Presidente da Câmara de Vereadores de Arcoverde, o advogado Luciano Pacheco (MDB) também exibiu sua veia musical. Subiu ao palco durante o show da banda Sebá Rossi e cantou “Garçom”, o maior sucesso do saudoso Reginaldo Rossi.
Presidente da Câmara de Vereadores de Arcoverde, o advogado Luciano Pacheco (MDB) também exibiu sua veia musical. Subiu ao palco durante o show da banda Sebá Rossi e cantou “Garçom”, o maior sucesso do saudoso Reginaldo Rossi.
Por Agência Brasil
O prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, defendeu neste fim de semana o futebol como espaço de mobilização social e exaltou o ex-jogador brasileiro Sócrates e a Democracia Corinthiana, movimento contra ditadura militar no Brasil que envolveu membros do clube paulista.
Mamdani publicou vídeo nas redes sociais, ontem (13), antes do jogo Brasil e Marrocos, pela Copa do Mundo nos Estados Unidos. “O futebol criou movimentos, ajudou a derrubar ditadores e, por 90 minutos, não só nos permitiu esquecer nossos problemas, como também encontrar maneiras de superá-los. Que jogo lindo”, ressaltou o prefeito.
Leia mais“Enquanto nos preparamos para celebrar a Copa do Mundo aqui em Nova York, estamos criando e comemorando algo muito maior do que gols marcados e desarmes realizados. Estamos celebrando um esporte que deu a milhões de pessoas, em todo o mundo, tantas delas pobres e esquecidas, um senso de pertencimento, uma conexão com o próximo, um sentimento de solidariedade”, disse Mamdani.
Democracia Corinthiana
A Democracia Corinthiana foi um movimento que fez história no futebol brasileiro e visava a maior participação dos jogadores e demais empregados nas decisões do clube. Por voto, eles ganharam o direito de escolher coisas como horário dos treinos e detalhes da concentração. Em 1982, Waldemar Pires foi eleito presidente do Corinthians e passou a fazer esse diálogo com os jogadores do elenco profissional.
Entre esses atletas, estavam Sócrates, Wladimir, Casagrande, Biro-Biro, Zé Maria e Zenon, lideranças politizadas que ganharam espaço como vozes do grupo. A influência da equipe não se restringiu ao futebol e, naquele período, o Corinthians estampou em suas camisas frases de cunho político como “Diretas Já”, em uma época em que movimentos sociais se articulavam para lutar pela volta da democracia ao país.
A Democracia Corinthiana durou alguns anos e começou a perder força em 1984, quando Casagrande foi para o São Paulo e Sócrates se transferiu para a Fiorentina. No período, o time venceu o Campeonato Paulista três vezes (1982, 1983 e 1988) e, em 1990, venceria o Campeonato Brasileiro pela primeira vez em sua história.
No vídeo, o prefeito Zohran Mamdani, lembrou da atuação de Sócrates como meio-campo brasileiro nas décadas de 1970 e 80, incluindo a Copa do Mundo de 1982, quando foi capitão da equipe.
“Foram anos difíceis para o Brasil. Uma ditadura militar repressiva governava o país, impondo seu domínio pela força. No Corinthians, clube que capitaneou, Sócrates e seus companheiros participaram do que todo brasileiro comum sonhava: democracia. Eles iniciaram um experimento de autogoverno chamado Democracia Corintiana. Independentemente de ser o craque do ataque ou o funcionário da lavanderia, todos tinham o mesmo voto”, exaltou.
“E, enquanto a ditadura militar torturava e assassinava seus cidadãos, Sócrates liderava os jogadores em campo, vestindo jaquetas com os dizeres ‘Quero votar no meu presidente’”, lembrou Mamdani.
O Brasil estreou contra o Marrocos na Copa do Mundo, ontem, em jogo no MetLife Stadium, em Nova Jersey, cidade que é uma das sedes do campeonato junto com Nova York. A partida pelo Grupo C terminou em empate, em 1 a 1.
O democrata Zohran Mamdani, de 34 anos, tomou posse em janeiro deste ano como prefeito de umas das cidades mais importantes dos Estados Unidos. Ele é o primeiro muçulmano a comandar a cidade e o mais jovem a ocupar o posto desde 1892.
O prefeito novaiorquino é descendente de imigrantes, se considera socialista, é crítico ao presidente dos Estados Unidos Donald Trump e é favorável à causa palestina.
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O 1º Forró do Magno, em Arcoverde, que deve entrar para o calendário junino pelo seu extraordinário sucesso de estreia, ontem, valorizou a cultura local, começando ao meio-dia com o grupo musical do Maestro Zezinho do Acordeon.
O mestre tocou sanfona por muitos anos na banda de Maciel Melo. É de Arcoverde e difunde a história do Sertão com foco na tradição da cultura nordestina. Integra o seu grupo, que toca de tudo que é bom, Antônio Germano, Jô, Topo Gigio, Lenildo e sua filha Allana Carla, vocalista de voz aveludada.
Outra super atração do 1º Forró do Magno, ontem, em Arcoverde, foi o cantor e compositor Paulinho Leite, que está de volta aos palcos com o projeto audiovisual “Atravessando o Tempo”, marcando seu retorno após um período de pausa, com 15 faixas autorais e participações de nomes como Santanna, André Rio, Nando Cordel e Maciel Melo.
O trabalho foca nos ritmos nordestinos como forró, baião e xaxado. Na festa, Paulinho também cantou sucessos anteriores e foi muito aplaudido.
Grande atração do 1º Forró do Magno, ontem, em Arcoverde, o cantor e compositor Silvério Pessoa encheu os olhos da plateia cantando grandes sucessos do paraibano Jackson do Pandeiro. Foi aplaudidíssimo também pela espetacular performance em palco.
Silvério se apresentou com a orquestra Super Oara, ao lado do talentoso Elaque, múltiplo artista e instrumentista. Pela manhã, também cantou na feira do Cecora, num programa ao vivo da rádio Itapuama FM sob o comando da jornalista Zalxijoane Ferreira e do irmão João Ferreira Filho.
Artista popular, extremamente identificado com os valores da terra e a cultura regional, Silvério Pessoa adorou ter cantado na feira. Mais do que isso, aplaudiu as escolhas que fiz para subir ao palco na minha festa.
“O seu forró, Magno, vai dar certo porque você encontrou uma forma de valorizar o artista local, as nossas raízes e a nossa história musical. Adorei ver no palco o maestro Zezinho do Acordeon, com mais de 20 anos de história levando a tradição da cultura nordestina, junto aos amigos Antônio Germano, Jô, Topo Gigio, Lenildo e sua filha Allana Carla”, afirmou.
E acrescentou: “Também adorei ver no palco a super Oara, que é a cara de Arcoverde, sob a batuta do grande Elaque, assim como o Paulinho Leite, extremamente talentoso e propagador da nossa cultura”.
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Há muito, sabia e conhecia o vozeirão do ex-deputado federal Sebastião Oliveira, hoje presidente estadual do Avante e candidato a deputado estadual. Só não tinha dimensão da sua projeção na música nordestina com a sua banda Sebá Rossi, cover do rei Reginaldo Rossi.
Ele roubou a cena, ontem, no meu forró, em Arcoverde, interpretando os grandes sucessos do rei do brega. Sua banda é sensacional! O público adorou, vibrou e dançou de rosto coladinho.
Parabéns, amigo Sebá! E obrigado por ter aberto a sua agenda junina para o meu evento num dia tão concorrido, inclusive com estreia do Brasil na Copa.
O jornalista Dárcio Rabêlo, da Rádio Independente de Arcoverde, esteve presente no 1º Forró do Magno fazendo uma ampla cobertura. Em breve entrevista, falei a Dárcio sobre o pioneirismo do blog no Nordeste, Brasília como escola e etapa da minha consolidação no jornalismo político, e também sobre a ideia de levar o Forró do Magno para Arcoverde, terra da minha Nayla, a fim de prestigiar nossos leitores e ouvintes do interior.
Assista!
Um dos momentos mais emocionantes do estrondoso sucesso do 1º Forró do Magno, ontem, em Arcoverde, foi a bela surpresa que a atriz global, cantora, compositora e escritora Mayana Neiva me fez. Com agenda de shows na região, inclusive sendo a grande estrela da abertura oficial do São João de Arcoverde, Mayana fez questão de dar uma passadinha na minha festa para cantar e distribuir simpatias com o público.
Mayana é a prova mais linda de que fama não sobe a cabeça, é espalhada e compartilhada com simplicidade e simpatia. Sua presença foi um gesto em retribuição a um emocionante e belo Sextou que fiz com ela na Rede Nordeste de Rádio.
Sextou é o programa musical que ancoro entrevistando artistas nacionais e regionais para mais de 50 emissoras no Nordeste todas as sextas. O de Mayana foi sensacional. Além de excelente intérprete, Mayana compõe, escreve, faz poesias e palestras com foco no comportamento humano.
Mayana Neiva é paraibana de Campina Grande. Foi morar nos EUA durante a adolescência, quando descobriu a vocação para o teatro. No retorno ao Brasil, passou por concursos de beleza, eleita Miss Paraíba em 2003. Depois, migrou para São Paulo com o objetivo de se dedicar à vida artística.
Após participar de grupos de teatro, recebeu o convite para estrear na TV na minissérie A Pedra do Reino (2007), na Globo. Em seguida, fez Queridos Amigos (2008) e seu primeiro papel em novelas, a modelo Desirée de Ti Ti Ti (2010).
Formada em Filosofia, também lançou o livro “Sofia”, de cunho infantil, em 2009. Seguiu na emissora com papéis em Amor Eterno Amor (2012), Sangue Bom (2013), O Outro Lado do Paraíso (2017), Éramos Seis (2019), entre outros títulos. Também dedicou-se a trabalhos no cinema e no teatro.
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O pré-candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, perdeu apoio entre evangélicos, mulheres, jovens e na região Sudeste, mostram dados da pesquisa Quaest obtidos pelo g1. O detalhamento por região, sexo, idade, renda, escolaridade e religião ajuda a explicar a mudança de cenário captada nessa semana, quando o presidente Lula abriu 6 pontos de vantagem sobre Lula no 2º turno.
Desde março, Lula e Flávio apareciam em empate técnico na simulação de 2º turno da Quaest. Agora em junho, o petista passou a liderar, com 44% das intenções de voto contra 38% de Flávio. Entre uma pesquisa e outra, veio à tona a relação de Flávio com o banqueiro preso Daniel Vorcaro. O senador recebeu R$ 61 milhões do dono do banco Master a pretexto de financiar a cinebiografia de Jair Bolsonaro, “Dark Horse”. As informações são do g1.
Leia maisDe maio a junho também, os Estados Unidos, de Donald Trump, anunciaram duas medidas que impactam o Brasil: a classificação das facções criminosas CV e PCC como organizações terroristas e o aumento de tarifas sobre produtos brasileiros. As duas decisões saíram depois de uma visita de Flávio Bolsonaro a Trump e a integrantes do alto escalão do governo americano.
Onde Flávio Bolsonaro perdeu apoio
Dados da Quaest mostram perda de apoio a Flávio Bolsonaro nas regiões Sudeste e no agregado Centro-Oeste/Norte. O Sudeste concentra dois dos maiores colégios eleitorais do Brasil: São Paulo e Minas Gerais.
No Sudeste, Flávio Bolsonaro vem em queda desde abril. O senador, que já esteve na dianteira com 12 pontos de vantagem, deixou a liderança na região e agora está em empate técnico com Lula. O presidente mostra tendência de alta desde abril.
No agregado Centro-Oeste/Norte, Flávio Bolsonaro oscilou 8 pontos para baixo. Com Lula em tendência de alta desde abril, o cenário também mudou para um empate técnico. No mês passado, o presidenciável do PL estava 14 pontos à frente. Hoje, está a apenas 2.
Mudança entre jovens, mulheres e evangélicos
Dados da Quaest mostram o presidente Lula com vantagem numérica sobre Flávio Bolsonaro entre todas as faixas etárias medidas. O senador perdeu a vantagem no único estrato em que liderava: as pessoas com idade entre 16 e 34 anos.
Na faixa etária entre 35 e 59 anos, Lula manteve os 44% de intenção de voto, e Flávio oscilou de 40% para 38%. Entre pessoas com mais de 60 anos, o presidente passou de 46% para 44% e Flávio, de 38% para 37%.
“Entre as faixas etárias, o grupo de 16 a 34 anos é o exemplo mais forte da virada. Depois de três rodadas consecutivas com vantagem numérica de Flávio, Lula passa à frente nesse segmento”, diz Felipe Nunes.
O eleitorado feminino aparece como um desafio histórico para a família Bolsonaro, e os acontecimentos de maio refletiram em números menos favoráveis para Flávio, com a ampliação da vantagem de Lula nesse grupo.
Entre os homens, Flávio registra vantagem numérica sobre Lula, com 44% contra 41% do petista. Como a margem de erro nesse estrato é de 3 pontos para mais ou para menos, a situação é de empate técnico – em maio, o senador liderava entre os homens com 8 pontos de vantagem.
Outro estrato em que o pré-candidato do PL perdeu força foi entre evangélicos, com uma queda de 9 pontos. Flávio ainda lidera nesse grupo, mas a vantagem em relação a Lula diminuiu de 37 para 21 pontos de maio a junho.
Movimentação de acordo com renda e escolaridade
Flávio Bolsonaro oscilou para baixo entre eleitores com renda de mais de 2 salários mínimos e aqueles que cursaram ao menos o Ensino Médio. Entre as pessoas que ganham entre 2 e 5 salários mínimos, a vantagem numérica se inverteu de Flávio para Lula.
Flávio passou de 51% para 46% entre eleitores que ganham mais de 5 salários mínimos. Ainda assim, o senador está 12 pontos à frente de Lula, que manteve os 34% nesse grupo.
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A cidade de Arcoverde abriu oficialmente, ontem (13), a programação do São João 2026, considerado pela organização como o “Melhor São João do Nordeste”. Diante de um grande público, Mayana Neiva, Alceu Valença e Flávio José comandaram o forró da primeira noite da festa, em noite de Santo Antônio.
Antes dos shows, houve a transmissão do jogo da seleção brasileira no telão do Palco do Polo Multicultural. O prefeito Zeca Cavalcanti e a secretária de Turismo e primeira-dama, Nerianny Cavalcanti, declararam oficialmente aberta a temporada junina na Capital do Samba de Coco. “Agora a Terra do Samba de Coco também é a terra dos Santos juninos, do forró e da alegria”, destacaram.
Leia maisA primeira atração a subir no palco foi a atriz, cantora e compositora Mayana Neiva com o espetáculo “Tá Tudo Aqui Dentro”. Em uma apresentação repleta de identidade nordestina, ela passeou por obras de grandes intérpretes e compositoras como Anastácia, Marinês, Glorinha Gadelha, Elba Ramalho, Amelinha e Clara Nunes, além de apresentar canções autorais, cordéis e poesias que conquistaram o público.
Na sequência, foi a vez de Alceu Valença transformar o pátio em um grande coro coletivo. O artista pernambucano levou milhares de pessoas a cantarem clássicos como “Anunciação”, “Belle de Jour”, “Morena Tropicana” e “Coração Bobo”, além de sucessos do repertório junino e músicas da turnê “80 Girassóis”, criada para celebrar seus 80 anos de vida.
Encerrando a primeira noite, antes do show do autêntico forró nordestino de Flávio José, que emocionou os amantes da cultura popular, houve queima de fogos de artifício sem estampidos, respeitando pessoas com sensibilidade auditiva e animais. Já no palco, Flávio José trouxe sucessos que atravessam gerações, como “Caboclo Sonhador”, “Tareco e Mariola” e “Caia Por Cima de Mim”. O cantor manteve o público animado até os últimos momentos da programação.
A festa segue neste domingo (14) no Palco Multicultural, com apresentações de PV Calado, Junior e Jorge e Lipe Lucena, a partir das 20h. Já amanhã (15), os shows dão lugar a uma das tradições mais aguardadas da programação: o Festival de Quadrilhas Juninas, que acontece no Ginásio do SESC Arcoverde, a partir das 17h, reunindo grupos de diversas cidades do Sertão e de outras regiões do estado.
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Moradores do Recreio dos Bandeirantes, na Zona Sudoeste do Rio de Janeiro, relataram uma série de explosões e muito fogo na manhã deste domingo (14) após a queda de pelo menos uma aeronave de pequeno porte. Seis pessoas morreram na queda de 2 helicópteros no Recreio dos Bandeirantes, na Zona Sudoeste do Rio de Janeiro, na manhã deste domingo (14).
Segundo testemunhas, as aeronaves se chocaram no ar. Segundo o major Fábio Contreras, porta-voz do Corpo de Bombeiros do RJ, ninguém sobreviveu. Moradores registraram o acidente em diversos vídeos. Até a última atualização desta reportagem, as vítimas não haviam sido identificadas. As informações são do g1.
O Corpo de Bombeiros foi acionado às 8h59 para a ocorrência. Um desses helicópteros explodiu na queda, e o incêndio pegou vários carros elétricos, o que levou a outras pequenas explosões. As aeronaves caíram no terreno de uma igreja abandonada que havia sido alugado pela BYD, no quarteirão da Avenida das Américas com as ruas Beth Lago e Rivadávia Campos. A pista lateral da Avenida das Américas no trecho foi fechada para o socorro. Um dos helicópteros explodiu ao atingir o solo, e as chamas se alastraram pelos veículos elétricos, o que causou mais explosões. O outro não pegou fogo.A coluna de fumaça podia ser vista a quilômetros de distância.
O tempo não volta, é verdade, mas marca. E como marca! Marca o coração, se encrusta na alma, permanece na memória. Quando chega a Copa do Mundo, a minha memória reluz sobre uma serra em Afogados da Ingazeira, onde escalei, menino, para botar os olhos numa TV preto em branco, que, supostamente, passaria os jogos do Brasil.
Mas só assistimos chuviscos. Não lembro de quem foi a ideia, mas se propalou na cidade que o sinal de TV era alcançado em serras e montanhas, áreas de altitude. A população da minha terra acreditou piamente na tese e lá fomos para o cumo da serra, que não lembro mais o nome. Só recordo que foi uma arte desventurada, uma maluquice sem fim.
Leia maisNasci e cresci sem conhecer televisão. O único veículo de comunicação em Afogados da Ingazeira quando eu corria suas ruas descalço era o rádio. TV, só Recife, luxo exclusivo das civilizações, não de aldeias como a minha quando imberbe e ingênuo. A única novela na minha aldeia era o fuxico nas calçadas, as históricas de assombração do meu amigo de infância Fernando Moraes.
Danda de “Seu” Espedito, como assim era conhecido em nossa aldeia pajeuzeira, gostava de assustar garotos criados no colo da mãe como eu. Dizia que quando a luz apagava — a energia da cidade era movida por um motor a diesel que deixava de funcionar por volta de dez da noite — ninguém podia passar na praça porque aparecia um bicho papão.
Danda era tão ruim que descrevia a assombração para nos meter mais medo ainda: um bicho alto, vestido de branco, de boca grande para comer o fígado das crianças traquinas. Eu me tremia de medo e me escondia dentro do guarda-roupa. Quanta ingenuidade minha! Quanta maldade de Danda!
Mas voltando ao episódio da TV encravada na serra, a cidade inteira se transferiu para o nosso morro dos ventos uivantes. A subida era quase impossível: pedras, espinhos, carrapicho e urtiga. A ordem era se livrar dessa plantinha terrível, porque queima feito fogo.
O Brasil foi campeão na Copa do Mundo de 1970. O torneio aconteceu no México e a seleção brasileira conquistou o tricampeonato mundial de forma invicta, garantindo a posse definitiva da Taça Jules Rimet. O Brasil derrotou a Itália na grande final pelo placar de 4 × 1 no Estádio Azteca. Os gols brasileiros foram marcados por Pelé, Gérson, Jairzinho e Carlos Alberto Torres.
Mas não vimos nada pela TV escalada no alto da montanha em Afogados da Ingazeira. Que mico pagamos, fico a pensar hoje quando essa recordação me chega em meio ao clima de Copa do Mundo. Momentos marcantes são construídos com emoção, amor e vivências.
Tornam-se memórias inesquecíveis que definem nossa história de vida. Viram coisas especiais pela intensidade do sentimento, muitas vezes nos pequenos detalhes que se enraizam na memória. A vida é como uma câmera: a gente só captura esses momentos e sentimentos se o foco sair da memória.
A Copa também chega trazendo saudade, porque a saudade é o preço que pagamos por ter vivido momentos inesquecíveis. Momentos felizes passam, os inesquecíveis ficam e os eternos, logicamente, criam raízes sólidas para sempre.
Lembranças também existem com um toque de saudade para se gravar na memória. Para Rubem Alves, meu cronista do coração, a memória não é apenas um depósito de fatos passados, mas uma construção ativa, muitas vezes poética e indomável, que dá sentido à existência e mantém vivos os afetos.
Ele a via como uma forma de “comer o passado” para nutrir o presente, com memórias que têm “vida própria”.
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Por Silvino Teles Filho*
Quando falamos em demência, muitas pessoas pensam imediatamente na doença de Alzheimer. No entanto, a demência não é um diagnóstico único, mas sim um conjunto de sintomas que afetam a memória, o raciocínio, a linguagem, o comportamento e a capacidade de realizar atividades do dia a dia. Existem diferentes tipos de demência, cada um com características próprias, causas distintas e formas específicas de tratamento e acompanhamento.
A doença de Alzheimer é a causa mais comum de demência. Geralmente, seus primeiros sinais estão relacionados ao esquecimento de fatos recentes, dificuldade para aprender novas informações e repetição frequente de perguntas ou assuntos. Com a progressão da doença, outras funções cognitivas também são comprometidas, afetando a autonomia do paciente.
Leia maisJá a demência vascular ocorre em consequência de alterações na circulação sanguínea cerebral, muitas vezes associadas a hipertensão arterial, diabetes, colesterol elevado e histórico de acidentes vasculares cerebrais. Nesses casos, além das dificuldades cognitivas, podem surgir alterações na marcha, lentidão de pensamento e sintomas neurológicos focais. A evolução pode ocorrer de forma gradual ou em “degraus”, com pioras perceptíveis após eventos vasculares.
A demência por corpos de Lewy apresenta características bastante particulares. Os pacientes podem apresentar oscilações importantes da atenção e do estado mental ao longo do dia, alucinações visuais bem definidas e sintomas semelhantes aos da doença de Parkinson, como rigidez muscular e lentidão dos movimentos. O reconhecimento correto desse diagnóstico é fundamental, pois alguns medicamentos podem provocar efeitos adversos significativos nesses pacientes.
Outra condição importante é a demência frontotemporal, que costuma surgir em idade mais precoce quando comparada ao Alzheimer. Nela, as alterações de comportamento e personalidade frequentemente aparecem antes dos problemas de memória. O indivíduo pode tornar-se impulsivo, apresentar perda da empatia, comportamentos socialmente inadequados ou mudanças marcantes nos hábitos alimentares e na forma de se relacionar com outras pessoas.
Existem ainda outras causas de declínio cognitivo que podem simular quadros demenciais, incluindo deficiência de vitaminas, alterações hormonais, depressão, distúrbios do sono, uso de determinados medicamentos e algumas doenças neurológicas. Por esse motivo, uma avaliação médica cuidadosa é essencial para identificar a causa correta dos sintomas.
O diagnóstico das demências envolve uma análise detalhada da história clínica, exame neurológico, avaliação cognitiva e, quando necessário, exames laboratoriais e de neuroimagem. Quanto mais precoce for o diagnóstico, maiores são as possibilidades de tratamento, planejamento familiar e preservação da qualidade de vida.
Diante de queixas persistentes de memória, alterações comportamentais ou dificuldades cognitivas progressivas, a melhor conduta é procurar avaliação especializada. Nem todo esquecimento faz parte do envelhecimento normal, e entender o tipo de demência presente é um passo fundamental para oferecer o cuidado mais adequado ao paciente e à sua família.
*Médico pós-graduado em Psiquiatria e Neurologia Clínica | Instagram: @drsilvinoteles
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