Por Rudolfo Lago – Correio da Manhã
O Correio Político participou de entrevista com o candidato do PSD à Presidência, Ronaldo Caiado, ao programa Direto de Brasília, do jornalista Magno Martins. E perguntou diretamente a Caiado: “O senhor se posicionou de maneira geral sobre a crise do Banco Master. Mas nada disse exatamente sobre o envolvimento de Flávio Bolsonaro e suas explicações. Qual, então, a sua avaliação sobre isso?” Caiado saiu pela tangente.
Embora tenha admitido que o episódio desgasta Flávio, o candidato do PL, disse que não faria juízo de valor e que a Flávio é que caberia dar explicações a seus eleitores. Caiado deixou claro uma espécie de pacto de não agressão com Flávio. E há razões políticas e eleitorais para isso.
Leia mais“Esse é um momento que requer muita habilidade para chegar ao segundo turno sem prejudicar o acordo que temos”, respondeu Caiado. E qual seria esse acordo? Entre os candidatos da centro-direita, disse Caiado, estabelece um compromisso de apoio a quem deles chegar ao segundo turno. Então, claramente Caiado evita ataques diretos a Flávio Bolsonaro. Flávio hoje é quem está mais próximo no campo conservador do segundo turno.
O que Caiado não diz claramente, mas apurou o Correio Político, é que esse pacto de não agressão hoje tem principalmente o propósito de garantir que Lula não venha a vencer a eleição no primeiro turno. A leitura das pesquisas que foram divulgadas na semana passada e nesta semana após o caso Flávio/Master apontariam que boa parte da queda de Flávio não se reverteu em votos para Lula. Nem para os demais candidatos na disputa. Aumentou o número de indecisos. E isso, no fundo, acaba também por beneficiar Lula, que lidera a corrida eleitoral.
Um número maior de indecisos ajuda Lula por uma razão. O sistema eleitoral brasileiro só contabiliza os votos válidos. Se em outubro o número de votos em Flávio Bolsonaro cair e esses votos não forem para outros candidatos, forem nulos ou em branco, o universo de eleitores diminui. Se Lula mantiver seus votos, o percentual total dele aumenta.
Tomando-se a pesquisa Datafolha da semana passada, Lula aparece com 40% no primeiro turno. Para já ser eleito, precisaria subir 11 pontos. Difícil que ele cresça isso somando novos eleitores. Mas pode conseguir se o universo de votantes diminuir. Lula abriu ma vantagem de nove pontos sobre Flávio, com 31%.
Na entrevista, Caiado disse que “tudo o que Lula quer” é que ele ataque Flávio Bolsonaro. Então, ele não faria isso. O problema de Caiado: o compromisso de vir a apoiar Flávio no segundo turno é mais dele do que propriamente do seu partido, o PSD, e do seu comandante, Gilberto Kassab.
Kassab tem permitido a Caiado bater forte em Lula. Mas ele próprio não faz isso. Ele sabe que parte de seu partido tem compromisso com Lula e não muda nem mesmo para apoiar Caiado no primeiro turno. Para pegar só um caso, isso já foi claramente declarado pelo senador Otto Alencar na Bahia.
Por razões diversas, no entanto, todos desejam que venha a acontecer o segundo turno. Caiado pelo declarado pacto de centro-direita para derrotar Lula. E Kassab e parte do PSD é porque somente assim teriam cacife para negociar apoio. Se Lula vier a ser capaz de liquidar a fatura no primeiro turno, fará isso sem precisar da ajuda do PSD.
Ao contrário de Caiado, o candidato do Novo, Romeu Zema, partiu para o ataque sobre Flávio. A avaliação no PSD é que ele pode ser mais “guerrilheiro”. Pertence a um partido menor. Não tem os compromissos do PSD com candidaturas a governador e o Parlamento. Mas agora ensaia uma aproximação.
Outra razão de o PSD adotar tom mais cauteloso é a sua estratégia nos estados, onde trabalha para ampliar alianças para todos os lados possíveis. O PSD tem hoje 49 deputados. Planeja eleger 75. E considera que tem hoje pelo menos dez candidatos a governador com chances reais. Não seria hora de marola.
Leia menos


















