Por Rudolfo Lago – Correio da Manhã
Uma das autoras de um dos pedidos de CPMI do caso Master que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) guarda com o máximo de cuidado debaixo da sua cadeira, a deputada Heloisa Helena (Rede-RJ) criticou duramente para o Correio Político o que, na sua avaliação, não passa de “jogo de cena”.
Na semana passada, quando Alcolumbre, em sessão do Congresso, disse que não iria pautar a instalação da CPMI, suscitou um debate no qual se atacaram o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), um acusando o outro de envolvimento na crise do banco e cada um manifestando-se a favor da investigação. Para Heloisa Helena, pura encenação.
Leia mais“Sinceramente, sinto desprezo pelo cínico jogo ensaiado”, disse Heloísa Helena. “Bilhões usurpados de aposentadorias e pensionistas, outros mais de bancos públicos no Fundo Garantidor de Crédito [FGC], impacto gigantesco nos orçamentos estaduais e municipais para tampar o roubo, que no final será pago pelos mais pobres”, continua. Para a deputada, haveria no ato de Alcolumbre de sentar em cima da CPMI uma encenação.
Alcolumbre não pauta, porque interessa a ele que a investigação não avance, e governo e oposição fazem seus discursos porque sabem da mesma forma que não vai avançar. Começando por Flávio Bolsonaro, tudo o que ele disse até agora mostra que ele não teria a menor condição de ir a uma CPMI e ali esclarecer o que de fato aconteceu com o dinheiro que pediu a Vorcaro. Ele fala de um “contrato com cláusula de confidencialidade”. Onde está o contrato? Não há mais sentido em manter confidencialidade. Primeiro, porque Vorcaro não honrou o contrato.
Segundo, porque o banqueiro está preso e constatada a origem ilegal do dinheiro. Do total de R$ 134 milhões que pediu, Flávio teria recebido efetivamente R$ 60 milhões. Se o senador tivesse de fato como mostrar que o dinheiro efetivamente foi para o financiamento de Dark Horse, a cinebiografia de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, já teria apresentado essas planilhas.
Se, assim, Flávio nada ganharia sentando-se na cadeira de uma CPMI, também nada ganharia o governo. Primeiro, porque nunca interessa a um governo uma Comissão Parlamentar de Inquérito. Ela é um instrumento da minoria, e é por isso que pode ser instalada com um número número menor de apoio.
Mas o governo também teria o que explicar. E o PT. Começando pelo fato de ser o Credicesta a origem da maior parte dos consignados falsos que engordaram a carteira que o Banco Master vendeu para o BRB. O Credicesta pertencia ao governo da Bahia, do PT, que o vendeu a Augusto Lima, sócio de Vorcaro.
Poderá o PT e o governo da Bahia dizer que não sabia das intenções do Master de usar o Credicesta para fraudes. Mesmo assim, poderá ter problemas para explicar algumas coisas numa CPMI. Por exemplo: como se teve acesso aos dados dos professores da Bahia que tiveram em seus nomes os créditos?
Como era possível haver consignados falsos em nome dos professores da rede pública de ensino da Bahia sem o devido desconto do tal empréstimo todo mês na conta desses professores, se é assim que funciona um crédito consignado? Quem fazia vista grossa? Como se dava? O governo da Bahia teria como explicar isso numa CPMI?
Figuras ligadas ao PT e ao governo podem mesmo com tranquilidade explicar suas relações? O ex-ministro da Fazenda Guido Mantega e o ex-ministro da Justiça Ricardo Lewandowski explicam tranquilos os contratos que tinham com o Master?E, então, Alcolumbre, com relação ao fundo do Amapá?
Assim, enquanto espera uma definição quanto à CPMI que pediu juntamente com a deputada Fernanda Melchiona (Psol-RS), Heloisa Helena desconfia das cobranças quanto à investigação. Nem governo. Nem oposição. Nem Centrão. Nem Legislativo. Nem Judiciário. É a impressionante rede de proteção do Master.
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