POR LUSMAR SANTOS – BLOG PERNAMBUCO PE
O Movimento Pró-Canal do Sertão segue avançando e, desta vez, a conquista vem de Brasília. Após mais de duas décadas travado em gavetas de governos federais, o projeto de irrigação que promete transformar a realidade do Araripe pernambucano finalmente ganhou fôlego novo: o Ministério da Integração e Desenvolvimento Regional (MIDR) incluiu a atualização do seu estudo de viabilidade no Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC).
A medida garante R$ 14 milhões para repensar, à luz dos dias atuais, a viabilidade técnica, econômica, financeira e social da obra que captaria águas do Lago de Sobradinho, na Bahia, e atravessaria Petrolina até chegar aos municípios do Araripe.
Leia maisPara quem convive com as constantes estiagens e com a dificuldade de manter lavouras e rebanhos vivos no semiárido, a notícia não poderia ser mais significativa. O projeto prevê a irrigação de 120 mil hectares e, nas palavras de quem vive a seca de perto, representa a chance concreta de mudar a história de toda a região. Não é apenas água para plantar: é a possibilidade de gerar emprego, fixar o jovem no campo, diversificar a economia local e, sobretudo, dar dignidade a quem há anos resiste à desertificação com poucas ferramentas do Estado.
Esse novo capítulo, porém, não caiu do céu. É fruto de uma articulação popular que tem atingido patamares inéditos nos últimos meses. Recentemente, a Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) sediou uma audiência pública na Comissão de Agricultura, iniciativa do deputado estadual Luciano Duque, que resultou na criação de uma Comissão Especial em defesa do canal, proposta pela deputada Socorro Pimentel. O colegiado já está formado e funcionando, dando respaldo institucional a uma pauta que, durante muito tempo, foi tratada como sonho distante.
Do ponto de vista técnico, o avanço é ainda mais palpável. Os estudos originais foram feitos em 2013 pela Codevasf e, agora, serão conduzidos diretamente pelo MIDR. Segundo Bruno Cravo, diretor do Departamento de Projetos Estratégicos (DPE), a iniciativa marca um passo fundamental para a segurança hídrica do semiárido pernambucano. “O estudo integrado desse importante projeto reafirma o compromisso do Governo Federal”, destacou Cravo, ao explicar que a atualização permitirá enxergar com clareza os investimentos futuros necessários para tirar a obra do papel de uma vez por todas.
A mobilização, no entanto, não tira os pés do chão. Daniel Torres, presidente da ADESA (Agência de Desenvolvimento Econômico e Social do Araripe) e membro do Comitê Pró-Canal do Sertão, comemora, mas já olha para o próximo degrau. “Este projeto é a redenção econômica e social do Araripe”, afirma Torres, que já articula uma nova audiência pública para o início de junho, desta vez em Petrolina, com presença de autoridades do Vale do São Francisco e do Araripe, incluindo a governadora Raquel Lyra. A ideia, segundo ele, é que, após a atualização técnica, o canal seja implantado via Parceria Público-Privada (PPP), ampliando o escopo para todos os municípios da região.
A luta, como bem lembram os integrantes do movimento, ainda exige mais união. Há cobranças públicas sobre o distanciamento de prefeitos, vereadores e outras lideranças políticas do Araripe, que ainda não engajaram de forma efetiva na pauta. Mas o recado está dado: o Canal do Sertão deixou de ser projeto de ficção e já respira ares de realidade. Para o Sertão pernambucano, que há décadas pede infraestrutura e respeito, a retomada dos estudos não é só um avanço burocrático — é a prova de que, quando a sociedade se organiza, até o semiárido aprende a verdejar.
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