Resultado de 0,45% das seções totalizadas até o momento para o Governo de Pernambuco. Marília com 52,38% e Raquel com 47,62%.
Resultado de 0,45% das seções totalizadas até o momento para o Governo de Pernambuco. Marília com 52,38% e Raquel com 47,62%.
O presidente Lula (PT) sancionou, em ato publicado no Diário Oficial ontem, uma lei que instituiu o dia 17 de outubro como a data nacional de luto e de memória às mulheres vítimas de feminicídio.
A escolha do dia faz referência ao momento em que Eloá Cristina Pimentel foi atingida por uma bala na cabeça e outra na virilha por seu ex-namorado Lindemberg Fernandes Alves, em 2008. As informações são da Folha de S.Paulo.
Leia maisEla tinha 15 anos e foi mantida refém por mais de 100 horas por Lindemberg, que à época tinha 22 anos, em um apartamento em Santo André (SP).
O rapaz estava inconformado com o fim da relação de três anos com a Eloá e invadiu o apartamento onde a ex-namorada estudava. Os disparos foram feitos quando a polícia entrou no apartamento.
A sanção da lei por Lula também foi assinada por ministras do governo federal: Margareth Menezes (Cultura), Macaé Evaristo (Direitos Humanos) e Márcia Lopes (Mulheres).
A autoria do projeto sobre o tema foi da senadora Leila Barros (PDT-DF), que foi aprovado no Senado em 2024 e na Câmara dos Deputados em novembro de 2025.
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Em um passo histórico que reforça a defesa do multilateralismo, a União Europeia e o Mercosul formalizam, no próximo dia 17, o maior acordo comercial entre blocos do mundo. Mesmo com a assinatura, ainda há um longo processo para que o pacto entre plenamente em vigor, o que pode levar anos. Isso ocorre porque, após ser assinado pelos dois blocos, tem de ser aprovado pelas casas legislativas de cada país-membro, embora não seja necessário que todos aprovem para que comece a valer nas nações que já aceitaram os termos.
Apesar da possibilidade de demora para a concretização, o governo federal espera que isso seja definido ainda este ano, de preferência no primeiro semestre, para que entre em vigor sem a necessidade de os outros três países do Mercosul — Argentina, Uruguai e Paraguai — também aprovarem internamente. O vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, reforçou que espera uma votação pelo Congresso Nacional ainda neste primeiro semestre. As informações são do Correio Braziliense.
Leia mais“O acordo deve ser assinado nos próximos dias, e a nossa expectativa é de que a vigência ocorra este ano”, destacou o ministro. “Se o Congresso brasileiro votar no primeiro semestre, nós não dependemos da Argentina, do Uruguai e do Paraguai. Já entra em vigência.”
Alckmin destacou, durante entrevista coletiva na sede da pasta, que a União Europeia é o segundo maior parceiro comercial do Brasil — atrás somente da China — e que em 2025 movimentou US$ 100 bilhões na corrente de comércio — soma das exportações e importações.
Além disso, acrescentou que o acordo é um movimento que reforça o multilateralismo no mundo, após um ano marcado por guerra comercial liderada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e com participação de outros países, como a China, que voltou a elevar as tarifas sobre a carne bovina importada.
“Num momento geopolítico difícil, de instabilidade, de conflitos, é fundamental para o mundo. Mostra que é possível construir um comércio com regras, de abertura comercial, não do isolacionismo, mas do multilateralismo”, acrescentou o vice-presidente.
Apesar do otimismo com a aprovação ainda este ano, o gerente de Comércio Internacional da BMJ Consultores Associados, Josemar Franco, explicou que o histórico não é favorável no Congresso quando se trata de acordos internacionais no Congresso Nacional. “É um processo que pode levar de dois a três anos, em um cenário otimista”, avaliou. Além disso, mesmo que seja aprovado ainda em 2026, os efeitos sobre a balança comercial brasileira devem ser sentidos apenas daqui a quatro anos.
Por outro lado, o que pode jogar a favor do acordo é a força do setor produtivo dentro do Congresso, sobretudo do agronegócio, que pode se empenhar para acelerar as tratativas. “Então, nós não conseguimos observar uma força política significativa que seria contrário ao acordo. O agronegócio tem uma vontade muito grande de exportar mais para a Europa, assim como a indústria”, ressaltou Franco. Ele destacou que, mesmo com os efeitos sendo observados somente a longo prazo, a assinatura, por si só, já representa um passo histórico em um acordo que levou mais de duas décadas para se concretizar.
“E um acordo como esse consegue reajustar e readequar cadeias de valor. Ou seja, uma empresa pode começar a fazer um planejamento de que faz mais sentido produzir aqui e exportar para a Europa, ou vice-versa. Você tem reflexões muito abrangentes. Então, é um momento histórico que nós estamos vivendo e, do meu ponto de vista, positivo para ambos os lados”, concluiu.
Maior receita
O acordo pode gerar um ganho significativo para as exportações de produtos fabricados no Brasil. De acordo com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), a parceria deve gerar um aumento de receita da ordem de US$ 7 bilhões para as empresas nacionais.
A Apex destacou que o acordo prevê uma redução imediata de tarifas para itens estratégicos da pauta exportadora brasileira, como máquinas e equipamentos de transporte, casos de motores e geradores para energia elétrica, motores de pistão (autopeças) e aviões. Também pode haver ganhos com a venda de couro e peles, pedras de cantaria, facas e lâminas e produtos químicos.
Os termos também preveem uma redução gradativa das tarifas sobre diversas commodities, como carne de aves, carne bovina e etanol, que devem ser zeradas em um prazo de até 10 anos. Ainda assim, o acordo possui uma cláusula de salvaguarda que reforça o monitoramento das importações procedentes do Mercosul, com o objetivo de proteger principalmente os produtores rurais na Europa.
Para o presidente da ApexBrasil, Jorge Viana, o pacto também representa uma conquista do multilateralismo. “Esse acordo segue no sentido contrário ao que o mundo está andando. A própria Organização Mundial do Comércio (OMC) perdeu importância, e nós estamos falando aqui do maior acordo econômico do mundo”, frisou. Ele ressaltou as oportunidades com o negócio. “Estamos falando de uma população de mais de 700 milhões de habitantes e de um PIB de perto de US$ 22 trilhões. Só perde para o dos Estados Unidos, em torno de US$ 29 trilhões, e supera o da China, que gira em torno de US$ 19 trilhões”, argumentou Viana.
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A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro afirmou ontem que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) tem sentido tontura e perdido o equilíbrio ao se levantar. A declaração foi postada nas redes sociais três dias após o ex-mandatário ter caído da cama na sala onde cumpre pena, na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília. O impacto da queda resultou em traumatismo craniano leve, sem qualquer comprometimento intracraniano, segundo o médico Brasil Ramos Caiado.
Michelle atribuiu a falta de equilíbrio do marido aos efeitos colaterais dos medicamentos que seu marido precisa tomar. “Hoje soube, por meio do advogado, que Jair está com perda de equilíbrio ao se levantar, em decorrência dos medicamentos. Mesmo assim, segue trancado”, escreveu Michelle. As informações são do jornal O Globo.
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A ex-primeira-dama também manifestou temor de que Bolsonaro tenha nova queda e ninguém perceba o acidente. “Quando a segurança era feita apenas pela Polícia Federal, a porta permanecia aberta. Agora, com a Polícia Penal Federal, isso não é mais possível. O medo é real: ele pode cair novamente e ninguém ouvir”, afirmou.
Michelle acrescentou que “as autoridades estão cientes dos riscos reais de morte” que Bolsonaro corre “ao permanecer 24 horas trancado em um quarto”. “A integridade física dele é de responsabilidade do estado”, finalizou.
Quando caiu, na terça-feira, o ex-presidente não acionou o protocolo de urgência para estas situações e não avisou ninguém do acidente, segundo apurou O Globo. Durante a manhã, ele teria dito a policiais penais, que notaram o machucado, que não se tratava de nada. Ele relatou ter caído da cama, mas informou estar bem.
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O veto integral do presidente Lula, na quinta-feira, ao projeto de lei que reduzia as penas aplicadas aos condenados pelos atos golpistas do 8 de Janeiro se junta a outros 69, sejam totais ou parciais, que aguardam análise do Congresso. Entre eles, estão os posicionamentos contrários do petista ao trecho da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) que aumentaria o fundo partidário, ao crescimento do número de deputados federais e à unificação, em âmbito nacional, do limite de idade para ingresso nas carreiras de policial e bombeiro militares. Lideranças do Congresso se articulam para derrubar o veto ao PL da Dosimetria na volta do recesso, em fevereiro.
Até o fim do ano passado, quase metade (51) dos 106 vetos de Lula desde o início deste terceiro mandato foram derrubados parcialmente ou rejeitados pelo plenário do Congresso. As informações são do jornal O Globo.
Leia maisNa semana passada, Lula sancionou a LDO com veto ao trecho que criava um mecanismo permanente de atualização do fundo partidário. A medida substituiria a negociação anual por um meio automático que poderia elevar o valor do fundo em 2026 na comparação com o patamar atual, dependendo das projeções de inflação e do espaço fiscal disponível.
A pressão do Legislativo sobre a execução orçamentária é especialmente sensível em 2026, por ser ano eleitoral. O petista, ao justificar o veto, afirmou que a proposta legislativa “contraria o interesse público” visto que “o aumento do valor do Fundo Partidário reduz o montante destinado ao pagamento das demais despesas da Justiça Eleitoral”.
Já o veto ao aumento das vagas da Câmara de 513 para 531 ocorreu em julho do ano passado sob argumento de que a proposta contraria o interesse público e seria inconstitucional por violar dispositivos da Constituição Federal, da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) e da LDO de 2025.
O Palácio do Planalto defendeu que, ao prever o aumento do número de deputados federais, o projeto implicaria crescimento de despesas obrigatórias sem a devida estimativa de impacto financeiro, nem definição de fontes de compensação.
O veto de Lula ao projeto sobre policiais e bombeiros militares, por sua vez, apresentado pelo deputado bolsonarista Guilherme Derrite (PL-SP), ocorreu na quarta-feira. A iniciativa fixava em 35 anos a idade máxima para ingresso de oficiais e praças, e em 40 anos para oficiais médicos, de saúde ou com outras especializações. O critério etário atualmente em vigor varia de acordo com a legislação de cada estado, geralmente dentro da faixa entre 25 e 35 anos.
O Executivo afirma que a decisão pelo veto foi tomada após manifestações do Ministério da Justiça e da Advocacia-Geral da União (AGU), que defenderam a inconstitucionalidade do texto.
Porte de arma
O Congresso também precisa analisar ainda vetos de Lula como o ocorrido ao projeto que autoriza o porte de arma para policiais legislativos em assembleias estaduais e na Câmara Legislativa do Distrito Federal. O petista sancionou o texto em dezembro, mas vetou o trecho que dispensava os agentes de comprovar idoneidade, capacidade técnica e aptidão psicológica para o manuseio do armamento.
Outro caso que aguarda análise é o veto de Lula em outubro ao trecho de um projeto de lei que estabelecia como diretriz para o uso, a conservação, a proteção e a recuperação da vegetação nativa do bioma Pantanal a incorporação de áreas desmatadas ilegalmente ao processo produtivo.
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Da Agência Brasil
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva nomeou o secretário executivo do Ministério da Justiça e Segurança Pública, Manoel Carlos de Almeida Neto, para chefiar a pasta interinamente. A indicação foi publicada ontem no Diário Oficial da União.
Ele substitui temporariamente o ex-ministro Ricardo Lewandowski, que entregou, na quinta-feira (8), uma carta com pedido de demissão ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Lewandowski assumiu a pasta em fevereiro de 2024 e alegou que questões pessoais e familiares o levaram a tomar a decisão.
Leia mais“Tenho a convicção de que exerci as atribuições do cargo com zelo e dignidade, exigindo de mim e de meus colaboradores o melhor desempenho possível em prol de nossos administrados, consideradas as limitações políticas, conjunturais e orçamentárias das circunstâncias pelas quais passamos”, escreveu Lewandowski na carta.
Interino
O ministro interino Manoel Carlos de Almeida Neto já foi secretário-geral do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e, em 2014, teve o nome aprovado pelo plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) para ocupar o cargo de secretário-geral da Corte.
Almeida Neto exerceu por oito anos o cargo de diretor jurídico da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN). No âmbito acadêmico, foi professor e cursou pós-doutorado e doutorado em direito pela Universidade de São Paulo (USP).
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Apurei, há pouco, que o ex-prefeito de Petrolina, Miguel Coelho (UB), esteve, ontem, de fato, com o pré-candidato do PSB a governador, João Campos, mas que a conversa girou em torno não apenas da chapa majoritária, mas sobretudo da proporcional. Miguel representa a federação, União Brasil e PP, sendo presidente estadual do UB.
Nesta condição, disse a João que ele não pode se preocupar na composição da chapa com olhar restrito ao PSB, o seu partido, que já projeta eleger seis federais, mas de forma mais ampla, envolvendo o União Brasil, o Republicanos, o PSDB o MDB, partidos comprometidos com o projeto majoritário dele.
Miguel reclamou, por exemplo, dos movimentos do PSB para atrair dois deputados do União Brasil. “Isso não se faz com um partido que está nesse jogo para somar”, teria reclamado. Miguel sentiu da parte de João uma certa ansiedade para montagem da chapa majoritária, mas aconselhou o princípio do ensinamento de Marco Maciel — quem tem prazo, não tem pressa”.
Quanto à declaração de que estaria no palanque de quem acreditar no projeto do União Brasil, Miguel não teria se referido a ele como pré-candidato ao Senado, mas sobretudo à chapa proporcional, que não vem tendo a devida atenção por parte de João.
Por Marcus Prado*
“Quanto mais o símbolo for arcaico e profundo (…), mais se torna coletivo e universal. Quanto mais abstrato, diferenciado e específico, ao contrário, mais se aproxima da natureza das particularidades.” — C. G. Jung
O ano de 2026 começa com uma data fundamental para o calendário e para a memória dos movimentos culturais pernambucanos: os 60 anos de criação dos Tapetes Casa Caiada. Trata-se de uma iniciativa com profundo reflexo social entre famílias de baixa renda, nascida do talento de uma geração de artesãs suburbanas do Recife. Pioneiras no Nordeste, essas mulheres criaram, individualmente ou em coletivo, os famosos tapetes ornamentais que hoje são sinônimo de sofisticação e tradição.
Leia maisTudo se deve — e é recordado com carinho — ao empenho visionário e à confiança no futuro depositados pela senhora Maria Digna Pessoa de Queiroz, falecida recentemente no Recife. Seu trabalho, em parceria com a senhora Edith Pessoa de Queiroz, tornou-se conhecido pela rica qualidade artesanal após enfrentar tempos de grandes desafios.
Nenhuma peça era exatamente igual à outra. Utilizavam-se materiais locais e processos de baixo impacto ambiental, resultando em um produto que carregava a identidade cultural das mulheres da nossa região. Cada nó e cada cor encerravam um significado profundo e simbólico. Com o tempo, surgiram novas linhas: Geométrica, Étnica, Animal Print, Floral e Infantil.
Daí nasce o meu interesse em prestigiar e defender a preservação contínua desse patrimônio. Confesso: detenho-me a olhar esses tapetes — os da Casa Caiada, sob a inspiração do Movimento Armorial de Ariano Suassuna, e os de Lagoa do Carro —, fascinado pelo experimentalismo das cores e pelo simbolismo multifacetado de suas tramas. Não é de hoje que os nossos tapetes ornamentais figuram em minhas cogitações de cronista.
No Conselho Estadual de Cultura, do qual fui titular, muitas vezes me pronunciei em sua defesa, salientando a importância desse movimento como patrimônio cultural para o nosso Estado. Recentemente, dias antes do falecimento de Dona Maria Digna, manifestei por meio das redes sociais o desejo de entrevistá-la. Sei que minhas mensagens foram lidas, mas a fatalidade do destino impediu o encontro. Eu desejava expressar não apenas minha admiração pelo seu trabalho heróico, mas também compartilhar a notícia de que os tapetes ornamentais de Arraiolos (Portugal) foram oficialmente reconhecidos como Patrimônio Imaterial pela UNESCO há poucos dias.
Os tapetes alentejanos alcançaram essa honraria por seus desenhos intrincados e pela influência de estilos acumulados ao longo dos séculos — de padrões mouriscos e orientais ao barroco e rococó.
A UNESCO já reconhece técnicas tradicionais de tecelagem como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade, sublinhando sua relevância para a memória coletiva global. Esse selo não é meramente um prêmio de estética, mas um compromisso com a transmissão de saberes, garantindo que mestres tecelões sigam ensinando aprendizes. Em Arraiolos, até hoje, a tecelagem é acompanhada de orações e cânticos, visando trazer sorte e prosperidade a quem os utiliza. Que o exemplo português ilumine o destino e a preservação do nosso tesouro Casa Caiada.
*Jornalista
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Por Octavio Guedes
Do g1
A saída de Ricardo Lewandowski do Ministério da Justiça e Segurança Pública abre espaço para uma mudança estratégica de perfil na Esplanada. O presidente Lula (PT) tem planos de escolher ex-governadores para a vaga, buscando alguém com “casca grossa” e experiência direta no comando das polícias. A preferência por um ex-gestor estadual obedece a uma lógica pragmática: credibilidade e facilidade de diálogo.
Quem já sentou na cadeira de governador sabe o que é enfrentar problemas crônicos de segurança pública e ter sob seu comando as Polícias Civil e Militar. Essa vivência gera uma solidariedade natural, facilitando a interlocução até mesmo com governadores de oposição. É mais fácil e produtivo um ex-governador tratar com os atuais mandatários do que alguém que nunca ocupou o cargo e vive apenas da teoria jurídica.
Leia maisA sucessão reaquece inevitavelmente o debate sobre o desmembramento da pasta e a recriação do Ministério da Segurança Pública — uma ideia que Lula já defendia desde a transição, embora condicionasse a primeiro consertar a Justiça.
Existe um velho dogma em Brasília de que criar esse ministério jogaria o problema da violência no colo do presidente. Dilma Rousseff acreditava nessa tese. No entanto, essa lógica envelheceu mal: o problema já está no colo do presidente.
Com o crime organizado infiltrado na economia formal, no alto escalão e operando como máfias transnacionais, a sociedade não encara mais facções como o PCC ou o Comando Vermelho apenas como problemas locais do Rio ou de São Paulo. A percepção é de um problema nacional.
Nesse cenário, um ministro exclusivo da Segurança Pública funciona como um fusível: em momentos de crise, ele queima antes de atingir o presidente. Ele serve de anteparo. A sociedade passa a ter a quem cobrar diretamente, preservando a figura presidencial.
Lewandowski deixa o cargo não apenas por questões pessoais, mas também em meio a um processo de desgaste.
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O mais recente desconforto de Miguel Coelho (UB) não passou despercebido nos bastidores da política pernambucana. Aliados e lideranças próximas ao prefeito do Recife, João Campos (PSB), interpretaram como mais um capítulo da insatisfação recorrente do ex-prefeito de Petrolina na tentativa de garantir um espaço na chapa majoritária que deverá ser liderada pelo PSB nas próximas eleições.
Ao ser questionado pelo blog Cenário, de Caruaru, se estava animado com a pré-candidatura de João Campos (PSB) ao Governo do Estado, Miguel garantiu que o partido estará no palanque de quem acreditar no projeto do União Brasil, que busca viabilizar um espaço na majoritária para a Casa Alta.
Leia maisA declaração, segundo o mesmo blog, foi suficiente para que inúmeros setores da política fizessem diferentes interpretações sobre o “recado” enviado pelo ex-prefeito. Uma delas é a de que ele estaria disposto a recalcular sua rota para não ficar refém de uma aliança antecipada com a Frente Popular.
Segundo interlocutores do campo socialista, o movimento soou menos como estratégia e mais como ansiedade. Na avaliação desses aliados, ainda falta a Miguel maturidade política para compreender o ritmo e a lógica das grandes construções eleitorais. Não por acaso, dizem, cada novo movimento acaba reforçando a impressão de que o grupo político que o acompanha trabalha com uma ansiedade descontrolável.
A leitura não é nova. Nos bastidores, há quem recorde que o próprio Eduardo Campos já fazia observações pouco entusiasmadas sobre esse tipo de comportamento, enxergando com cautela alianças que se constroem mais pela conveniência do momento do que por projeto político. O prefeito, no entanto, tem reagido com a tranquilidade de quem sabe que o tempo costuma ser o melhor filtro da política.
A avaliação entre aliados é de que João seguirá trabalhando no compasso do calendário e com atenção redobrada àqueles que querem, de fato, ajudar a construir uma solução para o futuro de Pernambuco e não apenas tirar proveito imediato dessa ideia de futuro.
Um aliado próximo a João, em tom ainda mais direto, ironizou ao afirmar que Miguel Coelho “não tem partido, aliás nunca teve”. Segundo essa fonte, falta ao ex-prefeito uma identidade política clara, o que o leva a falar quase sozinho no Vale do São Francisco, como se o eco regional fosse suficiente para garantir protagonismo estadual.
Apesar da ironia e das críticas, o mesmo grupo reconhece que Miguel Coelho é, sem dúvida, uma liderança importante no sertão do São Francisco.
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Por Alex Fonseca – do Blog da Folha
Segurança pública tem sido a principal área de preocupação dos brasileiros. De acordo com pesquisa divulgada este mês pelo instituto Ipsos, 45% dos brasileiros consideram o crime e a violência os maiores problemas do país, superando a corrupção (36%) e a saúde (34%). Em dezembro, o Instituto Datafolha já havia apontado que a violência mudou a rotina de 72% da população, colocando a segurança pública no topo das preocupações.
Em Pernambuco, a tendência nacional deve ser seguida e a pauta pode gerar fortes debates nas eleições deste ano. A centralidade da matéria é corroborada, ainda, por um relatório apresentado pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-PE), de junho do ano passado, que aponta que 97% dos municípios têm problemas de gestão na área.
Leia maisInvestimento
A governadora Raquel Lyra (PSD) tem apostado fortemente no discurso contra a criminalidade. Promete nomear até o final deste ano 7 mil novos profissionais. Nas agendas, a chefe do Executivo estadual também tem enfatizado as ações do governo na área, citando os números apresentados e entregando novas viaturas e armamentos às polícias. Já o prefeito do Recife, João Campos (PSB), por outro lado, tem apostado no processo de armar a guarda municipal da cidade, uma das suas promessas de campanha para a reeleição. Pela proposta, os guardas receberão os equipamentos até o fim do primeiro semestre deste ano e terão câmeras corporais nos uniformes.
O professor Marco Tulio Delgobbo Freitas, doutor pela Escola de Comando e Estado Maior do Exército, avalia que a pauta da segurança pública deverá estar no centro do debate eleitoral nacional e, da mesma forma, em Pernambuco. Para ele, a preocupação com o tema está cada vez mais presente no dia a dia da população. “Esse cenário tende a intensificar sua exploração no embate entre governo e oposição”, explicou.
A cientista política Priscila Lapa pontua que a ênfase na segurança pública é um componente natural das disputas estaduais, dado que é uma atribuição constitucional deste ente. Ela relembra que a popularização dos chamados “laranjinhas” (como ficaram conhecidos os novos policiais da Polícia Militar) é também um indicativo de que a segurança pública será um tema bastante explorado.
“A gente observa claramente que, nas últimas eleições em Pernambuco, esse tema também esteve em pauta com talvez um pouco menos de ênfase do que na era Eduardo Campos. Ali foi o ápice do processo de discussão da segurança pública com o Pacto pela Vida. A tendência é que esse tema venha com muita força nas eleições deste ano”, afirma.
Marco Tulio analisa que os dois prováveis candidatos ao governo de Pernambuco, João Campos e Raquel Lyra, devem focar na segurança pública como plataforma de campanha, embora de formas diferentes.
Sinais
O professor pondera que a questão da segurança vai além da análise dos números da segurança pública e passa também sobre a percepção da população sobre o tema na sua rotina. “A percepção de segurança vai além de uma ideia de que basta ter presença policial extensiva, para aumentá-la. Geralmente, isso é resultado da amostra do convívio social do indivíduo. Portanto, a governadora deverá apresentar uma estratégia que, além de melhorar os números da violência, visem, principalmente, aumentar essa sensação de segurança”, analisa.
Outro desafio para a governadora, de acordo com Priscila Lapa, é o enfrentamento dos feminicídios. “O fato dela ser mulher também lhe dá um lugar de fala e dá uma representatividade para falar sobre isso de forma mais sensível.”
Apesar de apostar que o prefeito do Recife deverá apresentar alternativas e fazer críticas à condução do governo na área, Marco Tulio aponta que o provável candidato não deve adotar um tom punitivista. “O discurso de Campos, como candidato de oposição ao governo estadual, deverá combinar crítica à eficácia das políticas atuais com a apresentação de uma agenda alternativa, evitando um tom exclusivamente punitivo”, diz.
A medida da prefeitura de armar a guarda municipal também poderá gerar uma vitrine eleitoral para o possível candidato. Para Priscila Lapa, isso contribuirá para a imagem que João Campos busca transmitir, de gestão moderna. “É antenado com aquilo que a população lhe cobrou em 2024”, enfatiza.
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Da Folha de Pernambuco
A 83ª edição do prêmio Globo de Ouro acontece neste domingo (11), a partir das 22h, no horário de Brasília, no Beverly Hilton Hotel, em Los Angeles, Estados Unidos.
E, pela primeira vez, a cerimônia será transmitida por uma TV aberta, no caso a Globo, além das transmissões via streaming – TNT e HBO Max. A comediante Nikki Glaser será a anfitriã da noite e, entre as novidades do prêmio, a criação da categoria Melhor Podcast.
Leia maisO Golden Globes é uma das mais importantes distinções do audiovisual mundial e, em 2026, tem um Brasil inteiro de olho nele: o já premiadíssimo longa-metragem do diretor Kleber Mendonça Filho, “O Agente Secreto”, concorre em três categorias (Melhor Filme de Drama, Melhor FIlme de Língua Estrangeira e Melhor Ator de Drama), fazendo com que os cinéfilos brasileiros não se aguentem de expectativa.
Pudera. Em 2025, saímos vencedores com a atriz Fernanda Torres levando a estatueta de Melhor Atriz de Drama por sua atuação em “Ainda Estou Aqui”, de Walter Salles, filme que ainda arrematou o Oscar de Melhor Filme Internacional em 2025. Torres concorria com Kate Winslet, Nicole Kidman, Pamela Anderson, Angelina Jolie e Tilda Swinton.
Indicados
Na categoria Melhor Filme de Drama, o “Agente” disputa a estatueta com “Foi apenas um acidente”, “Pecadores”, “Frankenstein”, “Hamnet: A Vida Antes de Hamlet”, “Valor Sentimental”, enquanto que Wagner Moura concorre com Joel Edgerton (”Sonhos de Trem”), Oscar Isaac (“Frankenstein”), Dwayne Johnson (“Coração de Lutador: The Smashing Machine”), Michael B. Jordan (“Pecadores”) e Jeremy Allen White (“Springsteen: Salve-me do Desconhecido”).
Já em Melhor Filme de Língua Não inglesa, o longa brasileiro concorre com: “Foi Apenas um Acidente” (França, Irã, Luxemburgo), “No Other Choice” (Coreia do Sul), “Valor Sentimental” (Noruega, França, Alemanha, Dinamarca, Suécia, Reino Unido), “Sirât“ (Espanha, França) e “A Voz de Hind Rajab” (Tunísia, França).
O “Agente”
Ambientada no Recife dos anos 1970, a trama do “O Agente Secreto” é sustentada em uma sátira política bem-humorada e conta a história do professor e pesquisador universitário Marcelo (Wagner Moura), que volta para a cidade onde nasceu (a capital pernambucana), durante o Carnaval de 1977 para se reunir com seu filho e se refugiar de uma perseguição política.
Entre as locações que aparecem no filme de Kleber Mendonça Filho, está o parque gráfico da Folha de Pernambuco, que mantém preservada uma máquina rotativa de impressão para representar um jornal dos anos 1970.
O deputado federal Coronel Meira (PL) publicou um vídeo nas redes sociais com duras críticas à governadora Raquel Lyra, a quem chamou de “criminosa” e “genocida” ao comentar mudanças no funcionamento do Hospital da Polícia Militar de Pernambuco. “A governadora conseguiu! O hospital da Polícia Militar está oficialmente encerrado. O diretor, apesar dos bons trabalhos prestados, já foi exonerado e, em documento oficial, foi declarado que a instituição deve funcionar somente em emergência e urgência e de forma temporária. Absurdo!”, afirmou.
Como contraponto, o deputado estadual Joel da Harpa (PL), da base da governadora, disse, por meio de redes sociais, que houve “precipitação” na fala de Meira e negou o fechamento da unidade, destacando que uma portaria que suspendia serviços chegou a ser publicada, mas foi rapidamente tornada sem efeito, sem relação com decisão do Governo do Estado.
