Relatório técnico do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), feito por determinação do presidente da Corte, ministro Kassio Nunes Marques, indica que não encontrou publicações com informações falsas a favor de Lula (PT) e/ou contra Flávio Bolsonaro (PL) no canal “Exército do Lula”, no WhatsApp.
O canal com mais de 3 milhões de inscritos é coordenado pelo deputado eleito André Janones (Rede-MG). Tem como principal finalidade o compartilhamento de informações, vídeos, fotos, áudios e orientações para apoiadores de Lula no segundo turno.
O impasse na Justiça Eleitoral teve início com pedido da campanha de Flávio. O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) alegou que o canal reproduzia notícias falsas contra ele.
“Os elementos reunidos oferecem subsídios para a avaliação dos riscos à integridade do processo eleitoral. No período examinado, não foram localizadas novas publicações que reproduzam os conteúdos examinados nos autos, ressalvado o conteúdo de vídeos que, pela urgência, não foram transcritos”, diz o relatório técnico do TSE.
Ontem, o corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, suspendeu uma ordem de Nunes Marques. Com isso, reabilitou o funcionamento do canal de WhatsApp. A nova decisão é preliminar e deverá ser discutida pelo plenário do TSE.
Apesar de manter o funcionamento do canal, Cueva reforçou que é inteiramente proibida a vinculação de conteúdos falsos. Caso haja descumprimento, poderá haver novamente a suspensão do canal.
O Brasil perdeu um grande intelectual, pensador, transgressor, filósofo, “pai” de uma geração de cineastas que agitaram o século anterior com produção de filmes super oito, a bitola possível com que se fazia cinema nas gerações passadas. Entre os seus “filhos” encontram-se Paulo Cunha, os saudosos Amin Steaple e Geneton Moraes Neto, que não mais estão aqui para lhe prestar homenagem. Mas Paulo, hoje professor da Universidade Federal de Pernambuco, exaltou em suas redes sociais, aquele que foi um “brilhante pensador e criador” e também, um dos seus “maiores amigos”. Jomard partiu, aos 89 anos, e será sepultado às 16h deste Dia da Criança e Nossa Senhora Aparecida, no Cemitério de Santo Amaro.
Para Paulo Cunha, ele “vai fazer uma falta enorme” e “grande parte da alegria de Pernambuco adormece”. Sim, Jomard fará muita falta, aos amigos, aos alunos, aos seguidores, aos amantes dos seus “atentados poéticos”, como ele costumava chamar os irreverentes versos que costumava distribuir por e-mail para os amigos. Sua mente brilhante sempre fervilhou. Talvez por isso tenha sido um dos intelectuais perseguidos pela ditadura militar de 1964, que não gostava de seres pensantes.
Ele havia sido convidado pelo educador Paulo Freire para integrar o Serviço de Extensão da Universidade Federal de Pernambuco. Chegou a ser preso, no mesmo ano do golpe militar e até dividiu cela com o militante comunista Gregório Bezerra, um das lendas da esquerda pernambucana. Foi aposentado precocemente, mas continuava dando aulas e cursos em Campina Grande, em João Pessoa, e onde fosse chamado.
É um dos precursores do tropicalismo, e admirado por artistas como Gilberto Gil e Caetano Veloso. Também era amigo do polêmico cineasta Glauber Rocha. Foi um dos autores do primeiro manifesto tropicalista, movimento de brasilidade que pipocaria logo depois. Era impossível ficar indiferente à irreverência, à sabedoria e à perspicácia de Jomard. Ele tinha o dom de mostrar a direção, nortear vidas. Que o diga o professor de Literatura da UFPE, Anco Márcio, que o viu pela primeira vez, quando tinha apenas 17 anos e cursava o científico.
Em suas redes sociais, ele lembrou que quase ainda “um moleque”, em 1982, conheceu Jomard em uma livraria do Recife, quando este fazia uma de suas habituais performances. “Naquela noite, todo um mundo se abriu para mim”, lembra. Os dois se tornaram amigos, e para Anco, Jomard era “a mente mais inquieta que conheci, mais livre, mais transgressor, mais verdadeiro, uma metralhadora giratória”.
Convivi muito com Jomard. A gente sempre se encontrava na Rua Sete de Setembro, nos saudosos tempos da Livro 7, que reunia os intelectuais do Recife. Mas a lembrança mais inquietante aconteceu em um carnaval do Recife, quando me defrontei, na Rua da Aurora, na sexta-feira à noite com o criador de “O Palhaço Degolado” e do “Inventário do Feudalismo Cultural“. Estávamos na gestão Jarbas Vasconcelos como Prefeito do Recife, e era o primeiro ano em que a alegoria gigante do Galo da Madrugada era montada sobre a Ponte Duarte Coelho.
Penso que eu ia me encontrar na sexta-feira com o pessoal do Bloco “Nem sempre Lili toca flauta“. Ao encontrar Jomard com uma câmera, em plena Rua da Aurora, ver o carnaval fervendo na sexta-feira, e presenciar a dificuldade dos operários para acabar de montar a alegoria, brinquei com ele, na qualidade de porta-estandarte da “Troça Nóis Sofre Mais Nóis Goza”. É que ninguém conseguiua colocar a cabeça do Galo.
“Jomard, no próximo carnaval não estarei só no “Nóis sofre mais nóis goza”, pois vou fundar outro bloco em homenagem a esse Galo sem Cabeça, em pleno carnaval. O bloco se chamará “O Galo Degolado”. Passou o tempo, um dia Jomard me chama para a estreia de um filme dele, cujo título não lembro mais. Era um filme meio sombrio, todo mundo acompanhava em silêncio, mas a gargalhada era geral, quando eu aparecia, do nada, falando no “Galo degolado”. Só Jomard mesmo, para me aprontar uma dessa… Jomard era assim. Filmava o que via e o que vivia. Na foto acima, ele documenta Lula, quando este era ainda um líder operário.
Posteriormente, a cineasta Luci Alcântara fez um documentário sobre a vida e obra do nosso mestre. Hoje meu amigo Mucíolo Ferreira, que trabalhou na Prefeitura e que via Jomard lá, quando chefiava o setor de cultura da PCR, lembrou que trabalhou com ele na primeira gestão de Jarbas. “Foi dele e de Marcelo Mário de Melo a ideia de levar o carnaval do Recife para a parte peninsular da cidade. Dois gênios que tiveram o olhar futurista, vanguardista, para o que é hoje o fantástico carnaval do Recife Antigo”, diz. Da Bahia, o antropólogo Fernando Batista lamenta o encantamento de Jomard. “Foi lutar por nós do outro lado”… Que Deus o tenha, Jomard, e que você continue agitando lá por cima. Você fará falta para sempre, em nossas mentes e corações. E rogai por nós…”
O empresário Fredy William Lima de Lira, de 44 anos, foi morto a tiros na noite da última quarta-feira (7), na rodovia PE-275, entre São José do Egito e Tuparetama, no Sertão do Pajeú, em Pernambuco.
Segundo o blog do Nill Júnior, Fredy foi interceptado por volta das 21h e atingido por três disparos. Ele foi levado ao Hospital de Tuparetama, sofreu paradas cardíacas, chegou a ser reanimado, mas não resistiu.
De acordo com relatos de pessoas da região, Fredy era conhecido por seu envolvimento em eleições e pelo hábito de realizar apostas altas. Ele também cursava Direito na Faculdade Vale do Pajeú (FVP), em São José do Egito.
Em 7 de setembro, Fredy teve sua picape incendiada enquanto participava de uma carreata em apoio ao candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), em São José do Egito. Ele publicou vídeos nas redes sociais mostrando o veículo destruído e, depois, pedindo contribuições financeiras para recuperar o prejuízo. Na ocasião, manifestou preocupação com sua segurança.
Na última quinta-feira (8), a FVP divulgou nota oficial de pesar e repúdio ao assassinato do estudante. A instituição decretou luto institucional e suspendeu as atividades acadêmicas no dia. A faculdade afirmou que “nenhuma divergência política, ideológica, religiosa ou de pensamento pode justificar a violência” e cobrou das autoridades uma investigação “rigorosa, célere e transparente”.
A Polícia Civil investiga o caso. Segundo o Ministério Público de Pernambuco (MPPE), ainda não é possível determinar a motivação do crime nem identificar os responsáveis. O órgão considera prematuro estabelecer conclusões sobre o caso.
O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) esteve no Santuário Nacional, em Aparecida (SP), para participar de uma missa no dia da padroeira do Brasil. Antes da celebração, ele disse que iria rezar pela saúde do Papa Leão 14, que anunciou que está com um nódulo no pulmão e que passará por cirurgia.
Geraldo Alckmin estava acompanhado de diversas figuras públicas. Além de sua esposa, Lu Alckmin, estavam com ele o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, Gilberto Kassab, presidente do PSD, a deputada federal Tabata Amaral e João Campos, presidente do PSB.
Apoiadores entoaram gritos a favor da reeleição de Lula (PT). Ao ver Alckmin, a multidão começou a gritar: “Olê, olê, olê, olá, Lula! Lula!”. Houve também manifestações contrárias. Na saída do local, por exemplo, alguém chamou o vice-presidente de ladrão.
Missa com a presença de Geraldo Alckmin, Lu Alckmin, Tábata Amaral e João Campos em Aparecida (SP) | Foto: Rubens Cavallari/Folhapress
Geraldo pediu pelo Brasil e pela saúde do Papa. “Que seja breve a recuperação de sua santidade”, disse em suas redes sociais. Também afirmou que pediria a intercessão de Nossa Senhora Aparecida pelo futuro do país.
Ainda na cidade, Alckmin deu entrevistas para uma rádio local. Em seus stories no Instagram, o vice-presidente mostrou que segue em campanha durante uma participação na Rádio Aparecida.
Tabata postou nas redes que estava pedindo orações por sua mãe. Reni Amaral sofreu um acidente no dia anterior às eleições e precisou ser hospitalizada na UTI. João Campos publicou apenas uma homenagem à santa. Já Kassab e Padilha dividiram momentos da visita ao Santuário em suas redes sociais.
A propaganda eleitoral do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) foi transmitida sem som na televisão nesta segunda-feira (12), feriado de Nossa Senhora Aparecida. Durante a exibição, as imagens apareciam na tela, mas não era possível ouvir o áudio da campanha.
O problema ocorreu por volta das 13h, durante o horário eleitoral. Na sequência, a propaganda do presidente Lula (PT), adversário de Flávio no segundo turno, foi exibida normalmente, com som.
A ausência de áudio gerou reclamações de telespectadores, que apontaram a diferença entre as duas transmissões. “Propaganda política do Flávio sem som, logo no dia de feriado de 12 de outubro, com a maioria do povo em casa, isso às 13h”, escreveu um internauta no X.
Outro telespectador afirmou que o problema foi registrado em diferentes emissoras. “No horário da propaganda eleitoral, que começou pelo Flávio Bolsonaro, faltou áudio em todos as emissoras que transmitiam, e na hora do partido do Lula voltou o áudio”, relatou.
A campanha de Flávio Bolsonaro foi procurada para comentar a falha e informar o que pode ter provocado o problema. Até a publicação desta reportagem, não havia se manifestado. O espaço segue aberto.
Ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) avaliam que o presidente da corte, Kassio Nunes Marques, entrou no segundo turno das eleições no modo “tratoraço” e deixou para trás a postura de equilíbrio que tentava cultivar. A visão é compartilhada por integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF).
Quatro membros da corte eleitoral ouvidos pela coluna disseram que o fato de Flávio Bolsonaro ter terminado o primeiro turno com pouco menos de dois pontos percentuais à frente de Lula tem feito Nunes Marques partir para o “tudo ou nada”.
“Ele ligou o trator e está vindo com tudo. Inclusive contra as prerrogativas dos juízes do próprio tribunal e contra o plenário do TSE”, resumiu um ministro da corte eleitoral.
A leitura desses ministros é que, após Flávio Bolsonaro ter tomado a dianteira no primeiro turno, Nunes Marques teria avaliado que os membros do tribunal fariam gestos ao candidato do PL. Essa ala do TSE acredita que Nunes Marques interpretou a decisão da corte eleitoral de anular votos de Anthony Garotinho e dar vitória no primeiro turno a Douglas Ruas (PL), aliado de Flávio no Rio de Janeiro, como um sinal neste sentido.
As decisões que se seguiram no plenário virtual, no entanto, impuseram derrotas para Flávio Bolsonaro, o que fez com que Nunes Marques entrasse em campo. Na sexta-feira (9), ele suspendeu o julgamento virtual de três casos em que já havia maioria favorável à campanha de Lula.
Ontem (11), o presidente do TSE atropelou uma decisão do corregedor da corte, o ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, e determinou a suspensão do canal “Exército do Lula” no WhatsApp, coordenado pelo deputado André Janones (Rede-MG). O pedido foi feito pela campanha de Flávio Bolsonaro.
Posteriormente, Cueva derrubou a decisão de Nunes Marques e restabeleceu o canal de WhatsApp “Exército do Lula”. Como informou O GLOBO, a avaliação de integrantes do TSE é de que a decisão de Nunes Marques resulta em uma quebra de confiança, não só da sociedade com o tribunal, mas também internamente.
Integrantes da corte eleitoral e do STF destacam que, ao derrubar o canal de apoio a Lula, Nunes Marques deu uma decisão no âmbito administrativo e usou o poder de polícia conferido ao presidente do TSE de maneira errada. Isso porque esse poder de suspender divulgação de conteúdo pelo presidente da corte só se aplica a casos de fake news contra o próprio TSE e à Justiça Eleitoral, como ataques às urnas.
Ministros da corte eleitoral relataram que houve uma mudança de postura de Nunes Marques após o primeiro turno. Eles afirmam que, antes, o presidente do TSE buscava algum diálogo e até voltava atrás quando avaliava que havia pesado a mão em algum tema, como foi o caso das pesquisas eleitorais e o uso de avatares com Inteligência Artificial pelas campanhas.
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Kassio Nunes Marques, marcou para amanhã (13) uma reunião com as equipes jurídicas das campanhas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do senador Flávio Bolsonaro. O encontro ocorre após uma série de decisões do TSE, algumas conflitantes, dadas a pedido dos advogados dos presidenciáveis.
A reunião foi marcada para o início da segunda semana do segundo turno das eleições, em meio a uma nova leva de pedidos encaminhados pelas campanhas ao TSE. Na semana passada, primeira semana pós segundo turno, já foram impetrados pelo menos mais 85 processos envolvendo Lula, Flávio, a coligação que patrocina a candidatura do presidente, e o PL Nacional.
A eleição de 2026 já se tornou um marco em termo de judicialização das campanhas à Presidência. Levantamento feito pelo O Globo identificou que o TSE recebeu 698 processos envolvendo as duas principais candidaturas apenas até o último dia 4, um recorde considerando as duas últimas eleições presidenciais.
O principal ponto de tensão entre as campanhas, atualmente, é a atuação do canal ‘Exército do Lula’, criado pelo deputado federal André Janones no Whatsapp. A campanha de Flávio questionou no TSE, em diferentes frentes, o canal e os conteúdos nele disseminados.
Neste fim de semana, o caso se tornou pivô de impasse entre o corregedor da Justiça Eleitoral, Ricardo Villas Boas Cueva, e Nunes Marques. No sábado, o primeiro requereu mais informações antes de decidir sobre um pedido de suspensão do canal, sob o argumento de que a solicitação não foi devidamente instruída pela campanha de Flávio. No domingo pela manhã, em outro processo, o presidente do TSE mandou o Whatsapp derrubar o ‘Exército do Lula’.
A decisão de Nunes Marques causou incômodo e desconfiança internamente. Levou inclusive o corregedor a assinar um novo despacho, na tarde de ontem, restabelecendo o canal e tecendo críticas à conduta de Nunes Marques. O ministro destacou que a campanha de Flávio não apresentou dados suficientes que justificassem a derrubada.
Na madrugada desta segunda, Nunes Marques assinou um novo despacho sobre o caso. O ministro determinou o envio de pedido do PL sobre o ‘Exército do Lula’ à Assessoria de Enfrentamento à Desinformação do TSE para que, “com a máxima urgência, preste informações técnicas” sobre o caso.
“Solicita-se, especialmente, que a unidade informe se identificou a circulação de conteúdos idênticos ou substancialmente equivalentes àqueles examinados nestes autos, inclusive em outros canais e plataformas digitais, bem como eventual atuação coordenada destinada à sua disseminação”, escreveu o ministro.
Ainda segundo Nunes Marques, a Assessoria terá de informar as providências que eventualmente adotou e “apresentar os elementos técnicos disponíveis que possam contribuir para a avaliação dos riscos à integridade do processo eleitoral”.
A deputada estadual Dani Portela (PT) foi reeleita em Pernambuco com 146.123 votos, a maior votação para a Assembleia Legislativa do Estado. Desse total, 60.131 votos foram recebidos no Recife (41,15% da votação total). Em entrevista ao programa Frente a Frente, a petista admitiu a possibilidade de disputar a Prefeitura do Recife em 2028 e colocou o nome à disposição do partido.
“O meu nome está à disposição para cumprir qualquer tarefa que o meu partido decidir. Eu tenho muito desejo de ter a caneta do Executivo nas mãos, nas nossas mãos coletivas”, afirmou. “Se o PT quiser, já tem uma pré-candidata à Prefeitura do Recife”, concluiu.
Durante a entrevista, Dani também comentou o resultado eleitoral, a perseguição política que afirma ter sofrido durante a legislatura, as declarações da governadora Raquel Lyra (PSD) sobre os direitos reprodutivos das mulheres e o crescimento da representação feminina na política. A deputada ainda avaliou o desempenho do PT em Pernambuco, a votação do senador Humberto Costa e a disputa pelo Senado, além de defender a ampliação das candidaturas do partido nos municípios pernambucanos.
Ancorado por este blogueiro, o Frente a Frente vai ao ar logo mais, às 18h, pela Rede Nordeste de Rádio para mais de 40 emissoras em Pernambuco, Paraíba, Alagoas e Bahia. No Recife, a cabeça de rede é a Rádio Folha 96.7.
Após a polêmica envolvendo a imagem de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, os dois candidatos à Presidência que disputam o segundo turno participam de missas nesta segunda-feira (12), dia da santa. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu realizar uma missa restrita na capela do Palácio da Alvorada, enquanto seu adversário, Flávio Bolsonaro (PL), prevê ir à Catedral de Brasília no fim da manhã.
Lula é católico e convidou um grupo restrito de convidados para acompanhar a celebração, entre eles o governador do Piauí, Rafael Fonteles (PT), e a ministra da Cultura, Margareth Menezes. Com informações da Agência O Globo e do Brasil de Fato.
O vice-presidente Geraldo Alckmin acompanha a missa na Basílica de Nossa Senhora Aparecida, em Aparecida, no interior de São Paulo, acompanhado da mulher, Lu Alckmin.
Já Flávio Bolsonaro (PL), que é evangélico, participa de uma missa na Catedral de Brasília com seu candidato a vice, Alfredo Gaspar.
A data ocorre dias após a polêmica envolvendo Nossa Senhora Aparecida. A controvérsia teve origem na circulação de conteúdos digitais, desdobrou-se em acusações contra a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e gerou decisões conflitantes entre a Justiça Eleitoral e o Supremo Tribunal Federal (STF).
Contexto
A polêmica ganhou força após a divulgação de mensagens que associavam Flávio Bolsonaro a uma iniciativa para alterar o status da imagem religiosa. O caso gerou manifestações públicas do candidato, respostas formais da Igreja Católica e disputas judiciais sobre os limites da liberdade de expressão.
As publicações veiculadas nas redes sociais fizeram referência a uma proposta legislativa real, embora antiga e arquivada. Trata-se do Projeto de Lei 2.623 de 2007, apresentado pelo então deputado federal Professor Victório Galli (MT), à época filiado ao MDB. A proposta pretendia alterar a Lei 6.802 de 1980, que instituiu o feriado nacional de 12 de outubro, para substituir a expressão “padroeira do Brasil” por “padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos”.
O tema voltou à tona após um comentário no programa “Em Pauta”, da GloboNews, sobre uma suposta mobilização evangélica para retirar o título de padroeira. Em errata, a emissora mencionou que o projeto citado era de 2007 e estava arquivado desde 2008. Organismos vinculados à CNBB vinham alertando sobre um aumento dos ataques contra católicos: um relatório da Comissão Brasileira de Justiça e Paz listou 58 episódios de ataques da extrema direita contra a Igreja Católica desde 2018.
O projeto de Galli foi rejeitado pela Comissão de Educação e Cultura da Câmara dos Deputados e arquivado definitivamente em agosto de 2008. Anos mais tarde, Galli aliou-se ao grupo político do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e chegou a ser nomeado assessor especial da Presidência da República.
Apesar de o projeto ter sido autoria de um aliado político do grupo bolsonarista, Flávio Bolsonaro declarou, em vídeos, que não possui qualquer projeto para alterar o título da padroeira e classificou as acusações como informação falsa.
No episódio especial de hoje (12), a série jornalística Revelando, cujo tema é “A Guerra à Santa”, recebeu a cantora Juliette para discutir os ataques direcionados a Nossa Senhora Aparecida, a intolerância religiosa e a instrumentalização da fé em disputas políticas e relações de poder no Brasil.
Dedico este venturoso artigo a todos os rapazes e raparigas, meus queridos amigos e minhas queridas amigas, leitores dos meus artigos, das Freguesias dos Aflitos, Jaqueira, Graças e Espinheiro, e a todas as raparigas formosas e charmosas que sapateiam no meu coração.
MONTANHAS DA JAQUEIRA – Eu juro por Zeus o seguinte: o aiatolá do Planalto falou, com todas as línguas, que é o único candidato “antissistema” e carrega nas costas “a promiscuidade que ficou estabelecida na Suprema Corte brasileira”. Oh céus!
Confesso que fiquei estatelado, com todos os meus olhos, ao ler esta notícia sobre o status do guru vermelho. Ser antissistema significa ser contra si mesmo. Já quase na idade de Matusalém, o macróbio vermelho estaria delirando? Ou falou apenas depois de um vacilo da cuidadora regente ao ingerir umas tubaínas e chamar Jesus de Genésio?!
Falar em promiscuidade dos demiurgos de capa preta significa declarar uma “star wars”, guerra nas estrelas. A declaração é crucial, mas ao menos por enquanto os demiurgos estão caladinhos.
Dir-se-ia que o ex-presidente Michel Temer aflorou no recinto com espada flamejante para participar da guerra nas estrelas. Acusado de golpista no caso de impeachment de Dilma, Temer sempre foi hostilizado pelos ortodoxos da seita vermelha. Ele nem esperou esfriar o primeiro turno para declarar apoio a Flávio Bolsonaro. Eis a vingança do mordomo.
Temer é uma mistura de lobo com raposa e exerce o ofício da manha do gato. O apoio dele é trunfo de ouro para a candidatura de Flávio Bolsonaro nos bastidores. Nestes dias surreais imaginem a troca de figurinhas do mordomo com os aiatolás da República. Temer conversa com eles de igual para igual, de potência a potência.
Os protestos da seita escarlate sobre a ingerência externa nas eleições equivalem a falar em corda na casa de Tiradentes. Em 2023 uma equipe de 20 publicitários brasileiros trabalhou na campanha do peronista argentino Sérgio Massa contra o direitista Javier Milei. O fato foi noticiado livremente pela mídia na época. Milei ganhou de goleada, mas nunca esquecerá dessa história na vida de suas retinas fatigadas. Por isso sempre chama o guru vermelho de corrupto.
Eu não estou revelando nenhum segredo de Estado. Nos dias de agora a ingerência nacional e internacional acontece através do general Money. Pense num cara sedutor!
O general Money opera principalmente através das Big Techs e das redes sociais. A tribo de peles vermelhas abomina o capitalismo, mas adora Sua Excelência o Doutor Money, como queiram chamá-lo. As Big Techs são movidas pelo General Money e fazem a cabeça da galera através dos chamados algoritmos.
Meu sonho de consumo midiático é ser esculachado por um grande dama, como se eu fosse um Nicolas, ser chamado de jornalista piá de côco, para ser consagrado na mídia nacional. Mas, pobre de mim, ninguém me esculacha, nem a caterva vermelha. Eu sou apenas um periodista piazinho do tamanho de uma piaba.
O candidato à presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), marcou para o próximo domingo (18) um “bloquinho” com seus apoiadores na Avenida Paulista. A manifestação foi anunciada horas depois de o presidente Lula (PT) lotar a Paulista ontem (11).
Flávio disse que seu ato será um “bloquinho 22 na Avenida Paulista”. O anúncio foi feito em postagem no X, e ele marcou o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG).
O senador e candidato à Presidência não divulgou detalhes sobre o “bloquinho”. Ele não informou o horário de concentração, nem quem estará presente no ato. Flávio também debochou da manifestação a favor de Lula ocorrida ontem (11). Ainda no X, o presidenciável do PL postou vídeo do ato pró-Lula e comparou os manifestantes na Paulista com zumbis da série “The Walking Dead”. As informações são do UOL.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lotou a avenida Paulista, em São Paulo, durante um ato político ontem (11). Uma das frases de ordem entoadas pelos manifestantes foi: “Trabalhador, olha pra cá, eu tô na rua para o seu filho estudar”.
O ato contou com a presença do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e dos governadores petistas reeleitos Elmano de Freitas (PT-CE), Jerônimo Rodrigues (PT-BA) e Rafael Fonteles (PT-PI). As deputadas federais Erika Hilton (Psol), Luna Zarattini (PT) e Sâmia Bomfim (Psol) também receberam aplausos da militância.
Pelas imagens divulgadas, não é possível fazer uma contagem precisa do público na av. Paulista. O uso de drones privados foi proibido porque, em atos com o presidente da República, esse é o procedimento adotado pela equipe de segurança do Palácio do Planalto. Apesar dessa medida, a Mídia Ninja foi autorizada. A Secretaria de Comunicação (Secom) foi questionada e ainda não respondeu ao Poder360.
Alguns grupos políticos foram autorizados a usar drones, inclusive a campanha de Lula, e divulgaram fotos e vídeos. Nas imagens publicadas, é possível notar que a av. Paulista estava lotada da rua Haddock Lobo até a alameda Joaquim Eugênio de Lima. As imagens são de Ricardo Stuckert, fotógrafo da campanha de Lula, e de Vinicius Filgueira, do Poder360.
Faleceu, na madrugada desta segunda-feira (12), o poeta, filósofo e cineasta pernambucano Jomard Muniz de Britto, aos 89 anos. O velório de Jomard Muniz de Britto será realizado a partir das 10h, na capela do Cemitério de Santo Amaro, no Centro do Recife. O enterro está marcado para às 16h. As informações são do Diário de Pernambuco.
Jomard Muniz de Britto nasceu em 8 de abril de 1937, no bairro de São José, no Recife. O diretor e autor é conhecido por seu trabalho em obras como ‘O Palhaço Degolado’ e ‘Inventário de um Feudalismo Cultural’.
Filho da pernambucana Maria Celeste Amorim, Jomard era o primogênito e o único vivo entre cinco irmãos. Estudou estética com Ariano Suassuna, com quem posteriormente teve divergências intelectuais, e, ao longo da carreira, lecionou disciplinas como introdução à filosofia, teoria do conhecimento e estética.
No início dos anos 1960, se aproximou do cineasta baiano Glauber Rocha, que o convidou para passar uma temporada em Salvador. À Glauber, Jomard atribuía o despertar de seu interesse pela realização cultural. Em Pernambuco, passou a se destacar pela circulação entre diferentes áreas, como filosofia, cinema, literatura e música, além de desenvolver atividades como agitador cultural no estado.
O feriado nacional de Nossa Senhora Aparecida, celebrado nesta segunda-feira (12), reúne fiéis em missas, procissões e outras manifestações de fé em homenagem à padroeira do Brasil.
Em Pernambuco, as comemorações incluem atividades religiosas e culturais, com programações especiais nas paróquias do Recife, de outras cidades da Região Metropolitana (RMR) e da Mata Sul.
Na Arquidiocese de Olinda e Recife (AOR), cinco paróquias são dedicadas a Nossa Senhora da Conceição Aparecida: no bairro do Ipsep, na Zona Sul do Recife; em Bela Vista, em Vitória de Santo Antão; no Parque Capibaribe, em São Lourenço da Mata; no Janga, em Paulista; e em Vila Rica, em Jaboatão dos Guararapes.
Além dessas localidades citadas, no distrito de Juçaral, no Cabo de Santo Agostinho, também existe um santuário dedicado à santa padroeira nacional.
Confira os horários e as celebrações divulgados pelas paróquias para esta segunda-feira, de acordo com a programação disponibilizada.
Ipsep, Recife
5h – Missa presidida pelo padre José Amaro Neto 6h – Café da manhã paroquial 7h – Missa presidida pelo padre Adilson, dos Arautos do Evangelho 9h – Missa presidida pelo padre João Carlos Magalhães, com bênção das crianças 12h – Missa presidida pelo padre Kaio Duarte 15h – Missa presidida pelo padre Charles Araújo 16h30 – Grande procissão pelas ruas do bairro 18h – Missa de encerramento, presidida por dom Josivaldo Bezerra, bispo auxiliar da Arquidiocese de Olinda e Recife 20h – Programação cultural
Janga, Paulista
6h30 – Ofício e Ladainha 8h – Celebração eucarística com as crianças, presidida pelo padre Joelmir José 16h – Recitação do Santo Terço, com a participação da Paróquia de Santo Amaro 16h30 – Procissão com saída da Igreja Matriz de Santo Amaro 18h – Celebração eucarística presidida por dom Paulo Jackson
Vila Rica, Jaboatão dos Guararapes
9h – Missa 15h30 – Carreata com saída da Paróquia Nossa Senhora do Ó até a Capela da Conceição dos Médicos Em seguida – Procissão até a matriz, com encerramento em celebração eucarística
Parque Capibaribe, São Lourenço da Mata
7h – Celebração eucarística presidida pelo padre Deonilson Nogueira, da Paróquia São Lourenço Mártir, em São Lourenço da Mata 10h – Celebração eucarística presidida pelo padre Leandro, salesiano e reitor do Oratório do Horto, em Juazeiro do Norte (CE) 18h – Celebração eucarística presidida pelo padre Damião Silva, da Paróquia São Frei Pedro Gonçalves, no Marco Zero, no Recife Ao longo do dia – Alvorada, recitação do Ofício e procissão com a imagem de Nossa Senhora Aparecida Concentração na Capela de Nossa Senhora de Guadalupe, às margens do Rio Capibaribe
Juçaral, Cabo de Santo Agostinho 4h30 – Caminhada da Fé, com saída do Sítio Jaboatãozinho 7h – Cerimônia de bênção do novo manto de Nossa Senhora 8h – Café partilhado Durante todo o dia – Praça de alimentação e feira de artesanato 9h – Adoração ao Santíssimo Sacramento e recitação do Terço Mariano 10h – Missa Solene presidida por dom Fernando Saburido, arcebispo emérito de Olinda e Recife 12h – Almoço, com venda de refeições 13h30 – Caminho de Maria, com subida à Pedra do Arroz em oração 15h30 – Concentração e procissão pelas ruas de Juçaral 17h30 – Missa da chegada, presidida pelo padre Taciano Nascimento 19h – Show católico
Bela Vista, Vitória de Santo Antão
Alvorada festiva 6h – Saída dos romeiros da Capela de São Pedro em direção à matriz 7h – Santa Missa, presidida pelo padre Antônio Rendon, da Ordem dos Oblatos de Maria Imaculada (OMI) 10h – Missa Solene presidida por dom Josivaldo Bezerra, com bênção das crianças 16h – Santa Missa, presidida pelo padre Herbesson Luiz, da OMI Em seguida – Procissão com a imagem de Nossa Senhora Aparecida, seguida da bênção do Santíssimo Sacramento Encerramento – Apresentação musical de Beto e Companhia
A cidade de Jaqueira, na Mata Sul de Pernambuco, há 147 km do Recife, inaugura, nesta segunda-feira (12), dia de Nossa Senhora Aparecida, um santuário em homenagem a padroeira do Brasil e do município. No Alto da Boa Vista, acima da capela, está uma imagem de 13 metros de altura da santa, mas todo santuário chega a 16 metros.
Segundo a gestão municipal, a estrutura gigante durou cerca de um ano para ficar pronta, e agora, passa a ser destaque como ponto de fé e devoção para a comunidade católica na região. A imagem foi produzida em Petrolina, no Sertão do estado, sob a coordenação do escultor Ranilson Viana. Cerca de 20 pessoas trabalharam na construção, desde os estudos iniciais e a modelagem até a execução da estrutura metálica, o revestimento, o acabamento e a pintura, além do transporte, montagem e finalização no local.
Nesta segunda-feira (12), dia que marca a inauguração do santuário, uma programação religiosa será realizada no local. Às 16h, uma procissão com uma imagem de Nossa Senhora Aparecida sairá da Igreja Matriz, no centro do município, em direção ao santuário, que fica na Rua Projetada, s/n, no Alto da Boa Vista. Às 17h, haverá a missa de encerramento, seguida pela benção da imagem e inauguração do mirante e santuário. As informações são da CBN Recife.
Advogados especialistas em direito eleitoral avaliam que o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Kassio Nunes Marques não poderia ter derrubado a lista de transmissão no WhatsApp criada por André Janones (Rede-MG). Pouco depois, o corregedor-geral eleitoral Ricardo Villas Bôas Cueva, relator de ação, restabeleceu o canal.
Na avaliação dos juristas Fernando Neisser e Alberto Rollo, a decisão de Nunes Marques de derrubar todo o canal configurou censura prévia. Além disso, segundo Neisser, o ministro utilizou um procedimento administrativo, e não judicial, para tomar a medida, o que não seria adequado.
O presidente do TSE mandou suspender o “Exército de Lula” através de um processo administrativo no qual as plataformas digitais assinaram um plano de conformidade — uma lista de boas práticas que elas se comprometeriam a respeitar para evitar desinformação — para as eleições brasileiras.
“O plano de conformidade não diz respeito a condutas ou a episódios individuais. Esse é um processo administrativo ligado à necessidade de cumprimento de regras pelas plataformas. Para fazer uma comparação: é como se um juiz determinasse a apreensão do carro de uma pessoa dentro de um processo entre a Agência Nacional de Transporte Terrestre (ANTT) e as empresas que possuem a concessão das estradas”, explicou Neisser, que é professor de direito eleitoral da FGV/SP.
O presidente do TSE reconheceu, no despacho, que o ‘Exército de Lula’ era tema de outro processo em curso na Corte e sob relatoria do corregedor-geral da Justiça eleitoral. Nunes Marques determinou a remessa da cópia do pedido de Flávio Bolsonaro e de sua decisão a Cueva “para as providências que entender cabíveis”.
Já Cueva, na decisão em que restabeleceu o funcionamento da lista de transmissão, defendeu que “a prudência institucional recomenda que a atuação administrativa não antecipe a solução” depois que uma ação é submetida “à apreciação jurisdicional do órgão competente”.
Outro problema apontado pelo advogado eleitoral Alberto Rollo foi de que a suspensão de todo o canal de transmissão foi um exagero por parte do magistrado. “O que o ministro falou na decisão é que o canal estava sendo utilizado para colocação de notícias sabidamente inverídicas. Então, o remédio que a resolução dá é tirar de circulação a determinada postagem. Não tudo. A suspensão do canal é censura”, diz.
Segundo Nunes Marques, a suspensão atinge a estrutura que Janones descreve como um “exército de ‘soldados’ que executam o que lhes é ordenado ‘sem examinar'”. O presidente do TSE também entendeu que o canal “se converteu em vetor de disseminação, em escala nacional, de conteúdos que esta Corte já reconheceu como desprovidos de lastro mínimo”.
“O que se afasta não é a mobilização de apoiadores, nem a crítica política contundente, nem o uso das redes sociais para pedir votos. É a utilização de estrutura de transmissão a milhões de pessoas, sob comando único, para replicar conteúdos que esta Corte já reconheceu como inverídicos, com instruções expressas para contornar as salvaguardas que o próprio provedor declarou adotar e a sua eventual atuação efetiva no caso concreto”, afirmou o ministro em seu despacho.
O caso, na avaliação dos juristas, precisa ser resolvido em plenário. O advogado eleitoral Eduardo Damian Duarte afirma que o Brasil tem visto um excesso de procedimentos judiciais com objetivos idênticos. “Isso acaba levando a parte a escolher o juiz da causa em detrimento da manifestação do plenário do tribunal. Esse é um problema que temos visto no Supremo Tribunal Federal também (STF)”, avalia.
Já Rollo aponta que a atuação do TSE e do STF nas eleições de 2026 está politizada “de parte a parte”. “Aquela decisão da ministra Estela Aranha de proibir a cadeira vazia no debate do primeiro turno da TV Globo também me pareceu exagerada. Ou seja, estão havendo decisões políticas dos dois lados”, defendeu o jurista que também defende que a suspensão da lista de transmissão de Janones deve ser analisada pelo plenário do TSE.
Raquel teve mais de 1 milhão de votos casados com Lula
Numa postagem de fim de semana, joguei uma nuvem de suspeitas sobre a postura de lealdade do PT e, principalmente, do senador reeleito Humberto Costa, com João Campos (PSB), derrotado pela governadora Raquel Lyra no primeiro turno. Ontem, recebi de um leitor números que comprovam que houve, verdadeiramente, uma baita traição.
Vamos aos números: na totalização pelo TSE, Raquel teve 2.805.438 votos e Flávio Bolsonaro 1.738.043 votos. Para sair vitoriosa, a governadora obteve 1.067.395 votos agregados aos votos de Lula, ou seja, essa legião de leitores casou o voto dado a Raquel com Lula e não com João, o que, na prática, põe abaixo o esforço do então candidato do PSB a governador em fazer uma campanha 100% dobrada com Lula.
Traduzindo: o apelo do candidato do PSB pelo voto casado com Lula só beneficiou o presidente e candidato à reeleição, porque o PT em Pernambuco fingiu que fez campanha para João. Humberto, o senador mais votado, saiu das urnas com mais votos do que João.
Recebeu 2.531.389 votos ante 2.360.469 votos, 170.920 votos a mais. Com exceção de Teresa Leitão, candidata à Casa Alta na chapa de Danilo Cabral em 2022, graças ao efeito Lula, em Pernambuco nunca um candidato a governador perdeu a eleição e seus senadores foram eleitos. Humberto chegou a ter mais votos do que Marília Arraes (PDT), que liderou todas as pesquisas até às vésperas da eleição.
Por que tal fenômeno? Humberto era o candidato não oficial de Raquel. Teve o apoio declarado em propaganda de 40 prefeitos leais a governadora, a começar por Rodrigo Pinheiro (PDT), de Caruaru, município que Raquel governou por dois mandatos. Humberto chegou a fazer campanha nesses municípios sem João. O que é isso se não traição?
Em Tabira, município governado pelo PT, seara do deputado federal reeleito Carlos Veras, também petista e integrante do grupo de Humberto, Raquel teve quase 12 mil votos e João pouco mais de mil votos. Já em Jurema, no Agreste, também de prefeito petista, Raquel teve 57% dos votos e João 42%. A mesma coisa Granito, também no Sertão, onde Raquel teve 60% e João 39%.
A política ama a traição e odeia o traidor, como dizia o saudoso Leonel Brizola.
RECIFE FALHOU – Dos 14 municípios que compõem a Região Metropolitana do Recife, João Campos venceu em apenas três: Recife, Olinda e São Lourenço da Mata. O desempenho na região ganhou peso na apuração por se tratar da principal área de influência política de João no Estado. No Recife, onde construiu sua trajetória política e administrou a cidade por cinco anos, o socialista buscava uma votação capaz de sustentar a candidatura estadual. O resultado, porém, ficou abaixo da força demonstrada em eleições anteriores para cargos disputados na capital, resultando em 49,94% dos votos ante 46,07% de Raquel.
Lula só bombou Raquel – Um dos principais elementos da campanha de João foi a associação com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O apoio do presidente foi utilizado pelo socialista como uma das marcas da candidatura e ganhou ainda mais espaço na reta final da disputa. Em 25 de setembro, Lula participou de um ato de campanha em Pernambuco ao lado de João e a chapa da Frente Popular, o “time de Lula” no Estado. A presença do presidente ocorreu pouco mais de uma semana antes da votação, em uma tentativa de reforçar a candidatura na reta final, porém, não foi suficiente para alterar o resultado da disputa. Raquel acabou tendo mais de 1 milhão de votos casados com Lula.
Prefeitos aprovados transferem votos – Gestões bem-sucedidas são comprovadas em votos nas urnas. É o caso de Garanhuns, onde João bateu Raquel com 53% dos votos ante 44%, graças ao prefeito Sivaldo Albino (PSB), que goza de altíssima popularidade no município. Também é o caso de Araripina, capital do Ararípe. Ali, João teve 65% dos votos porque o prefeito Evilásio Mateus (PDT) tem um governo bem aprovado, em sintonia com os anseios da população.
Prefeito ruim puxa para baixo – No oposto, prefeito rejeitado pela população resulta em retumbante derrota a quem se alia. É o caso, por exemplo, do prefeito de Belém do São Francisco, Calby Carvalho (Republicanos). Ex-prefeito e já liderando as pesquisas para voltar em 2028, o socialista Gustavo Caribé deu 51% dos votos a João, mesmo enfrentando a máquina municipal. Cabrobó, no São Francisco, também reproduziu nas urnas o desgaste do prefeito, saindo João vitorioso no município com quase 50% dos votos.
No Pajeú, Itapetim e Carnaíba dão as maiores vitórias a João – Em Itapetim, a prefeita Aline Karina (PSB) deu a maior vitória a João Campos no Sertão do Pajeú: 63% dos votos. A gestora dá sequência a um projeto administrativo exitoso no município iniciado pelo ex-prefeito Adelmo Moura, que já governou o município por quatro mandatos. Berço imortal da poesia no Pajeú, Itapetim é, também, uma ilha de excelência em gestão pública. Karina foi secretária de Adelmo e se revelou também no comando do Governo Municipal. Itapetim bateu Carnaíba, terra também de uma gestão super competente, do socialista Berg Gomes, que sucedeu Anchieta Patriota, também extremamente aprovado em suas passagens pela Prefeitura.
CURTAS
SANHARÓ – Em Sanharó, no Agreste, o prefeito César Freitas (PCdoB) também mostrou sintonia com a população: deu a João 57,8% dos votos. Na campanha, resistiu a todo tipo de pressão para se alinhar ao projeto de reeleição da governadora. Mas Freitas, além de bom gestor, não conjunta o verbo trair.
ANGELIM – Outro prefeito extremamente correto e competente é Caíque, o Galeguinho (PSB), de Angelim, no Agreste Meridional. Proporcionou a João uma das vitórias mais retumbantes na região: 64% dos votos. O resultado é fruto da gestão por excelência que o município tem hoje depois de desastrosas experiências antes de Caíque chegar ao poder.
PETROLÂNDIA – Em Petrolândia, o prefeito Fabiano Marques (Republicanos) deu a maior vitória a João no Sertão de Itaparica: 55% dos votos. Fabiano teve outra expressiva e comemorada vitória: a chegada do seu filho Bruno à Assembleia Legislativa. Em Itaparica, João ganhou também em Floresta, com 55% dos votos.
Perguntar não ofende: Foi só atropelo de agenda o motivo para a Record cancelar o debate de ontem entre Lula e Flávio?