Um assunto que tem sido muito comentado em todo o Estado, mas sobretudo no Sertão, mais especificamente no São Francisco e em Petrolina, é o impacto que a candidatura de Miguel Coelho a deputado federal poderá provocar dentro da própria família.
Os Coelhos já viveram momentos semelhantes no passado, quando o ex-senador Fernando Bezerra, pai de Miguel, rompeu com Oswaldo Coelho, o tio, e os dois seguiram caminhos políticos opostos. A partir dali, foram anos de disputas e de uma divisão que marcou profundamente a política de Petrolina.
Leia maisAgora, porém, a situação é diferente, e talvez ainda mais delicada. Petrolina já tem um deputado federal reconhecido pelo trabalho que realiza: Fernando Filho. A candidatura de Miguel, sem dúvida alguma, não apenas coloca em risco a reeleição do irmão, como pode tirar dele todo o protagonismo político que construiu ao longo dos anos.
É como se Fernando Filho passasse a ser apenas uma espécie de “mamulengo”, um brinquedo de conveniência política nas mãos de Miguel. O mesmo raciocínio vale para Antônio Coelho.
E é justamente aí que a história começa a fazer uma conexão incômoda com o passado e com uma velha tradição política que remonta ao próprio coronelismo. Quem não lembra do coronel Quelê, considerado o grande líder do clã dos Coelhos, em um tempo em que todos tinham que trabalhar, obedecer e se sujeitar àquilo que ele determinasse.
O que se vê agora guarda alguma semelhança com aquela lógica de poder familiar: um projeto político que parece se sobrepor aos espaços e às trajetórias construídas pelos próprios irmãos ou familiares.
A situação fica ainda mais curiosa quando se olha para a trajetória recente de Miguel. Ele tentou disputar o Governo de Pernambuco e terminou em último lugar. Depois, tentou viabilizar uma candidatura ao Senado ao lado de João Campos e recebeu uma negativa. Na sequência, veio outra negativa, desta vez da governadora.
Agora, resta a candidatura a deputado federal, justamente no espaço onde o irmão já exerce mandato e tem sua própria trajetória. Mas uma coisa parece certa: se a disputa familiar realmente caminhar nessa direção e os três forem eleitos, o clã ganha status relevante na política estadual. Do contrário, pode ser o castelo de areia.
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