Apesar de ter lançado Ronaldo Caiado como candidato à Presidência da República, o PSD deve continuar apoiando o governo do presidente Lula (PT), reeleito para seu quarto mandato. Ex-presidente da sigla em Pernambuco, o ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, avalia que o partido tem suas divisões, mas ajudou a garantir a governabilidade para o petista no Congresso Nacional, e deve continuar com espaço na Esplanada nos próximos quatro anos. Em entrevista ao podcast ‘Direto de Brasília’, ele ainda alfinetou as críticas ao PSD, e disse que o partido, que elegeu 43 deputados, mesmo dividido, garante mais votos que siglas de esquerda como PCdoB e PSB – que, juntas, elegeram 26.
“Se for olhar os indicativos de votação do terceiro governo do presidente Lula, o PSD é quem tem maior índice de apoio ao governo na Câmara dos Deputados. Acho que isso vai seguir acontecendo. O PSD se comportou com muita lealdade. Hoje, todos os partidos de centro têm uma divisão, que espelha a polarização regional. Evidente que em algumas votações, dos nossos 43 deputados, o governo vai ter o apoio de 30. Mas veja, um partido mais infiel do centrão, vai botar 20 votos. Dá duas vezes o PCdoB, que é alinhado, dá mais que o PSB. Então o presidente tem que fazer uma construção. Ele sabe que nos momentos mais difíceis, na economia, contou com nosso apoio”, destacou André.
Leia maisO ministro avalia que a opção da sigla por Caiado causou desmobilização, por conta do perfil dele, mais ligado à direita, o que desagradou aliados do Nordeste mais ligados a Lula. “Se o partido tivesse tido êxito naquela pretensão de construir uma candidatura e ela fosse à frente, você tinha Ratinho Júnior e Eduardo Leite. Você teria um grau de adesão de forças que estiveram com o presidente Lula maior do que quando passou a ter a candidatura de Caiado. Nosso partido é de centro, e o candidato que colocamos nas ruas tem um histórico de direita. Veja que os estados do Nordeste ficaram em profundo desconforto, e não foi uma campanha fácil por esses aspectos. Quando se tem uma candidatura majoritária, você concorre para ter maior nitidez, mas essa foi feita de última hora e isso nos impôs um preço diante das pessoas que às vezes não compreendem todos os detalhes de como a candidatura se deu”, analisou.
André disse que não tem sinalização se continuará no ministério, mas que trabalha visando 4 de janeiro, quando encerra o atual mandato do presidente. “Quem decide o ministério é o presidente. Não houve nenhuma conversa em relação a permanência. É algo que entendo que, no momento oportuno, o presidente fará. Evidente que ele vai promover mudanças, é absolutamente natural que isso ocorra. Agricultura é uma pasta muito cobiçada, compreendo isso, e assim como me sinto extremamente lisonjeado por ter merecido a confiança do presidente Lula em dois ministérios (antes ele comandou a Pesca e Aquicultura), é uma distinção e uma gratidão que sempre terei e vou colocar com orgulho no currículo. Ser ministro do único presidente quatro vezes eleito pelo voto no Brasil. Entendo que no momento oportuno ele fará suas escolhas e divulgará. Se isso implicar em encerrar a minha relação no ministério, digo que vou ter pelo resto da vida uma enorme gratidão e orgulho pelo que construímos no agro sob comando do presidente Lula”, concluiu.
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