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A família de Camila Miranda de Wanderley Nogueira de Menezes, 38, afirma que ela foi vítima de omissão e negligência de três médicas durante uma cirurgia eletiva no Hospital Esperança, da Rede D’Or São Luiz, no Recife. A Polícia Civil de Pernambuco investiga o caso.
Camila sofreu um dano cerebral grave e está em estado semivegetativo. A paciente está internada em uma unidade de saúde desde 27 de agosto de 2025, quando deu entrada para o procedimento cirúrgico.
Leia maisA paciente faria cirurgia de retirada da vesícula e correção de hérnia inguinal. Os procedimentos cirúrgicos são de baixo risco para pacientes sem comorbidades significativas, como Camila, segundo o laudo pericial contratado pela família e obtido pela reportagem. A previsão era que a paciente recebesse alta no mesmo dia dos procedimentos.
Documento da família mostra que Camila teve apneia – paralisação temporária da respiração – durante a cirurgia. A cirurgiã responsável pelo procedimento era Clarissa Guedes Noronha, com quem a paciente fazia acompanhamento; a médica Danielle Teti atuava como primeira auxiliar e Mariana Parahyba era a anestesiologista. Veja mais abaixo o que dizem as defesas das médicas.
Segundo a família da paciente, a anestesiologista responsável foi trocada de última hora. A ficha pré-anestésica de Camila continha informações incorretas, como a ausência de cirurgias prévias – mesmo com a paciente tendo histórico de duas cesarianas e outros procedimentos – além de dados errados sobre peso e altura.
A mulher sofreu uma parada cardiorrespiratória e foi ressuscitada por 15 minutos. Ela foi transferida para a UTI (Unidade de Terapia Intensiva), onde recebeu cuidados intensivos e ficou em estado vegetativo por um mês.
Camila sofreu danos cerebrais graves e permanentes, causados pela falta de oxigênio no cérebro por um período prolongado, informa o laudo. Ela era funcionária do Tribunal de Justiça do Estado de Pernambuco e também atuava como consultora de imagem, além de ter dois filhos, de seis e dois anos.
Atualmente, a servidora está em estado semivegetativo. Segundo o marido, o oftalmologista Paulo José de Menezes Filho, 42, Camila passou a perceber mais o que ocorre ao seu redor, mas ainda não consegue estabelecer uma comunicação clara. Os momentos de lucidez variam e, por exemplo, em alguns deles, ela consegue apertar a mão de alguém quando solicitada.
Ela segue internada no Hospital Esperança. O marido disse que a unidade de saúde tem ajudado a família após o episódio. Porém, não é descartado o encaminhamento dela futuramente para uma unidade focada em reabilitação.
Atualmente, Camila faz sessões de fisioterapia, fonoaudiologia, terapia ocupacional e é atendida por diferentes médicos. “O foco é a fisioterapia intensa para reabitá-la o máximo possível”, explica Paulo à reportagem. A servidora também é acompanhada diariamente por uma cuidadora contratada pela família.
“Meu foco principal é que ela ganhe consciência mínima necessária para estabelecer comunicação com os filhos, para vê-los crescendo e participar das decisões importantes nas vidas deles. A gente não sabe como Camila vai ficar no futuro, mas não quero me arrepender de não ter tentado. Estou fazendo isso por ela e, principalmente, pelos meus filhos, porque não quero que eles percam a mãe tão cedo, disse Paulo José de Menezes Filho, marido de Camila.
A Polícia Civil de Pernambuco informou à reportagem que o caso é investigado pela Desec (Delegacia Seccional de Polícia) do Espinheiro. A apuração foi iniciada após a família entrar com uma representação criminal contra as três médicas este mês. Segundo a corporação, diligências são realizadas.
Reportagem apurou que o pai, o juiz federal Roberto Nogueira, e o marido de Camila já foram ouvidos pelas autoridades. “Mais detalhes serão fornecidos em momento oportuno, após a conclusão do inquérito policial, para não atrapalhar o andamento das investigações”, disseram. Clique aqui e confira a reportagem na íntegra.
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