A evolução dos meios digitais é notável a cada eleição presidencial, e a deste ano será fortemente influenciada pelo que se passa nesse ambiente. É a visão do estrategista e cientista de dados Alek Maracajá, com relação à disputa pelo Palácio do Planalto e também aos comandos dos Executivos estaduais.
“Hoje a gente acompanha muito a pesquisa tradicional. Pesquisa de campo passa por alguns momentos em que é importante entender o cenário atual, o medo da pessoa que está sendo entrevistada, se tem que falar a favor do prefeito ou do governador. Tudo isso tem que ser interpretado na pesquisa. Hoje tem um ambiente que a gente vem estudando muito, que é o ambiente digital. Eles não são diferentes, apenas medem pontos distintos. A pesquisa de campo mede a intenção declarada de voto, e o digital mede o comportamento, a velocidade da narrativa. Hoje acredito que o que pode interferir em uma pesquisa de campo é o movimento digital. Todos estão conectados. Então uma narrativa digital pode interferir, sim, na pesquisa de campo que está sendo realizada hoje”, explicou Maracajá, em entrevista ao podcast Direto de Brasília.
Para o especialista, o ambiente digital permite mais liberdade ao entrevistado de declarar o que quiser. “Sempre defendo que a melhor pesquisa é o digital. A pessoa se esconde, mas tem uma liberdade por trás do celular, do computador, em que ela pode declarar o que quiser. Hoje o digital tem uma precisão mais certeira. Por isso, o tracking às vezes dá uma diferença grande, depende da cidade, do momento. A gente tem que entender que hoje a pesquisa passa por algumas mudanças. Claro que ela não vai substituir o digital e vice-versa, são coisas trabalhando cada vez mais juntas. Uma pesquisa qualitativa que quer chegar e perguntar o que a pessoa está sentindo, isso o digital não consegue dar, pelo menos até agora. Mas em algum momento vai conseguir”, observa.
Ele ressaltou a importância de avaliar a reputação e a seriedade dos institutos para formar a opinião sobre as pesquisas. “A gente sempre confronta dados de pesquisa com dados de digital. Meu dever hoje é analisar o instituto, se é sério, quantos anos tem, é um dever de casa que faço. Tenho uma leitura mais cuidadosa com institutos que tenho mais conhecimento, que têm mais vida na política. A gente sabe que tem muito instituto terrível, com informações que a gente nem sabe de onde vieram, como um número cruza com outro. Matematicamente falando, são terríveis. E os políticos adoram isso. Nós que somos cientistas de dados, trabalhamos com política, com informação jornalística, a gente tem muito cuidado com esse tipo de fonte desses dados”, completou Maracajá.

















