O presidente Lula fez um apelo ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil -AP), para que ele paute a votação da PEC da Segurança Pública (PEC 18/2025), já aprovada na Câmara dos Deputados, e que cria diretrizes nacionais para integrar as polícias e combater o crime organizado. Em sua participação no programa Sem Censura, da TV Brasil, nesta sexta (22), Lula disse que, se a proposta for aprovada, ele vai criar o Ministério da Segurança Pública em 15 dias.
— Faço um apelo ao Alcolumbre. Coloque para votar a PEC da Segurança, para resolvermos definitivamente o problema da segurança — afirmou Lula, no início do programa. — Se a PEC for aprovada, 15 dias depois eu crio o Ministério da Segurança Pública. Não posso aceitar a ideia de que bandidos dominam território. O território é do povo brasileiro e bandido tem que ser punido e ir para a cadeia. As informações são do jornal O GLOBO.
Leia maisO presidente dedicou a primeira parte da sua fala no programa ao tema da segurança pública que, segundo a Quaest, é a principal preocupação da população brasileira, e deve ter muito espaço nas eleições. Lula citou iniciativas do seu governo, como leis contra facções do crime organizado e a proposta de transformar 138 presídios em unidades de segurança máxima.
— O problema da segurança publica é sagrado para o povo brasileiro. O povo não quer ser vítima de bala perdida — disse o presidente, que também criticou problemas no judiciário, e nas polícias. — A polícia não pode matar antes de investigar. Também sei que o policial não ganha o salario que deveria ganhar, não é preparado, e vai para a rua com medo.
A PEC da Segurança Pública foi aprovada em março na Câmara dos Deputaos e agora falta ser pautada para votação no Senado. O texto cria diretrizes nacionais para integrar as polícias e combater o crime organizado, dando status constitucional ao Sistema Único de Segurança Pública, e reforçando a Polícia Federal, a Polícia Rodoviária Federal e a Guarda Nacional.
Segundo Lula, os investimentos na segurança, após a aprovação da PEC, somariam cerca de R$11 bilhões. Ele disse, porém, que há governadores que não gostariam das mudanças.
— Nós queremos unir forças. Alguns governadores não querem que a gente aprove PEC, porque não quer que a gente se meta, é um pedaço de poder que o governador não quer abrir mão. Mas a questão de segurança vai ser sagrada para nós — afirmou Lula, que admitiu um possível “erro” na Constituição de 1988 ao não definir o devido papel do governo federal na segurança e relegar a responsabilidade quase exclusivamente aos governos estaduais, uma medida, na época, que visava diminuir a ingerência do Exército.
Química e conselho a Trump
Lula reforçou que conversou sobre o tema da segurança pública no seu último encontro com Donald Trump, com quem tem falado por telefone, complementou. Ele explicou que, assim como o presidente americano, ele também tem o objetivo de combater o narcotráfico, e por isso reclamou dos paraísos fiscais em Delaware, estado dos EUA, usados para esquemas de lavagem de dinheiro.
Segundo Lula, o problema do crime organizado só será resolvido se atacar o poderio econômico das facções. O combate ao tráfico de armas foi outro ponto citado.
Na última reunião com Trump, nesse mês, Lula disse que o presidente americano queria chamar a imprensa para acompanhar a conversa, mas que foi contra, temeroso de que acontecesse algo semelhante ao que viveu Cyril Ramaphosa, presidente da África do Sul. Naquela ocasião, foi registrado, ao vivo, o momento em que Trump exibiu vídeos e fotos de supostas vítimas de violência contra fazendeiros brancos sul-africanos, em um discurso inflamado por fake news.
Lula também fez críticas ao governo dos EUA, como ao citar que Trump não pode se comportar como o “dono do mundo” e nem pode tentar governar o planeta pelo “Twitter”. Mas ele também explicou a famosa “química” entre os dois, destacada pelo próprio Trump, quando tiveram um breve encontro, de 29 segundos, nos bastidores da Assembleia Geral da ONU.
— Peguei na mão dele e falei “precisamos conversar”. Somos dois presidentes de dois grandes países e precisamos conversar. Acabou a conversa e ele disse que rolou a química — afirmou Lula, de forma bem humorada.
O presidente também disse que chegou a dar um “conselho” a Trump durante sua visita à Casa Branca, para que ele demonstrasse mais bom humor.
— Falei “Trump , você nao dá uma risada? Você fica melhor rindo”. Ele disse que gostam dessa postura dele na eleição, mas nao estamos na eleição — lembrou Lula. — Então sorria.
Preço do combustivel
Questionado sobre os preços do combustível, Lula afirmou que briga “todo santo dia” pela redução dos valores, em reunião com a presidente da Petrobrás, Magda Chambriard, a ministra da Casa Civil, Miriam Belchior, e o ministro do Planejamento, Bruno Moretti.
— Brigo todo santo dia para abaixarem. Para não deixar que o desserviço da guerra do Irã traga problemas para comprador de feijão no Brasil — afirmou Lula, que citou expectativa pela redução do preço em breve.
Segundo ele, o governo já adotou medidas para conter os aumentos, mas ainda há distribuidoras que não estariam repassando os efeitos dessas ações ao consumidor.
— Temos que ser duros na fiscalização. Tomamos várias medidas, mas mesmo assim teve distribuidora que não respeitou — respondeu Lula, que criticou a privatização da BR Distribuidora.
Bets e “taxa das blusinhas”
O presidente também foi perguntado sobre a questão das Bets no país. Ele defendeu a proibição desse tipo de jogo, mas destacou que não toma essa decisão por não ser “dono do Brasil”, e citou medidas de controle, incluindo a criação de uma Secretaria Especial dentro do Ministério da Fazenda, e o combate às Bets ilegais, especialmente após a criação de regras próprias para o setor.
— Por mim, proibiria todas as Bets, mas não depende de mim, não sou dono do Brasil. É um vício, porque todo mundo quer dinheiro fácil. Mas precisamos de um processo educacional, junto com as proibições.
Lula ainda mencionou o caso da “taxa das blusinhas” — cobrança de 20% sobre as importações de pequeno valor em plataformas como Shein, Shopee e AliExpress — que foi criada na sua própria gestão, mas extinta nesse mês.
— Falei com Fernando Haddad (então ministro da Fazenda) que o negócio está ficando feio para o nosso lado, o negócio das blusinhas. Estávamos mexendo com parcela muito grande da soicedade, que estava comprando coisa de pouco valor — relembrou o presidente.
Copa do Mundo
Torcedor do Vasco e do Corinthians, Lula falou sobre a próxima Copa do Mundo e a seleção brasileira. Com direito a elogios ao Romário, um “gênio”, como definiu ao relembrar times do passado, o presidente disse que hoje não há mais um ídolo, sem citar Neymar. Mas reforçou sua confiança em uma boa campanha nos EUA e no trabalho de Carlo Ancelotti.
— A gente pode ser campeão do mundo. A gente não está uma Brastemp, mas os outros também não estão. O que me preocupa é a França.
Celular em sala de aula, Terras Raras e escala 6 por 1
Bandeiras recentes do governo — proibição de celular em sala de aula e a redução da escala de trabalho 6 por 1 — foram comentadas por Lula, assim como o debate sobre Terras Raras. O presidente disse que trata esse segmento da exploração mineral sob o ponto de vista da soberania nacional, com a criação de um Conselho especial. Em relação aos celulares, o presidente defendeu que o uso deve ser mediado e evitado entre crianças.
O combate à escala 6 por 1, foco do governo inclusive pelo apelo eleitoral, foi destacado após a pergunta enviada por um telespectador.
— A nova jornada é necessária para tentar melhorar o humor da população. É bom para o país e bom para eles (trabalhadores) — afirmou Lula.
Combate ao feminicídio
Ao longo da entrevista, Lula falou muito sobre temas caros à sua trajetória política, como ações pela redução da desigualdade social e investimentos focados na juventude, especialmente na educação.
O Pacto Nacional Contra o Feminicídio, que completou 100 dias nessa semana, foi outro ponto de destaque na entrevista. Lula defendeu mais investimentos nessa política e disse que, nos últimos 100 dias foi feito mais do que nos últimos 100 anos.
— O combate ao feminicídio não é uma questão da mulher, é uma questão do homem. Já foram aprovadas 11 leis, quatro decretos. Mas não vamos resolver só com leis, as leis vão ajudar, assim como aumentar pena, colocar tornozeleira eletrônica em agressores. Mas se não acreditar que a solução será atraves da educação, nao vai mudar.
Leia menos




















