Rubens Figueiredo aponta Congresso oposicionista e custo das promessas como principais desafios de Lula 4
Reeleito para o quarto mandato, Lula (PT) terá pela frente um Congresso com forte presença da oposição e a necessidade de acomodar nas contas públicas propostas apresentadas durante o segundo turno. Em entrevista, ontem, ao podcast Direto de Brasília, o cientista político Rubens Figueiredo, diretor do Centro de Pesquisa e Comunicação (Cepac), apontou esses dois fatores entre os principais obstáculos do presidente a partir de 2027 e afirmou que ele precisará adotar uma postura “mais de estadista e menos de palanquista”.
Na avaliação de Figueiredo, os primeiros movimentos após a vitória não sinalizaram essa mudança de postura. Ele classificou o discurso feito por Lula depois da confirmação do resultado como “revanchista” e criticou a ausência de um aceno mais claro à conciliação. “Não foi um discurso de conciliação, de pacificação, foi mais do mesmo, daquilo que Lula mostrou durante a campanha”, afirmou.
Leia maisO cientista político também chamou atenção para a parcela expressiva do eleitorado que rejeitou o presidente e para a composição do Congresso eleito. “Mais do que nunca, Lula vai ter que provar sua capacidade de negociação e ter uma visão mais de estadista e menos de palanquista. Você não faz política com esse grau de dificuldade que ele vai enfrentar como se estivesse em um palanque”, ressaltou.
À dificuldade política se soma, segundo Figueiredo, a conta das medidas anunciadas durante o segundo turno. Ele estima em cerca de R$ 260 bilhões o chamado “pacote de bondades” e questiona como o governo conciliará a ampliação de benefícios sociais e ganhos reais de renda com uma dívida pública elevada e juros altos. “Tudo isso tem um custo”, alertou, ao citar propostas como aumento do Bolsa Família, reajuste do salário mínimo acima da inflação e elevação das aposentadorias.
Para Figueiredo, existe uma contradição entre a agenda apresentada ao eleitor e a necessidade de controlar o crescimento da dívida. “Em algum momento essa cadeia tem que ser quebrada, mas Lula acha, fala, reverbera e reafirma que gasto é vida. Então é essa equação que precisa ser resolvida”, declarou. Ele também destacou que o custo do financiamento da dívida brasileira torna a situação mais delicada do que a de países com endividamento proporcionalmente maior, mas juros mais baixos.
Ao analisar a eleição que levou Lula ao quarto mandato, o cientista político atribuiu a virada no segundo turno a uma combinação de mobilização da esquerda e erros da campanha de Flávio Bolsonaro (PL). Segundo ele, Flávio “subiu no salto” depois de vencer a primeira etapa e acreditou que a tendência se manteria naturalmente, enquanto Lula e o PT intensificaram a presença nas ruas e conseguiram levar às urnas parte dos eleitores que haviam se abstido no primeiro turno.
Figueiredo também destacou o desempenho digital da campanha petista, especialmente a atuação do chamado “Exército do Janones”, comandado pelo deputado André Janones (Rede-MG), além da repercussão dos debates presidenciais. “Foi um fenômeno, algo espetacular, que realmente deu outra dinâmica à campanha”, avaliou. Para ele, a combinação desses fatores ajudou a produzir um resultado que considerou tão surpreendente quanto a vitória de Flávio no primeiro turno.
Flávio prepara coletiva nos EUA – Já nos Estados Unidos, Flávio Bolsonaro (PL) prepara uma entrevista coletiva para explicar publicamente os motivos de sua fuga do Brasil após a derrota para Lula (PT) no segundo turno. Segundo aliados ouvidos pelo Metrópoles, a previsão é de que o senador fale ainda nesta semana, possivelmente já hoje, em Washington. Flávio chegou ontem à Flórida acompanhado da esposa e das duas filhas e encontrou o irmão Eduardo Bolsonaro (PL), que vive no país. A saída ocorreu após o Supremo Tribunal Federal (STF) determinar a entrega de seus passaportes e proibi-lo de deixar o Brasil. Na segunda-feira (26), Flávio havia afirmado que “nunca pensou em sair do país” e que entregaria os documentos. Os passaportes, porém, não foram entregues dentro do prazo determinado, encerrado às 11h de ontem, e acabaram cancelados pela Polícia Federal.

Vice de Flávio reconhece resultado das urnas – Candidato a vice-presidente na chapa de Flávio Bolsonaro (PL), Alfredo Gaspar (PL) publicou um pronunciamento nas redes sociais, ontem, em que reconhece o resultado do 2º turno da eleição presidencial, em que eles acabaram derrotados por Lula (PT). O deputado agradeceu os votos recebidos por ele e Flávio e disse que o “sistema mudou as regras” durante a disputa do 2º turno, sem especificar a qual ação se referia. “Nossas bandeiras continuam aí e nós não vamos desistir do Brasil. Nós lutamos até o fim, permanecemos de pé, mantivemos nossos princípios. Há vitórias que representam derrotas e há derrotas que são verdadeiras vitórias. Nós ganhamos, permanecemos firmes naquilo que acreditamos. O Brasil, no futuro próximo, vai vencer”, declarou.
Federação União-PP vai apoiar reeleição de Alcolumbre – A federação formada por União Brasil e PP anunciou, ontem, o apoio à reeleição de Davi Alcolumbre (União-AP) à presidência do Senado. O anúncio foi feito em nota assinada pelos presidentes dos partidos, Antônio Rueda e Ciro Nogueira. A eleição no Congresso será em fevereiro de 2027. Juntos, os dois partidos terão 12 senadores a partir do ano que vem, sendo 6 de cada legenda. Rueda e Ciro Nogueira destacam na nota de apoio “que a continuidade de sua liderança contribui para a estabilidade institucional e o equilíbrio político de que o Brasil precisa para seguir avançando nas pautas de interesse da população”.
Deputados do PT pedem alerta vermelho da Interpol – Os deputados federais Lindbergh Farias (PT-RJ) e Rogério Correia (PT-MG) e a deputada federal eleita Ana Elisa Santos (PT-MG) pediram, ontem, ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, a prisão preventiva de Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Caso o mandado seja expedido, solicitam também um alerta vermelho da Interpol contra o senador. O pedido aponta descumprimento da ordem de entrega dos passaportes e risco de fuga. Na petição, os parlamentares pedem que a defesa informe o paradeiro de Flávio e que a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifeste com urgência. Solicitam ainda cooperação com a Argentina para obter registros de passageiros e identificar quem contratou o jato mencionado nas notícias que embasaram o pedido. Na segunda-feira (26), o senador afirmou que nunca pensou em deixar o Brasil e que entregaria os passaportes. Ele nega irregularidades nas investigações.

Rubio arquitetou fuga de Flávio – O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, arquitetou a fuga de Flávio Bolsonaro (PL) do Brasil rumo ao território norte-americano. A informação foi divulgada por Simón Levy, um advogado mexicano ligado ao presidente Donald Trump, ontem. “O cérebro por trás dessa operação é o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio”, afirmou Levy em uma publicação no X. A expectativa é de que ele solicite asilo político ao governo Donald Trump. Flávio Bolsonaro deixou o Brasil dois dias após perder as eleições presidenciais para Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Ele é investigado junto com o advogado e amigo Willer Tomaz por suposta lavagem de dinheiro.
CURTAS
DILMA – O Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania fixou um pagamento mensal de R$ 17.562,80 para a ex-presidente Dilma Rousseff (PT) como reparação econômica por perseguição política durante o regime militar. A portaria foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) de ontem. Em 1970, Dilma foi presa e submetida a torturas, quando tinha 22 anos.
EL NIÑO – A Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) realizou, ontem, uma audiência pública para discutir os impactos do El Niño sobre o abastecimento de água e a produção agropecuária no estado. Ao final, foi anunciada a proposta de criação de uma frente parlamentar permanente para acompanhar a situação hídrica pernambucana.
EL NIÑO II – Durante a reunião, representantes de órgãos públicos alertaram para o risco de agravamento da estiagem nos próximos meses, com possíveis prejuízos à agricultura e à pecuária. Segundo dados apresentados por Josimar Fernandes, representante da Secretaria Estadual de Agricultura, 75 municípios pernambucanos estão em situação de emergência hídrica. A previsão é de que a falta de chuvas comprometa a produção de grãos e outras atividades do campo. As informações são do Blog da Folha.
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