A Faculdade de Medicina de Olinda (FMO) viveu, hoje, um daqueles momentos que uma instituição guarda para a própria história. Em solenidade realizada na cidade, o diretor-geral da instituição, Inácio de Barros Melo Neto, entregou ao Dr. Eduardo Paixão a Comenda Professor Doutor Inácio de Barros Melo, a mais alta distinção honorífica da faculdade. É a primeira vez que a honraria é concedida desde a sua criação.
O homenageado dispensa apresentações para quem acompanha a medicina no estado. Referência da cardiologia pernambucana e brasileira, o Dr. Eduardo Paixão construiu uma trajetória que atravessa gerações de médicos formados sob sua influência, entre a prática clínica de alto nível, a docência e a produção científica.
Leia maisO texto da comenda, impresso em diploma de duas páginas com moldura geométrica em azul-marinho e dourado, é preciso no reconhecimento. A FMO destaca a trajetória profissional, a excelência da atuação docente e as contribuições ao ensino médico, à pesquisa científica e à formação dos estudantes. Menciona ainda o fortalecimento da missão institucional e encerra com uma frase que resume o sentido da homenagem: dedicação, integridade e compromisso com o conhecimento como exemplo de profissionalismo.
O peso de um nome
O que transforma a cerimônia em um acontecimento singular não está apenas no currículo do homenageado. Está no nome que a comenda carrega. O Professor Doutor Inácio de Barros Melo, patrono da honraria, é avô do atual diretor-geral da FMO.
Nascido em Bonito, no interior de Pernambuco, ele fez do estudo o caminho de uma vida inteira. Advogado e professor formado pela Faculdade de Direito do Recife, fundou em 1968 a Faculdade de Direito de Olinda, instituição que dirigiu e que ajudou a firmar como referência no ensino jurídico do estado. Deixou uma frase que a FMO reproduz no documento entregue ao Dr. Eduardo Paixão: “Eu passarei, mas sempre haverá a perpetuação do ensino do Direito nesta instituição”.
A segunda página do diploma é dedicada justamente a ele. Ali está registrada a trajetória do menino do interior que acreditou no estudo, e a conclusão que amarra o presente à memória: ao dar o nome do avô à sua mais alta honraria, a faculdade celebra os valores que marcaram aquela vida e estabelece um critério. Receber esta comenda é ser reconhecido como herdeiro desses mesmos valores.
Uma coincidência que diz muito
Na primeira vez em que o nome do patrono é pronunciado em uma outorga, ele aparece ao lado do nome de um ícone da cardiologia brasileira. A coincidência é o coração da cerimônia. De um lado, a memória de quem fundou uma escola de ensino e entendeu a educação como forma de permanência. Do outro, a excelência de quem formou gerações de médicos e levou a medicina pernambucana ao reconhecimento nacional.
O selo circular que acompanha o diploma, com o ano de 2026 e a inscrição “Honra ao Mérito”, e a assinatura manuscrita do Diretor-Geral completam o documento. Nada ali é excessivo. O peso do reconhecimento dispensa ornamentos.
Para a FMO, a entrega da primeira Comenda Professor Doutor Inácio de Barros Melo não encerra um ciclo, abre um. A partir de agora, a honraria tem um critério, um patrono e um primeiro nome. E o primeiro nome escolhido diz bastante sobre o que a instituição pretende valorizar daqui em diante.
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