Integrantes do governo do presidente Lula (PT) avaliam como grave e preocupante o episódio envolvendo a Venezuela por representar o uso direto da força com objetivo político na América do Sul – algo que, segundo interlocutores do Planalto, não ocorria no continente desde o século 20.
A leitura interna é de que o ponto central da crise não está no método da operação, nem no uso de tecnologia ou de algoritmos de localização associados ao regime de Nicolás Maduro, mas no precedente político e geopolítico aberto pela ação americana. As informações são do blog da Andréia Sadi.
Leia mais“O aspecto tecnológico é secundário. O grave é o uso da força na América do Sul para fins políticos”, resume um auxiliar direto do presidente. Segundo fontes do governo, não houve sequer tentativa de construção de uma narrativa justificadora, como ocorreu em outros conflitos internacionais. A comparação feita nos bastidores é com o Iraque de Saddam Hussein: ainda que controversa, a invasão americana foi precedida por um discurso formal de legitimação. Neste caso, avalia o Planalto, não há disfarce nem pretexto.
A preocupação central do governo brasileiro é que o episódio esteja ligado à disputa por recursos naturais, sobretudo petróleo. Interlocutores avaliam que Trump pode, depois, ampliar esse interesse para urânio e minerais críticos, o que abriria caminho para novas ações semelhantes no futuro. “Hoje é petróleo. Amanhã pode ser urânio, minerais estratégicos. Isso é o que assusta”, diz um assessor de Lula.
O tema ganha peso adicional para o Brasil porque o país faz fronteira com dez nações e tem na Venezuela um vizinho direto. Embora o governo Lula não tenha sido entusiasta do processo eleitoral venezuelano, a posição oficial é de que se trata de um país amigo, cuja instabilidade afeta diretamente a região.
“Não é uma defesa do Maduro. É defesa da soberania dos povos e da estabilidade regional”, complementa esse auxiliar. No Palácio do Planalto, também há uma leitura cautelosa sobre o papel dos Estados Unidos. Auxiliares avaliam que o presidente Donald Trump, favorito no campo republicano, age menos por ideologia e mais por lógica de negócio.
“Ele não quer saber de democracia ou da Corina. Quer saber com quem pode negociar. Quer fazer um bom negócio – e disso dependem as próximas ações dele em outros lugares”, afirma uma fonte do governo.
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