Por Rudolfo Lago – Correio da Manhã
Até o último momento, o candidato do PT ao Governo do Distrito Federal tentou conseguir unir os partidos de esquerda, a exemplo do que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva faz nacionalmente. Chegou a adiar por um dia sua convenção com esse intuito. Não conseguiu. O PSB, com Ricardo Capelli, disputará com ele os votos do segmento.
Esse, porém, não parece ser o único problema de Grass, que na pesquisa Correio/Opinião Inteligência, divulgada na quarta-feira (5), aparece em terceiro na disputa, com 9,8%, 14,2 pontos atrás de José Roberto Arruda (PSD), que tem 24%. Se hoje o avanço político de um candidato depende de seu desempenho nas redes sociais, esse é também um problema para ele, segundo aponta o Índice Brasil de Impacto Digital (iBR), realizado pelo DSC Lab. Dos candidatos pesquisados, Grass é quem tem o pior desempenho.
Leia maisO Índice Brasil de Impacto Digital analisa mensalmente o desempenho nas redes sociais dos candidatos, atribuindo pontos a eles a partir de uma métrica que analisa diversos aspectos. No caso do DF, o iBR mede os desempenhos da governadora Celina Leão (PP), de José Roberto Arruda (PSD), Paula Belmonte (PSDB) e Kiko Caputo (Novo), além de Grass e Capelli. De todos, quem tem a menor nota é Grass. Com um agravante para ele: seu desempenho piorou. Foi o único candidato a perder visualizações em julho.
No iBR, Grass está quase 57 pontos atrás do desempenho de Celina Leão, que lidera. A governadora, que disputa a reeleição, teve em julho uma pontuação de 81,04. Grass, no sexto lugar, ficou com 24,4 pontos. Depois de Celina, vêm Arruda, com 46,15; Ricardo Capelli, com 41,08; Kiko Caputo, com 35, e Paula Belmonte, com 25,9. No geral, Capelli foi o único a perder pontos entre junho e julho, ficou com 5,02 pontos a menos. Grass, embora tenha perdido visualizações, melhorou na pontuação geral, com mais 8,04 pontos.
Na avaliação feita pelo diretor do DSC Lab, Tiago Falqueiro, a divisão com a candidatura concorrente de Ricardo Capelli no campo da esquerda fica visível nas interações e comentários das redes de Leandro Grass. “De um lado, aclamação de futuro governador, lulismo e capital de educador. De outro, endosso à denúncia contra Ibaneis e Celina (…) e um bloco menor que tensiona a hierarquia interna da esquerda”.
Celina Leão lidera o ranking. Centra suas postagens em tentar mostrar as realizações do governo, especialmente na área da saúde. E faz enorme esforço para se descolar do ex-governador Ibaneis Rocha, de quem herdou a crise do BRB/Master. Nos posts de Celina, o passado fica de fora e a gestão se apresenta como “novo governo”.
Celina, no entanto, precisa se preocupar com o desempenho de Arruda, que parece hoje ser seu principal adversário. Celina está 34,89 pontos à frente de Arruda. Mas o candidato do PSD aumentou em 22,5 pontos o seu dempenho desde maio, passando de 23,7 pontos para 46,15. Em junho, ele tinha perdido o segundo lugar para Capelli.
As visualizações de Arruda subiram 7,5 vezes, passando de 900 mil para 6,8 milhões. O jornalista Ricardo Capelli parece ter uma boa presença nas redes. Mas perdeu espaço. “O socialista perdeu cerca de 30% das interações e ainda sobre com a temperatura mais alta no debate em seus comentários, com forte presença de ataques e oposição”.
Se Celina tenta se descolar de Ibaneis Rocha, de quem foi vice-governadora, seus adversários esforçam-se para fazer o caminho oposto. Kiko Caputo usa nas suas redes para a governadora o apelido “Celineis”, reforçando que a tentativa da governadora de se apresentar como “um novo governo” esconde que ela foi vice de Ibaneis.
Caputo se apresenta com um “candidato de renovação” e “combate à velha política”. “A tese recorrente é que ao DF não faltaria dinheiro, e sim gestão e caráter, sob o governo Ibaneis-Celina”, observa Tiago Falqueiro. Finalmente, o iBR observa o comportamento de Paula Belmonte. Ela aparece com a maior base de seguidores.
A candidata do PSDB, porém, mostra baixo engajamento. “Paula Belmonte manteve a maior base, mas segue sem conseguir movimentar seus seguidores”, considera o diretor do DSC Lab”. Assim, se hoje, em vez dos antigos comícios, a campanha se faz pela internet, é assim que se comportam os candidatos ao GDF.
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