“Armação entre polícia e política para encobrir uma grande queima de arquivo”, diz Xico Sá sobre morte de PC Farias
A versão oficial para as mortes de PC Farias e de sua namorada, Suzana Marcolino, nunca eliminou as suspeitas em torno do caso. Para o jornalista cearense Xico Sá, que mergulhou na trajetória do ex-tesoureiro de Fernando Collor para escrever O Tesoureiro: o esquema de corrupção, a fuga espetacular e a morte de PC Farias, a hipótese mais consistente é ainda mais grave. “Creio que a tese mais correta, e tudo leva a crer, é que foi uma armação entre a polícia e a política para encobrir uma grande queima de arquivo”, afirmou, ontem, em entrevista ao podcast Direto de Brasília.
PC e Suzana foram encontrados mortos em 23 de junho de 1996, na praia de Guaxuma, em Maceió. Xico sustenta sua desconfiança na maneira como as primeiras investigações foram conduzidas, citando desde a destruição do colchão em que o casal dormia até alterações na cena do crime. O biógrafo também menciona as dúvidas que cercaram a morte, dois anos antes, de Elma Farias, mulher de PC. “Parecia que estava todo mundo correndo para resolver logo uma versão de que teria sido um crime passional. Inclusive a família”, disse.
Leia maisA investigação para o livro, previsto para setembro, levou Xico também a redimensionar o papel desempenhado por PC no Governo Collor. Em vez de um simples operador financeiro ou arrecadador de campanha, o jornalista descreve uma relação muito mais profunda entre os dois. “Era uma sociedade, não era colaboração eventual ou dinheiro do PC que pingou na mão do Collor. A montagem era de uma sociedade, e essa é a grande história”, ressaltou. Segundo ele, o Fiat Elba, que se tornou símbolo do escândalo que levou ao impeachment, estava longe de representar o tamanho das transações entre eles. “Do Fiat Elba, PC deu uma Mercedes ao Collor”, revelou.
Entre os achados mais contundentes da apuração está a relação de PC com integrantes dos próprios órgãos encarregados de procurá-lo durante a fuga. “O delegado Edson Oliveira, que era chefe da Interpol no Brasil, estava na folha de pagamento do PC Farias. Ele dava entrevistas, fingia que estava procurando PC, e na verdade estava na mão do PC”, relatou Xico. Segundo o biógrafo, Oliveira chegava a avisar ao ex-tesoureiro por onde passariam as equipes policiais e da Interpol.
Essa relação ajuda a entender um dos capítulos mais impressionantes reconstruídos pelo biógrafo: a fuga de PC do Brasil, em 1993. Procurado pela Justiça, o ex-tesoureiro contratou um grupo especializado em retirar fugitivos da América Latina e conseguiu deixar o país pelo Sertão pernambucano. “Ele raspa o bigode, bota peruca e sai escondido de Maceió rumo a uma fazenda em Pernambuco. Ele contrata um grupo especializado em fugas de criminosos […] e parte em um teco-teco do Sertão de Pernambuco”, contou Xico. O itinerário passou por Paraguai e Argentina antes de terminar em Londres.
Foi na capital inglesa que Xico, então repórter da Folha de S.Paulo, descobriu o paradeiro de PC, em outubro daquele ano. No dia seguinte à publicação, o jornalista Roberto Cabrini conseguiu entrevistá-lo para o Jornal Nacional. Agora, três décadas depois, o biógrafo afirma ter reconstruído detalhes inéditos da operação que permitiu a fuga, inclusive a participação do grupo contratado por PC e sua conexão com o então chefe da Interpol no Brasil.
O livro ainda recupera uma ambição pouco conhecida do ex-tesoureiro: construir uma dinastia política própria em Alagoas capaz de disputar espaço com famílias tradicionais como os Collor, os Palmeira e os Bulhões. PC não conseguiu concretizar o projeto, mas seus irmãos permaneceram na política. Augusto Farias exerceu quatro mandatos de deputado federal, enquanto o médico Luiz Romero Farias foi escolhido suplente de Arthur Lira (PP), candidato ao Senado neste ano. “A família não obteve o sonho de virar um grande clã alagoano, mas está aí de carona com Arthur Lira. Esse sim conseguiu fazer um grande clã e tenta avançar agora em outubro como senador”, observou Xico.
Raquel rebate João sobre cortes na saúde – A governadora Raquel Lyra (PSD) rebateu, ontem, a afirmação de João Campos (PSB) de que o Estado teria reduzido em R$ 500 milhões os recursos próprios destinados à saúde. Mais cedo, durante agenda no Sindicato dos Odontologistas, o candidato ao Governo de Pernambuco disse que, enquanto a União destinou R$ 2 bilhões ao setor, a gestão estadual deixou de aplicar R$ 500 milhões. Raquel contestou os números e afirmou que Pernambuco investiu R$ 2,5 bilhões, além dos recursos federais. “Ano a ano a gente tem recebido, feito e executado recordes de investimentos na saúde pública”, declarou.

Sem identidade – Em entrevista ao blog da Folha, ontem, o senador e candidato à reeleição ao Senado, Humberto Costa (PT), comentou sobre a “suposta” relação do deputado Túlio Gadêlha (PSD), que também concorre a uma vaga no Senado, com o presidente Lula (PT). “As pessoas conhecem a história de cada um. Eu posso falar por mim. Eu acho que tenho uma identidade inquestionável na relação com Lula. Fui fundador do PT, sempre militei no partido, estive com o presidente nas horas difíceis e nas mais fáceis. Eu tenho uma história, uma identidade. Eu acho que todo mundo pode apoiar Lula – e é ótimo que apoiem – mas eu acho que as pessoas sabem o que é a prioridade de Lula e quem tem mais identidade”, finalizou.
Mandados de prisão – Um levantamento feito pelo portal G1, ontem, mostrou que nove candidatos das eleições de 2026 são alvos de mandados de prisão em aberto. Os casos envolvem dívidas de pensão alimentícia. Nessas situações, o juiz emite a ordem de prisão não porque a pessoa cometeu um crime, mas para forçá-la a fazer o pagamento. Somadas, as dívidas chegam a R$ 95.221,88. Somente um dos nove mandados não informa o valor em atraso. Cinco nomes concorrem a deputado federal, três a deputado estadual e um a segundo suplente de senador. Eles disputam as eleições em seis estados.
Sem baixar a cabeça – O presidente Lula (PT) afirmou, ontem, que o Brasil precisa “ter força para poder dizer não”. “A gente tem que estar preparado para ele saber que a gente vai ter força pra poder dizer não, que a gente vai ter força pra poder dizer: ‘Vamos competir’. O que a gente não pode é ser um país desse tamanho de cabeça baixa a vida inteira”, declarou. Apesar de não citar nomes, o petista pode ter feito uma referência ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano). Os dois mantêm uma relação de altos e baixos, com um tensionamento com a aproximação das eleições brasileiras. No discurso, Lula defendeu a soberania nacional. “A gente não tem soberania nacional só porque a gente faz discurso. Sabe, o discurso é só palavra, que o adversário às vezes nem escuta”. As informações são do portal Poder360.

Michelle lidera no DF – A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) lidera a pesquisa Real Time Big Data para o Senado no Distrito Federal, com 25% das intenções de voto. O levantamento indica que Leila do Vôlei (PDT) tem 17% e está tecnicamente empatada com Bia Kicis (PL) e Erika Kokay (PT), que somam, cada uma, 15%. Logo atrás, aparece o desembargador aposentado Sebastião Coelho (Novo), com 8%. Cristian Viana (Podemos) foi escolhido por 2%, mas ele não concorre ao cargo de senador – disputa como segundo suplente de Michelle Bolsonaro. Com a confirmação de sua candidatura, Michelle tornou-se a segunda ex-primeira-dama da República a concorrer a um cargo eletivo. Antes dela, apenas Rosane Malta, conhecida anteriormente como Rosane Collor e ex-mulher do ex-presidente Fernando Collor de Mello, havia disputado uma eleição.
CURTAS
GOLPE – O Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE) emitiu um alerta sobre uma tentativa de golpe por telefone que utiliza indevidamente o nome da Justiça Eleitoral. Durante a chamada, uma gravação ou uma pessoa se apresenta como representante da Justiça Eleitoral e solicita que o eleitor digite 1, caso precise de orientações, ou 2, caso esteja com a situação eleitoral regular.
GOLPE II – O TRE-PE esclarece, no entanto, que a Justiça Eleitoral não realiza ligações para solicitar que eleitores confirmem a regularidade da situação eleitoral por meio da digitação de números, nem entra em contato dessa forma para oferecer orientações. A Justiça Eleitoral reforça a orientação para que os eleitores utilizem somente os canais oficiais para consultar informações sobre o título e outros serviços eleitorais.
REABERTURA – A chefe do Gabinete do Centro do Recife (Recentro), Ana Paula Vilaça, anunciou, ontem, a reabertura da Rua da Imperatriz, na Boa Vista, para a circulação de carros, atendendo a um antigo pleito dos proprietários de imóveis e comerciantes da área. A previsão é que a medida seja implementada em setembro, a partir de uma intervenção de urbanismo tático.
Perguntar não ofende: Raquel consegue provar que não cortou R$ 500 milhões da saúde?
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