Lula também pediu que os eleitores votem pensando no futuro do país e nas próximas gerações. “As pessoas têm que votar pensando no Brasil, nos filhos, nos netos, no futuro que vão deixar”, disse.
O presidente defendeu o próprio governo e afirmou que, apesar dos avanços, ainda há desafios a serem enfrentados. “Estou confiante no governo que fizemos. Confiante de que fizemos muito no governo e de que temos que fazer muito ainda. São 500 anos de atraso, e precisa de tempo para consertar”, declarou.
Lula citou a inflação e a educação ao comentar as ações de sua gestão. “Conseguimos recuperar o Brasil, melhorar a inflação, fizemos uma revolução na educação do país, mas ainda falta muito para que o Brasil tenha certeza de que seu futuro está garantido.”
Na sequência, o presidente criticou a venda de armas e a atuação de milicianos. “O Brasil não vai para a frente com venda de armas, mas com distribuição de livros. Não vai para a frente com milicianos, com orgia em torno do Banco Master, vai com o caráter dos seus governantes”, afirmou.
Lula também manifestou confiança na vitória de Fernando Haddad, Marina e Simone, citados por ele durante a declaração. “O jogo está jogado e, às 17h, vamos ver que tipo de país o povo escolheu. Estou confiante na vitória do Haddad, da Marina, da Simone. São Paulo nunca teve a chance de votar em mulheres dessa qualidade. Vai depender do povo.”
Lula defende mudanças no STF
Ao falar sobre o Supremo Tribunal Federal, Lula criticou o que chamou de “promiscuidade” no país e afirmou que pretende discutir mudanças nos critérios para a escolha dos integrantes da Corte.
“Não é possível continuar com a promiscuidade em que o país está. Eu, sinceramente, [trecho incompreensível], vamos ter que pensar, chamar juristas, pessoas do mundo do Direito, para [definir] quem vai para a Suprema Corte”, disse.
O presidente afirmou que pretende discutir uma nova reforma, incluindo a definição de um período de mandato para os ministros. Ele também defendeu a criação de um conselho para discutir as indicações.
“A primeira reforma fui eu que fiz. Quero fazer uma nova reforma e definir o tempo de mandato da Suprema Corte, que quem for [para lá] não é para ser rico. Quero montar um conselho para quem vai para a Suprema Corte. Acho que a Suprema Corte precisa de mais mulheres”, afirmou.
Ao final, Lula voltou a destacar a importância da educação e da preparação dos jovens para as transformações tecnológicas e energéticas.
“O futuro desse país está garantido se continuarmos acreditando na educação, preparando jovens para a revolução digital, energética.”
Reta final da campanha
A campanha presidencial de Lula (PT), assim como a de Flávio Bolsonaro (PL), escolheu São Paulo para os últimos atos eleitorais antes do primeiro turno.
O estado é o maior colégio eleitoral do país, com 34,1 milhões de eleitores, e concentra uma parcela importante do eleitorado do Sudeste. Para as duas campanhas, a reta final foi uma oportunidade de ampliar a votação em uma região que pode ser decisiva para a disputa.
A escolha da capital como palco do encerramento também é vista como uma tentativa de acenar para os paulistas. Na última eleição, o petista perdeu no estado de São Paulo, alcançando 44,8% dos votos válidos, contra 55,2% do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), uma diferença de 2,7 milhões de votos.
Terceiro mandato e crises
Em 2022, Lula iniciou o terceiro mandato recriando ministérios extintos no governo anterior, como o da Cultura. Também ampliou a estrutura administrativa, que hoje tem 38 pastas, com a criação de novos ministérios, como os da Igualdade Racial e o dos Povos Indígenas.
O petista passou por algumas crises nos últimos quatro anos, como o escândalo de fraudes no INSS, com os descontos indevidos em aposentadorias e pensões no período de 2019 a 2024.
O caso levou à troca do comando do instituto e o indiciamento de ex-dirigentes do órgão, além da substituição de Carlos Lupi no Ministério da Previdência Social.
Nos últimos dias, o petista também viu o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizar a Polícia Federal a realizar duas investigações sobre o suposto tráfico de influência de seu filho Fábio Luís da Silva, o Lulinha, no Ministério da Saúde e na Dataprev.
E, em junho, teve de retirar Jaques Wagner (PT-BA) da liderança do governo no Senado, após o parlamentar baiano ser alvo da Operação Compliance Zero, que apura um esquema de fraudes bilionárias praticadas pelo Banco Master.
Na área econômica e social, o governo conseguiu aprovar a reforma tributária no Congresso Nacional e ampliar a faixa de isenção do Imposto de Renda.
O Brasil voltou a sair do Mapa da Fome e houve a ampliação de programas voltados à moradia e à transferência de renda, além da implementação de medidas para ampliar o acesso à saúde e para estimular investimentos.
Lula também precisou lidar com os reflexos de crises internacionais, como conflitos no Oriente Médio e a política tarifária adotada pelos Estados Unidos.
A condução das negociações comerciais e diplomáticas – que incluiu a resposta do governo brasileiro ao tarifaço norte-americano e os embates públicos com Donald Trump – foi um dos principais desafios do mandato.
Também no campo econômico, o presidente foi criticado por sua estratégia econômica, marcada pelo aumento dos gastos públicos e pelos ataques ao Banco Central em razão da taxa básica de juros.
Lula também tem enfrentado dificuldades na relação com o Congresso, onde sofreu duras derrotas, como a rejeição pelo Senado da indicação de Jorge Messias, atual advogado-geral da União, para o STF.
O petista assistiu ainda à derrubada de vários vetos, como o que barrava a redução de penas para condenados pelo 8 de Janeiro. Se for reeleito, Lula terá a prerrogativa de indicar pelo menos outros três ministros da Suprema Corte.
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