A ADPF (Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal) quer que o procurador-geral da República, Paulo Gonet, se declare impedido de atuar nos casos em que foi citado na investigação do Banco Master.
Em nota divulgada neste sábado (5), a entidade manifestou “indignação e preocupação com a instauração” de uma apuração pela Procuradoria-Geral da República. O Procedimento de Controle Externo da Atividade Policial mira a conduta da PF na elaboração do relatório que citou conversas do banqueiro Daniel Vorcaro com o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes, além do próprio Gonet. As informações são do UOL.
Leia maisA ADPF pediu que Gonet “se declare impedido e se abstenha de praticar atos, seja como fiscal da lei, seja como titular do controle externo”. O impedimento se refere aos procedimentos relacionados aos fatos em que é citado.
Mensagens trocadas por Vorcaro, que constam do relatório da PF, indicaram proximidade entre o banqueiro e Gonet. O PGR atua nos procedimentos em que o empresário é alvo.
O banqueiro usou um emissário, o advogado Ciro Soares, para conversar com Gonet. Vorcaro incluiu o PGR no seleto rol de convidados de uma degustação de charutos e do uísque Macallan realizada em Londres.
Em 28 de março, Gonet disse que estava “com saudade” de Vorcaro e disse estar torcendo por ele. “Que bom! Estou na torcida por vocês”, disse. Horas após a divulgação do documento, o chefe do Ministério Público Federal pediu o arquivamento do caso.
Os delegados também pediram que o procedimento instaurado pela PGR seja arquivado. Segundo a entidade, trata-se de “via inadequada ao questionamento de ato do STF”. “E que os fatos que vieram à tona pela operação Compliance Zero sejam apurados em toda a sua extensão, sem seletividade quanto às autoridades envolvidas.”
“A associação prestará integral assistência aos associados alcançados por procedimentos instaurados nessas circunstâncias. Assegurar que ninguém seja responsabilizado por cumprir ordem judicial não é defesa corporativa: é defesa da capacidade do Estado brasileiro de investigar sem receio de retaliação”, declarou a ADPF.
A associação representa mais de 2.300 delegados da PF. A entidade registrou que os profissionais produziram o relatório por determinação do relator do caso, o ministro André Mendonça.
“Os delegados e servidores que dele participaram cumpriram ordem judicial, nos estritos limites nela fixados, sem margem para juízo próprio de conveniência sobre o que lhes foi determinado pelo juízo competente”, disse a ADPF, em nota.
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