A cientista política e presidente da Associação Brasileira de Pesquisadores Eleitorais (ABRAPEL), Mara Telles, avalia que as pesquisas de intenções de voto podem mudar os rumos das eleições presidenciais. Em entrevista ao podcast Direto de Brasília, ela ressaltou que os institutos “não têm que acertar”, mas que possuem o poder de influenciar as escolhas na reta final.
“Sim, as pesquisas mudam os rumos das eleições na reta final. Pode ser que influenciem um plebiscito, pelo voto útil. Claro que o eleitor pode ser racional, sobretudo agora que temos essa polarização, mas as pesquisas criam cenários e têm capacidade de impactar nas escolhas”, afirmou Mara. “Estamos numa guerra de narrativas, sobretudo nos tempos da inteligência artificial. Por isso o eleitor tem que prestar atenção”, observou.
“As pesquisas dão uma fotografia do momento atual. Mas o eleitor pode mudar de opinião. Temos inúmeros elementos que podem mudar a opinião do eleitor que não está cristalizado, que não tem uma posição de afeto com o candidato”, completou a presidente da ABRAPEL.
Segundo Mara, até o momento o quadro presidencial demonstra estabilidade nas últimas semanas, com poucas variações e dentro da média. “É um cenário de empate técnico. O quadro não mudou. No geral, o presidente Lula (PT) está muito forte no Nordeste, com uma redução na votação que teve em 2022. Ele voltou a crescer um pouco entre as mulheres, e em 2022 ele ganhou entre mulheres e pessoas de zero a dois salários mínimos. Já Flávio Bolsonaro (PL) tinha crescido entre mulheres, mas parece que estagnou. Ou seja, o quadro está congelado”, avalia a cientista política.
Sobre a queda do escritor e candidato Augusto Cury (Avante), Mara definiu como um “voo de galinha”. “Ele chegou a 11% nas pesquisas, teve um voo de galinha, o que não é incomum. Tem a ver com o fato de ele ser novidade, ele cresceu nesse espaço porque apresentou algo interessante, se mostrou como alguém com um discurso que não era de guerra, mas de cura. A fórmula foi repetir outros ‘outsiders’, como João Dória em São Paulo e Alexandre Kalil em Belo Horizonte. Só que o Cury foi além, tentou ser um ‘outsider’ dentro do afeto. Ele caiu porque é fácil crescer num primeiro momento, mas é difícil transformar visibilidade em intenção de voto. Foi o que ele não deu conta”, descreveu Mara.
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