O Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Pernambuco (Sintepe) denunciou, nesta sexta-feira (22), possíveis irregularidades em um contrato de quase R$ 183 milhões executado pelo Governo Raquel Lyra para manutenção e reformas em escolas da rede estadual. Durante coletiva de imprensa realizada, a entidade lançou a campanha “Cadê a Reforma da Minha Escola?” e apresentou um levantamento que aponta indícios de desperdício de dinheiro público e serviços de baixa efetividade em unidades de ensino que passaram por intervenções milionárias.
Segundo o Sintepe, os dados foram obtidos a partir do Portal da Transparência do Governo do Estado. O contrato analisado soma R$ 182.784.905,05 e contempla 798 escolas estaduais. Após reunir centenas de boletins de medição de obras, o sindicato realizou visitas técnicas em 10 escolas da Região Metropolitana do Recife e afirma ter encontrado um cenário que contradiz os altos valores pagos pelo Estado.
Leia maisEntre os problemas identificados estão infiltrações, rachaduras, salas inadequadas para atividades pedagógicas, instalações elétricas precárias com risco de choque, banheiros deteriorados, mato alto, quadras abandonadas e ambientes sem climatização adequada. Em várias unidades, segundo o sindicato, as condições encontradas são incompatíveis com o volume de recursos públicos investidos.
Um dos casos mais emblemáticos apontados pelo levantamento foi o da Escola de Referência em Ensino Fundamental Creusa Barreto Dornelas Câmara, no bairro da Torre, Zona Oeste do Recife. De acordo com o Sintepe, a unidade recebeu intervenções que somam R$ 1.717.583,22. Apesar disso, o sindicato afirma ter encontrado um ambiente marcado por problemas estruturais graves e sinais evidentes de precarização.
Para dar visibilidade às denúncias, o Sintepe lançou um hotsite reunindo documentos, boletins de medição e informações sobre as 798 escolas contempladas pelo contrato. A entidade classifica o caso como um possível “escândalo da educação pública pernambucana”.
O sindicato informou ainda que encaminhou as denúncias ao Tribunal de Contas do Estado (TCE), ao Ministério Público de Pernambuco (MPPE) e ao Tribunal de Contas da União (TCU), solicitando investigação sobre a aplicação dos recursos e a execução das obras.
“A população tem o direito de saber onde foram parar quase R$ 183 milhões pagos pelo Governo do Estado enquanto estudantes e trabalhadores convivem diariamente com escolas deterioradas”, afirmou a direção da entidade.
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