Por Inácio Feitosa*
Há uma honestidade que só se conquista quando se muda de lugar. Já fui oposição na OAB Pernambuco. Depois, estive dentro da gestão de Ingrid Zanella, à frente da criação da OAB Editora – a primeira editora de uma seccional da advocacia no país. Hoje, observo a advocacia pernambucana de fora, sem cargo, sem chapa e sem interesse. É desse lugar – de quem já discordou, já colaborou e agora analisa à distância – que afirmo com convicção: a advocacia estará ao lado de Ingrid e consolidará a união da classe nas eleições de 2027.
A primeira em 93 anos
Ingrid Zanella é a primeira mulher a presidir a OAB Pernambuco em 93 anos de história. Chegou pela porta da frente, com a maior votação já registrada na seccional – mais de onze mil votos –, num pleito disputado contra dois adversários. Não foi ungida por ninguém: foi escolhida pela advocacia. Assumir a OAB em tempo de aperto orçamentário, com anuidade contida por anos e uma categoria pressionada pela precarização, e ainda entregar resultados concretos, não é obra do acaso. É competência, método e coragem.
Leia maisA grande vitória da advocacia da ativa
Valorizo o que se mede por resultado. Por isso destaco a realização que fala diretamente ao bolso e à dignidade de quem exerce a profissão todos os dias: a advocacia da ativa, que vive dos próprios honorários. Sob a liderança de Ingrid, Pernambuco tornou-se pioneiro com a legislação que assegura o destaque dos honorários advocatícios – inclusive nos processos administrativos, aprovada por unanimidade em parceria com o poder público. É segurança jurídica para o advogado e o reconhecimento, na prática, de que honorário não é favor: é a natureza alimentar do trabalho da advocacia. A isso se somam a diretoria de prerrogativas, os mutirões de RPVs e precatórios, a defesa da inscrição suplementar contra a concorrência desleal, o aplicativo que aproximou os serviços da Ordem do advogado e a Editora, que democratizou a produção de conhecimento jurídico e cultural da classe. Gestão que entrega. Gestão que faz.
Independência não se herda: exerce-se
Há quem tente reduzir esta gestão a uma suposta continuidade de grupos do passado. Não há como sustentar a tese: quem conhece a história política da Ordem sabe que aqueles grupos encerraram sua vida útil há muito tempo. Ingrid não pertence ao grupo A, ao grupo B nem ao grupo C. É totalmente independente e autônoma, e exerce uma liderança de alcance e articulação extraordinários, sem se curvar a padrinhos. Essa independência é a garantia de que a OAB seguirá sendo a casa de toda a advocacia, e não o quintal de facção alguma.
Do Cais ao Sertão
Sou do Sertão e faço questão de dizê-lo. Por isso reconheço o compromisso desta gestão de valorizar igualmente o Cais e o Sertão – de estar em Petrolina, São José do Egito e Ouricuri com a mesma seriedade com que se está no Recife. A interiorização deixou de ser promessa para virar prática de gestão. Defendo a reeleição de Ingrid Zanella por três razões: a certeza de uma gestão equilibrada e madura; a valorização efetiva do Sertão e do Cais, sem hierarquia entre regiões; e a aposta num projeto que inclui todos os segmentos da advocacia – a jovem e a experiente, a pública e a privada, a mulher advogada, o interior e a capital, o grande escritório e o profissional autônomo. Uma OAB que não escolhe uma parte da classe: representa a classe inteira.
2027 será um momento de escolhas, e escolhas responsáveis também sabem reconhecer o que funciona. Quando há trabalho, resultados e um caminho que se consolida, a continuidade deixa de ser apenas uma opção e passa a ser uma decisão de responsabilidade. Falo como quem já foi voz dissonante e, por isso mesmo, tem autoridade para reconhecer o acerto. Por convicção, e não por conveniência, é do lado de Ingrid que estarei.
*Advogado, mestre em Educação pela UFPE e escritor
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