Engajamento do petista no Instagram salta 121% no 2º turno, enquanto o adversário praticamente estaciona
Por Dante Peixoto*
Duas semanas bastaram para redesenhar o mapa digital do segundo turno. O placar da mobilização já tem dono. O engajamento dos dois presidenciáveis disparou, mas em velocidades bem diferentes. As pesquisas eleitorais seguem em empate técnico, o resultado continua imprevisível, mas nas redes já dá pra ver quem está puxando mais gente.
No Instagram, o volume diário de interações de Lula mais que dobrou desde o primeiro turno: saiu de uma média de 3,96 milhões por dia para 8,73 milhões, alta de 121%. Flávio mal se moveu, de 2,90 milhões para 2,98 milhões, alta de apenas 3%. No X, o padrão se repete: Lula subiu 213%, Flávio, 70%.
Leia maisLula também passou a liderar em volume absoluto: no dia 21 de outubro, mesma data do índice abaixo, ele gerou 7,3 milhões de interações no Instagram em 24 horas, mais do triplo de Flávio. É um dos fatores que explicam o placar do Índice de Força Digital do Radar EVAG, que soma audiência, engajamento, mídia e buscas: 73,8 pontos para Lula, 49,2 para Flávio.
Pra entender esse movimento, vale trocar a metáfora da bolha pela do sistema solar. Cada campo se organiza em torno de um núcleo (candidato e lideranças) cercado de órbitas: militantes próximos, simpatizantes e um público de ligação fraca que segue por afinidade parcial. A diferença é que essas órbitas não são fechadas. Um corpo fracamente ligado a um núcleo pode ser capturado pela gravidade do outro, se ela for mais forte.
É o que parece acontecer com o público do MBL/Missão, de Renan Santos: antipetista histórico, mas distante do bolsonarismo. Suas lideranças orientaram voto nulo. A orientação não segurou o eleitorado. Na AtlasIntel, a intenção de voto em Flávio caiu de 40,3% para 33,5% em dez dias, e a de Lula subiu de 28,1% para 31,9%.
Numa análise de 1.272 respostas a essas lideranças no X, os ataques a Lula despencaram de 12% para 3,8% depois do debate. É sinal de que o núcleo lulista, ao impor a pauta do sigilo bancário e da corrupção, deslocou parte de um público que orbitava o adversário.
Outro dado desmente a força aparente das grandes páginas: contas institucionais como Mídia Ninja, Jovem Pan e Revista Oeste alcançam só 3% a 5% dos próprios seguidores por vídeo. Já as vozes individuais extrapolam a audiência própria: o vídeo típico de Janones chega a 114% dos seguidores, o de Nikolas Ferreira, 121%. Mensagem pessoal atravessa órbita melhor que comunicação institucional.
Os temas, hoje, também divergem. Lula fala de infraestrutura, em tom institucional. Flávio ataca (citou Lula seis vezes em 15 tweets), mas paga caro: a penalidade reputacional por associações à “rachadinha” tirou 17,6 pontos do seu índice.
Os números apontam uma virada em curso nas redes. Desde que o Radar EVAG passou a monitorar lado a lado as redes de esquerda e de direita nesta eleição, nunca um movimento assim tinha aparecido nos dados.
A dúvida que resta não é mais se o cenário digital mudou. É quem consegue produzir a última onda capaz de transformar esse avanço em votos antes do fim do segundo turno.
Faltam poucos dias de campanha. O próximo debate carrega um peso sem precedentes para os dois lados, não só pelo que pode render de audiência, mas pela pauta que um núcleo mais forte consegue impor e fazer vazar para as órbitas do adversário.
*Dante Peixoto é diretor da EVAG Comunicação e Tecnologia Política, especialista em mapear o Índice de Força Digital de candidaturas e campanhas na web.
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