, usa na sua bandeira o branco, o azul e o vermelho, sem predominância desta última cor. A Coreia do Norte e Cuba, regimes fracassados que deixam seus compatriotas morrer de fome e de falta de liberdade individual, continuam usando o vermelho nas manifestações governistas de rua.
A China, um caso excepcional de ditadura comunista com desenvolvimento econômico, continua tendo como símbolo o vermelho ao comemorar os 76 anos da revolução maoísta. E foi usando essa cor que o regime chinês lançou na década de 1960 o chamado “Livro Vermelho de Mao”, com os dizeres mais radicais do que qualquer revolução, estimulando inclusive filhos a denunciarem os pais à Guarda Vermelha por supostos desvios revolucionários. Como eles são ruins em contabilizar mortos pela política, presos por expressar opiniões e contaminados por pandemias “made in China”, o Ocidente jamais vai saber o tamanho do desastre causado pelo ditador Mao Tse Tung e seus filhotes.
Os chineses usam hoje os panos vermelhos para fechar negócios e comprar nações e consciências, aqui e acolá. Mesmo com a melhoria do bem-estar dos seus dois bilhões de habitantes, a cúpula do Partido Comunista Chinês mantém com mão forte o controle da nação. E ai daquele que se meter a independente. O preço pode ser o fim do negócio, a prisão ou até mesmo medida mais drástica. Como a liberdade de imprensa é impensável nesse regime, o silêncio prevalece.
O verde e o amarelo, portanto, jamais vão ser as novas cores da esquerda. Isso só passa na cabeça de “militontos” que gostam de enganar brasileiros. Mas pode até existir uma segunda intenção nessa conversa mole. Um grupo imagina criar manifestações cenográficas com auxílio da Inteligência Artificial para se passarem por multidões mistas de amarelos e vermelhos, com a base dos comícios anteriores da direita. Ou até mesmo montar mínimas aglomerações com manifestantes “fakes” vestindo as amarelinhas da CBF e apontar o fracasso do evento. Sempre com o objetivo de confundir o eleitor. Não me engane que não gosto. É isso.
*Jornalista
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