Flávio murcha após escândalo com Vorcaro
A nova pesquisa Datafolha, divulgada ontem, mostra uma mudança relevante no cenário da disputa presidencial de 2026: o presidente Lula (PT) abriu vantagem sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL) em um eventual segundo turno. Lula aparece com 47% das intenções de voto, contra 43% do parlamentar do PL. No levantamento anterior, realizado há apenas seis dias, os dois estavam tecnicamente empatados, com 45% cada.
A queda de Flávio Bolsonaro interrompe uma trajetória de crescimento que vinha sendo registrada desde o início do ano. Em março e abril, pesquisas apontavam avanço do senador dentro do eleitorado conservador e redução da distância em relação ao presidente.
O recuo ocorre logo após a divulgação de reportagens envolvendo conversas entre Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, sobre apoio financeiro para a produção de um filme relacionado ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Esta foi a primeira pesquisa realizada integralmente após a repercussão do caso. Ainda que o Datafolha não estabeleça relação direta entre os fatos, o timing da queda passou a ser interpretado por analistas e aliados como um possível reflexo do desgaste provocado pelo episódio.
Leia maisOutro fator que chama atenção é o comportamento do eleitor moderado. O crescimento de Flávio Bolsonaro nos últimos meses vinha sendo sustentado pela consolidação do eleitorado bolsonarista e pela tentativa de ampliar pontes com setores menos ideológicos da direita. A nova oscilação, entretanto, sugere que parte desse público pode demonstrar resistência diante de crises e controvérsias associadas ao núcleo político da família Bolsonaro. Isso se torna ainda mais relevante em um cenário de segundo turno, no qual a rejeição costuma ter peso decisivo.
Apesar da vantagem de Lula, o cenário ainda permanece competitivo e dentro de uma margem considerada administrável para ambos os lados. O levantamento indica que a corrida de 2026 tende a continuar polarizada, porém mais sensível a crises de imagem e ao impacto de episódios capazes de influenciar o eleitorado indeciso e de centro.
Crescimento na rejeição – A pesquisa Datafolha também mostrou que 46% dos eleitores não votariam no senador Flávio Bolsonaro (PL) para presidente de jeito nenhum. Em relação ao presidente Lula (PT), 45% dizem não votar no petista. Para a cientista política e professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Mayra Goulart, a pesquisa indica uma interrupção no processo de transferência de votos do ex-presidente Jair Bolsonaro para o senador Flávio Bolsonaro. “A partir desse escândalo, ele deixa de ser uma figura vazia e passa a ser uma figura que tem sua própria rejeição, suas próprias idiossincrasias, que podem dificultar essa transferência de voto”, afirmou a professora em entrevista ao G1.

PL testa Michelle – A nova pesquisa Datafolha colocou a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) em um cenário de segundo turno contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Ela aparece com 43% das intenções de voto, contra 48% do petista, desempenho praticamente idêntico ao registrado por Flávio Bolsonaro (PL) após a crise envolvendo o caso “Dark Horse”. Nos bastidores, dirigentes do PL passaram a discutir a viabilidade eleitoral do senador diante do desgaste provocado pelas revelações sobre Daniel Vorcaro, do Banco Master. O partido trabalha com o início de junho como prazo informal para decidir se mantém Flávio como principal aposta para 2026. Apesar disso, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) segue resistindo à substituição do filho pela esposa.
Ministério da Segurança condicionado – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a defender a criação do Ministério da Segurança Pública e condicionou a medida à aprovação da PEC da Segurança pelo Senado. Em entrevista ao programa Sem Censura, da TV Brasil, Lula fez um apelo direto ao presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP), para pautar a proposta. “Se a PEC for aprovada, 15 dias depois eu crio o Ministério da Segurança Pública”, afirmou. A promessa já havia sido feita pelo petista durante a campanha de 2022, mas enfrentou resistência de governadores e do Congresso. O texto aprovado na Câmara cria diretrizes nacionais para integrar as polícias e fortalecer o combate ao crime organizado.
João e Alckmin anunciam tarifa zero – O ex-prefeito do Recife João Campos (PSB) e o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) anunciaram ontem tarifa zero para exportação de manga e uva produzidas no Vale do São Francisco para a Europa. O anúncio foi feito em publicação nas redes sociais de João, em conversa telefônica com Alckmin. Segundo o vice-presidente, a medida decorre do acordo Mercosul-União Europeia e deve beneficiar diretamente a fruticultura nordestina. João destacou que a região responde por cerca de 90% das exportações brasileiras de manga e uva e afirmou que o objetivo agora é ampliar mercados para outros produtos produzidos em Pernambuco.

Promessa esquecida – Durante a campanha de 2024, o prefeito de São José do Egito, Fredson Brito, afirmou que não nomearia familiares para cargos na prefeitura. Menos de dois anos depois, a esposa do gestor, Lúcia Lima, assumiu a Secretaria Municipal de Saúde após a saída de Dr. Hugo Valadares. A nomeação provocou críticas de adversários políticos e reacendeu o debate sobre coerência administrativa e moralidade pública no município. A Saúde é considerada uma das pastas mais estratégicas da gestão. Até agora, o prefeito não indicou mudança de posição sobre a escolha.
CURTAS
Anderson recua – O ex-prefeito de Jaboatão Anderson Ferreira (PL) decidiu não disputar o Senado em 2026. Segundo interlocutores do partido, a decisão já foi comunicada ao presidente nacional da legenda, Valdemar Costa Neto, e ao senador Rogério Marinho (PL-RN). Anderson deve concorrer a deputado federal, enquanto o irmão, André Ferreira (PL), deve disputar vaga na Alepe. O assunto circulou nos bastidores da Marcha dos Prefeitos, em Brasília.
Espaço na chapa – A saída de Anderson Ferreira (PL) da disputa pelo Senado abriu espaço para nomes ligados ao palanque da governadora Raquel Lyra (PSD). Entre os cotados aparecem o deputado federal Eduardo da Fonte (PP), o ex-prefeito de Petrolina Miguel Coelho (União Brasil) e o senador Fernando Dueire (MDB). Nos bastidores, aliados de Anderson atribuem a desistência também à aproximação de Raquel com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Novo cenário para Gilson – A filiação do ex-ministro Gilson Machado ao Podemos reduziu as chances de uma candidatura ao Senado em 2026. Integrantes do PL avaliam que, se tivesse permanecido na legenda, ele poderia disputar a vaga dentro do campo bolsonarista em Pernambuco. Como o Podemos integra a base da governadora Raquel Lyra (PSD), aliados consideram improvável uma candidatura avulsa. O PL ainda tentou atrair o deputado federal Mendonça Filho (União Brasil), mas as conversas não avançaram.
Perguntar não ofende: Bolsonaro aceitará trocar o filho pela esposa se as pesquisas continuarem piorando?
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