O presidente Lula (PT) publicou uma mensagem em lembrança ao golpe militar de 1964, que completa 61 anos nesta segunda-feira (31).
“Hoje é dia de lembrarmos da importância da democracia, dos direitos humanos e da soberania do povo para escolher nas urnas seus líderes e traçar o seu futuro. E de seguirmos fortes e unidos em sua defesa contra as ameaças autoritárias que, infelizmente, ainda insistem em sobreviver”. As informações são da Folha de S. Paulo.
Hoje é dia de lembrarmos da importância da democracia, dos direitos humanos e da soberania do povo para escolher nas urnas seus líderes e traçar o seu futuro. E de seguirmos fortes e unidos em sua defesa contra as ameaças autoritárias que, infelizmente, ainda insistem em…
“Não existe, fora da democracia, caminhos para que o Brasil seja um país mais justo e menos desigual. Não existe um verdadeiro desenvolvimento inclusivo sem que a voz do povo seja ouvida e respeitada. Não existe justiça sem a garantia de que as instituições sejam sólidas, harmônicas e independentes”, escreveu ainda.
O presidente também já havia se manifestado, durante visita ao Japão, sobre a decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) de tornar réu o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) por envolvimento na tentativa de golpe de Estado em 20022, junto a outras sete pessoas.
“É visível que o ex-presidente tentou dar um golpe no país. É visível, com todas as provas, que ele tentou contribuir para o meu assassinato, para o assassinato do vice-presidente [Geraldo Alckmin], para o assassinato do ex-presidente da Justiça Eleitoral brasileira [Alexandre de Moraes]. Não adianta agora ele ficar fazendo bravata dizendo que está sendo perseguido”, declarou. “Só espero que se faça justiça. Não dou palpite”, afirmou.
A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, também publicou sobre o tema, afirmando ser importante recordar o período e deu destaque ao julgamento de Bolsonaro pela participação da trama golpista.
“É importante recordar esse período nos dias de hoje, em que estão sendo levados a julgamento os comandantes de uma nova tentativa de golpe, incluindo um ex-presidente da República tornado réu. A responsabilização penal dos golpistas, na vigência plena do estado de direito e das garantias constitucionais que tentaram abolir, é um dever histórico em defesa da democracia, hoje e para sempre.”
Há 61 anos, um golpe de estado lançou o país em um longo período de ditadura, que cerceou direitos e garantias, perseguiu, prendeu e matou opositores. Foram mais de duas décadas de resistência e sacrifício para a restauração da democracia, que culminaram com a campanha das…
Uma inserção veiculada pela Frente Popular de Pernambuco em emissoras de TV elenca compromissos não cumpridos por Raquel Lyra (PSD) para as mulheres. A crítica mais contundente é sobre as 250 creches prometidas na campanha de 2022, das quais nem 20 foram entregues. Mesmo com o atraso de mais de 90% das unidades, a governadora tem garantido em sabatinas e debates que vai entregar 100 equipamentos até o fim deste ano e os demais até o primeiro semestre de 2027.
“Se ela não fez em quatro anos, não vai fazer agora”, critica a peça audiovisual, que tem locução do candidato a vice-governador Carlos Costa (Republicanos). A inserção também problematiza a abertura de cinco maternidades, outro compromisso não cumprido por Raquel. A única unidade entregue pela governadora foi o Hospital da Mulher do Agreste, que já estava praticamente pronto em janeiro de 2023, quando ela assumiu o governo, carecendo de acabamento e equipagem. As outras quatro não foram concluídas.
Por fim, o vídeo destaca a falta de avanço nas políticas de segurança para as mulheres. Na semana passada, depois de ser cobrada publicamente pelo candidato João Campos (PSB), o governo estadual anunciou que duas unidades passarão a funcionar de forma ininterrupta, mas quase metade das unidades segue fechando à noite e nos fins de semana. “[Raquel] Prometeu manter as Delegacias da Mulher abertas. Não cumpriu”, finalizou.
A convidada do podcast ‘Direto de Brasília’ de amanhã (22) é a presidente da Associação Brasileira de Pesquisadores Eleitorais (ABRAPEL), Mara Telles. Cientista política e professora da UFMG, Mara vai falar sobre a influência das pesquisas eleitorais, a reta final da campanha, do quadro nacional e a repercussão da crise no judiciário nas campanhas presidenciais.
Helcimara de Souza Telles, conhecida como Mara Telles, é cientista política, professora universitária e pesquisadora na área de comportamento eleitoral. Graduada em História pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), é também doutora em Ciência Política pela Universidade de São Paulo (USP) e realizou pós-doutorado na Universidad Complutense de Madrid, na Espanha.
Ao longo da carreira acadêmica, dedicou-se a estudos sobre opinião pública, eleições, comunicação e comportamento político. Com trajetória destacada na academia e em pesquisas eleitorais, Mara ganhou projeção nacional ao participar do Big Brother Brasil 18, em 2018. A cientista política foi a primeira eliminada da edição, após disputar o primeiro ‘paredão’ do programa.
A passagem pelo reality ampliou sua exposição pública, sem afastá-la da carreira acadêmica, à qual retornou posteriormente como professora da UFMG. Atualmente, preside a Associação Brasileira de Pesquisadores Eleitorais (ABRAPEL), entidade que reúne pesquisadores e especialistas dedicados ao estudo das eleições e da opinião pública no país.
Em parceria com a Folha de Pernambuco, o podcast ‘Direto de Brasília’ vai ao ar amanhã, das 18h às 19h, com transmissão pelo YouTube da Folha de Pernambuco e do meu blog, e mais 165 emissoras de rádio no Nordeste.
Retransmitem a Rede Nordeste de Rádio, a Rede Mais Rádios, da Paraíba; a Rede ANC, no Ceará; a revista Mais Nordeste, em Fortaleza; e a TV LW, em Arcoverde.
Entram como parceiros na mídia institucional a Autoviação Progresso, o Grupo Antonio Ferreira Souza, a Água Santa Joana, a Faculdade Vale do Pajeú e o grupo Grau Técnico.
A jornalista Mônica Waldvogel, da Globo News, fez duras críticas à governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), durante o programa Em Ponto, exibido hoje. O posicionamento da comentarista política e apresentadora ocorreu em razão da repercussão de um vídeo gravado em maio de 2025, que veio a público recentemente. No registro, Raquel conversa com uma médica sobre o caso de uma mulher com sete filhos e que estaria grávida de mais um. Na ocasião, ela dispara a frase: “Faz sem ela saber” ao se referir a um procedimento de laqueadura. Confira!
Movimentos de defesa dos animais realizam, na próxima quarta-feira (23), uma manifestação contra a realização de vaquejadas em Pernambuco. O ato, intitulado “Violência não é cultura”, está marcado para começar às 14h, na Rua da Aurora, em frente à Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe). A mobilização será uma caminhada em defesa do fim da exploração animal e pretende reunir ativistas e apoiadores da causa.
Se a comunicação é uma das áreas mais sensíveis de uma campanha eleitoral, os bastidores da candidatura de Raquel Lyra (PSD) parecem estar longe de viver dias de calmaria. Com o marqueteiro Igor Paulin dividindo sua atenção com a campanha de JHC ao Governo de Alagoas, a governadora teria passado a demonstrar irritação com Giordano Cunha, profissional que assumiu parte das funções na comunicação da candidatura.
Nos bastidores, circula a informação de que Raquel costuma chamar Giordano de “diretor de arte”, em tom de deboche, como se quisesse reduzir sua importância dentro da estratégia eleitoral. A ironia é que o profissional tem trajetória consolidada no marketing político brasileiro. Ou seja: para a candidata, aparentemente, o problema não seria exatamente o currículo – mas o fato de ele estar ocupando o espaço deixado pelo marqueteiro que ela gostaria de ter mais presente.
O episódio seria apenas mais um dos “causos” que circulam pelas coxias da campanha. E revela uma situação, no mínimo, curiosa: enquanto a candidatura precisa de uma comunicação afinada, rápida e capaz de apagar incêndios, a relação com quem deveria ajudar a comandar essa operação estaria longe de ser um mar de rosas.
E incêndio, aliás, não tem faltado. A campanha ainda tenta administrar a repercussão provocada pela declaração de Raquel sobre a realização de laqueadura em uma mulher sem que ela soubesse do procedimento – episódio que provocou forte reação e abriu uma nova crise de imagem para a governadora.
Em uma eleição, comunicação mal calibrada já é um problema. Quando a própria candidata entra em rota de colisão com quem deveria ajudá-la a calibrar o discurso, a situação fica ainda mais complicada. No caso de Raquel, a impressão de que os bastidores passam é a de que, além de escolher bem as palavras, a campanha também está tendo dificuldade para escolher quem deve dizê-las.
O relatório do DSC Lab que mediu o comportamento das redes sociais durante a sessão de UFC verbal no octógono do Supremo Tribunal Federal (STF) traz ainda muito mais achados do que os que foram mencionados aqui no Correio Político na edição de fim de semana. O relatório assinado por Tiago Falqueiro, diretor do DSC Lab, mediu o dano produzido na reputação dos ministros do Supremo que se enfrentaram naquele dia vexaminoso para a história da República brasileira.
E mostra que quase ninguém – ou mesmo ninguém – se saiu bem do episódio. O DSC Lab mediu ainda os impactos de tudo na corrida eleitoral. E, pela observação do que ocorreu nas redes sociais naquele dia, novamente a crise STF/Master não ficou boa para ninguém, dada a amplitude de ataques para todos os gostos. Numa eleição acirradíssima, toda reação do eleitor é importante de ser observada.
O DSC Lab criou um método de pontuação para aferir o quanto os comentários nas redes sociais afetam a reputação de quem é mencionado. A pontuação aponta tanto para um nível de criticidade – quando o dano fica claro – quanto para um nível de risco – que estabelece uma situação de alerta. E a avaliação mostra que as coisas não acabaram boas nem para Alexandre de Moraes nem para André Mendonça, os dois principais antagonistas do embate da terça-feira (15).
Moraes, sem dúvida, foi o mais afetado. Ficou com 88,8 pontos de criticidade e 90,2 pontos de risco à reputação. Mas Mendonça não ficou muito longe dele. Seu nível de criticidade ficou em 78,6 pontos de criticidade e 79,9 pontos de risco. A intensificação do debate na terça ampliou também o nível de percepção quanto ao papel de cada um. “Moraes ficou associado às mensagens, aos contratos e à legitimidade de sua participação. Mendonça concentrou a disputa sobre condução, sigilo e validade da apuração”, observa Tiago Falqueiro.
A análise feita pelo DSC Lab mostra que o dano à reputação virou um risco para todos os dez ministros do Supremo Tribunal Federal. O presidente do STF, Edson Fachin, também ficou com pontuação alta: 61 pontos de criticidade e 61,4 póntos de risco à repútação. Todos os demais ministros passaram a apresentar risco moderado às suas reputações. Inclusive Cármen Lúcia, com a pontuação mais baixa.
Curiosa é a situação que o DSC Lab avalia quanto à repercussão do caso junto aos dois principais adversários na corrida eleitoral deste ano. Nos últimos dias, a percepção que passava era que Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o candidato à reeleição, estava nas cordas. E que Flávio Bolsonaro (PL) se aproveitava aumentando o tom da crítica.
Os acontecimentos da terça-feira e dos dias próximos, no entanto, fizeram com que, segundo o DSC Lab, o dano à reputação ficasse maior para Flávio Bolsonaro. Seu nível de criticidade atingiu 80,8 pontos e o risco à reputação ficou em 80,9 pontos. Lula ficou com níveis altos, mas menores: 68,7 pontos de criticidade e 67,1 pontos de risco à reputação.
Na terça-feira anterior, havia mais menções a Flávio que a Lula. Isso mudou. “Lula apareceu em 692 publicações no dia 15, com 1,18 milhão de interações. Flávio Bolsonaro reuniu 407 posts e 674,9 mil interações. Em relação à terça-feira anterior, as menções a Lula cresceram 23,6%, enquanto as de Flávio recuaram 46,4%”.
“Flávio aparece como autor de cobranças contra Moraes e como alvo de publicações sobre Dark Horse”, diz o relatório do DSC Lab. “Lula circula em conteúdos que defendem sua desvinculação financeira do caso, em cobranças sobre providências do Executivo e em leituras eleitorais da crise”, continua. São as duas faces da repercussão.
A liberação dos conteúdos das investigações atingiu novamente o pivô inicial de toda essa crise, o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. As notícias a respeito das festas de luxo, em boates e mansões ganhou tração, embora as questões relacionadas diretamente à fraude financeira ganhem mais menções.
“O tema financeiro, que reúne fraude, BRB, FGC e dimensão do Banco Master, apareceu em 9.513 publicações, ante 2.358 na semana anterior. O conteúdo sobre luxo, festas e gastos pessoais de Vorcaro passou de 396 para 1.771 posts”, diz o DSC Lab. Enfim, ao final de uma das semanas mais tensas da República brasileira, ninguém escapou.
A candidata a vice-governadora de Pernambuco, Alice Gabino (Rede), se manifestou sobre a declaração da governadora e candidata à reeleição, Raquel Lyra (PSD), relacionada à realização de laqueadura sem o conhecimento da paciente. O episódio ocorreu em 2025, durante uma visita da governadora ao Hospital Regional Dom Moura, em Garanhuns, mas ganhou repercussão pública ontem, após a divulgação de um vídeo da conversa. Na gravação, Raquel afirmou, ao comentar o caso de uma gestante com sete filhos, “Mas faz sem ela saber”.
Em publicação nas redes sociais, Alice classificou a declaração como “criminosa” e se disse enojada com a declaração. Afirmou ainda que a fala deveria ser esclarecida diante da população pernambucana. A candidata relacionou o episódio às normas brasileiras que regulamentam o planejamento familiar e a esterilização cirúrgica, destacando que procedimentos como a laqueadura dependem da manifestação de vontade da própria pessoa.
A Lei nº 9.263/1996, que regulamenta o planejamento familiar, estabelece que a esterilização cirúrgica exige manifestação expressa da vontade em documento escrito, após o recebimento de informações sobre riscos, efeitos e alternativas contraceptivas. A legislação, portanto, prevê a obrigatoriedade do consentimento da pessoa submetida ao procedimento.
Alice também cobrou posicionamento da governadora e da vice-governadora, Priscila Krause, sobre o episódio. Para a candidata, a declaração deveria ser tratada com atenção por envolver autonomia e direitos das mulheres. Após a repercussão, Raquel Lyra publicou um pedido de desculpas e afirmou que a fala havia sido equivocada e que não representava o respeito que afirma ter pelas mulheres.
O Ministério da Justiça oficializou, hoje, a demissão do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro do cargo de escrivão da Polícia Federal (PF). O motivo da demissão é infração disciplinar de “abandono de cargo”, após Eduardo “faltar ao serviço injustificadamente pelo período superior a trinta dias consecutivos”.
A determinação foi assinada pelo ministro Wellington Lima e Silva na última sexta-feira (18), e publicada no Diário Oficial da União (DOU) de hoje. A saída encerra o vínculo de Eduardo com uma carreira que tem remuneração inicial superior a R$ 14 mil e permite progressão salarial ao longo dos anos de serviço.
O blog da Camila Bomfim questionou o Ministério da Justiça se Eduardo Bolsonaro estava recebendo salários até a demissão, e se cabe recurso da decisão, e aguarda retorno. Eduardo estava afastado de suas funções na PF para cumprir o seu mandato na Câmara dos Deputados. Contudo, teve o mandato cassado em 18 de dezembro por excesso de faltas.
A perda do mandato foi declarada com base em uma regra da Constituição que proíbe deputados e senadores de faltar a mais de 1/3 das sessões deliberativas do ano. Eleito por São Paulo, Eduardo Bolsonaro mora nos Estados Unidos desde o início do ano passado. Ele tem afirmado que a mudança ocorreu para evitar uma suposta perseguição política e jurídica no Brasil.
O município do Brejo da Madre de Deus recebeu, neste fim de semana, uma movimentação política liderada pelo prefeito Roberto Asfora, em apoio às campanhas da candidata ao Governo de Pernambuco, Raquel Lyra, e dos candidatos Kaio Maniçoba, Lula da Fonte, Eduardo da Fonte e Humberto Costa.
A mobilização aconteceu na noite do sábado (19) e contou com as presenças de Kaio Maniçoba, Lula da Fonte e Eduardo da Fonte. Para Asfora, a presença dos candidatos em Brejo representa a importância de manter o diálogo aberto e buscar, junto às diferentes esferas, caminhos para atender às necessidades do município. A mobilização também marcou mais um momento da campanha no município, com a participação de lideranças e apoiadores em defesa dos nomes apresentados pelo grupo.
Desde a declaração da candidata Raquel Lyra sobre fazer uma laqueadura em uma paciente “sem ela saber”, foram realizados mais de 20 mil procedimentos do gênero em Pernambuco. Pela naturalidade com que a fala foi dita, a chefe do executivo que deveria passar segurança acabou gerando apreensão em milhares de mulheres pernambucanas. Seja por uma decisão religiosa, ou por planejamento familiar, a decisão sobre o que fazer com o corpo cabe exclusivamente à mulher. Seu corpo, suas regras.
As perguntas que chegam agora só tornam a questão ainda mais grave: essa seria uma determinação em outras unidades de saúde geridas pelo estado? Será que a mesma postura seria adotada em pacientes de maior poder aquisitivo que optam por ter mais filhos? A medida teria relação com o controle de natalidade de possas com menor renda como já se cogitou no passado?
São questionamentos que pairam na cabeça de muitas pessoas. Trata-se de uma postura, no mínimo, repreensível. É difícil que o eleitorado, em especial as mulheres pernambucanas, passem pano para uma declaração tão forte e, ao mesmo tempo, dita com o sorriso no rosto, antecedendo a pose para uma fonte. O lugar torna tudo ainda mais emblemático: era dentro de uma unidade de saúde, cercada por mães com filhos no colo.
Você acha que Raquel Lyra agiu corretamente nessa situação? Deixe aqui a opinião nos comentários.
MONTANHAS DA JAQUEIRA – Mesmo no mundo da ficção difícil imaginar um personagem tão rocambolesco quanto o gângster do Master. Ele é um onívoro, transava com gregos e troianos, baianos, ministros, ex-ministros, baianos e paulistanos. Era dos carecas que ele gostava mais. Foram transas bilionárias com os demiurgos, entidades que se imaginam flutuando entre o céu e a terra. Incrível é a guarda pretoriana arregimentada por ele e que opera a plenos vapores malignos.
Ai-ai-ai – ui-ui-ui — A montanha estava gemendo e chorando. Eram as dores do parto. Nasceu um lobisomem. Fizeram o teste do pezinho, da carequinha, da barbinha vermelha, do couro cabeludinho.
Toma, que o filho é teu! A montanha disse ao careca. Mostraram a ele a prova do batom na calcinha da montanha. Eu não sou a Débora do batom na calcinha, disse o careca. Ela violou a castidade de uma estátua de Brasília e por isso foi castigada com 14 anos de cadeia. As estatuas de Brasília são virtuosas de nascença, falou.
Um doula, especialista em partos heterodoxos, vai solicitar a quebra do sigilo sexual da montanha. Nem precisa. Slides e transparências revelam que a montanha caiu na gandaia e ofereceu ofertas de gratidão milionárias aos seus pretendentes. A montanha promoveu uma orgia na Europa com a presença de centenas de donzelas loiras para degustação dos aiatolás.
A montanha hoje está enjaulada na cadeia, mas tudo gira em torno das aventuras dela. Vai escrever um livro intitulado “Memórias cabeludas de uma montanha” e pretende que seja uma delação premiada para sair da cadeia. Propõe que suas transas pecaminosas sejam perdoadas e seja proclamado inocente para desfilar em carro de bombeiro como herói nacional. Nada surpreende nestas terras Brasilis onde o maior ladrão do Estado da Guanabara, condenado a 200 anos de cadeia, hoje desfila lépido e fagueiro no calçadão de Copacabana e se proclama a alma mais honesta do Reino de Pindorama.
O juiz evangélico está ameaçado de ser julgado e condenado por ter tido a ousadia de desafiar os poderes do maior gângster da nossa história. Neste Brazil de bananões e isentões faltam homens com a fibra cívica de um Carlos Lacerda, Leonel Brizola e Ulisses Guimarães capazes de fibrilar, fibra por fibra, o coração dos corruptos e malévolos. Os militantes conservadores e da direita são de fritar bolinho, não têm tutano para encarar a caterva vermelha e suas circunstâncias.
O código de honra da Cosa Nostra, invocado por um aiatolá de esquerda, chama-se Omertà. É a lei do silêncio e da cumplicidade, mesmo diante de crimes cometidos por seus sequazes.
Este Brazil S.A. é dominado por homens maus e perversos. Nestas horas e desoras meu guru o economista Roberto Campos dizia que esta Terra de Vera Cruz, a terra da verdadeira Cruz, não corre nenhum risco de dar certo. Desde 1500 até hoje ele continua acertando, e a história não costuma dar cavalo de pau.
O que a fala de Raquel revela sobre o poder de decidir pelo corpo de uma mulher pobre
Há frases que podem ser classificadas como infelizes. E outras que obrigam a sociedade a discutir algo muito maior do que o constrangimento de quem as pronunciou, como esta: “Mas faz sem ela saber! Vai!” Saiu, pasmem, da boca da governadora Raquel Lyra (PSD) em meio a uma visita ao Hospital Regional Dom Moura, em Garanhuns, em maio de 2025.
O vídeo, com a lamentável frase, veio a público, ontem, e mostra a governadora conversando com pessoas que aparentam integrar a equipe da unidade sobre uma paciente grávida que, segundo o relato ouvido por ela, já teria sete filhos. Na sequência, Raquel fala em colocá-la na fila para uma laqueadura e, depois de uma resposta inaudível, afirma que o procedimento deveria ser feito sem que a mulher soubesse.
O primeiro problema é objetivo: uma esterilização cirúrgica não pode ser decidida por terceiros. A legislação brasileira estabelece que a esterilização voluntária exige manifestação expressa da vontade da própria pessoa, registrada em documento escrito, depois de receber informações sobre riscos, efeitos colaterais, dificuldades de reversão e alternativas contraceptivas.
O Ministério da Saúde também estabelece que a pessoa deve passar por orientação sobre os métodos disponíveis e, caso escolha a cirurgia, assinar termo de consentimento. Portanto, a expressão “sem ela saber” não é um detalhe semântico. Atinge justamente o elemento que transforma uma intervenção médica em uma escolha legítima: o consentimento da mulher.
E existe uma segunda camada, talvez ainda mais incômoda. A conversa não trata de uma mulher abstrata. Trata de uma paciente da rede pública, apresentada naquele ambiente pelo número de filhos que já teria. A informação de que ela estaria grávida novamente, depois de sete filhos, aparece na conversa como justificativa para se pensar em esterilização.
É aí que a discussão deixa de ser apenas jurídica e passa a ser também social. Quantos filhos uma mulher tem não determina quanto direito ela possui sobre o próprio corpo. Ser pobre, morar no interior, depender do SUS ou já ter sete filhos não transforma ninguém em objeto de decisão de médicos, gestores, autoridades ou familiares.
Planejamento familiar é oferecer informação e condições para que a mulher escolha. Não é escolher por ela.
SEM SABER – A diferença parece elementar, mas é justamente ela que separa uma política pública de saúde de uma política de controle sobre corpos. A própria atualização da legislação brasileira reforçou a autonomia individual. Desde a Lei 14.443/2022, a esterilização voluntária pode ser realizada a partir dos 21 anos ou por quem tenha pelo menos dois filhos vivos, sem necessidade de autorização do cônjuge. A decisão pertence à pessoa que será submetida ao procedimento. Por isso, o episódio produz uma pergunta inevitável: o que significa, para uma autoridade pública, imaginar que uma mulher pode ser esterilizada sem sequer saber que isso acontecerá?
Mais grave do que se supõe – Não é necessário afirmar que o procedimento tenha ocorrido para reconhecer a gravidade da fala. Até o momento, não há informação de que a paciente mencionada no vídeo tenha sido efetivamente submetida a uma laqueadura sem consentimento. O que está documentado é a fala da governadora e a posterior admissão de que ela fez o comentário. O debate responsável não deve transformar uma declaração em uma acusação de que um procedimento efetivamente aconteceu sem autorização. Mas também não deve reduzir uma declaração dessa natureza a uma simples “fala equivocada”, porque existe uma questão de princípio que permanece mesmo depois do pedido de desculpas.
Reconhecimento não encerra o caso – Raquel reconheceu a declaração, classificou-a como equivocada e pediu desculpas, afirmando que ela não representa o respeito que tem pelas mulheres. Também disse defender o planejamento familiar baseado em informação e escolha. O pedido de desculpas é um elemento da resposta política ao episódio. Não encerra, porém, as perguntas objetivas que o caso produz. A orientação foi apenas uma manifestação informal, sem qualquer consequência prática? Houve alguma comunicação à equipe? A paciente foi identificada? Recebeu orientação sobre planejamento familiar? Manifestou alguma vez interesse em realizar uma laqueadura? Algum procedimento foi realizado? São perguntas que podem e devem ser respondidas sem transformar o episódio em espetáculo político, porque existe uma questão maior em jogo: quem decide sobre o corpo das mulheres quando elas estão em situação de vulnerabilidade?
Expostas e sem proteção – A história brasileira e a própria discussão contemporânea sobre direitos reprodutivos mostram que mulheres pobres estão particularmente expostas a decisões tomadas por terceiros. Quando uma mulher rica decide não ter filhos, a sociedade tende a falar em escolha. Quando uma mulher pobre tem muitos filhos, surge com frequência a tentação de transformar sua reprodução em problema social a ser administrado. Pode oferecer contraceptivos. Pode garantir acesso à laqueadura. Pode ampliar atendimento. Pode orientar. Pode informar. Pode assegurar que uma mulher que deseja interromper sua capacidade reprodutiva consiga fazê-lo dentro das regras legais.
Além da disputa eleitoral – O que o Estado não pode fazer é substituir a vontade da mulher pela sua própria vontade. E talvez seja esse o aspecto mais grave da fala de Raquel Lyra: não apenas a referência à laqueadura, mas a ideia expressa de que a decisão poderia ser tomada sem que a própria mulher soubesse. Uma democracia não se mede apenas pela existência de eleições. Também se mede pelos limites impostos ao poder de uma autoridade sobre aqueles que estão em posição mais vulnerável. O corpo de uma mulher não é patrimônio do Estado. Não pertence ao médico. Não pertence ao marido. Não pertence ao governador. Não pertence à família. E muito menos pode ser tratado como uma variável de uma política de controle populacional. É por isso que o episódio merece ser discutido para além da disputa eleitoral de 2026. A questão central não é simplesmente se Raquel Lyra “se expressou mal”. A questão é compreender por que uma autoridade pública chegou a verbalizar a possibilidade de uma intervenção irreversível no corpo de uma paciente sem o conhecimento dela — e assegurar que nenhuma mulher atendida pelo poder público seja tratada dessa maneira.
CURTAS
POR OUTRA, NÃO – Se houve apenas uma frase infeliz, que se esclareça. Se houve alguma consequência prática, que se apure. E, em qualquer hipótese, que fique reafirmado o princípio básico que deveria ser óbvio em qualquer serviço de saúde: informar é obrigação. Orientar é obrigação. Oferecer acesso é obrigação. Decidir pelo corpo de outra mulher, não.
QUE HORROR! – No material bruto extraído dos celulares de Daniel Vorcaro pela PF, e que agora está nas mãos de vários ministros do STF, aparecem cerca de cinco mil itens classificados como “Score nudez”. Vão de nudes a cenas de sexo muito explícito.
PÉ NO CHÃO – Autor do bordão mais conhecido das últimas décadas em campanhas presidenciais — “Nunca antes na História deste país” —, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) passou a reconhecer as dificuldades de sua gestão e a adotar um discurso mais “pé no chão”. Após debater com aliados os obstáculos da corrida eleitoral, o petista tenta modular o tom ufanista e afirma até mesmo que poderia ter feito “muito mais”.
Perguntar não ofende: Muitas parturientes podem ter sido laqueadas nas maternidades estaduais sem saberem?