A ligação que esvaziou o discurso de Túlio
A relação entre o presidente Lula (PT) e o pré-candidato ao Governo de Pernambuco pelo PSB, João Campos, ganhou um novo capítulo, colocando em xeque a narrativa apresentada pelo deputado federal Túlio Gadelha (PSD). De acordo com o parlamentar, que é pré-candidato ao Senado na chapa da governadora Raquel Lyra (PSD), Lula “não estava feliz” ao gravar um vídeo de apoio à pré-candidatura de João ao Governo, no último mês. Túlio sugeriu que o gesto teria ocorrido por circunstâncias políticas, e não por convicção, citando, inclusive, que Lula estaria constrangido com o ato.
Porém, ontem, um fato público caminhou em direção oposta. Durante agenda em Brasília, Lula telefonou espontaneamente para João, que participava de um evento em Garanhuns. Na ligação, pediu que ele transmitisse um recado ao público presente. “O presidente ligou e pediu para tirar uma foto com o quadro de dona Lindu. A gente colocou o quadro aqui na frente. Ele estava tirando a foto e, por isso, pediu para interromper a transmissão”, relatou João em vídeo postado no Instagram. O gesto ocorreu de forma natural e foi interpretado como mais um sinal da boa interlocução entre os dois.
Leia maisA sequência dos acontecimentos evidencia uma contradição entre o discurso de Túlio e a postura pública adotada por Lula. A avaliação do deputado de que o presidente gravou o vídeo de apoio a João sem entusiasmo perde força diante da atitude de Lula. Ao telefonar espontaneamente para João, durante uma agenda oficial, e fazer um pedido de caráter pessoal, Lula transmitiu uma imagem de proximidade que contrasta com a narrativa de desconforto apresentada pelo parlamentar.
Na política, gestos costumam falar mais alto do que versões de bastidor. Lula produziu um fato político que torna difícil sustentar a leitura de que teria apoiado João contrariado ou constrangido, deixando a avaliação de Túlio, no mínimo, desconectada da realidade.
A decepção em Camaragibe – O rompimento político entre o deputado federal Sílvio Costa Filho (Republicanos) e o prefeito de Camaragibe, Diego Cabral (PSD), tornou-se irreversível após o gestor municipal decidir não apoiar a reeleição do parlamentar à Câmara dos Deputados. Segundo relatos de bastidores, a mudança de posição de Diego, atribuída a pressões do grupo da governadora Raquel Lyra (PSD) para que ele apoie outro nome na disputa federal, provocou uma forte reação de Sílvio, que se sentiu traído após ter sido um dos principais articuladores da eleição do prefeito em 2024 e parceiro na destinação de recursos para o município. O episódio expôs o fim da aliança entre os dois e abriu um novo capítulo na disputa política em Camaragibe.

Humberto critica gestão Bolsonaro – Durante a inauguração do Hospital de Amor de Garanhuns, o senador Humberto Costa (PT) voltou a fazer duras críticas ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na área da saúde. O petista afirmou que o governo anterior deixou o país seis anos sem renovar a frota do SAMU, desmontou programas como o Brasil Sorridente e o Farmácia Popular e mencionou a postura de Bolsonaro durante a pandemia. “A gente não esquece o que foi a gestão anterior”, afirmou. Humberto também destacou que o novo hospital atenderá exclusivamente pelo SUS, com expectativa de realizar 20 mil atendimentos por mês.
Victor prega diálogo com Raquel – O prefeito do Recife, Victor Marques (PCdoB), afirmou que sua relação com a governadora Raquel Lyra (PSD) será pautada pela institucionalidade, apesar de estarem em campos políticos opostos. Ex-vice de João Campos (PSB), que deixou a Prefeitura para disputar o Governo de Pernambuco contra Raquel, Victor disse que não pretende misturar disputa eleitoral com gestão pública. “O recifense nunca vai ser punido por nenhuma decisão política que se sobrepõe a uma decisão institucional”, declarou. O gestor também afirmou ter “muita segurança” de que João será eleito governador.
Raquel fecha ciclo de entregas – A governadora Raquel Lyra (PSD) encerrou a agenda de atos públicos antes do início das restrições eleitorais reunindo mais de 100 prefeitos aliados no Palácio do Campo das Princesas. Na cerimônia, assinou ordens de serviço e convênios que somam R$ 2,6 bilhões destinados aos municípios. A partir de hoje, candidatos no exercício do cargo ficam impedidos de participar de inaugurações, realizar publicidade institucional e fazer transferências voluntárias de recursos, salvo as exceções previstas na legislação eleitoral.

Lula entrega pacotaço – O presidente Lula (PT) também aproveitou o último dia antes das restrições eleitorais para anunciar um pacote de entregas nas áreas de saúde, educação e moradia. O evento teve transmissões simultâneas em 12 cidades e mobilizou ministros, secretários, parlamentares aliados e o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB). Na educação, foram inaugurados dez campi de institutos federais, com R$ 206,6 milhões em investimentos. Lula voltou a criticar o defeso eleitoral, que chamou de “papagaiada desgraçada”, e disse que, mesmo sem poder inaugurar obras, continuará visitando ações do governo.
CURTAS
Michelle elogia programa de Lula – A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) surpreendeu ao elogiar a Política Nacional de Educação Bilíngue de Surdos, lançada pelo governo do presidente Lula (PT). Em publicação nas redes sociais, classificou a iniciativa como “um sonho realizado” e destacou que a medida fortalece a autonomia da comunidade surda.
Bolsonarismo reage – O elogio de Michelle Bolsonaro (PL) ao programa lançado pelo governo Lula (PT) provocou forte reação entre apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Nas redes sociais, a ex-primeira-dama foi chamada de “traidora” por parte da militância e virou alvo de críticas de aliados do bolsonarismo. O episódio ocorre poucos dias após o racha público com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e amplia o desgaste interno no Partido Liberal.
Pressionado pelo Master, Ciro elogia Lula – Investigado no caso Banco Master, o senador Ciro Nogueira (PP-PI) surpreendeu ao elogiar o presidente Lula (PT) durante agenda no Piauí. Ex-ministro da Casa Civil de Jair Bolsonaro (PL), Ciro afirmou admirar o petista pelo enfrentamento à fome e voltou a adotar um tom diferente das críticas frequentes que fazia ao governo. A mudança ocorre em meio às investigações da Polícia Federal e ao distanciamento político em relação ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Perguntar não ofende: Quantos telefonemas de Lula ainda serão necessários para convencer Túlio?
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